PASTOR DE HERMAS - PARÁBOLAS

CAPÍTULO 73

Escuta também sobre aqueles que devolveram os ramos metade secos e fendidos. Aqueles cujos ramos estavam somente secos pela metade, são os que duvidam; não estão nem vivos nem mortos. Os que os tinham secos pela metade e fendidos, são os que duvidam e murmuram, e que nunca estão em paz entre si, mas sempre em discórdia. Também esses ainda têm possibilidade de fazer penitência. Vês que alguns deles já fizeram penitência e ainda há esperança de penitência para eles. Todos os que dentre eles fizeram penitência, têm sua morada na torre. Aqueles, porém, que se arrependerem demasiadamente tarde, habitarão nos muros; aqueles que não fizerem penitência, persistindo em suas ações, certamente morrerão. Aqueles que devolveram ramos verdes, mas fendidos, sempre foram fiéis e bons, mas têm entre si inveja pelos primeiros lugares e por alguma honraria. Todos eles são loucos em rivalizarem entre si pelos primeiros lugares. Todavia, depois de terem ouvido meus mandamentos, como eram bons, eles se purificaram e logo fizeram penitência. A morada deles foi na torre. Contudo, se um deles voltar novamente à discórdia, será expulso da torre e perderá a própria vida. A vida pertence a todos os que observam os mandamentos do Senhor. Ora, nesses mandamentos nada se diz de primeiros lugares, nem de alguma honraria, mas fala-se da paciência e humildade do homem. Nessas pessoas, portanto, está a vida do Senhor; nos que provocam discórdia e violam a lei, está a morte."

CAPÍTULO 74

"Aqueles que devolveram seus ramos metade verdes e metade secos, são os que estavam imersos em seus negócios e não se juntavam aos santos. Por isso, metade neles estava viva, e metade estava morta. Todavia, depois de terem ouvido meus mandamentos, fizeram penitência e foram morar na torre. Alguns outros se afastaram definitivamente, e não têm possibilidade de fazer penitência. Com efeito, por causa de seus negócios, eles blasfemaram o Senhor e o renegaram. Portanto, perderam a vida, por causa da maldade que praticaram. Muitos dentre eles são vacilantes; esses ainda têm possibilidade de fazer penitência, se logo se arrependerem, e sua morada será na torre. Se levarem demasiado tempo para fazerem penitência, irão morar nas muralhas; se não fizerem penitência, também eles já terão perdido a vida. Aqueles que devolveram os ramos dois terços verdes e no resto secos, são aqueles que renegaram de diversas formas. Muitos deles fizeram penitência e foram morar na torre. Outros se afastaram definitivamente de Deus; esses perderam definitivamente a vida. Alguns deles duvidaram e provocaram discórdia; estes ainda têm possibilidade de fazer penitência, se a fizerem logo, sem persistir em seus prazeres. Mas, se eles se obstinarem em suas ações, estarão trabalhando para a própria morte."

CAPÍTULO 75

"Aqueles que devolveram ramos com dois terços secos e no resto verdes, são os que foram fiéis, mas que se enriqueceram e adquiriram honra entre os pagãos. Revestiram-se de grande orgulho, tornaram-se arrogantes, abandonaram a verdade e se separaram dos justos. Ao contrário, conviveram com os pagãos, e esse caminho lhes pareceu mais agradável. Eles não se afastaram de Deus, permaneceram na fé, mas não praticaram as obras da fé. Muitos deles fizeram penitência e tiveram sua morada na torre. Outros, convivendo inteiramente com os pagãos e arrastados pelas suas glórias vãs junto aos pagãos, afastaram-se de Deus e praticaram as obras dos pagãos; esses foram contados como pagãos. Outros entre eles ficaram na dúvida, porque não esperavam mais ser salvos, por causa das ações que haviam praticado. Outros ainda, não só duvidaram, mas fomentaram divisões entre si. Para esses indivíduos e para aqueles que permaneceram na dúvida por causa de suas ações, ainda há possibilidade de penitência. Mas a sua penitência deve ser rápida, para que a morada deles seja dentro da torre. Para os que não fazem penitência, mas permanecem nos seus prazeres, a morte está próxima."

CAPÍTULO 76

"Os que devolveram ramos verdes, mas com a ponta seca e fendida, são os que sempre foram bons, fiéis e gloriosos junto de Deus, mas pecaram um pouco, por leve concupiscência e leves rancores mútuos. Depois de ouvirem minhas palavras, a maioria deles arrependeu-se logo, e tiveram sua morada na torre. Alguns duvidaram, e outros, por causa de sua dúvida, promoveram maiores divisões. Estes ainda têm esperança de penitência, pois sempre foram bons; é difícil que um deles morra. Aqueles que devolveram seus ramos secos e com uma pequenina parte verde, são os que apenas creram, mas praticaram as obras da iniqüidade. Nunca se afastaram de Deus, levaram com alegria o Nome, e receberam com alegria os servos de Deus em sua casa. Ouvindo o anúncio desta penitência, arrependeram-se sem hesitação e praticam toda a virtude da justiça. Alguns até sofrem e são atribulados com alegria, pois conhecem as ações que praticaram. A morada de todos esses será na torre."

CAPÍTULO 77

Quando terminou de explicar acerca de todos os ramos, o pastor me disse: "Vai e dize a todos que façam penitência, e viverão em Deus. De fato, o Senhor teve compaixão, e me enviou para oferecer a ocasião de penitência a todos, embora alguns, por causa de suas obras, sejam indignos da salvação. O Senhor, porém, é paciente e quer que o chamado feito pelo Filho não seja invalidado." Eu lhe disse: "Senhor, espero que, depois de ouvir essas coisas, todos farão penitência. Estou persuadido de que cada um, conhecendo suas ações e temendo a Deus, faça penitência." Ele me respondeu: "Todos os que se arrependerem do fundo do coração, se purificarem dos pecados anteriormente assinalados e não acrescentarem mais nada a seus pecados, receberão do Senhor a cura de seus pecados passados, se não duvidarem a respeito desses mandamentos; então eles viverão em Deus. Todos aqueles, porém, que aumentarem seus pecados e caminharem nas paixões deste mundo, se condenarão à morte. Quanto a ti, caminha segundo os meus mandamentos e viverás em Deus. Do mesmo modo, aquele que andar no caminho dos mandamentos e os praticar retamente, viverá em Deus." Depois de meter mostrado tudo isso, ele me disse: "O resto, eu te explicarei dentro de poucos dias."

NONA PARÁBOLA

CAPÍTULO 78

Depois que escrevi os mandamentos e as parábolas do pastor, anjo da penitência, ele veio a mim e disse: "Quero te mostrar tudo o que te mostrou o Espírito Santo, que te falou na figura da Igreja. Esse Espírito é o Filho de Deus. Estavas muito fraco na carne e, por isso, não te foi revelado por meio de anjo. Contudo, quando ficaste fortalecido pelo Espírito e tu mesmo tiveste a força para poderes ver um anjo, então te foi revelada, por meio da Igreja, a construção da torre. Viste bem e santamente, qual uma virgem, todas as coisas. Agora, graças a um anjo, vês por meio do próprio Espírito. E preciso que compreendas tudo, por meu intermédio, de modo mais preciso. O anjo glorioso me conferiu a missão de habitar em tua casa, para que vejas tudo com coragem, e não mais com apreensão, como antes." Então me transportou para a Arcádia, sobre um monte de forma cônica. Fez-me sentar no topo da montanha, e me mostrou uma grande planície e, ao redor da planície, outras doze montanhas, cada uma com aspecto diferente. A primeira era negra como fuligem; a segunda, seca e sem vegetação; a terceira, cheia de espinhos e cardos; a quarta, com vegetação meio seca, verde na parte de cima e seca junto às raízes; quando o sol brilhava, parte da vegetação secava. A quinta montanha era muito rochosa, mas tinha vegetação verde. A sexta montanha estava cheia de fendas, algumas pequenas, outras grandes; nas fendas havia vegetação, mas não era muito verdejante: parecia antes estar murcha. A sétima montanha tinha vegetação cheia de viço e a montanha toda era exuberante; todas as espécies de rebanhos e aves se alimentavam sobre a montanha e, quanto mais os rebanhos e aves comiam, tanto mais a vegetação brotava da montanha. A oitava montanha estava cheia de fontes, e todas as espécies da criação do Senhor vinham beber nessas fontes da montanha. A nona montanha não tinha água nenhuma, e estava completamente deserta; havia nela animais selvagens e répteis mortíferos, que provocam a morte dos homens. Na décima montanha havia árvores gigantes e estava coberta de sombras; debaixo das sombras estavam deitadas muitas ovelhas, que repousavam e ruminavam. A décima primeira montanha era coberta de árvores, as quais eram frutíferas e carregadas de frutas de toda espécie, e quem as via, desejava comê-las. A décima segunda montanha era inteiramente branca; seu aspecto era muito exuberante, e a montanha em si mesma era belíssima.

CAPÍTULO 79

No meio da plnície, ele me mostrou uma grande rocha branca que se erguia da planície. Era mais alta que as montanhas, e quadrada, de modo a conter o mundo inteiro. A rocha era antiga, e havia nela uma porta escavada, que parecia ter sido escavada recentemente. Resplandecia mais do que o sol, e eu me maravilhava com tal esplendor. Ao redor da porta estavam doze virgens. As quatro que havia nos cantos me pareciam mais gloriosas, mas as outras o eram também. As virgens estavam nos quatro lados da porta, duas a duas, à meia distância das quatro primeiras. Vestiam túnica de linho, belamente cingidas, com o ombro direito descoberto, como para transportar algum peso. Estavam prontas, alegres e animadas. Vendo isso, fiquei admirado pelas coisas grandes e gloriosas que via. Além disso, fiquei perplexo com essas virgens, que eram delicadas, mas que se comportavam virilmente, como se devessem sustentar todo o céu. Então o pastor me disse: "Em que estás pensando, preocupando-te e causando tristeza a ti mesmo? As coisas que não consegues compreender, não as trates como se fosses inteligente. Pede antes ao Senhor que te dê inteligência para compreender essas coisas. Não podes ver o que está atrás de ti, mas vês o que está diante de ti; não te atormentes pelo que não podes ver. Procura dominar as coisas que vês, e não te angusties com o resto. Explicarei tudo o que te vou mostrar. Vê, portanto, o resto."

CAPÍTULO 80

Então vi que haviam chegado seis homens altos, gloriosos e de aspecto semelhante. Chamaram uma multidão de homens. Estes recém-chegados eram de grande estatura, muito belos e fortes. Os seis homens lhes deram ordens de construir uma torre sobre a rocha. Os homens que vieram construir a torre fizeram então grande tumulto, correndo de cá para lá ao redor da porta. As virgens que estavam ao redor da porta diziam aos homens que apressassem a construção da torre. Elas estendiam as mãos, como se devessem receber alguma coisa dos homens. Os seis homens ordenaram que subissem pedras de um abismo e se colocassem na construção da torre. Então subiram dez pedras quadradas e brilhantes, não lavradas. Os seis homens chamaram as virgens e lhes disseram que carregassem todas as pedras que haviam de entrar na construção da torre, que as passassem através da porta, e entregassem aos homens que iriam construir a torre. As virgens então carregaram sobre si, mutuamente, as dez primeiras pedras que haviam subido do abismo, e as transportaram juntas, pedra por pedra.

CAPÍTULO 81

Elas carregavam as pedras na mesma ordem em que estavam ao redor da porta: as virgens que pareciam vigorosas, se colocavam nos ângulos da pedra; as outras se colocavam dos lados. E assim carregavam todas as pedras, passando pela porta, conforme lhes fora ordenado, e as entregavam aos homens na torre, os quais recebiam as pedras e construíam. A torre era construída sobre a grande rocha e em cima da porta. As dez pedras foram então ajustadas e cobriram toda a rocha, tornando-se, desse modo, o alicerce da construção da torre. A rocha e a porta suportavam toda a torre. Depois das dez pedras, subiram do abismo outras vinte e cinco. Elas também foram ajustadas à construção, carregadas pelas virgens como as anteriores. Depois, subiram trinta e cinco pedras, que foram igualmente ajustadas à torre. A seguir, subiram outras quarenta pedras, e todas foram também empregadas na construção da torre. Desse modo, formaram-se quatro camadas no alicerce da torre. Pararam então de subir do abismo, e os construtores descansaram um pouco. Depois, os seis homens ordenaram à multidão numerosa que trouxesse pedras das montanhas, a fim de construir a torre. Eram trazidas de todas as montanhas, de cores variadas, lavradas pelos homens, e entregues às virgens, as quais as transportavam pela porta e as entregavam para a construção da torre. Quando essas pedras de cores diferentes eram colocadas na construção, tornavam-se igualmente brancas, mudando as cores precedentes. Algumas pedras eram entregues aos homens para a construção, mas não se tornavam brilhantes; continuavam tais como eram antes, pois não tinham sido entregues pelas virgens, nem tinham passado pela porta. Tais pedras, portanto, destoavam na construção da torre. Os seis homens viram que essas pedras destoavam na construção, e ordenaram que fossem retiradas, levadas para baixo, para o lugar de onde tinham sido transportadas. Então disseram aos homens que transportavam as pedras: "De modo nenhum, não entregueis vós mesmos pedras aos construtores. Colocai-as perto da torre, para que as virgens, fazendo-as passar pela porta, as entreguem para a construção. Com efeito, se elas não passarem a porta pelas mãos das virgens, não poderão mudar suas cores. Portanto, não vos afadigueis em vão."

CAPÍTULO 82

Terminou naquele dia o trabalho de construção, mas a torre não ficou concluída. Devia-se retomar a construção, mas houve uma pausa. Os seis homens mandaram que todos os construtores se retirassem um pouco e descansassem; às virgens, porém, ordenaram que não se afastassem da torre. Parecia-me que as virgens foram deixadas aí para guardá-la. Depois que todos se retiraram para descansar, eu perguntei ao pastor: "Senhor, por que não foi terminada a construção da torre?" Ele respondeu: "A torre não pode ser terminada enquanto o seu proprietário não vier examinar a construção, para trocar as pedras que estiverem corroídas. A torre foi construída segunda a vontade dele." Eu então pedi: "Senhor, desejaria saber o que significa a construção da torre e a rocha, a porta, as montanhas, as virgens e as pedras que subiram do abismo, porque não foram lavradas, mas entraram na construção tais quais eram. Também desejaria saber por que primeiro foram postas no alicerce dez pedras, depois vinte e cinco, trinta e cinco, e quarenta. E também o que significam as pedras que entraram na construção e depois foram logo retiradas e recolocadas em seu lugar. Senhor, tranqüiliza a minha alma sobre tudo isso, e explica-me tudo." Ele respondeu: "Se tua curiosidade não for considerada vã, conhecerás tudo. Daqui a poucos dias voltaremos aqui, e verás o resto do que acontecerá a esta torre, e saberás completamente todas as parábolas." Poucos dias depois, voltamos ao lugar onde estivéramos sentados, e ele me disse: "Vamos até à torre, pois o proprietário virá examiná-la." Então fomos até à torre, e perto dela não havia absolutamente ninguém, exceto as virgens. O pastor perguntou às virgens se o proprietário da torre estava aí, e elas responderam que ele chegaria para examinar a construção.

CAPÍTULO 83

Eis que pouco depois vejo um cortejo de muitos homens chegando, e no meio deles um homem tão alto que ultrapassava a torre. Os seis homens que trabalharam na construção caminhavam com ele à direita e à esquerda, e todos os que trabalharam na construção estavam com ele, e muitos outros, gloriosos, ao seu redor. As virgens que guardavam a torre correram ao seu encontro, o beijaram e começaram a caminhar com ele ao redor da torre. Esse homem examinava minuciosamente a construção, a ponto de apalpar pedra por pedra; com um bastão na mão, batia em cada uma das pedras da construção. À medida que batia nelas, algumas ficavam negras como fuligem; outras, corroídas, ou fendidas, ou mutiladas, ou nem brancas nem negras; outras, desiguais, já não se harmonizavam com as demais pedras; e outras ainda, cheias de manchas. Tais foram as variedades de pedras achadas inúteis para a construção. E ele ordenou retirá-las todas da torre, colocá-las junto dela e trazer outras para substituí-Ias. Os construtores lhe perguntaram de qual montanha ele queria que tirassem as pedras para colocar no lugar das outras. Ele ordenou que fossem tiradas, não das montanhas, mas de uma planície vizinha. Cavou-se então a planície e foram encontradas pedras brilhantes, quadradas, e algumas redondas. Todas as pedras encontradas nessa planície foram trazidas, e as virgens as transportaram através da porta. As pedras quadradas foram lavradas e colocadas no lugar das que tinham sido tiradas; as redondas não foram colocadas na construção, porque eram duras, e o trabalho de lavrá-las era lento. Foram colocadas perto da torre, pois deviam ser lavradas para serem colocadas na construção, já que eram muito brilhantes.

CAPÍTULO 84

Terminando isso, o homem glorioso e senhor de toda a torre chamou o pastor e lhe entregou todas as pedras que se achavam perto da torre e que foram tiradas da construção, e lhe disse: "Limpa cuidadosamente todas essas pedras, e emprega na construção da torre as que se ajustam às outras; as que não se ajustarem, atira-as para longe da torre." Depois de ordenar isso ao pastor, foi embora, acompanhado de todos os que tinham vindo com ele; as virgens, porém, permaneceram ao redor da torre, para guardá-la. Eu perguntei ao pastor: "Como podem essas pedras, que foram rejeitadas como indignas, voltar à construção da torre?" Ele me respondeu: "Vês estas pedras?" Eu disse: "Sim, senhor, estou vendo." Ele continuou: "Lavrarei a maior parte delas e as empregarei na construção, e elas se ajustarão às outras." Eu perguntei: "Senhor, como poderão, depois de esquadradas, preencher o mesmo lugar?" Ele me respondeu: "As que forem achadas pequenas serão colocadas no interior da construção; as maiores serão colocadas no lado externo e sustentarão as outras." Dito isso, continuou: "Vamos embora. Dentro de dois dias voltaremos, limparemos essas pedras e as colocaremos na construção. E preciso limpar tudo ao redor da torre, pois, se o proprietário vier de improviso e encontrar tudo sujo ao redor da torre, ficará irritado. Nesse caso, essas pedras não entrariam na construção da torre, e aos olhos do proprietário eu pareceria negligente." Dois dias depois, voltamos à torre e ele me disse: "Examinemos todas as pedras e vejamos quais delas podem entrar na construção." Eu respondi: "Sim, senhor, vamos examiná-las".

CAPÍTULO 85

Para começar, examinamos primeiro as pedras negras. Da forma como foram retiradas da torre, assim as encontramos. O pastor ordenou que fossem levadas embora da torre e colocadas à parte. Depois, examinou as corroídas. Pegou muitas delas, lavrou-as e ordenou que as virgens as levantassem e as colocassem na construção. As virgens as levantaram e as colocaram no interior da construção da torre. Ele ordenou então que as restantes fossem colocadas com as pretas, pois elas também foram encontradas pretas. Em seguida, examinou as fendidas. Lavrou muitas e mandou que as virgens as levassem para a construção. Puseram-nas, porém, no lado externo, pois eram mais sólidas. As outras, como tinham muitas fendas, não puderam ser lavradas e, por isso, foram excluídas da construção da torre. Examinou depois as mutiladas. Entre elas se encontraram muitas pedras pretas, e algumas com grandes fendas, e ele mandou que também essas fossem colocadas com as rejeitadas. Quanto às restantes, ele as limpou, lavrou e mandou colocar na construção. As virgens as levantaram e as ajustaram no meio da construção, pois eram muito fracas. Depois, examinou as meio brancas e meio pretas, e muitas delas foram encontradas pretas. Mandou que também essas fossem levantadas e colocadas junto com as que tinham sido rejeitadas. Todas as outras foram levantadas pelas virgens. Como eram brancas, foram ajustadas à construção pelas próprias virgens. Foram postas no lado externo da muralha, pois foram encontradas sólidas, de modo que podiam sustentar as que eram colocadas no meio. Nada foi cortado delas. Em seguida, examinou as que eram duras e ásperas, e algumas delas foram rejeitadas; não era possível lavra-las, porque eram muito duras. As outras foram lavradas, levantadas pelas virgens, e ajustadas no interior da construção da torre, pois eram mais fracas. Em seguida, ele examinou as que tinham manchas, e delas poucas ficaram pretas e foram rejeitadas com as outras. As que restaram foram encontradas brilhantes e sólidas, ajustadas pelas virgens à construção; foram colocadas no lado externo, porque eram resistentes.