wpe6.jpg (8191 bytes)NOSSA SENHORA DA CHINA

Há dois santuários marianos nacionalmente famosos na China, Dong Lu em Boading e Sheshan em Shangai. O santuário de Nossa Senhora de Sheshan em Shangai está sob o controle da Associação patriótica (a Igreja católica nacional infiel ao papa), o santuário a Dong Lu permanece firmemente com Igreja católica romana, chamada "Igreja subterrânea". Católicos, desde 1924, viajaram todos os maio de todas as áreas de China para Dong Lu rezar antes da Mãe Santificada de Cristo, exceto durante a revolução cultural.

A devoção à Nossa Senhora começou na aldeia de Dong Lu em 1900. Todos os anos, centenas de milhares de peregrinos vêm rezar diante de Nossa Senhora de Dong Lu.

Durante o mês de maio de 1994 todas as estradas que conduzem a Dong Lu foram fechadas pelo governo. Não apenas isto. Em todas as vias de acesso para Dong Lu e cidades vizinhas foram colocadas barreiras. Ali só podiam passar quem era identificado pelas autoridades como "não-católico". Assim mesmo vieram pessoas de todas as partes do país. Vieram a pé ou de bicicletas, em automóveis e caminhões, através de caminhos pouco conhecidos para evitar a repressão do governo.

Vieram à " Colina da Mãe " para rezar. Nos lados da estátua escreveram dois versos. Em um lado lê-se: "A cabeça da serpente é esmagada. Debaixo de que pés foi derrotada?" No outro lado: "Meu filho, por que você está amedrontado? Sua mãe está a seu lado".

Em outra parede, havia um enorme aviso anunciando o atentado sofrido pelo papa na praça São Pedro, em Roma, e pedindo orações e sacrifícios pela recuperação dele.

Dezenas de milhares de pessoas ajoelharam-se diante da imagem com as mãos colocadas sobre o peito. Depois de uma longa repressão do governo comunista, os católicos não puderam controlar a emoção, seu amor a Maria Santíssima. Muitos choraram copiosamente porque finalmente podiam ajoelhar-se aos pés da Mãe Santíssima, após quarenta anos de perseguições. E suplicaram: "Querida Mãe, conceda-nos coragem para prosseguir nossa luta. Nós te pedimos: cuida da Igreja na China e salva-nos".

Muitos tocaram a imagem com seus rosários e quadros de santos. Estes objetos religiosos se transformaram em algo de valor inestimável. Jovens, anciãos, inválidos, fracos e fortes, todos unidos no amor à Mãe de Jesus. Havia pessoas de todas as idades. Era possível ver-se um mar de gente ajoelhada e rezando, ninguém distraído ou conversando. Uma senhora e uma criança ajoelham-se diante da imagem. Abraçada a seu filho, a mulher chora. Próximo dela um senhor de meia idade. Ele também rezava e chorava. Depois de tanta perseguição eles encontravam consolo em Maria. Ofereciam seus sacrifícios para o futuro da Igreja católica romana na China, pelo Santo Padre e pela Igreja universal. Eles estavam muito felizes por ter chegado à Colina de Maria mesmo com tantos riscos pessoais e sacrifícios financeiros

O dia 24 de maio é o dia da festa mariana mais importante da China. O céu estava nublado. Começou a chuviscar. A Igreja subterrânea não tem nenhuma igreja em Dong Lu. A Missa era ao ar livre. Por volta das oito horas da manhã, a procissão para a missa santa estava começando. Quatro bispos e aproximadamente 120 padres que chegam das dioceses subterrâneas da China concelebraram a missa, que teve como celebrante principal Dom Su Chi-Min, bispo auxiliar de Baoding. A procissão também incluiu mais de 100 seminaristas, 200 freiras, muitos diáconos e seminaristas do curso secundário. Os chuviscos se tornam uma chuva pesada. A procissão continuou. Nada poderia parar a devoção deste povo para com sua santa Mãe.

Imagine a cena. Havia mais de cinqüenta mil peregrinos. Poucos traziam guarda-chuvas. A maioria cobre-se com um pedaço de folha de vinil. Quando viram os padres, seminaristas e freiras no meio da chuva sem nada para cobri-los eles se empurraram tentando oferecer para qualquer proteção que seus guarda-chuvas ou vinil pudessem trazer. Em poucos minutos todos estavam molhados e empapados. Mas, com o seu espírito elevado, andavam e cantavam na chuva. Eles estavam empapados no amor de Nossa Senhora e na graça de Deus. Esta chuva limpou-lhes a alma. Com vigor renovado e determinação, unidos como Igreja clandestina e leal, eles marchavam contra a tempestade de perseguição. Nenhuma tempestade poderia detê-los na marcha. Nenhuma perseguição poderia esmagá-los. Após a tempestade virão dias ensolarados.

A Missa começou. Todos se ajoelharam na lama, mais de cinqüenta mil fiéis, ao som de hinos e orações. Comecei a pensar na história da Igreja na China: da perseguição da Igreja na dinastia de Qing para o regime comunista atual, a Associação patriótica cismática, o encarceramento e tortura de bispos, padres, freiras, e fiéis, os milhares dos mártires, a destruição e confisco das propriedades de Igreja, a proibição para atividades religiosas! Todos ali testemunhavam que a Igreja católica romana está gemendo debaixo da perseguição do governo comunista, suplicando a misericórdia de Deus.

Aquela missa do dia 24 de maio de 1994 continua. A história da luta da Igreja na China é como uma missa oferecida à Senhora de China e aceita pelo Deus misericordioso. Depois da tempestade da perseguição, com as sementes de martírio, a Igreja na China rebrotará com nova vitalidade.