FOBIA

Introdução

Quando os romanos pronunciavam Ave César! mal sabiam que o grande imperador Julio César tinha fobia da noite.

O rei Henrique III de França e sua colega, Isabel I da Inglaterra não suportavam gatos nas proximidades porque lhes infundiam terror.

É possível admitir-se alguém ter fobia por flores?

Estes medos irracionais, tradicionalmente denominados fobias, fazem parte dos transtornos da ansiedade, conjunto de anomalias emocionais que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), afetam hoje em dia cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo.

A ansiedade é uma emoção humana normal diante de acontecimentos que estão para vir, porém se converte num transtorno quando a reação da pessoa diante de certos estímulos ou simples situações é anormal, isto é quando o medo começa a dominar qualquer situação.

O temor é uma sensação racional. Se na nossa frente encontra-se um leão por uma questão lógica. vamos ter medo, porém se em contrapartida vemos um colibri e ficamos paralisados sofrendo um ataque de terror, o medo passa a ser um sentimento irracional, desmedido e desproporcional.

A resultante, é pois o conflito por ansiedade mais conhecidos por fobias.

Por muitos anos se utilizou este transtorno como sufixo para designar os distintos tipos de medos. Desta forma se manejavam termos como necrofobia (medo da morte ou de morrer), acrofobia (medo das alturas) ou brontofobia (medo dos trovões).

Atualmente, o conceito ficou restrito a "fobias específicas", designando os temores a partir de algum objeto ou situação de maneira concreta sem usar terminologias.

Embora a hipótese sobre a origem das fobias se baseou historicamente em fatores externos.

A descoberta que está decifrando o mapa do genoma humano afirma cada vez mais o peso das causas genéticas e hereditárias. O medo desmedido a um inseto remonta da época em que significava um verdadeiro risco por ser transmissor de epidemias.

Com o correr das gerações, o inseto deixou de ser um perigo para a saúde, porém seus traços ameaçadores permanecem registrados na mente humana.

O medo desmedido dos insetos volta a baila em nossos dias pelo Aedes aegipti, causador da dengue.

Fobia é uma palavra de origem grega phobos que significa ação de horrorizar, amedrontar, dar medo, provocar receios.

A fobia é um estado de angustia impossível de ser dominada, que se traduz por violenta reação de evitar o(os) agente(s) causador(es) da(as) fobia(s), e que sobrevêm de modo relativamente persistente, quando certos objetos, tipos de objetos ou situações se fazem presentes, imaginadas ou mencionadas.

As fobias são classificadas entre as neuroses de angustia dentro da teoria clássica de neuroses.

Os medos são intensos e opressivos, diante de situação ou objeto específico. A denominação das diversas fobias guarda geralmente uma relação etimológica com as situações desencadeadoras.

Fobias específicas

O DSM-IV qualificou as fobias específicas nas seguintes categorias:

TIPO AMBIENTAL

Compreende os estímulos relacionados com os fenômenos naturais, como as tormentas, os trovões que são os ruídos que seguem ao raio devido a expansão do ar, as águas profundas, os ventos, as alturas os precipícios, a escuridão, etc.

Este tipo de fobias, surgem na mais tenra infância e desaparecem na puberdade, embora podem se prolongar até a fase adulta.

TIPO SITUACIONAL

Compreende situações ou lugares específicos tais como permanecer em ambientes fechados, em elevadores, aviões, barcos, trens, subterrâneos, etc.. Em varias delas o componente claustrofóbico é o medo de ficar num lugar fechado e não poder sair. No caso se o temor fica restrito a alguma das situações mencionadas, pode-se falar de fobia específica. Se varias fobias coincidem, como por exemplo a pessoa que sofre de agorafobia, é comum temerem as varias situações citadas anteriormente. As fobias específicas, começam na infância mais avançada embora na agorafobia, o período mais freqüente de inicio fica entre os 20 e 30 anos de idade

Fobias aos animais

O repertório é maior porque inclui diferentes tipos de animais, desde os animais domésticos (cachorros, gatos, pássaros), até insetos, aracnídeos e outros animais, geralmente repelidos ou considerados repulsivos, como as serpentes e os sapos. No caso das aves, as vezes o estímulo específico no são propriamente as aves mais sim a sua plumagem.

Fobia ao sangue, feridas, procedimentos médicos ou odontológicos

A resposta fóbica neste caso é particularmente, do tipo bifásico, dado que primeiro se produz uma estimulação do sistema nervoso simpático e logo após sobrevém uma resposta do sistema nervoso parasimpático, que pode provocar um quadro de lipotimia ou síncope, vulgarmente conhecido por desmaio, que é a perda temporária de consciência devida a má perfusão sangüínea encefálica, e que pode ser em razão de diversas causas. Aparece na presença de sangue feridas, quando se aplica uma injeção. ou ser submetido a algum procedimento médico, odontológico ou cirúrgico. Em alguns casos, a fobia se estende a tudo que se relaciona a ambiente médico ou hospitalar (odores, instrumentos, etc.), isto é a reação fóbica se caracteriza por uma taquicardia inicial, produzida pela ativação do simpático, e logo por uma bradicardia (diminuição da freqüência cardíaca), com hipotensão ou queda abrupta da pressão arterial, que leva a vitima a lipotimia ou desmaio. Se tem observado uma forte tendência familiar a padecer desta enfermidade.

Tipos de fobias especificas

Existem outros estímulos que parecem inverossímeis, mas que podem transformar-se em fóbícos para algumas pessoas.

Exemplos: um paciente fóbico por botões passa a ter aversão, ou asco acompanhada por uma ansiedade intensa diante dos mesmos. Os pacientes por esse tipo de fobia, para se libertarem da mesma, passam a utilizar, em lugar de botões, roupas com fechos e sem botões.

Muitas pessoas têm fobia em engasgar ou vomitar, sendo também freqüente o temor aos ruídos fortes ou explosões. Dentro destes casos, considerados estranhos, muitas pessoas têm aversão a comestíveis com caroços, tais como azeitona, uva, abacate, manga, etc., e apresentam fortes reações de ansiedade quando se deparam com tais comestíveis.

Para que os menores de 18 anos sejam considerados fóbicos, os sintomas têm que persistir, pelo menos, durante 6 meses. Outro critério importante para diagnosticar se uma fobia tem relevância clínica, consiste em avaliar os comportamentos que o paciente usa para evitar a ansiedade antecipatória, e o mal estar que produzem, interferem, ou perturbam, de maneira manifesta, a rotina habitual do afetado, suas relações profissionais, escolares, sociais, ou que causem alterações clínicas significativas.

Para cada fobia específica se tem dado aos termos, expressões ou conceitos cuja raiz, é geralmente grega ou latina, e é equivalente, o que está relacionado, com o objeto ou a situação temida.

Atualmente, a maior parte destes termos estão em desuso, embora alguns são amplamente empregados.

Uma fobia é basicamente um medo. Todo o ser biológico racional ou irracional têm medo como das alturas, baratas porém a maioria destes medos não podem interferir na nossa qualidade de vida.

As fobias são medos desproporcionais diante de situações, objetos ou animais, que, geralmente, não causam sensações semelhantes a outras pessoas.

Situações comuns como usar o elevador, ver uma aranha na parede ou falar em público, transforma-se entre os fóbicos em situações de terror que não conseguem superar.

Calcula-se que cerca de 10% da população mundial sofrem de fobias e conforme a região que atravessa uma determinada problemática o numero poderá crescer assustadoramente.

As estatísticas não são precisas porque muitos escondem o seu mal e poucos procuram a ajuda profissional para tratar de superar este transtorno que chega a prejudicar a qualidade de vida.

As pessoas afetadas, que na maior parte adquirem este transtorno na infância e que dura até a fase adulta reconhecem o medo que sofrem é desproporcional e irracional porém não são capazes de supera-lo sozinhas.

Pode-se dizer, , que a fobia tem um duplo componente: por um lado, tem uma parte psicológica (o intenso medo e a grande angustia) e por outro lado, uma parte somática, constituída pela relação dos fatores somáticos já descritos.

Existem outras emoções que convém distinguir das fobias.

O medo, que se pode definir como unha perturbação angustiosa do estado de ânimo diante uma ameaça concreta, externa, conhecida e não originada por um conflito, diferencia-se da fobia na qual esta é uma reação de medo muito intensa, que é acompanhada de condutas tendentes a evita-las situações ou objetos que como regra geral não produzem nenhum dano e que á maioria das pessoas não são afetadas de forma alguma.

Em suma, para que exista uma fobia parece que tenham uma serie de requisitos: deve tratar-se de um medo desproporcional com respeito á situação que o provoca; a sua vítima trata de evitar essa situação pois conhece os efeitos que lhe provoca, ainda que em muitos casos não consiga evita-lo

Ademais, o indivíduo é plenamente consciente da irracionalidade do seu temor porém é incapaz de controla-lo. Ainda que pareça absurdo, estima-se que uns oito por cento da população padece deste medo incontrolável, embora se esforcem por levar uma vida totalmente normal, salvo quando têm que enfrentas as situações altamente fóbicas é que chegam a perder o controle

Autores classificam três tipos diferenciados de fobias: as fobias específicas, a fobia social e a denominada agorafobia.

As fobias específicas ou simples consistem num intenso medo desencadeado pela presença de um objeto ou situação específica. Dentro destas estão, a título de exemplo, a acluofobia ou medo á escuridade; a acrofobia ou medo ás alturas etc e assim um sem numero de temores que para a maioria das pessoas parecem absurdos porém interferem nas suas relações pessoais profissionais e mesmo familiares.

Agorafobia

Definida tradicionalmente como um medo dos espaços abertos, constitui um terceiro tipo de fobia.

A definição não é totalmente exata posto que não trata-se de um medo a lugares onde os indivíduos que sofrem do mal acreditam que não poderão ser salvos de uma situação de perigo.

Trata-se de um transtorno caracterizado pela aparecimento de sintomas de ansiedade em lugares onde escapar ou pedir ajuda pode ser difícil, tales como transportes públicos, filas de cinemas, o metrô, centros comerciais, etc.

Outros autores fazem uma classificação diferente das fobias atendendo o tipo de estímulos que as motivam: 1) medo de animais; 2) medo de ambientes ou de elementos ou situações da natureza; 3) Medo das doenças.

Pesquisas feitas no Instituto Max Planck de psiquiatria, em Munique, analisaram uma base de dados com 1.000 adolescentes entre 14 e 17 anos, inclusive realizando entrevistas com pai e mãe de cada jovem.

Os medos passam a ser fóbicos quando interferem de forma persistente em nossas vidas prejudicando sobremaneira a nossa atividade diária impedindo ou dificultando que levemos a cabo desfrutemos de coisas que antes de se tornarem fóbicos não apresentavam nenhum problema.

É normal termos uma ansiedade ao conhecermos novas situações, porém uma vez que estamos diante da situação conseguimos conviver com ela e tirar benefícios.

Entretanto quando as pessoas passam a sofrer de uma ansiedade nessas situações, de forma que não somente não desfrutam desta situação, mas chegam inclusivamente a evitar totalmente as mesmas.

Um exemplo claro na terapia do medo de viajar de avião se mesclam a agorafobia, o medo de sofrer acidente e a claustrofobia.

Nestes casos se cria uma situação real do paciente contando inclusive com a colaboração de algumas companhias aéreas, que realizam campanhas de sensibilização ao medo de viajar de avião incluindo pequenos trajetos figurados.

No caso da agorafobia o tratamento inclui também temporariamente os fármacos, já que esta patologia, por seu caráter biológico, pode provocar crises de pânico no paciente.

As fobias específicas são os transtornos menos tratados porque a pessoa pode evitar o objeto ou a situação que lhe causa temor. Inclusive 20% de pacientes adultos com este problema acabam com esforço próprio vencendo a fobia.

Esta é o que se considera psicologicamente de fobia social.

Roque Theophilo