SÃO  CIRILO  DE  JERUSALÉM

São Cirilo, grande Bispo e doutor da Igreja, nasceu no ano de 315; de família cristã, recebeu toda educação em Jerusalém. Em 345 foi ordenado sacerdote, e o seu apostolado principal foi preparar os catecúmenos para receber o santo batismo, ensinando-lhes o catecismo.

 

No ano de 350, foi sagrado Bispo de Jerusalém, durante o seu bispado passou por muitas dificuldades e transtornos, e todo esse período de provações demonstrou sua firme fé e paciência diante das tribulações.

 

O período em que viveu – entre meados dos séculos IV e V – foi bastante conturbado pelas heresias cristológicas do arianismo e nestorianismo, que queriam dividir Cristo em duas pessoas: a do filho de Maria e a do Filho de Deus – ou seja, apontando como antagônicas as naturezas humana e divina de Cristo. Isso dificultava a evangelização dos pagãos e causava rompimentos profundos nas comunidades eclesiais. Mas São Cirilo surge como ação do Espírito e resposta para aquele momento; com suas pregações, ensinos, homilias e catequese conseguia dar uma resposta aos questionamentos provocados pelas heresias.

 

São Cirilo participou do Concílio de Constantinopla, que dava uma resposta às heresias contra a Divindade de Cristo. Vejamos um trecho do seu discurso nessa ocasião: “Coisa tremenda e assombrosa! Os demônios, com seu pai o diabo, chamam de Filho de Deus o que nasceu de Maria Virgem. Nestório reduz a um mero homem o Filho de Deus; e, com a conversão que nesciamente imagina, inventou perverter e enganar o piedosíssimo imperador, servo e amigo da fé ortodoxa, e, juntamente com ele, as esclarecidas e santas rainhas... Foram porém estéreis seus esforços.”

 

Foi um Bispo da paz diante das divisões que surgiam na Igreja. Revoltados, os hereges que não aceitavam as decisões do Concílio, exilaram três vezes o Bispo da paz, durante dezesseis anos.

Como grande defensor da doutrina, era um grande catequista; preparava com todo afinco os recém-convertidos para receberem o santo batismo, ensinando-lhes sobretudo a moral cristã. E ao explicar-lhes a santa missa, ensinava com que veneração e amor deveriam receber o corpo do Senhor, na Eucaristia, dizendo-lhes: “Ao aproximar-vos, não o façais com as mãos estendidas nem com os dedos separados, mas fazei-o com a esquerda um trono no qual se assente a direita, que vai conter o Rei. E, no côncavo da palma, recebei o corpo de Cristo, respondendo: ‘Amém’.

 

Com segurança, então, depois de santificados vossos olhos pelo contato do santo corpo, recebei-o, cuidando para nada perderdes. Porque senão seria como se perdêsseis um de vossos próprios membros. Dizei-me com efeito: se alguém vos oferecesse palhetas de ouro, não as tomaríeis com todo cuidado, velando para nada perderdes em prejuízo vosso? Deixareis, então, de vos esforçardes ainda mais para que nada tombe do que é muito mais precioso que o ouro e as pedras preciosas?”

É possível observar quanto amor ele tinha a Jesus na Eucaristia e o quanto precisamos crescer no respeito e veneração a Jesus eucarístico, como precisamos nos preparar mais para comungar o corpo do Senhor.

 

Ainda sacerdote, escreveu várias catequeses mistagógicas, grandes sermões pregados na Igreja do Santo Sepulcro, no tempo da Quaresma e Páscoa, sobre os Sacramentos do batismo, crisma e eucaristia. Em uma das suas catequeses ele dizia: “Alegrai-vos, céus, e exulte a terra, por causa daqueles que serão aspergidos com o hissopo e lavados com hissopo espiritual, pela virtude daquele que com o auxílio do hissopo e da cana bebeu na hora da paixão.

 

Rejubilem também as virtudes celestes; quanto às almas, preparem-se para se unir ao esposo espiritual. Pois a voz clama no deserto: ‘preparai o caminho do Senhor’. Conformai-vos, ó filhos da justiça, com o que João exorta e diz: ‘Tornai reto o caminho do Senhor’; retirai todos os empecilhos e tropeços para que caminheis na retidão para a vida eterna. Mediante fé sincera do coração, preparai vasos puros para a recepção do Espírito Santo. Começai por lavar as vestes pela penitência, a fim de que, ao serdes chamados para o tálamo do esposo, vos encontreis limpos. Pois o esposo chama a todos sem distinção; sua graça é generosa e ampla. Com alta voz de pregoeiro, congrega a todos. Mas em seguida escolhe aqueles que entrarão para as núpcias, figuras do batismo.

 

Não aconteça agora que um dos que deram seu nome escute: ‘Amigo, como entraste aqui sem a veste nupcial?’ Ao contrário, que todos possam ouvir: ‘Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel nas coisas pequenas, vou estabelecer-te sobre grandes; entra no gozo de teu Senhor’.

 

Até agora ficastes do lado de fora da porta; que todos vós sejais capazes de dizer: ‘O rei introduziu-me em seu celeiro. Exulte minha alma no Senhor; revestiu-me com a veste da salvação e com a túnica da alegria; qual esposo, colocou em mim a coroa e como esposa ornou-me de ouro puro’.

Encontre-se a alma de todos vós sem mancha nem ruga ou coisa semelhante – não me refiro ao tempo anterior à graça (pois, como foi que fostes chamados à remissão dos pecados?) – mas, ao ser concedida a graça, que a consciência não tenha nada de condenável e possa dispor-se ao efeito da graça.

 

Na verdade, é coisa muito grande, irmãos, e com cuidado especial ide ao seu encontro. Poste-se cada um de vós diante de Deus, na presença das muitas miríades de anjos. O Espírito Santo porá seu sinal em vossas almas; fostes escolhidos para a milícia do grande rei.
Por conseguinte, preparai-vos e ficai a postos; não envergando vestes alvíssimas, e sim a boa disposição de uma pessoa bem consciente”.

 

São Cirilo faleceu no ano de 386 no dia 18 de março, ainda como Bispo titular de Jerusalém. Sua festa foi celebrada somente no ano de 1882. Recebeu o título de doutor da Igreja, pelo Papa Leão XIII, devido às 24 catequeses que escreveu para os catecúmenos de Jerusalém.