PERSPECTIVAS  PASTORAIS

Retomo aqui, em função do "Seminário sobre Pastoral Urbana", promovido pela PUC-RJ, as reflexões que desenvolvi sob esse mesmo título no capítulo VII do livro do CERIS, Desafios do catolicismo na cidade. Pesquisa em regiões metropolitanas brasileiras( Paulus, S.Paulo, 2002,290 p.; cf. 252-267).

Há, porém, uma diferença, que justifica a publicação. Lá, no livro do CERIS, procurei condensar as primeiras reflexões pastorais suscitadas pela análise dos resultados da pesquisa sobre o catolicismo nas regiões metropolitanas, levando em conta os primeiros seminários realizados por CERIS e INP em colaboração com as Arquidioceses de Salvador (Novembro de 2001) e Porto Alegre (dezembro de 2001). Agora, aqui, procuro ir um pouco além das reflexões iniciais, para tentar discernir novas problemáticas e novos questionamentos, mais radicais, que a reflexão pastoral deve aprofundar e iluminar.

 Em busca de uma visão global.

 Diante da amplitude da pesquisa do CERIS e do volume de seus resultados, agora bem documentados no livro, tentei antes de tudo oferecer um eixo de leitura, que oferecesse uma interpretação global, sem desprezar a possibilidade - num segundo momento - de examinar e discutir -  do ponto de vista pastoral (ou seja, da ação da Igreja Católica) - aspectos específicos ou particulares. Meu enfoque correspondia a uma questão que não convém esconder: Diante dos resultados da pesquisa da CERIS, a pastoral urbana (a ação da Igreja Católica nas grandes cidades) deve mudar em alguns aspectos ou está diante do desafio de uma mudança radical, de uma inversão de tendência?

Por isso, adotei como ponto de partida, a hipótese de que o fato central que emerge da pesquisa seja a fragmentação do universo religioso brasileiro ou, mais exatamente, o peso crescente da decisão subjetiva na escolha e na construção da religião de cada pessoa (nesta perspectiva se situa também Reginaldo Prandi nas últimas obras publicadas, particularmente no artigo publicado parcialmente na "Folha de S.Paulo" de 26.12.1999(caderno especial "Busca da fé") e retomado integralmente no volume 82 dos "Estudos da CNBB". O itinerário da fé na "iniciação cristã de adultos". Paulus, S.Paulo, 2001, 336p. (cf. p. 51çç-76: R.PRANDI, Religião, biografia e conversão: escolhas religiosas e mudanças de religião). A escolha pode se exercer mais livre e até mais freqüentemente porque existe um plurarismo de alternativas religiosas, plurarismo ainda em expansão, dentro do qual novas expressões e novos caminhos emergem a cada dia.(A título de exemplo, acrescento à bibliografia já citada no livro de CERIS a indicação de obras recentes, que ilustram especialmente o caráter "errante" da nova religiosidade, sua grande mobilidade e criatividade, com novas formas de "sincretismo" (mas o próprio termo é discutido) de velhas tradições e novas expressões: Leila Amaral, Carnaval da alma. Comunidade, essência e sincretismo na Nova Era. Vozes, Petrópolis, 2000,230p.;Pierre Sanchis (org), Fiéis & Cidadãos. Percursos de sincretismo no Brasil. EDUERJI, Rio de Janeiro, 2001,208p.; os últimos números da revista "Religião e Sociedade" (vol. 20 e 21).

 Há anos Peter BERGER e Thomas LUCKMANN têm chamado a atenção sobre as novas condições em que o indivíduo constrói sua identidade. Na sociedade urbana contemporânea, ao menos no chamado "Ocidente cristão", o indivíduo escolhe sua religião, sem depender mais da "tradição" de forma quase exclusiva, como nas sociedades pré-modernas. BERGER falou de um "imperativo herético", no sentido de que todo indivíduo no contexto atual é "obrigado" a escolher sua religião (heresia tem, originariamente, na língua grega, o significado de escolha0. Quem chega à cidade moderna deve escolher a sua religião, que pode ser a mesma da tradição rural (por ex., no Brasil, o catolicismo), reinterpretada em função do contexto urbano, ou pode seu outra (como sabemos, nos últimos 30 anos, o número dos católicos brasileiros que escolheram uma outra religião se aproxima de 20% da população, nas grandes cidades de 30% ou mais).(Desde 8 de maio, dispomos dos dados preliminares do Censo 2000 (cf. o anexo a este artigo), que confirmam os resultados da pesquisa do CERIS e de pesquisas anteriores, como a da Dataflora de 1994, que citaremos mais adiante).

Numa pesquisa sobre uma amostra da população adulta (18 anos ou mais) da Região Metropolitana de Belo Horizonte, 60% dos entrevistados admitiam ter "experimentado", ao menos, uma outra religião, antes de se fixarem naquela em que estavam. E, evidentemente, não é certo que nela fiquem para sempre. Ao contrário, a "reflexividade" típica da nossa sociedade (ou da modernidade), isto é, o fato que novas informações e descobertas levem a refletir o passado e a pôs em questão nossas escolhas atuais, leva a questionar sempre e todas as opções, mesmo aquelas que, por sua natureza, poderiam parecer "eternas", ou ao menos firmes, definitivas, uma vez para sempre.

 Alguns dados da pesquisa.

 A pesquisa do CERIS encontrou pouco mais de 20% de respostas afirmativas à pergunta "Já mudou de religião?". Aliás, as respostas não apresentam diferenças significativas quanto à classe social ou ao nível de escolaridade e pequenas diferenças nas diversas classes de idade. A diferença significativa (e óbvia) acontece entre católicos (só 9,3% deles dizem ter mudado de religião) e os não-católicos (entre os quais 43% declaram ter mudado).

Se considerarmos, porém, as respostas à pergunta nº 15 ("Há quanto tempo o/a sr. (a) está em sua religião atual?"), descobriremos que aqueles que respondem "desde que nasceu"são apenas 60,4%, 11,9% não informam e 27,7% indicam um tempo que varia de menos de um ano a mais de 10 anos. Portanto, há cerca de 30% (talvez até quase 40%) que não estão mais na religião em que nasceram! Nessas mesmas respostas, é também possível verificar que as mulheres permanecem menos tempo que os homens na mesma religião e que entre os mais jovens (18 a 35 anos) há uma porcentagem um pouco superior à média de pessoas que permanecem pouco tempo na mesma religião.

O questionamento crítico, porém, não deve aceitar como "normal" que as pessoas tenham uma só religião (não todos os deuses são ciumentos como Javé... ou, ao lado da monogamia, existe poligamia também em matéria de religião...). A pesquisa encontrou, entre os entrevistados, 67,33% de católicos e 32,67% de não-católicos.(A pesquisa da Datafolha realizada em setembro de 1994, antes das eleições presidenciais, numa amostra dos eleitores de todo o País, deu as seguintes porcentagens de resposta à pergunta sobre religião (cf. A..F.PIERUCCI R.PRANDI, A realidade social das religiões no Brasil. Hucitec, S.Paulo, 1996,p.216):

O questionário (cf. pergunta nº 21) oportunamente indagou se o entrevistado freqüentava "cultos, reuniões ou celebrações" de outra religião. 22,5% dos católicos e 28,5% dos não-católicos respondem afirmativamente. A pergunta seguinte (nº22), investigando a regularidade dessa freqüência, descobre que metade dos que responderam afirmativamente diz que o faz sempre, um terço o faz raramente e um sexto só por ocasião de festas. Aqui se percebe um mecanismo que facilita o "trânsito" de uma religião para outra ou que mantém a pluralidade das escolhas.

No quadro das respostas ao nº11 pode-se ver outro aspecto do plurarismo religioso e da mistura de credos. De fato, há católicos que aderem a crenças de outras religiões e não-católicos que aceitam dogmas da Igreja. Por exemplo, há 35% de católicos que acreditam na reencarnação (doutrina espírita) e 15% que têm fé nos orixás (dos cultos afro-brasileiros). Por outro lado, há alguns não católicos que aceitam integralmente os dogmas católicos e outros que misturam a fé em Jesus Cristo (80%) e no Espírito Santo (70%) com a crença na reencarnação (30%) e nos orixás (18%).

Outro dado a considerar é a porcentagem relativamente baixa de "católicos" que dizem acreditar "em Jesus Cristo, Maria e nos ensinamentos da Igreja Católica", ou seja, em todas as doutrinas católicas.(Resposta à pergunta nº9 da pesquisa CERIS).

Para todas as Regiões Metropolitanas em conjunto, a porcentagem é de pouco mais de 50% para os católicos e de 3,6% para os não-católicos (média geral: 36%).

Menos surpreendente e mais conhecido  é o fato de que as orientações ético-religiosas da Igreja Católica são aceitas pelos próprios católicos apenas parcialmente. Os entrevistados católicos se dizem "a favor" ou "contra" segundo um juízo pessoal, que muitas vezes coincide com os "não católicos" ( ou seja,da opinião pública em geral), mas se afasta da doutrina oficial da Igreja Católica. Uma minoria se declara sem opinião ou indiferente ou simplesmente não responde.

O quadro das respostas dos católicos foi analisado amplamente no livro do CERIS, no comentário sobre as "Orientações ético-religiosas". (Cf.CERIS, Desafios do catolicismo na cidade, p.199-225).Recordamos somente que há assuntos em que a grande maioria dos católicos se afasta da doutrina da Igreja (planejamento familiar, uso de contraceptivos, segundo casamento...), outros em que quase todos aceitam a moral católica (contra o aborto, o adultério, o homossexualismo, a manipulação genética de seres humanos...) e outros, enfim, onde as opiniões estão divididas (relações pré-matrimoniais, celibato x casamento dos padres, pena de morte...)

Mais importantes ainda são as respostas - de católicos e outras religiões - quanto ao papel das instituições religiosas nas questões éticas. Os entrevistados tinham basicamente três respostas possíveis (além a de omitir a resposta ou responder "não sei"): 1) dizer que a Instituição não deve se pronunciar sobre aquele assunto; 2) dizer que a Instituição poderia debater, orientar, mas não impor (ou seja, agir pedagogicamente e conforme as regras do debate democrático); 3) dizer que a Instituição deveria "impor" sua visão de conduta. É fácil constatar(Cf.CERIS,desafios..., p.226-248) que há uma regularidade nas respostas: quando a maioria é amplamente favorável a determinado ato (por ex., planejamento familiar, uso de métodos contraceptivos), a porcentagem dos que defendem a "imposição" do ponto de vista da Instituição (ou Igreja) é muito baixa, menos de 10%; quando a maioria rejeita determinado ato (por ex., o aborto, o homossexualismo, adultério, eutanásia, clonagem, manipulação genética), a porcentagem dos que desejam uma clara "imposição" do ponto de vista de Instituição alcança ao menos 1/3 das respostas, sendo geralmente a resposta mais votada entre as três (ou quatro) possíveis. Resta o fato maciço de que - dependendo do assunto - de 20 a 35% dos entrevistados acham que a Instituição nem se deviria pronunciar e uma porcentagem um pouco maior se inclina para a resposta intermediária: a Instituição pode se pronunciar argumentando, propondo, não impondo. A posição autoritária, embora possa alcançar às vezes 35% das respostas, é sempre rejeitada pela maioria. Está aqui uma pista para verificar o outro lado do subjetivismo, que é a "des-institucionalização", o abandono do conformismo com a tradição ou da obediência pura e simples à autoridade institucional.

Na discussão destas respostas, alguém achou ainda muito alto o número dos brasileiros (talvez por serem - nesta pesquisa - procedentes sobretudo das classes D e E) que aceita a "imposição"da tradição. De fato, é possível constatar que com o aumento da escolaridade e da renda (portanto nas classes A e B) aumenta a independência dos juízos ético-morais e o afastamento da instituição religiosa.(Cf. o comentário de Pierre SANCHIS à pesquisa sobre "Igreja e Comunicação", arquidiocese de Belo Horizonte (1998) (no prelo).

Uma confirmação: as motivações

 Os dados acima me parecem mostrar que a hipótese do subjetivismo na escolha da religião está confirmada e que a própria construção ou "armação" da religião, eventualmente por meio de um trabalho de bricolagem, que ajunta peça de diversas procedência, está entre as práticas relativamente freqüentes.

Creio que a predominância do subjetivismo aparece também nas motivações ou "razões de crer".(Cf. a pergunta nº 10:Quais as razões que hoje levam o/a sr.(a) a crer?). Embora as respostas não sempre me pareçam claras(O entrevistado devia escolher entre alternativas de resposta prefixadas), a meu ver se pode tentar resumir os resultados da seguinte forma:

 I) Os católicos, em primeira opção, escolhem mais freqüentemente a resposta: "realização de um sentido de vida e encontro de justiça, paz e harmonia pela religião", com 26% das respostas no Rio de Janeiro e 42%  das respostas em São Paulo e Porto Alegre. Em segundo lugar, vem a influência do ambiente familiar e da tradição (com porcentagem de respostas entre 22,5% e 33,3%). Ocupam um lugar significativo e experiência de Deus ("sente Deus próximo"), com 11 a 18% de respostas, e a busca existencial, com 3% a 8,5% de respostas. Apenas uns 3% procuram o encontro da Verdade!

Em segunda opção, sobem fortemente a busca existencial ( que pula de 3,8% para 13 a 29%!) e a experiência da proximidade de Deus (que chega a quase 20% em todas as metrópoles, menos S.Paulo). A influência familiar e da tradição cai quase pela metade (11% a 22%) e a "realização de um sentido da vida" se reduz a níveis pouco relevantes (2% a 9%). Também a busca da Verdade cresce (8 a 12% das respostas, com uma ponta de 17,7% em S.Paulo).

II) Os não católicos se distinguem por um alto número dos que não respondem, uma menor porcentagem de respostas do tipo "realização de um sentido da vida" e "por influência do ambiente familiar e da tradição", e uma maior porcentagem de respostas que atestam a experiência da proximidade de Deus.

Esses resultados parecem indicar que o interesse pela verdade está notavelmente baixo (3% em primeira opção, 10-12% na segunda). As motivações ligadas ao sentido da vida, proximidade de Deus e busca existencial são freqüentes e, juntas, mostram o predomínio do interesse subjetivo do indivíduo e também a emergência do que A.N. TERRIN chama "utilitarismo e pragmatismo de fundo"(Cf. A.N.TERRIN, Nova Era. A religiosidade do pós-moderno. Loyola, S.Paulo, 1996, p.220. TERRIN explica o pragmatismo com uma citação de William JAMES: "A consciência religiosa não exige mais nada. Deus realmente existe? Como é que existe? O que é? Essas são todas questões irrelevantes. Não à Deus, mas a vida, um porco mais de vida, uma vida mais ampla, mais rica, mais satisfatória, isso é, em última análise, a finalidade da religião. O amor à vida em todo e qualquer nível de desenvolvimento é o verdadeiro impulso religioso").

Subjetivismo e pragmatismo não se opõem , mas se complementam. O sujeito faz suas escolhas segundo um critério predominantemente pragmático. Restaria esclarecer a questão da tradição e da influência do ambiente familiar. A tradição é citada muitas vezes, mas é ela que se impõe ao indivíduo ou, ao contrário, é o indivíduo que escolhe na tradição os elementos que julga aproveitáveis hoje?

 Primeira conclusão: o individualismo...

 Poderíamos continuar a examinar dados da pesquisa, matizando as conclusões ou explorando a enorme diversidade dos itinerários individuais (Como fez Reginaldo PRANDI no artigo citado na nota 1). Mas o nosso objetivo é explicitar as conseqüências pastorais daquilo que a pesquisa revela. Para compreender um pouco melhor o subjetivismo atual (compreende-lo objetivamente, em suas causas sociológicas, não julga-lo eticamente), seria oportuno retomar a história do individualismo ocidental. Bem como seria útil examinar algumas perspectiva de superação ou de "saída" do subjetivismo. ( Como fiz, brevissimamente, no capítulo VII da obra do CERIS, Desafios do catolicismo na cidade, especialmente p. 257-260).

Mas em lugar de retomar esse assunto, vamos sugerir outra pista importante de aprofundamento da pesquisa do CERIS, relevante para a doutrina católica. É a questão do relativismo. Já vimos que o subjetivismo não é acompanhado por um grande interesse pela verdade, mas por uma atitude mais pragmática. Deveríamos também analisar um deslizamento do interesse pela razão para a busca de emoções, de experiências afetivas e estéticas. Aqui baste lembrar que o indivíduo moderno não tem muita certeza daquilo em que crê e que está disposto a reconhecer a validade de pontos de vista diversos do seu. É uma pena que a pergunta nº 23 do questionário do CERIS tenha sido colocada apenas aos entrevistados que responderam "sim" à pergunta 21 ("O/a senhor(a) freqüenta cultos, reuniões ou celebrações de outra religião...?"). A pergunta 23 perguntava pela opinião sobre as outras religiões. Dos 1.091 católicos que a responderam, 703 (64,4%) admitiram que "há algo de verdadeiro em todas as religiões" e apenas 123 (11,2%) sustentaram que "a religião verdadeira é uma só e as outras são falsas. Entre os não católicos, as porcentagens são semelhantes (respectivamente 63,8% e 14,9%).

 O impacto do subjetivismo sobre a ação pastoral da Igreja Católica

 Para situar melhor o impacto dessas mudanças sociais sobre a nossa ação pastoral, convém lembrar que nós (católicos) somos herdeiros de uma pastoral tridentina (do Concílio de Trento até 1960, aproximadamente) que era pensada numa perspectiva que ignorava quase totalmente os fiéis, as pessoas humanas, como sujeito. A preocupação dominante da pastoral tridentina é apresentar objetivamente a reta doutrina (a "ortodoxia"), a exata liturgia (definida pelar rubricas em todos os mínimos aspectos), a justa disciplina, finalmente condensada nos 2414 cânones do primeiro Código de Direito Canônico, o de 1917, que os leigos só reconhecia o direito de "receber" os meios necessários à salvação(Certas intervenções na última Assembléia do Sínodo dos Bispos (outubro de 2001) pareciam saudosas de uma volta aos tempos em que os Bispos repetiam a doutrina certa e os fiéis a acolhiam sem discussão).

Desde o final da época do papa Pio XII (que ainda temia abalar a tradição mudando o horário das Missas e reintroduzindo a Missa vespertina!), a religiosidade católica e a ação pastoral mudaram rapidamente. A direção dessa mudança foi descrita por Daniele HERVIEULÉGER num esquema que pode nos orientar ou, ao menos, alertar.(Cf. da Autora: Lê pélerin et lê converti. La religion em mouvement. Paris. Flammarion. 1999. amais acessível o artigo da mesma: Representam os surtos emocionais contemporâneos e fim da secularização ou o fim da religião?, "Religião e Sociedade", 18/1 (1997), 31-47. - Agradeço ao pe. Dr. Luiz Roberto Benedetti as indicações destas obras).

 O esquema distingue quatro etapas:

 1) a Igreja Católica (e muitas Igrejas cristãs tradicionais) é uma instituição que se rege por sua tradição e pelo fato que os fiéis aceitam, como critério daquilo que podem/devem crer, o magistério de Igreja;

2)  na Igreja Católica se fortalece, a partir dos anos 60, um movimento comunitário, que critica a Igreja-instituição como distante do povo e das suas próprias origens, e propõe a volta a "comunidades de dimensão humana" (ou de base, dir-se-à no Brasil); o critério da fé é a coerência da comunidade na interpretação de mensagem cristã;

3) num terceiro momento, um elemento da etapa anterior se isola: agora os cristãos procuram apenas o testemunho do outro, particularmente da pessoa que parece se destacar pela autenticidade de sua convicção e prática religiosa;

4) finalmente, o indivíduo procura a legitimação de sua fé e de suas práticas dentro de si mesmo, na sua experiência interior.

 A Autora observa que há um outro elemento, transversal ( que atravessa as quatro etapas ), que é a presença da mídia, dos meios de comunicação de massa, que difundem modelos de experiência religiosa e podem reforçar o fenômeno que caracteriza a terceira etapa, exaltando as figuras "heróicas" ou incomuns, as "estrelas".

De qualquer forma, viver a fé a partir da "autovalidação" (como na quarta etapa, a partir dos próprios sentimentos e experiências) é difícil. Muitos procuram um apoio ou uma legitimação nos modelos apresentados pela mídia, outros procuram a solidariedade calorosa de "comunidades afetivas" e "movimentos carismáticos". É importante, porém, falando em comunidade, observar que as comunidades neste contexto não são mais as "comunidades tradicionais", nascidas entre vizinhos que pertencem à mesma cultura e tradição (como eram as comunidades rurais), mas comunidades baseadas sobre a escolha, a amizade, a emoção, e que duram tanto quanto duram o calor e a animação do grupo. Por isso, geralmente elas exigem muito esforço das lideranças para manter a unidade interna e renovar o interesse ou envolvimento dos participantes.

 Como fazer "pastoral" numa grande cidade?

 As propostas que se seguem são apenas um início de discussão. São um esquema a ser desenvolvido.

Antes de tudo, parece-me que não é possível falar de Pastoral Urbana (sobretudo na metrópole ou megalópole) a partir de único enfoque. É preciso distinguir ao menos três níveis:

- o nível "micro", da pessoa;

- o nível "meso", dos grupos, comunidades, redes de comunicação;

- o nível "macro", das grandes estruturas sócio-econômicas e políticas.

Em outras palavras, a pastoral hoje na cidade deve se preocupar com: 1) atendimento pessoal; 2) redes de comunicação; 3) presença pública da Igreja.(Uma distinção semelhante foi introduzida pela CNBB nas Diretrizes Gerais da Ação Pastoral da Igreja no Brasil, a partir de 1991 (cf. Documento da CNBB nº 45, especialmente o cap.2).

 As propostas se referem a possíveis intervenções conscientes e organizadas. Mas para nós é evidente que todo o esforço de pensar com realismo e eficiência a ação pastoral não deveria nunca ser separado da atenção aos "sinais dos tempos", que são os sinais da vontade de Deus e daquilo que Ele está realizando na história. A pastoral não deveria pretender substituir-se à ação de Deus, mas integra-se nela, servi-la. E os resultados das pesquisas não são mero instrumento de diagnóstico e planejamento racional, mas busca de uma leitura "teológica" da realidade, discernimento da vontade de Deus atualmente em ação.

Aqui as sugestões são apenas uma proposta de discussão, embora tenham - ao menos para mim - suas razões e sue fundamento, que não posso agora expor detalhadamente. Creio, porém, que o conjunto da pesquisa do CERIS reforce estas sugestões.

 1) Devemos, antes de tudo, levar a sério a necessidade de tratar as pessoas como pessoas, valorizando os dons e a liberdade de cada uma. Não se trata de instaurar simplesmente um "atendimento personalizado" (como aquele que bancos e empresas modernas reservam aos clientes privilegiados, ou seja, na prática, aos mais ricos), mas de repensar a vivência da fé cristã assumindo a experiência pessoal como central. As pessoas procuram hoje "construir a si mesmas" ou "o cuidado de si mesmas". O tratamento que recebem da comunidade eclesial deveria mostrar algo do amor de Deus para com cada um de seus filhos. Daí, por exemplo, a importância da "acolhida", que de fato está tornando-se uma preocupação efetiva e positiva em muitas comunidades. Mas es ta mudança de atitude deveria nos levar a rever nossa catequese e nossa pastoral sacramental. Num número demasiadamente elevado de paróquias não se leva em conta a diverdidade de creças e atitudes entre os próprios católicos e ainda se fazem as mesmas exigências a todos, sem distinção, nos "cursos" ou encontros de preparação para batismo, primeira comunhão, crisma, matrimônio... Misturam-se pessoas que têm graus muito diferentes de familiaridade com a doutrina e a prática católicas, quando o atendimento deveria ser diferenciado, possivelmente personalizado, à medida de cada um.

Mais radicalmente, deveríamos considerar que as novas gerações - tanto mais quanto mais inseridas num ambiente urbano e "moderno" - não aceitam mais a tradição e o que os adultos lhes podem "transmitir". Há uma crise generalizada da "transmissão" em todas as instituições que cuidam da socialização (família, escola, igreja). No velho esquema, da sociedade tradicional, tratava-se de educar o indivíduo a "conformar-se" às crenças e normas aceitas pela sociedade e por ela inculcadas de muitos modos. Hoje a sociedade é pluralista e complexa. Não é mais possível conformar o indivíduo a uma modelo (que não exista mais, a não ser eventualmente como uma opção entre muitas outras). Trata-se de ajudar o indivíduo - que se tornou o verdadeiro centro de tudo - a construir a sua identidade, a dar um sentido à multiplicidade de situações, papéis, experiências que ele vive.

Pode-se pensar (ao menos como hopótese a discutir seriamente) que todo o trabalho de formação não consistirá em "conformar" fiéis, mas em formar testemunhas, pessoas que tenham construído sua identidade no mundo de hoje, na sociedade em que vivemos, mas assumindo ao mesmo tempo os valores essenciais da tradição cristã. Se - como sugere Daniele HERVIEU-LÉGER - está em ato uma evolução profunda do catolicismo, ao ideal tridentino e mesmo do catolicismo integrista do século XX, de educar à "conformidade" sem discussão com o magistério da hierarquia eclesiástica, é preciso substituir um ambiente de formação e de ação pastoral que valorize a autenticidade do testemunho cristão e a dimensão da liberdade.

 2) A estrutura básica da nossa ação pastoral é a paróquia. Devemos nos dar conta das novas condições em que ela se encontra no mundo urbano ou da megalópole. Ela não é mais aquela realidade relativamente isolada e auto-suficiente (Ainda hoje, muitas vezes a paróquia é considerada como mini-feudo do pároco, num evidente anacronismo. Quando bispo, Dom João Batista Montini (depois papa PauloVI) lamentava a mentalidade pela qual certos párocos pensavam e diziam: "Aqui o Papa sou eu!"), que até há pouco existia no meio rural e nas pequenas cidades. Devemos compreende-la e adapta-la ao mundo da grande cidade e das modernas comunicações. Essas mudanças podem ser descritas sumariamente como abrir a paróquia tanto para "baixo" (multiplicando grupos, comunidades menores, movimentos, pastorais, com maior autonomia para  o ministério dos leigos) quanto para "cima" (integrando a paróquia na forania ou na região episcopal ou nas estruturas diocesanas). É importante considerar a diversidade das paróquias, numa realidade urbana muito diversificada, que tende a separar, mais nitidamente que no passado, ricos e pobres, bairros de classe A e conjuntos populares ou favelas. As paróquias centrais podem prestar serviços de nível urbano (abertos a toda a cidade); as paróquias de periferia podem desenvolver comunidades locais, que ainda são possíveis e úteis nesse contexto.

Quanto mais urbana e moderna for a realidade, tanto mais devemos modernizar a nossa estrutura intermediária, desenvolvendo atividades pastorais de nível urbano , que completem e reforcem o trabalho pastoral da paróquias (ex. toda a área dos meios de comunicação deveria ser pensada em nível diocesano ou inter-diocesano). Em termos gerais, devemos nos questionar se a metrópole pode ser o ambiente da "rede de comunidades" ou se deveria ser pensada e trabalhada com uma grande rede de comunicação, na qual o fiel católico tem múltiplas possibilidades de comunicar com a palavra e a vida da Igreja (pela TV, pelo rádio, pelos impressos, pela leitura da Bíblia e os grandes textos cristãos pelos CDs e outros subsídios para a música e a oração,pela participação na assembléia dominical e nos grupos - de oração, de reflexão, de evangelização - , pelo desempenho de tarefas pastorais, permanentes ou ocasionais...)

Mais radicalmente, devemos nos questionar sobre a pertinência - no contexto atual - de esquemas de pensamento teológico-pastorais dos anos 40, 50, 60..., que valorizam o conceito de comunidade, tão pouco adequado ao mundo urbano. A nossa própria sociologia pastoral utilizou por demasiado tempo a idéia de pertença (melhor:appartenance), (Que o dicionário francês "Lê Robert pour tous" (Paris, 1994) define  "O pertencer de uma pessoa a uma comunidade". - Clássico sobre o tema, do ponto de vista católico, o livro de Hervé CARRIER, Psico-sociologia dell appartanenza religiosa. Nuova edizione. Torino, LDC, 1988), supondo - evidentemente - que o único modo de ser "religioso" era de pertencer a uma instituição ( ou comunidade) eclesial ou religiosa. Com igual evidência, a pesquisa do CERIS nos leva a pensar que este modo de compreender a religião é hoje gravemente unilateral e inadequado e não permite compreender a lógica com que os indivíduos buscam e vivem sua experiência religiosa e, por isso mesmo, dificulta pensar as respostas que a Igreja tem a missão de oferecer a homens e mulheres da sociedade contemporânea. Uma perspectiva mais adequada passa, provavelmente, pela compreensão de como os indivíduos procuram ou constroem sua própria identidade.

Daí poderia nascer uma nova visão do mundo católico . Enquanto geralmente o catolicismo é pensado, especialmente pelos pastoralistas, como uma série de círculos concêntricos , em que a "participação" ou a prática dos católicos se torna sempre mais fraca, quanto mais se afasta do núcleo central dos católicos "nota dez" ou 100%, no futuro possamos talvez pensar que  há modos diversos de "ser católico", acentuando na fé católica um determinado aspecto (e não uma adesão global à instituição e à sua disciplina). Poderemos ter (e, de fato, muitas vezes já temos) católicos cuja fé se alimenta e se expressa na participação da liturgia; outros, que têm uma mística e oração pessoal, com pouca ou nenhuma participação comunitária (os monges, no começo, não eram isso mesmo: solitários, anacoretas, eremitas);outros ainda identificam, sua fé com a prática do amor fraterno, o serviço aos pobres, o engajamento sindical ou político, a ecologia ou outro movimento social...

 3) Não vejo, pessoalmente, de bons olhos um catolicismo de massa, festivo, "light", reduzido a estereótipos de religiosidade superficial e banal, que nada conserva (a não ser nominalmente) da mensagem autêntica de Jesus. Não penso que o catolicismo deva se reduzir a uma religião terapêutica ou a uma agência de cura numa sociedade que produz sempre mais pessoas feridas, doentes, deprimidas. As poucas indicações acima - sobre o nível pessoal e comunitário da ação pastoral - exigem um compromisso claro da Igreja-instituição no nível das grandes estruturas sociais. A Igreja tem uma responsabilidade também com relação à sociedade e às suas "macro-estruturas" políticas e econômicas. De fato, a Igreja - diante das mudanças sociais e das novidades da economia e da política - desde a "Rerum Novarum" de Leão XIII (1891) tem desenvolvido uma própria "doutrina social". As mudanças atuais são de tal envergadura que estão a exigir - creio - uma nova "doutrina social". Os cristãos devem contribuir, mais criativamente, para repensar a sociedade atual. Uma nova civilização (de civitas, cidade) é necessária, para além da modernidade e de suas contradições. E enquanto isso não estiver claro e maduro (provavelmente estamos ainda numa fase de transição, de crise e superação das grandes ideologias herdadas do século XXI), a Igreja deve ao menos exercer sua diakonia, sua missão de serviço para aliviar ou curar os sofrimentos das inúmeras vítimas da atual deterioração das relações sociais. (A CNBB, por exemplo, tem como projeto para a assembléia de abril de 2002 um estudo da erradicação da fome, através - simultaneamente - de políticas públicas mais eficazes e de iniciativas de solidariedade a partir das comunidades cristãs e da sociedade civil).

 4) Tudo isso vai exigir uma profunda revisão dos papéis e da preparação dos agentes de pastoral. Dois aspectos me parecem particularmente relevantes:

a) É preciso que os ministros ordenados (bispos, padres, diáconos) e seus colaboradores mais próximos aceitem a mudança das condições de trabalho e, conseqüentemente, das prioridades e do estilo de sua ação. Se, como tudo indica e a pesquisa do CERIS confirma para as metrópoles brasileiras, as pessoas deixam progressivamente (e, em certos ambientes, maciçamente) de procurar a Igreja Católica por ser a religião de sua família e tradição cultural, o agente de pastora (em particular o padre ou pároco, em contato direto com o povo) não pode ficar "esperando" que os fiéis o procurem, mas deve procura-los, aproximar-se deles, procurar convence-los e ajuda-los a descobrir a grandeza e a beleza da fé cristã e da vida fraterna numa comunidade cristã católica. Deverá ter um estilo pastoral mais acolhedor e menos "assustador" do que aquele dos pastores formados no espírito pós-tridentino.(Jean DELUMEAU, com uma certa razão, fala de "pastoral do medo" para os séculos XVII-XVIII). Deverá também ter consciência de que a religião católica encontra hoje a concorrência de outras religiões e que a mentalidade moderna, inclusive a que reina na mídia, não aprecia a imposição dogmática da verdade, mas quer que cada religião ou instituição proponha seu ponto de vista, deixando a última palavra à liberdade do indivíduo (conforme o já citado slogan: "Você decide!"). Acrescento, porém, uma advertência, que creio muito importante. O número de católicos "tradicionais" que permanecem, mesmo no ambiente das metrópoles modernas, e que podem ser 20-30% do total dos católicos, é suficiente para criar uma ilusão de ótica e levar a conclusões pastorais equivocadas. As paróquias brasileiras têm uma população muito numerosa (Segundo o Anuário Católico 2000, do CERIS, as paróquias no Brasil eram (no início de 2000) 8602 com uma média de mais de 19.000 habitantes. Nas Regiões Metropolitanas, a maioria das paróquias têm 25 ou 30 mil habitantes, se não mais) e, por outro lado, são regidas por um único sacerdote e pároco. Por conseqüência, o pároco tem vários milhares de católicos tradicionais para cuidar, além de outros que ainda procuram uns poucos sacramentos, como o casamento para si e o batismo para os filhos. Dessa forma, o trabalho de rotina (especialmente a administração dos sacramentos) se torna tão pesado, que impede ao pároco de cuidar das novas exigências do seu público potencial. Pior: o pároco é inclinado a recusar toda novidade na ação pastoral, porque não suporta mais trabalho e particularmente o trabalho desgastante de lidar com o novo, o desconhecido, que exige mais preparo e muitas vezes a paciência da aprendizagem na base de "ensaio e erro".

b) O pluralismo religioso e a complexidade da sociedade urbana exigem também, muito mais que no passado da civilização rural, pouco diferenciada, que a Igreja procure investir na formação de pessoal especializado. Só este pode atuar "profissionalmente", com competência, sem amadorismo e improvisação, especialmente naqueles aspectos da vida urbana e eclesial que a paróquia não pode assumir. Já dissemos que o campo da comunicação de massa (onde estão em expansão, finalmente, há 5-6 anos, as TVs católicas) é um dos campos que merece investimento e espírito crítico. Um outro, investimento, já feito, mas pouco explorado, é o das Universidades Católicas (ou de instituições de pesquisa, como CERIS ou INP). As Universidades Católicas formaram sobretudo profissionais para o Brasil "moderno". Está na hora de elas assumirem um papel mais crítico na sociedade e de assessoria às pastorais e aos movimentos sociais e populares.

Um bom critério de investimento na formação de pessoal é procurar investir no essencial, naquilo que é realmente relevante para a missão da Igreja na sociedade (respeitando a "hierarquia das verdades"). Mas sobretudo é importante investir em lideranças com capacidade inovadora.(Cf. o depoimento de Jack WELCH, o mais famoso executivo americano, que deixou há pouco a direção de General Electric). O grande perigo da nossa ação pastoral, especialmente nas paróquias, é que ela seja sufocada pela rotina, que cansa e esgota os presbíteros. Em nível urbano, é decisiva a liderança episcopal e dos colaboradores mais próximos do bispo. Assim como é extremamente importante o trabalho de equipe, a articulação  - com vista a uma ação eficaz - de pessoas com competências diversas e complementares. Certamente há espaço para personalidades empreendedoras, que sobressaem e se destacam, inclusive por meio da mídia. Mas elas poderão destacar-se, fazendo um trabalho de grande influência evangelizadora e pastoral, somente se forem sustentadas pelo trabalho de uma equipe eficiente e entrosada. Aliás, a frustração de muitos presbíteros hoje nasce provavelmente do fato que persistem numa ação individual, ou até claramente individualista, desarticulada, e depois lamentam o sucesso dos colegas que conseguem êxito por saber trabalhar com o apoio de uma organização adequada e dentro de um projeto elaborado e executado em conjunto com outros.

 5) Podemos terminar ressaltando um dado muito positivo que a pesquisa oferece à ação pastoral. Em formas diversificadas, muitas vezes marcadas pelo individualismo e o subjetivismo modernos, o povo das grandes cidades busca intensamente na religião um caminho de realização pessoal, de saúde corporal e espiritual, de descoberta do sentido e do gosto de viver. O terreno é, portanto, propício a uma proposta religiosa, como a cristã, que valoriza a pessoa e se funda essencialmente na revelação do amor de Deus para com toda criatura humana. "Creio no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim" (Gl 2,20). Mas é preciso aceitar o desafio de uma sociedade em que a proposta religiosa passa pela escolha e a liberdade do indivíduo. Por que o cristão teria medo dela? Não é "para a liberdade que Cristo nos libertou" (Gl 5,1)? "Onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade" (2 Cor 3,17): esta é a nossa mensagem. Desde cedo, os cristãos aprenderam que precisavam testemunhar pessoalmente sua fé, até os confins da terra e no correr dos séculos, sem medo de mudanças, sem deixar de construir pacientemente, cada dia, novas relações sociais e novas expressões da comunhão eclesial, perseverando (cf. At 2,42).

Pe. Alberto Antoniazzi