AS APARIÇÕES DE NOSSA SENHORA DE LOURDES

As aparições de Nossa Senhora em Lourdes, impuseram-se com grande clareza aos homens de nossa época. Foram inúmeros os fatos que chamaram a atenção e assinalaram seu início e sua história. Perante as aparições, os homens podem tomar três atitudes:

1. credulidade e sugestão das massas: fruto do anseio instintivo do que é maravilhoso ou da percepção clara da realidade sobrenatural. Trata-se de uma atitude não-crítica;

2. negação e recusa preconcebida de quem nega a possibilidade das aparições e a intervenção de Deus no mundo; é atitude acrítica como a primeira;

3. aguardar esclarecimentos posteriores: é a atitude das pessoas prudentes.

As aparições por si não trazem consigo também revelações que são manifestações sobrenaturais da verdade. Não raro, porém, as revelações acompanham efetivamente as aparições.

Nas aparições de Lourdes, temos igualmente, como as de Fátima, revelações importantes, quer para bem dos videntes, quer para o do mundo e para o da Igreja.

De um modo geral, revelação é a manifestação de algo ou de alguma verdade escondida ou ignorada. O termo referido a Deus, é a manifestação feita por Deus mesmo de verdades divinas, em relação à vida.

A revelação pública é feita à Igreja e, portanto para a utilidade geral, de todo Corpo Místico. É a Palavra de Deus assentada na Escritura ou transmitida mediante a Tradição.

Já, as revelações particulares são comunicações sobrenaturais feitas aos homens para o bem espiritual das almas. Julgada sua autenticidade, ficam incluídas no assim chamado sobrenatural maravilhoso, e incluem as curas milagrosas, as aparições, etc.

As aparições e revelações particulares, que sejam incontestavelmente verdadeiras, enquadram-se na doutrina oficial revelada e podem ser uma da mais fecundas na Igreja militante. Com efeito, elas têm os seguintes teores:

a) fazem brilhar com luz mais viva e atraente algumas verdades de fé;

b) focalizam as investigações dos teólogos sobre certos pontos da Revelação;

c) tocam o coração dos fiéis e os induzem a uma vida mais pura. São os santuários marianos verdadeiros portos de salvação para tantos pecadores. Assim o são os santuários de Lourdes, na França, e de Fátima, em Portugal e no Brasil o de Nossa Senhora Aparecida.

Lourdes, ontem: 1858. Duas montanhas possantes, minas de pedra e mármore. Entre elas uma aldeia, cinco mil habitantes, aproximadamente, um bosque. Um rio, o Gave. Massabielle, a gruta que ninguém ouviu falar dela, a não ser em Lourdes mesmo...

Lourdes, hoje: Transcorreram cento e quarenta e quatro anos! É claro, as mesmas montanhas e entre elas a mesma aldeia. Agora não mais aldeia, mas uma das mais famosas cidades da França, porque nela apareceu Maria. Agora, não mais o bosque, mas uma selva de seres humanos, sofredora, dolorosa e suplicante. Agora, não mais o rio, mas uma fonte de água viva que restabelece doenças e que salva. Agora, não mais ou poucos moradores franceses, mas legiões de todas as línguas e nações que clamam em uníssono o amor a Maria, numa só prece. "Ave-Maria", aos pés daquela gruta, ontem, abandonada e hoje gloriosa

Encontro de Maria com Bernadete

1 - O primeiro encontro: quinta-feira, 11 de fevereiro de 1858, quatro anos depois da proclamação do dogma da Imaculada Conceição.

a) Estava um dia frio. Três jovenzinhos, Joana Ábadie, Bernadete Soubiroux e sua irmã Antonieta, vão recolhendo lenha até a gruta de Messabielle, além do rio Gave.

b) Para chegar à gruta é preciso atravessar a vau um determinado trecho do rio Gave. Enquanto tirava as meias, eis que um rumor de vento, chama a atenção de Bernadete, que se volta para as árvores do gramado vizinho e as vê imóveis. Outro barulho de vento: levanta a cabeça para a gruta e vê...

c) “...uma jovem Senhora vestida de branco: com uma túnica branca, com um véu branco, uma faixa azul e uma rosa amarela sobre cada um de seus pés; também o seu rosário era dessa cor. Acenou-me com um dos dedos para que me aproximasse, mas fiquei assustada. E não tive coragem. Pensava estar enganada. Esfreguei os olhos, olhei e vi a mesma Senhora. Enfiei a mão no bolso e encontrei o terço; queria benzer-me, mas não consegui levar a mão à cabeça. Fiquei com mais medo ainda. A Senhora tomou o rosário que tinha entre as mãos e fez o sinal da cruz. Tentei imita-la e consegui(...) O grande susto passara, ajoelhei-me e rezei o terço. A visão fazia passar as contas do rosário, mas não movia os lábios.Quando terminei o terço, acenou para aproximar-me, mas não me atrevi. E a visão desapareceu de repente”.

Os outros encontros

a) Segunda aparição: Domingo, 14 de fevereiro. Bernadete asperge a aparição com água benta, dizendo se fosse da parte de Deus que ficasse. E quanto mais jogava, mais ela sorria. Quando terminei de rezar o terço, ela desapareceu.

b) Aparições da quinzena. 1) Quinta-feira, 18 de fevereiro: a aparição pede a Bernadete ir à gruta, durante quinze dias; 2) 25 de fevereiro, quinta-feira: é cavada a nascente; 3) 15 de março, quinta-feira: termina a quinzena.

c) O nome da aparição: aos 25 de março, dia da Anunciação, a aparição revela seu nome: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

O adeus

a) Aos 17 de abril, Nossa Senhora apareceu de novo;

b) aos 16 de julho, depois de 100 dias, Nossa Senhora: “Apareceu-me no lugar de sempre, sem dizer-me nada... Nunca a tinha visto tão linda”.

Por que sorria a Virgem? E quem pode sondar o seu Coração? Pode-se dizer: porque é Imaculada, repleta de Deus, sumamente bem-aventurada...

Porque a inocência de Bernadete a consola: seu sorriso dirige-se em primeiro lugar, à menina.

Porque ama a todos nós: "Ela estava lá, doce e sorridente, como mãe carinhosa a olhar seus filhos"; "cumprimenta-nos e sorri..."

A tristeza da Virgem. Aqui também quem pode revelar todo seu Coração?

Pelas suas palavras e as de Bernadete pode-se dizer: pelas ofensas que recebe seu divino Filho e porque sua imaculada maternidade é desconhecida ou até se enlameia sua cândida figura.

O dado principal da mensagem de Lourdes é manifestação de Maria em sua Imaculada Conceição. Essa mensagem foi recebida primeiramente por Bernadete, e depois pelas multidões do mundo inteiro, que correm a Lourdes, onde refulge a oração, a penitência e a caridade...

Temas de pregação dos padres dominicanos

Lourdes e Fátima, n.19 - Edições Paulinas - 1963 - São Paulo

Thereza Spessoto de Figueiredo