SANTO  TOMÁS  DE  AQUINO

Filósofo italiano (1225-1274) e doutor da Igreja. Seu pai o ofereceu como oblato, em 1230, na abadia de Monte Cassino. Até 1239 seguiu o trívio com os mestres beneditinos, na única biblioteca praticamente existente na Europa de então. Naquele ano, o mosteiro, foco de defesa do papado, caiu em mãos do Frederico II, e o jovem Tomás seguiu para a recém-fundada Universidade de Nápoles, centro imperial, aberto às obras científicas dos gregos e dos árabes. Ali teve seu primeiro contato com Aristóteles e seus comentadores árabes, Avicenna e Averoes.

Em 1244 ingressou na Ordem de São Domingos. Os frades dominicanos apareciam à juventude universitária medieval como os mais avançados: em Paris e Nápoles misturavam-se os estudantes leigos e davam exemplo de amor à ciência. O ideal de toda a vida de Tomás foi ser, a um tempo, contemplativo e homem de ciência e de ação. Enviado a Paris no mesmo ano, foi seqüestrado no caminho por sua própria família, contrária à idéia, e encerrado prisioneiro no castelo de Roccasseca, onde resistiu a todas as pressões para que desistisse de seus propósitos.

Em 1245 foi enviado pela Ordem a Paris. Teria passado por Colônia, onde ensinava Alberto Magno, ou sofreu mesmo na influência indireta em Paris até 1248. Alberto esboçava uma ampla síntese, doutrina que Tomás levaria a bom termo, concluindo a obra do maior erudito do séc. XIII. Seguiu depois para Colônia, onde frequentou o Studim Generale, centro geral de estudos da província dominicana, organizado por Alberto.

Em 1256 começou a lecionar teologia na Universidade de Paris, apesar da resistência que o clero secular opôs à presença do frade moderno em uma cátedra. Em 1259 encontra-se em Roma, ensinando na cúria papal. Em 1259 voltou a Paris onde debateu o agostinismo do franciscano Boaventura. Em 1272 ensinou teologia em Nápoles.

Dois anos depois, ao dirigir-se para Lion, onde assistira ao concílio, a convite do papa, faleceu na abadia de Fossanova, não longe de Terracina. Foi canonizado por João XXII (1323) e declarado doutor da Igreja por Pio V (1567).

Suas obras foram catalogadas em 1319 e apresentam problemas de cronologia, mas não de autenticidade. Sua doutrina foi declarada suspeita em 1282 pelo capítulo geral da Ordem. Aliás, em 1277, foram atingidos pela condenação do bispo de Paris os 219 artigos averroístas e peripatéticos (Aristóteles). Mais tarde, no concílio de Trento, sua obra seria colocada em lugar de honra. Modernamente, Leão XIII, Pio XI, Pio XII e certamente o Concílio do Vaticano II consideram sua doutrina como pensamento da própria Igreja Católica. Uma prova indireta dessa coincidência do tomismo com o pensamento da Igreja Católica é que os jesuítas professam-no obrigatoriamente.

Entre as obras de Santo Tomás destacam-se os nove comentários bíblicos aos quatro Livros das sentenças de Pedro Lombardo; as questões disputadas, A verdade; A potência; O Mar e doze outras questões; opúsculos sobre O Ser e a essência, A unidade do entendimento, Da eternidade do mundo, A Trindade; Comentários a Boécio; Comentários a Aristóteles; Summa theologiae e Summa contra gentiles. Em 1570 Pio V editou suas obras completas (Editio Piana). Em 1882, Leão XIII iniciou a Editio Leonina.