Critérios e condições para admissão e acompanhamento do candidato ao seminário maior e à ordenação presbiteral

 Este conjunto de critérios e condições recolhidos nos diversos regionais, debatidos e aprovados globalmente pela VII Assembléia Nacional da OSIB, é confiado à sua diretoria para oportuna sistematização.

Considerando todo o processo de formação como um processo de amadurecimento, os critérios e condições que se seguem não devem ser tomados de forma absoluta nem isoladamente, mas confiados à prudência dos co-responsáveis formadores.

No Encontro do Propedêutico se percebeu que muitos critérios dizem respeito ao Processo Formativo em geral, não ao ingresso no Seminário Maior.

1. CRITÉRIOS GERAIS PARA ADMISSÃO AO SEMINÁRIO MAIOR

Que o candidato:

1. Tenha iniciação e participação ativa na Comunidade Eclesial;

2. Tenha sido acompanhado pela Equipe de Pastoral Vocacional através do processo de discernimento, utilizando instrumental como: retiros, auto-biografia, psicodiagnóstico, visitas às famílias, etc.

3. Seja apresentado pelo Pároco, pela Equipe de Pastoral Vocacional, ou pelo responsável de Comunidade Eclesial;

4. Demonstre integração humano-afetiva proporcional à sua idade;

5. Apresente condições de saúde física (por meio de exames médicos), psíquica e idoneidade moral;

6. Tenha clareza da diversidade dos ministérios e carismas, e consciência do que vai assumir;

7. Tenha presente a meta onde se quer chegar: ao ministério presbiteral plenamente vivido;

8. Tenha mantido contatos anteriores com os colegas futuros e com o Seminário onde irá residir;

9. Saiba relacionar-se de forma dialogal com a autoridade;

10. Tenha suficiente preparação cultural e adequada capacidade intelectual e doutrinária;

11. Comprove aptidão para o trabalho, manifestando solidariedade e testemunho de prontidão em todos os serviços;

12. Tenha apreciação positiva do celibato como valor e não só como obrigação.

 2. CRITÉRIOS PARA ADMISSÃO À FILOSOFIA

Que o candidato:

1.         Tenha, normalmente, participado do propedêutico ou tenha feito uma experiência de vida comunitária de, ao menos, um ano;

2.         Assuma sua realidade familiar e social, respeitando os autênticos valores religiosos e culturais de sua origem;

3.         Tenha concluído o 2º grau e tenha sido aprovado nos exames de admissão à Filosofia;

4.         Tenha abertura à experiência pastoral, bem como à espiritual, manifestada no amor ao pobre, na valorização da vida sacramental e da oração pessoal, comunitária e litúrgica.

 

2. Quanto à espiritualidade

1.       Se empenhe em cultivar a experiência de Deus, levando em conta a realidade sócio-eclesial em que vive;

2.       Tenha espírito e atitude de oração (celebração eucarística, escuta da Palavra, Ofício Divino, Leitura Espiritual, Oração Pessoal e Comunitária, capacidade de silêncio);

3.       Tenha como motivação fundamental do seu agir a fé, o seguimento e a conformação ao Cristo Servo-Pastor.

4.       Viva a comunhão com as expressões populares da fé e com a espiritualidade Mariana;

5.       Tenha sido acompanhado por um diretor espiritual.

6.       Tenha predisposição à obediência às exigências do Evangelho e à autoridade da Igreja.

 

3. Quanto à pastoral - que o candidato:

1.      Apresente sinais claros de vivência do amor como caridade pastoral;

2.      Tenha conhecimento e esteja em sintonia com a Pastoral Diocesana;

3.      Tenha espírito de comunhão com os pastores;

4.      Tenha zelo apostólico, sem cair no ativismo e pastoralismo;

5.      Tenha espírito ecumênico;

6.      Seja disponível para a missão: disposição para sair, mudar, desinstalar-se, com espírito católico, universal;

7.      Tenha abertura para uma prática pastoral pluralista, abrangente das diversas dimensões e situações humanas, valorizando os carismas leigos, evitando setorialismo e integrismos;

8.      Saiba relacionar adequadamente o espírito de comunhão e o espírito de missão;

9.      Preocupe-se com a luta pela justiça, manifestada tanto pelo estudo (teoria), quanto pela inserção (prática), assumindo concretamente as opções da Igreja de hoje, nos níveis local, nacional e de modo especial latino-americano.

 

5.         Quanto à vida comunitária, afetiva e sexualidade - que o candidato:

1.            Demonstre capacidade de amar na perspectiva do mandamento novo de Jesus;

2.            Tenha a virtude do humor, alegria, disposição para o lazer e espírito desportivo;

3.            Tenha opção clara pelo celibato;

4.           Tenha espírito e vida de pobreza, manifestada na simplicidade, na partilha, na administração dos bens próprios e comunitários em favor da justiça;

5.           Tenha disposição para a convivência, o diálogo, a aceitação do diferente, a superação das tensões e conflitos;

6.             Saiba perdoar e pedir perdão;

7.             Seja capaz de superar fracassos e frustrações;

8.             Seja capaz de avaliar e ser avaliado, para assumir co-responsavelmente o processo formativo;

9.             Tenha espírito cordial para com todas as pessoas, sobretudo para com os mais necessitados;

10.         Saiba relacionar-se com homens, mulheres, crianças, jovens, adultos e idosos.

11.         Tenha capacidade de trabalho profissional e de colaboração em trabalhos comunitários.

 

6.         Quanto à formação intelectual - que o candidato:

1.        Tenha disciplina intelectual e método de estudo;

2.        Tenha capacidade crítica diante das ideologias e radicalismos;

3.        Saiba relacionar adequadamente teoria e prática;

4.        Tenha conhecimento, ao menos para leitura, de uma língua estrangeira;

5.        Tenha feito uma introdução à Doutrina Cristã (Catecismo da Igreja);

6.        Tenha conhecimentos rudimentares de informática.

 4. CRITÉRIOS PARA A ORDENAÇÃO DIACONAL E PRESBITERAL

 Que o candidato:

01. Tenha feito uma opção clara e consciente;

02. Seja uma pessoa de oração e vida sacramental;

03. Tenha idoneidade moral;

04. Tenha capacidade de convivência e espírito de partilha comunitária;

05. Tenha uma opção clara por Jesus Cristo e pela Igreja, aceitando o celibato como um valor do reino;

06. Tenha concluído o curso de teologia, para a ordenação presbiteral;

07. Tenha disposição para viver a fraternidade presbiteral;

08. Tenha disponibilidade para engajar-se na pastoral de conjunto da diocese;

09. Tenha capacidade de planejamento, execução e avaliação da ação Pastoral;

10. Não tenha traços de fanatismos (por ideologias sócio-políticas e ou movimentos eclesiais);

11. Tenha perspectiva de formação permanente.

 5. SUGESTÕES PARA A EQUIPE DE FORMADORES

 1. Exigir carta de apresentação do Seminário de origem para os candidatos que vêm de outra diocese ou instituto religioso, com posterior conversa pessoal do bispo ou reitor com o apresentador do candidato, sobre os reais motivos que o levaram a deixar a diocese ou instituto;

2.     Exigir pedido por escrito por parte do candidato, mostrando reais motivações de ingressar no novo Seminário;

3.     Exigir desligamento formal do seminário de origem antes de ingressar no novo seminário e estágio correspondente, mesmo tendo terminado o curso teológico;

4.      Comunicar por escrito ao respectivo instituto ou faculdade quando o aluno for afastado do seminário;

5.     O propedêutico oferece o estudo do português e aprendizagem de uma língua estrangeira, ao menos para a leitura, e do latim;

6.      Promover as vocações da Igreja local;

7.      Que todas as admissões e demissões sejam avaliadas por uma equipe e não apenas por uma pessoa;

8.      Valorizar a presença feminina no processo de formação;

9.     Valorizar o trabalho como dimensão essencial da descoberta e desenvolvimento da própria personalidade (Ver “Liborem Excercens”);

10.  Promover a participação da família do candidato em sua própria formação (encontro com pais e famílias...);

11.  Educar para a valorização da religiosidade popular, em ótica libertadora;

12. Educar para a sensibilidade à arte (Arte Sacra, música, técnicas de comunicação, artesanato, etc.);

13.  Contar com o apoio de um (a) psicólogo (a);

14.  Orientar os candidatos ao Seminário a ingressarem na diocese de origem;

padre  Paulo  Jackson