Pastoral  presbiteral

Razão de ser

A Pastoral Presbiteral, assim como a fraternidade presbiteral, não deve ter um fim em si mesma, como se fosse a defesa ou preservação da "categoria"; uma "atitude corporativista" para defender os privilégios da "classe sacerdotal" que vemos negados nessa sociedade pós-moderna.

A Pastoral Presbiteral deve ser compreendida numa perspectiva teológica, pois o seu fundamento é, antes de tudo, a sacramentalidade do ministério - a comunhão de ordenação e missão (cf. LG 28§3). Portanto, ela se afirma em vista da missão, da colegialidade ministerial ou da "forma comunitária" do ministério ordenado (cf. PdV 17) e da co-responsabilidade que deve existir no inteiro povo de Deus.

Na realidade, aquele que "cuida" de tantas pessoas e situações deve "ser cuidado" e procurar

"cuidar de si mesmo" como nos recomenda o apóstolo: "Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos estabeleceu como guardiães, como pastores..." (At 20,28). Precisamos ser cuidados para melhor cuidar.

Portanto, a Pastoral Presbiteral deve ser entendida como "uma ação conjunta e planejada da Igreja particular, sobretudo a partir do Bispo e do Conselho Presbiteral, em favor do presbítero, sua pessoa, vida e missão. Deve ser um espaço de integração e intercâmbio, que leve o presbítero a cultivar a alegria e o prazer de ser padre, superando obstáculos e dificuldades"1.

Desta forma, o presbitério deve se sentir desafiado a desenvolver uma ação sistemática, integrada à Igreja Local, para estimular nos presbíteros a alegria e o prazer de serem servidores do povo, segundo o exemplo do Bom Pastor. Esse esforço comum deve nos conduzir à formas bem concretas do fraternidade e solidariedade presbiterais.

Necessidade premente

Há uma insatisfação generalizada no ar e pouco conversada nos nossos presbitérios. Sofremos o impacto de casos dolorosos de não poucos presbíteros que provocam escândalos ou deixam o ministério.

Sentimos também uma certa instabilidade das pessoas que vivem uma aparente realização. São capazes de uma tomada de decisão, mas acabam por não aceitar os sacrifícios impostos à sua opção.

Há padres muito sobrecarregados, estressados, ao limite de suas forças e equilíbrio psicológico. Embora sabemos que o fato de trabalhar muito não é sinal de posição sadia, apesar de alguns terem aprendido a descansar e viver mais folgadamente. O ministério deve ser fonte que alimenta a espiritualidade das pessoas e não um processo de esgotamento.

A reação é quase a de uma aparente "apatia", onde são evitados os confrontos e as discussões. Há uma tendência a voltar-se para si próprios e resolver as questões de forma individualista. A responsabilidade social parece ficar cada vez mais distante.

Aparentemente estamos diante de um presbítero que: trabalha muito, estuda pouco e reza
menos ainda; não se sente acompanhado de perto - sente-se sozinho; em termos de diversão e descanso recorre a coisas não muito sadias.

Objetivos

"A Pastoral Presbiteral quer incentivar tudo aquilo que identificamos como luz na caminhada, e buscar formas de superação para todas as sombras e desafios que enfrentamos. Visa proporcionar a todos os presbíteros condições para a própria realização humana e vocacional, ajudando-os na missão de configurar-se ao Cristo Bom Pastor no meio de um povo concreto, garantindo sua saúde física; psíquica e afetiva, proporcionando meios para a formação em suas dimensões (comunitária, humano-afetiva, espiritual, intelectual e pastoral), além do justo descanso e lazer. Procura acompanhar, de modo especial, os presbíteros novos, enfermos e idosos, bem como aqueles que enfrentam algum tipo de problema. Incentiva a fraternidade presbiteral e os grupos de espiritualidade. Age, ou deve agir, em parceria com a Pastoral Vocacional.

Alguns cuidados

a) Envolver o Bispo e o Conselho Presbiteral na discussão e encaminhamento da Pastoral Presbiteral.

b) A formação permanente deve ser um dos grandes objetivos da Pastoral Presbiter

c) É necessário pensar melhor a introdução do jovem padre no presbitério e na vida pastoral da Igreja Local;

d) Uma atenção especial merecem a Pastoral Vocacional, a formação inicial e a pessoa dos formadores; "lutamos por um seminário onde a formação dos futuros presbíteros seja integrada e participativa, o processo de seleção seja responsável";

e) Imprimir no processo formativo a preocupação fundamental: "antes de ser padre, ser cristão e antes de ser cristão, ser humano";

f) Cuidar melhor da espiritualidade dos presbíteros na dimensão da caridade pastoral;

g) Estar atentos à saúde dos presbíteros e à sua subsistência;

h) Promover "um presbitério unido, fraterno e solidário, que coloque a causa do Reino acima

de tudo, com os dons e talentos postos a serviço, no acolhimento e respeito ao outro, aceitando seu direito de ser diferente; somando esforços, comungando experiências";

i) Fazer todo esforço para sair da "letargia eclesial" na qual nos encontramos e "acreditarmos numa Igreja profética e misericordiosamente acolhedora";

j) Semear no coração dos presbíteros o interesse missionário, para que todos se sintam responsáveis pela evangelização do mundo inteiro;

k) Precisamos edificar efetivamente uma Igreja ministerial, onde "o poder institucional, com todas as suas estruturas, esteja a serviço da verdadeira comunhão".

 

O caminho é longo! É preciso coragem e confiança Naquele que nos confiou esta missão.

1 Esta citação e as demais que se encontram neste texto entre "aspas" foram retiradas do subsídio editado pela Comissão Nacional de Presbíteros, Pastoral Presbiteral, 2a Edição, de 20 de maio de 2002.

padre Paulo Crozera

Vigário Episcopal para a Pastoral Presbiteral - Arquidiocese de Campinas