A MISSA DOMINICAL

Há um hino litúrgico, um cântico de entrada da missa, muito conhecido, assim:

"Alegres vamos à casa do Pai e na alegria cantar seu louvor. Em sua casa somos felizes, Participamos da ceia do amor".

 

Na sua simplicidade exprime tudo o que nos anima ao celebrarmos, na liturgia, na missa, o dia do Senhor.

 

Desde cedo, os cristãos começaram a se reunir no primeiro dia da semana para celebrar a Páscoa do Senhor e partilhar entre si o pão. Aos sábados, iam, nas sinagogas os de origem judaica, mantendo ainda a tradição, mas, sobretudo para exporem a realização da promessa feita aos pais, em Jesus Cristo, por cuja morte e ressurreição começava o diz eterno, que não tem fim "na paz do sábado que não entardece" (Cf. S. Agostinho).

 

Naquela noite, que somente Ele sabe a hora, Cristo dos mortos ressurgiu, espancando as trevas do pecado e da morte com o Sol que não conhece o ocaso, como canta a Igreja no Sábado Santo. A celebração do domingo, dia primeiro e oitavo, conclui S. Agostinho, nos orienta para a vida eterna.

 

O domingo, explica São Basílio, significa o dia realmente único, que virá após o tempo atual, o dia sem fim, que não conhece tarde nem manhã, o século imorredouro que não poderá envelhecer. O domingo é o prenúncio da vida sem fim, que reanima a esperança dos cristãos, nesta perspectiva do dia último no qual se realiza plenamente o simbolismo prefigurativo do sábado.

 

É o dia de Cristo, o dia da Igreja, o dia da comunhão dos santos. Nesse dia que tem o sabor da eternidade, a Igreja e a comunidade dos fiéis celebram o mistério que nele nos introduziu, o memorial da paixão, morte e ressurreição do Senhor, antecipando a ceia do Cordeiro Pascal. No Apocalipse somos todos convidados a dela participar: "Escreve: Felizes os convidados para a ceia das núpcias do Cordeiro"(Cf. Apoc. 19,9).

 

Reunidos para celebrar o sacrifício sempre atual, presente, não histórico, pois a missa é uma lembrança viva, não de um fato perdido no tempo, pois nele somos santificados para o convite ao louvor a Deus no amor fraterno.

 

A missa é o ponto alto da vida cristã. Nela somos concitados pela Palavra a vivermos uma vida nova, que penetra em nos pelo mistério eucarístico e nos faz prelibar as doçuras celestes. "Ó convívio sagrado, em que se recebe o próprio, Cristo, relembra-se, atual, a sua paixão, recebe-se a plenitude da graça e nos dá o penhor da eterna glória."

 

A celebração da missa não pode se circunscrever a uma obrigação a se cumprir, a um mandamento a observar. Deve expressar a consciência da nossa caminhada rumo à Pátria, cuja felicidade já se antecipa, pela esperança nesta terra e pela caridade que se irradia entre os homens.

 

Deve ser festiva. Não se pode compreender uma missa que não seja uma festa, pois se celebra o louvor a Deus na expressão do amor fraterno, garantido pelo Redenção de Cristo na efusão do Espírito.

 

Como é triste ver uma missa mal celebrada, até mesmo pelo que a preside. Uma comunidade fechada em si, que não se conhece, que não se abre para o sofrimento e alegria dos irmãos. Sem consciência do que celebra. A missa que fica para um segundo plano entre as atividades do fim de semana que nos absorvem de tal forma que não nos permite tomarmos consciência da celebração, quando deveria ser o inverso.

 

Da efusão do Espírito, na caridade, do amor do Pai e do Filho deveriam jorrar todas as demais alegrias do dia, nos jogos, nos passeios, nas atividades culturais e recreativas. Impregnar-nos do sentido eterno, de uma comunidade de santos a proclamar a grandeza de Deus que nos convida a participar da sua plenitude e da riqueza de sua glória.

 

Que seja assim a nossa missa do domingo, porque

O SENHOR ESTEJA CONVOSCO: ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS!

 

Dom Eurico dos Santos Veloso- Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora (MG)