A  PRESIDÊNCIA NAS CELEBRAÇÕES

As celebrações acontecem pelo desejo e o fervor das comunidades e graças a pessoas que se consagram a seu serviço, preparando e presidindo as celebrações, tirando tempo e energia para se qualificarem, garantindo, assim, a memória da páscoa no dia do Senhor. O serviço da presidência a cargo de homens e mulheres leigas é reconhecido pela CNBB como verdadeiro ministério litúrgico e vai sendo, pouco a pouco, acolhido pelas comunidades mediante a verificação da habilidade e da fé com que estas pessoas desempenham tal serviço. Vamos ver aqui algumas dicas concretas de como presidir bem essa ação de graças no dia do Senhor.

 

 Igreja, um povo de sacerdotes

O documento “ luz dos povos” do Vaticano II afirma que: “Cristo Senhor fez do novo povo um reino de sacerdotes para Deus Pai”. Pois os batizados são consagrados como casa espiritual e sacerdócio santo, para que ofereçam sacrifícios espirituais. Por isso todos os discípulos de Cristo oferecem-se como hóstia viva, santa e agradável a Deus.

Está aí proclamado um dado autenticamente bíblico: a comunidade dos batizados em Cristo na força do Espírito Santo constitui toda ela um povo sacerdotal. Povo em que todos são sacerdotes. O sacerdócio ‘comum’ dos fiéis (todos os cristãos) e todo o sacerdócio ministerial (padres e bispos) embora sejam diferentes no seu modo de ser devem completar um ao outro.

 

A assembléia litúrgica

Quando nos reunimos para celebrar nós formamos uma assembléia litúrgica.

Quando falamos em assembléia litúrgica, não devemos pensar só nas Missas, mas também:

-         Na celebração de todos os sacramentos;

-         Nas celebrações dos sacramentais; (encomendações, bênçãos, procissões...)

-         Nas celebrações da Palavra ou culto dominical;

-         Nas via-sacras, novenas, círculos bíblicos;

-         Na oração do Ofício Divino (oração da manhã, da tarde)

 

O presidente da assembléia litúrgica

A partir disso, o presidente de uma celebração litúrgica pode ser o bispo, o padre, o cristão leigo (o batizado). Entre os ministérios, ou serviços, há um que merece um momento de maior atenção: “o ministério daquele que preside”. Na expressão de São João Crisóstomo, somos um corpo comunitário. Um corpo é coordenado por uma cabeça. A Igreja sabe que sua cabeça é Jesus Cristo. Ele é o único dirigente, e o Espírito Santo é o único animador, a ‘alma’ da comunidade. Mas precisamos ter entre nós um sinal visível, um sacramento de Cristo-cabeça. Na Missa é sempre o bispo ou o padre, nas celebrações ou culto dominical é sempre alguém da própria comunidade preparado para desempenhar esta função.

 

O serviço da presidência.

O presidente inicia e encerra as celebrações. Ele faz as orações ao Pai, em nome de todo o povo. Ele coordena os demais ministérios dentro da celebração. Por isso, deve sempre sugerir uma presença viva de Cristo através de sua comunicação, gestos, tom de voz, postura, atenção e pelo anúncio da palavra.

            A presidência das assembléias dominicais constitui um ministério específico em relação aos demais ministérios que compõem a equipe de celebração. É por convicção cristã e pelo desejo de servir a igreja que esses homens e mulheres se oferecem para essa tarefa, justamente num momento em que a falta de ministros ordenados está a exigir tal serviço. Em muitos casos, só o fato de serem casados ou de serem mulheres impede que tais servidores recebam da Igreja o sacramento da ordem para o serviço de animação da comunidade e presidência da eucaristia.

            Enquanto for assim, podemos administrar com inteligência e coração o fato de que aos leigos são confiados ministérios pastorais de importância vital para a comunidade cristã.

            Como presidente, a sua função é ajudar o povo a tomar parte de cada ação litúrgica, e a viver interiormente o sentido de cada uma delas. Não com o discurso, mas fazendo bem e colocando alma naquilo que faz.

            O serviço da presidência pode ser assumido por mais de uma pessoa, num tipo de presidência partilhada, dividindo as funções que lhe são específicas.

 

Atitudes que o presidente deve evitar.

- Não se colocar acima da comunidade, mas sempre celebrar com a comunidade;

- não fazer tudo sozinho (acumular funções), mas sempre dividir as tarefas;

- não se achar o ‘dono’ da comunidade, mas sempre procurar outras pessoas para ajudar;

- não estar desligado da vida da comunidade, mas vivenciar o espírito comunitário;

- não celebrar com atitudes moralistas, mas sempre procurando mostrar o caminho certo;

- não prolongar muito a celebração, mas ser claro e objetivo.

- Não ser racional demais, mas procurar também se colocar em atitude de oração.

 

O entrosamento é necessário.

É necessário também que haja entrosamento entre quem preside e os demais servidores (leitores, cantores, salmista, etc.)

A preparação em equipe, além de ser necessária para criar um tal entrosamento, é salutar para que os que assumem a função de presidir não se considerem numa posição de superioridade em relação aos demais ministros. Nesse sentido, também não é recomendável que haja, como via de regra, uma formação só para as pessoas que presidem a celebração. Mesmo que, em algum momento, seja necessária uma formação específica (leitores, músicos, instrumentistas...) é fundamental que todos recebam uma formação básica que os qualifique como agentes de pastoral litúrgica.

O MINISTÉRIO DA PRESIDÊNCIA

O presidente da assembléia litúrgica

Na missa e na celebração dos sacramentos, o presidente da  assembléia é o bispo ou o padre. Ele representa na assembléia reunida o Cristo cabeça de sua Igreja: Cristo que vem até nós, da parte do Pai, para nos salvar e transformar, e Cristo que nos representa junto do Pai e intercede por nós. Por isso, ele tem seu lugar frente ao povo, na cadeira do presidente.

Porém, como “cabeça” ele não pode estar desligado do “Corpo”:

Há muitas celebrações que podem ser feitas mesmo sem a presença de um bispo ou padre: celebrações da Palavra, celebrações penitenciais, vias-sacras, novenas etc. Poderão ser presididas por um outro ministro indicado pelo padre ou pelo bispo: ministro da palavra, ou ministro extraordinário da comunhão eucarística, ou um acólito, ou um catequista, ou por outra pessoa, ou mesmo por uma pequena equipe coordenadora.

O presidente inicia e encerra as celebrações. Ele faz as orações ao Pai, em nome de todo o povo. Ele coordena todos os ministérios. Deve ser como um bom pai ou uma boa mãe, imagem do amor do Pai. Por isso, ele deve sugerir uma presença viva de Jesus Cristo: pelo seu modo de comunicar, pelos seus gestos, tom de voz, atenção às pessoas, pelo anúncio da Palavra ligada às circunstâncias concretas da vida, da comunidade, pela denúncia daquilo que atrapalha o crescimento do Reino, pelo seu modo de se dirigir ao Pai em oração.

O presidente não se coloca acima da comunidade, nem faz tudo sozinho. Preocupa-se em fazer com que toda a comunidade se torne um povo celebrante, ativo e participante, um povo sacerdotal.

Ele não celebra sozinho, não celebra para o povo ou em favor do povo. Quem celebra é todo o povo. O presidente deve, pois, celebrar com o povo, sabendo-se parte dele. Deve ouvir a palavra, cantar, rezar, comprometer-se com Jesus Cristo, junto com todo o povo e ajudá-lo a fazer o mesmo.

O presidente ou dirigente de uma celebração da Palavra ou outra celebração pode ser homem ou mulher. Podemos viver plenamente a novidade evangélica de que em Cristo não existe discriminação por causa da raça, condição social ou sexo. Deste modo, os dons e carismas que o Espírito Santo concede com tanta largueza a homens e mulheres, podem aflorar também na liturgia para o bem de todo o povo de Deus.

A função do presidente é simbolizar a presidência de Cristo. A presidência é, antes de tudo, um símbolo que dá vida a qualquer grupo. Não funciona isoladamente, mas é garantia de participação de todos, pois, na figura de quem preside, todo o grupo se sente parte. Por sua força simbólica, todos se identificam e se sentem membros do grupo. A ausência total deste referencial gera um sentimento de caos e dispersão.

Quem preside deve se encher da compaixão de Jesus, abraçar todos os filhos e filhas que voltam para encontrar o Pai, dirigir-lhes um olhar de bondade, como o de Jesus na multiplicação dos pães (Jo 6,5). Os presidentes não podem esquecer que o Cristo lavou os pés dos presentes: “Não vim para ser servido, mas para servir".