O  PRIMADO  DE  PEDRO

O Papa, bispo de Roma, é o sucessor de São Pedro, a quem Jesus entregou o pastoreio de toda a sua Igreja.

Vejamos os textos bíblicos e os dados da arqueologia que fundamentam esta proposição.

 

1. Evangelhos

Notemos que o Apóstolo mais mencionado no Novo Testamento é S. Pedro (171 vezes); o segundo é S. João (46 vezes).

No catálogo dos Apóstolos (Mt 10, 2-4; Mc 3, 16-19; Lc 6, 13-16; At1,13) Pedro é sempre colocado em primeiro lugar

Jesus deu muitas provas de deferência a Pedro: ver Mt 17, 24-27 (o tributo pago por Pedro a Jesus); Mt 14, 27-30 (o caminho sobre as águas); Lc 24, 34 (Jesus apareceu a Pedro em particular); Jô 21, 18 (predição do tipo de morte).

Era Pedro que geralmente falava em nome de todos: Mt 14, 28; 15, 5; 16,22; 17,4; 18,21; 19, 27; 26,33; Mc 8, 29; 10, 28; 11, 21; 14,29; Lc 8, 45; 9, 20.33; 18, 28; 22, 31; Jô 6, 68; 13,6-10.36.

Importante também é o fato de que Jesus mudou o nome de Simão para Cefas (= Pedro); ver Jo 1, 42. Ora o Antigo Testamento só revela dois casos em que Deus tenha trocado o nome de uma criatura; em ambos, mudou-o para conferir-lhe solene missão (a Abraão em Gn 17, 5; a Jacó, em Gn 32, 29). Também a Pedro Jesus quis confiar uma missão formulada em Mt 16, 17-19; Lc 22, 30-32; Jô 21, 15-18. Vejamos cada um destes textos:

1.1 - Mt 16, 17-17 = Este texto, embora só se encontre em Mt, está cheio de semitismos (= construções de língua aramaica falada por Jesus) a ponto que parece fazer-nos ouvir as próprias palavras do Divino Mestre.

O que significa este texto?

- O Senhor promete construir a sus Igreja sobre a Rocha (petra) que é Pedro (Petros; o trocadilho é perfeito em aramaico: Kefa...Kefa). Jesus assim alude à mudança de nome (Jo 1, 42), feita em vista da tarefa que Jesus ia entregar a Pedro.

- A Igreja, fundada sobre Pedro, resistirá ao poderio do Mal (= portas do inferno).

- Pedro receberá "as chaves do Reino", isto é, a administração de todas as coisas na Igreja de Cristo (as chaves são o símbolo da autoridade, conformante Is 22, 22; Ap 1, 7; 3, 7s; 9, 1; 20, 1).

- Pedro há de "ligar e desligar", isto é, proibir e permitir; as funções exercidas por Pedro na terra serão confirmadas no céu.

Concluímos assim que em Mt 16, 18s Jesus prometeu a S. Pedro a jurisdição universal ou a missão de apascentar a Igreja inteira.

Ao fazer de Pedro o fundamento visível da Igreja, Jesus não deixa de ser o fundamento invisível, e mais profundo da mesma (1 Cr 3, 11). Também ao entregar as chaves a Pedro, Jesus continua a "possuir a chave de Davi", que abre e fecha definitivamente (Ap 3, 7); os poderes de Pedro provêm de Cristo, e são exercidos com a assistência do próprio Cristo. - Alias, observemos que Jesus fez dos seus discípulos "a luz do mundo" (Mt 5, 14), sem deixar de ser Ele mesmo a luz primeira e fonte total (ver Jô 8, 12; 9, 5; 12, 46).

1.2 - Jô 21, 15-17 = O primeiro prometido em Mt 16 foi realmente entregue após a ressurreição, segundo Jô 21. Cristo confiou a Pedro o pastoreio de todo o rebanho. A imagem do Pastor designa na S. Escritura o Messias e a sua obra (cf Mq 2, 13; 4, 6s; 5, 3; Sf 3, 19; Jr 23, 3; 31, 19; Is 30, 11; 49, 9s; Ez 34, 7-24; 37, 23-25; Zc 11, 7-9; Mt 18, 12; Lc 15, 4; Jô 11, 11-16). Ora, confiando a Pedro a missão de Pastor, Jesus o constituiu seu Vigário na Terra.

1.3 - Lc 22, 31s = Um aspecto da função pastoral de Pedro é o de confirmar seus irmãos na fé. Para que Pedro o exerça com segurança, Jesus rezou por Pedro, entendendo beneficiar os demais Apóstolos por meio de Pedro.

 

2. Os outros livros do Novo Testamento

Logo após a Ascensão, Pedro aparece à frente dos Apóstolos. Presidiu à eleição de Matias (At 1, 15-26); em Pentecostes fez a primeira proclamação de Cristo (At 2, 14-36); puniu Ananias e Safira (At 5, 1-11). A sua autoridade foi decisiva para se admitirem os pagãos na Igreja (At 11, 18)...

Em Antioquia Pedro apareceu observando a Lei de Moisés quanto aos alimentos puros e impuros (Gl 2, 11-14). Fazia-o para não magoar os cristãos provenientes do judaísmo; nisso não havia pecado, mas o comportamento de Pedro tinha tanto peso que podia arrastar os cristãos de origem grega a observar a Lei de Moisés; por isto Paulo chamou a atenção de Pedro. O episódio dá testemunho da autoridade de Pedro na Igreja.

 

3. Os testemunhos da história antiga

Pedro aparece pela última vez nos Atos em At 12, 17: "foi (de Jerusalém) para outra parte". Reaparece em Roma no ano de 64, como atesta 1Pd 5, 13 ("Babilônia" designa a cidade de Roma pagã).

Os antigos escritores da Igreja atestam a presença de Pedro em Roma; citamos apenas Dionísio de Corinto, que entre 165 e 170 escrevia aos romanos:
"Pedro e Paulo, indo para a Itália, vos transmitiram os mesmos ensinamentos e por fim sofreram o martírio simultaneamente" (em Eusébio, Hist. ecl. II 25, 8).

A arqueologia, por sua vez, mediante escavações recentes, confirma a morte e o sepultamento de Pedro em Roma.

A história da Igreja, desde cedo, mostra que os sucessores de Pedro em Roma fizeram uso da sua jurisdição. Mencionamos apenas a questão da Páscoa no século II: alguns cristãos da Ásia Menor recusavam seguir o calendário de Roma e das regiões cristãs; o Papa S. Vítor ameaçou-os então de excomunhão (cf. Eusébio, Hist. ecl. V 24, 9-18). Ninguém contestou ao bispo de Roma (= Papa) o direito de assim proceder; parecia claro a todos que nenhum bispo pode estar em comunhão com a Igreja universal sem estar em comunhão com a Igreja de Roma.

Assim vemos como Jesus confiou a Pedro e seus sucessores um primado de magistério e jurisdição, que hoje é exercido pelo S. Padre, o Papa.

O texto foi cedido pela Paróquia N. S. da Glória