SANTA  ÁGUIDA

Santa Águeda nasceu em Catânia (Sicília), no seio de uma família nobre. Evangelizada ainda criança, apaixonou-se por Cristo e seu ideal de pureza, dedicando-se a Ele como esposa.

Com toda sua beleza e riqueza, acabou atraindo o Cônsul Quinciano, que desejou desposá-la. Mas Águeda já havia consagrado a sua vida ao seu esposo celeste, que a atraiu primeiro. Quinciano, inconformado, primeiro buscou a ajuda da feiticeira Afrodísia, que se deu por vencida diante da fé e da pureza de Águeda, depois, mandou prendê-la na Sicília, onde sofreria grandes torturas.

Vejamos um trecho do interrogatório feito por Quinciano, descrito nas Atas do seu martírio:

- Qual é a tua condição? Perguntou-lhe Quinciano.

- Sou de condição livre e de nobre nascimento, e disso ofereço testemunho toda a minha linhagem.

- Se és nobre e de ilustre família, por que te entregas à vida dos escravos?

- Sou serva de Cristo e por isso de condição servil.

- Se na realidade fosses nobre, envergonhar-te-ias de falar dessa maneira.

Perseverante na condição de cristã, foi esbofeteada e encerrada num funesto calabouço.

- Que resolveste a propósito da tua salvação? Perguntou-lhe o juiz.

- A minha salvação é Cristo.

- Insensata, pensa de novo, renega a Cristo e comigo partilharás honras e riquezas.

- És tu que deves renegar os teus deuses de pedra e de madeira, se queres libertar-te da morte eterna.

- Muda de resolução e farei cessar imediatamente o suplício.

Como não renegou a fé, foi submetida a torturas, aplicaram-lhe lâminas de ferro e cortaram-lhe os seios, ocasião em que ela teria dito: "Tirano cruel, não se envergonha de danificar numa mulher aqueles seios dos quais quando menino tirou o sustento para a vida?"

Segundo as Atas, ainda encerrada na prisão, teve uma visita do anjo do Senhor, que a curou imediatamente. No outro dia foi apresentada a Quinciano, que determinou que a arrastassem sobre um pavimento semeado de vidros e carvões acesos. Houve grande tremor de terra e morreu na prisão de joelhos em oração.

Um hino falsamente atribuído a são Dâmaso, de autor posterior ao ilustre papa ibérico, recolhe com devoção e arte as glórias da virgem siciliana: " Hoje brilha o dia de Águeda, ilustre virgem; Cristo une-a consigo e coroa-a com duplo diadema. De ilustre prosápia, formosa e bela; mais ilustre, porém, pelas obras e pela fé, reconhece a vaidade da prosperidade terrena e sujeita o coração aos divinos preceitos. Bastante mais forte que os seus cruéis verdugos, expôs os membros aos açoites. A fortaleza do seu coração mostra-a claramente o seu peito torturado. Ao cárcere, que se converteu em delicioso paraíso, desce o pastor Pedro para confortar a sua ovelhinha. Recobrando novo alento e acesa em novo zelo, alegre corre para os açoites.

A multidão pagã que foge amedrontada, diante do fogo do Etna, recebe as consolações de Águeda.

A todos os que recorrem fiéis à sua proteção extingue-lhes Águeda os ardores da concupiscência.

Agora que ela, como esposa, resplandece no céu, interceda perante o Senhor por nós miseráveis.

E queira, sim, enquanto nós lhe celebramos a festa, ser-nos propícia a todos quantos deferimos as suas glórias".

O martírio de Águeda aconteceu durante o império de Décio, no seu terceiro consulado, no ano de 251.

O povo costuma pedir a sua intercessão para protegê-lo contra a lava do vulcão Etna. Segundo contam, ela parou as lavas do vulcão depois do seu martírio.

Observando esse exemplo de fidelidade até o martírio, devemos pedir sua intercessão para os tempos de hoje, quando é propagada uma cultura do prazer, e a consciência de que somos templos do Espírito Santo, casa de Deus, pois fomos regenerados pelo sangue do Cordeiro, portanto, o nosso corpo foi santificado.

Nós, cristãos batizados, somos chamados a guardar a castidade, independente do nosso estado de vida. E Santa Águeda foi fiel ao seu propósito diante de Deus de permanecer virgem e pura, sem macular pelo pecado o seu corpo. Com certeza, a sua experiência com o amor de Deus foi tão profunda que resoluta decidiu-se a não dividir o seu coração com nenhum outro amor a não ser o dele.

Se não buscarmos uma experiência com o amor de Deus, que invade as nossas vidas e nos transforma, não teremos força para sermos fiéis até o fim, fraquejaremos diante das seduções que o mundo nos apresenta. Porém, se experimentamos esse amor, na oração e no dia-a-dia, certamente seremos fiéis como foi Santa Águeda.

A Igreja de hoje precisa de homens e de mulheres que busquem e testemunhem o ideal da pureza como essa Santa o viveu.

Ronivaldo dos Santos Silva