SÃO  BONIFÁCIO

Neste tempo em que a Igreja, e não somente ela, mas a vida humana é marcada por tantas perseguições, faz-se necessário o surgimento de testemunhas destemidas, que ofereçam a este mundo secularizado os verdadeiros valores cristãos. Cremos que o Espírito Santo de Deus continua a santificar e a tornar o homem guardião da fé, ainda que este tenha de oferecer o próprio sangue, a exemplo deste varonil apóstolo de Cristo.

 

No dia cinco deste mês, a Igreja celebra a memória de São Bonifácio. Este santo soube conjugar a doçura e a firmeza, a timidez e a coragem, a inquietude e a paciência, o idealismo e o realismo. Muitos o consideram o "grande evangelizador e protetor da Alemanha".
São Bonifácio nasceu na Inglaterra, por volta do ano 673. Fez sua profissão religiosa em 719. Após tornar-se monge, foi para a Alemanha com o ardente desejo de evangelizar, de anunciar Jesus Cristo, obtendo grandes resultados. Na Alemanha, restaurou e organizou a Igreja, sendo nomeado Bispo de Mainz. Presidiu a muitos concílios e promulgou inúmeras leis. É ainda o fundador da abadia de Fulda, centro propulsor da espiritualidade e cultura religiosa alemã.

 

Como um escolhido, um eleito de Deus, agia com coragem diante de tudo aquilo que viesse a obscurecer a verdade de Cristo, não temendo nem mesmo a própria morte. Uma das suas características era o combate às supertições. Em Hesse, um dos lugares onde evangelizou, havia uma grande árvore a quem os pagãos atribuíam o nome de azinheira de Tor. Esta árvore era objeto de culto supersticioso havia muitos séculos e Bonifácio não hesitou em tentar lançá-la ao chão. Diante da atitude do santo, uma grande multidão de pagãos estava disposta a matá-lo.

 

Pondo-se no meio deles, sem temor algum, caminhou até a "árvore sagrada" e começou a golpeá-la. Nesse instante veio um vento muito forte que atirou a azinheira por terra. Vendo isto, a multidão deu-se conta de suas falhas e da verdade da religião de São Bonifácio. Como conseqüência da coragem do santo e do milagre ocorrido, todos os presentes pediram o Batismo. No local onde havia a árvore, o apóstolo edificou uma igreja dedicada a São Pedro.

 

Em 744 o santo volta para Frísia. No dia de Pentecostes, cinco de junho de 754, enquanto celebrava a missa e se preparava para receber os neófitos, ao invés deles, apareceram guerreiros frisões, armados de espadas que, lançando-se sobre São Bonifácio, o degolaram. Juntamente com ele foram assassinados outros 50 monges. Ao lado de seu corpo foi encontrada uma cópia do livro de Santo Ambrósio sobre as vantagens da morte. Antes da sua última missão na terra, o santo havia dito aos seus discípulos: "Vou-me porque o dia do meu trânsito está próximo. Desejo ansiosamente esta partida e nada me pode apartar dela. Preparai, pois, todas as coisas e no cofre dos livros metei o lençol em que haveis de envolver-me o corpo".

 

Seu corpo foi sepultado no mosteiro de Fulda (Hesse) onde até hoje se efetua a reunião anual dos Bispos da Alemanha. Seu ofício litúrgico foi estendido a toda a Igreja por Pio IX.
Que os cristãos do novo milênio, a exemplo de São Bonifácio, Bispo e mártir, testemunhem Jesus Cristo, anunciando ao homem a sua libertação, a fim de que experimente a vida em abundância, pelo conhecimento da verdade que o Senhor nos prometeu.