MINISTÉRIOS  LITÚRGICOS

Existem na Igreja atualmente três tipos de ministérios litúrgicos:

- os ministros ordenados: bispo, padre, diácono;

- os ministros instituídos: leitor e acólito;

- uma infinidade de outros ministros que vão surgindo

de acordo com a vida e a necessidade de cada paróquia ou comunidade: leitores, acólitos, comentaristas ou animadores, cantores e instrumentistas, sacristãos, equipe de acolhimento,

servidores da Eucaristia, ministros do batismo, dirigente de celebração, dirigentes da via-sacra, da novena de natal, etc...

Todos eles assumem um verdadeiro ministério litúrgico, cada um na sua função.

Quanto mais viva e participativa é a comunidade, mais serviços e ministérios vão surgindo para acompanhar o crescimento da comunidade e a diversificação de suas celebrações litúrgicas.

Quando falamos em assembléia litúrgica, não devemos pensar só na Missa, mas também: na celebração de todos os sacramentos (batismo, crisma, penitência, casamento, ordenação, unção dos enfermos); na celebração dos sacramentais (encomendação de um defunto, procissões, bênçãos...) nas inúmeras formas de celebração da palavra (vias-sacras, novenas, círculos bíblicos etc); nas orações feitas no início ou no final de uma reunião de grupo ou movimento, etc.

 

Cada um na sua função

Como no corpo humano cada membro tem a sua função, assim também no corpo que é a igreja, há várias funções e cada um deve exercer bem a sua função e somente a sua. Um pé não deve fazer as vezes de mão, a mão não pode substituir a cabeça. Da mesma maneira o padre não deve fazer as leituras ou as preces que cabem ao povo. Cada um deve ficar com a sua função, com o seu serviço, com o seu ministério. E não deve a mesma pessoa acumular o serviço de vários: ser leitor e acólito, cantor e animador...

 

ELENCO DE MINISTÉRIOS LITÚRGICOS

Cristãos leigos, mulheres e homens, estão exercendo ministérios litúrgicos, de forma estável, nas comunidades, na casas, nos hospitais e nas matrizes paroquiais.

Elencamos alguns ministérios exercidos na celebrações dominicais da Palavra de Deus, nas celebrações do batismo e no matrimônio:

 

Coordenar a celebração (geralmente de forma partilhada);

Proclamar as orações;

Introduzir e concluir as preces;

Proclamar o Evangelho;

Dirigir a partilha da Palavra;

Proclamar o louvor;

Invocar bênçãos sobre pessoas, pão, água...

Ungir, batizar, receber o compromisso dos noivos...

 

Ministérios em celebrações dos sacramentais:

 

Celebração das exéquias

Bênção das casas

Bênção dos doentes

 

Ministérios leigos nas celebrações e orações comunitárias:

 

Presidência do ofício divino;

Louvor;

Adoração do Santíssimo;

Reza do terço;

Ladainha;

Novenas; via-sacra...

 

Ministérios  nos diversos serviços de uma celebração:

 

Acolher os que chegam para a celebração;

Indicar os gestos e atitudes corporais;

Proclamar a Palavra de Deus;

Cantar ou recitar o salmo responsorial;

Recitar as preces;

Distribuir a comunhão Eucarística;

Anotar e apresentar as intenções;

Animar o canto da assembléia;

Tocar instrumentos;

Manejar o incenso, velas, cruz, água, missal...

Cuidar do som e da luz;

Ornamentar e zelar pelo espaço;

Cuidar do material da sacristia, etc.

MINISTÉRIO  DA  PRESIDÊNCIA

O presidente da assembléia litúrgica:

Na missa e na celebração dos sacramentos, o presidente da  assembléia é o bispo ou o padre. Ele representa na assembléia reunida o Cristo cabeça de sua Igreja: Cristo que vem até nós, da parte do Pai, para nos salvar e transformar, e Cristo que nos representa junto do Pai e intercede por nós. Por isso, ele tem seu lugar frente ao povo, na cadeira do presidente.

Porém, como “cabeça” ele não pode estar desligado do “Corpo”:

Há muitas celebrações que podem ser feitas mesmo sem a presença de um bispo ou padre: celebrações da Palavra, celebrações penitenciais, vias-sacras, novenas etc. Poderão ser presididas por um outro ministro indicado pelo padre ou pelo bispo: ministro da palavra, ou ministro extraordinário da comunhão eucarística, ou um acólito, ou um catequista, ou por outra

pessoa, ou mesmo por uma pequena equipe coordenadora.

O presidente inicia e encerra as celebrações. Ele faz as orações ao Pai, em nome de todo o povo. Ele coordena todos os ministérios. Deve ser como um bom pai ou uma boa mãe, imagem do amor do Pai. Por isso, ele deve sugerir uma presença viva de Jesus Cristo: pelo seu modo de comunicar, pelos seus gestos, tom de voz, atenção às pessoas, pelo anúncio da Palavra ligada às circunstâncias concretas da vida, da comunidade, pela denúncia daquilo que atrapalha o crescimento do Reino, pelo seu modo de se dirigir ao Pai em oração.

O presidente não se coloca acima da comunidade, nem faz tudo sozinho. Preocupa-se em fazer com que toda a comunidade se torne um povo celebrante, ativo e participante, um povo sacerdotal.

Ele não celebra sozinho, não celebra para o povo ou em favor do povo. Quem celebra é todo o povo. O presidente deve, pois, celebrar com o povo, sabendo-se parte dele. Deve ouvir a palavra, cantar, rezar, comprometer-se com Jesus Cristo, junto com todo o povo e ajudá-lo a fazer o mesmo.

O presidente ou dirigente de uma celebração da Palavra ou outra celebração pode ser homem ou mulher. Podemos viver plenamente a novidade evangélica de que em Cristo não existe discriminação por causa da raça, condição social ou sexo. Deste modo, os dons e carismas que o Espírito Santo concede com tanta largueza a homens e mulheres, podem aflorar também na liturgia para o bem de todo o povo de Deus.

A função do presidente é simbolizar a presidência de Cristo. A presidência é, antes de tudo, um símbolo que dá vida a qualquer grupo. Não funciona isoladamente, mas é garantia de participação de todos, pois, na figura de quem preside, todo o grupo se sente parte. Por sua força simbólica, todos se identificam e se sentem membros do grupo. A ausência total deste referencial gera um sentimento de caos e dispersão.

Quem preside deve se encher da compaixão de Jesus, abraçar todos os filhos e filhas que voltam para encontrar o Pai, dirigir-lhes um olhar de bondade, como o de Jesus na multiplicação dos pães (Jo 6,5). Os presidentes não podem esquecer que o Cristo lavou os pés dos presentes: “Não vim para ser servido, mas para servir”.

 

MINISTÉRIO  DA  ACOLHIDA

 

Uma equipe para acolher os irmãos

A liturgia é a celebração de um povo reunido em nome do Senhor, que fez de nós irmãos, filhos do mesmo Pai, membros de um mesmo corpo, ramos da mesma árvore.

Não terá, pois, sentido celebrar a liturgia, se não houver um real esforço de transformar a assembléia em encontro de irmãos.

Um dos meios para criar o clima fraterno entre os participantes é a acolhida por parte de uma equipe, que recebe os irmãos à porta da igreja, ajuda todos a acharem seus lugares, providencia os folhetos ou livros necessários para a celebração e organiza as procissões. Quando vêm pessoas de fora, de outras comunidades, a equipe de acolhimento as receberá em nome da comunidade local e, conforme as circunstâncias, poderá apresentá-las ao celebrante e demais membros da comunidade em momento oportuno.

Também durante a celebração deve ficar atento ao bem-estar dos presentes: cuidar da ventilação e da luz, avisar discretamente se a palavra dos ministros não está chegando até o fundo da igreja (por falha dos microfones, por exemplo..); ajudar se alguém estiver se sentindo mal; convidar delicadamente para uma conversa lá fora quem estiver atrapalhando a celebração. Numa palavra, fazer as vezes de donos da casa, recebendo seus hóspedes.

Lembrem-se os membros desta equipe de acolhimento que eles estão acolhendo em nome de Jesus Cristo, o Bom Pastor, que conhece cada ovelha pelo nome. E que também devem pôr em prática o que diz São Tiago na sua carta (2,1-4), recebendo pobres e ricos com a mesma atenção e consideração.

Nossas comunidades precisam se organizar a ponto de se ter até uma Pastoral da acolhida.

 

Dez chaves para manter aberta a porta da acolhida:

1 Manter uma atitude de abertura de coração e alegria com a presença do outro, sabendo que quem acolhe um irmão ou uma irmã está acolhendo o próprio Cristo;

2 Manter uma atitude de prontidão para ajudar nas necessidades dos que procuram a Igreja, também nos momentos imprevistos, não programados;

3 Manter uma atitude onde quem chega, possa sentir-se bem em nossos ambientes: considerado, valorizado e acolhido;

4 Rezar pelas pessoas que nos procuram, sobretudo pelas que estão em situações mais difíceis de modo que, em nossa missão evangelizadora, a graça de Deus possa estar sempre presente.

5 Dar o primeiro passo na acolhida, tanto para quem nos procura, quanto para os que visitamos, desejando-lhes sempre a paz: “a paz esteja nesta casa e com todos os moradores”.

6 Evitar que as pessoas passem por constrangimentos ao buscar a ajuda da Igreja. Ver uma forma de agir, sobretudo, nos casos de pessoas em situação “irregular” diante da lei da Igreja para que elas possam se aproximar e não se afastar.

7 Evitar atitudes autoritárias sobretudo quando as pessoas têm comportamentos que não condizem com certos ambientes e espaços da Igreja. Ver a melhor maneira de fazer as observações para não ferir.

8 Ter uma mentalidade de mudança nas posturas pessoais e institucionais, sempre abertos a rever nossas atitudes pessoais e de equipe.

9 Atender bem as pessoas ao telefone com um tom de voz agradável, alegre, disponível, mantendo uma atitude positiva: (conte com a gente

10 Olhar para o Cristo, Mestre, Caminho, Verdade e Vida e aprender dele, cada dia, como acolher melhor as pessoas.

MINISTÉRIO  DA  COORDENAÇÃO

Equipes de celebração

Na idéia geral do povo, quem celebrava a missa antes do Concílio era o padre. E agora, quem celebra a missa?... Se respondermos que hoje – graças a Deus – o padre tem uma equipe que celebra a missa – junto com ele, então ainda não chegamos a entender nada da renovação litúrgica.

Quem deve celebrar a missa e os outros sacramentos é o POVO de Deus. É toda a assembléia de cristãos reunida. É o corpo de Cristo que deve celebrar e participar de maneira ativa, consciente e frutuosa. É o corpo do qual todos nós, pelo batismo, fomos feitos membros. É o povo todo que deve cantar, rezar, aclamar, louvar, pedir... é o corpo todo que deve oferecer o sacrifício de Cristo e se oferecer juntamente com ele. É o povo todo que deve ouvir a palavra de Deus e a ela responder.

Isto vale dizer que o celebrante, o leitor, o cantor... devem agir como parte do povo, como membro dentro do corpo, sentindo junto com o corpo. É preciso celebrar COM o povo e não diante dele! Afinal a função da equipe é fazer o povo todo participar!

 

Como um corpo

            Porém, não basta ter bons leitores, bons animadores, cantores, recepcionistas, um bom celebrante... É preciso que juntos formem uma equipe de celebração.

            Uma equipe é como uma banda: cada instrumento é importante para o conjunto, mas nenhum instrumento deve tocar isolado dos outros.

            Uma equipe é como um time de futebol: cada jogador tem uma tarefa e uma posição. Mas é o time que joga, é o time que perde, é o time que ganha, e não cada jogador isolado.

            Uma equipe é como uma palavra: somente o conjunto das letras é que dá o significado da palavra. As letras isoladas uma da outra não dizem nada.

            Assim também numa equipe de celebração; não é o leitor o único responsável pela leitura, e sim toda a equipe. Não é o coro o único responsável por um canto e sim toda a equipe. Não é o presidente o único responsável por um clima de oração e de participação: toda equipe é responsável.

 

E o padre?

            Normalmente, o padre faz parte da equipe. Porém, com a sobrecarga de trabalho, a maioria dos padres não têm condições de estar presente às reuniões. Como então assegurar o relacionamento entre o padre e o restante da equipe? Algumas pistas:

-         o padre participa da reunião uma vez por mês, ou cada dois meses, conforme suas possibilidades. Nesta ocasião costuma-se fazer a avaliação e programação do trabalho da equipe.

-         O padre tem contato mais direto com o coordenador da equipe que o mantém informado das decisões e recebe dele sugestões para o trabalho.

-         O padre encontra com a equipe alguns minutos antes da celebração e se informa sobre aquilo que a equipe preparou, valorizando e respeitando, na medida do possível, as decisões tomadas pela equipe.

-         Como pastor, o padre deve adaptar a celebração às necessidades pastorais da comunidade reunida. E a equipe deve ser formada neste espírito de flexibilidade.

 

Nada de monopólios

            A equipe deve lembrar sempre que está aí como parte da assembléia. Deve ficar em permanente contato com a comunidade, colhendo sugestões e críticas, convidando pessoas para entrar na equipe, criando novas equipes para  atender as novas necessidades da comunidade.

            Tudo deve ser feito em espírito de serviço: com competência e humildade, com amor e disponibilidade, com dedicação e simplicidade. Nada de autoritarismo, formalismo e ares de poder.

MINISTÉRIO DA MÚSICA

 As equipes de cantos

Na reunião litúrgica, o canto deve ser sempre a expressão da fé e da vida da comunidade, e sua função é ajudar o povo a rezar melhor, manifestar sua fé, gritar seus anseios, declarar seu amor a Deus, implorar o perdão e proclamar a Ressurreição de Cristo.

Portanto, uma celebração sem canto fica morta, apagada, desanimada. O canto anima, desperta, dá vida e tem poder de reunir, congregar, dar mais abertura. “Cantar é próprio de quem ama” – dizia Santo Agostinho.

A carta de S. Paulo aos Efésios associa canto com Espírito Santo e espírito tem relação com sopro-vento. Sopro e vento produzem vibração. Portanto, o Espírito é quem suscita em nós o som, a vibração, o ar, a voz. Cantar e falar são dons que nos vem do Espírito de Deus, que também produz em nós a alegria, o louvor, a Ação de Graças, o Amor, atitudes estas que, se vividas com intensidade, tornam-se voz, aclamação, canto, oração. Atitude e canto tornam-se uma coisa só...

Não cantamos na liturgia como um enfeite ou divertimento para tornar a liturgia mais leve e agradável, mas precisamos cantar “no Espírito”, abrindo-nos a Deus que nos transforma também através do canto.

Portanto, não é válido escolher qualquer música para cantar na Liturgia, mas cantos que expressem o mistério de Deus celebrado na liturgia e vivenciado no dia-a-dia, e cantos que retomem ou combinem com a Liturgia do dia.

O canto na liturgia, não é privilégio apenas de algumas pessoas, de um grupo, de um cantor, de um coral. É o povo todo que canta, e o canto deve ajudar o povo a rezar melhor.

Para que isso aconteça, é necessário que haja pessoas preparadas: um animador, um grupo de cantores que sustentem o canto, o salmista e os instrumentistas, cada um com sua função específica, mas formando todos juntos um conjunto harmonioso.

 

Equipes de canto – dicas práticas:

- Se a equipe de canto não fizer do canto uma oração, não poderá fazer a assembléia rezar também.

- Não é a beleza ou o timbre de voz que conta, mas a capacidade de levar a assembléia a rezar cantando.

- Equipe de canto não é equipe de show, que centraliza a atenção do povo sobre ela.

- O animador e de preferência toda a equipe, devem ficar de frente para a assembléia, para facilitar a comunicação, sem dar as costas ao celebrante e ao altar.

- A equipe de canto deve estar presente na preparação da celebração para escolher junto os cantos e estar por dentro do conteúdo da celebração. Isto é sério!

- Os números dos cantos devem ser anunciados com clareza, e a equipe de canto aguarda até a assembléia localizar o canto no livro.

- A introdução rítmica do canto feitos pelos instrumentistas, é de suma importância, pois o povo já percebe em que ritmo irá cantar. Mas não exagerar no tempo da introdução. Três a quatro compassos são suficientes.

- Os instrumentos não podem abafar as vozes, principalmente no Salmo Responsorial. Este só pode ser acompanhado com 1 violão, ou o atabaque, ou órgão bem suave. Aliás todos os solos seguem esta norma.

- Todas as pessoas da equipe de canto devem ser treinadas a cantar forte, mas não gritado, de modo que ouça a voz dos seus vizinhos. (Se não ouvir, é porque está gritando)

- Treinar diariamente a respiração abdominal, ajuda a impostar a voz, para que seja forte sem ser gritada, e que seja de cabeça, e não de garganta e nem nasal.

- Lembre-se: a equipe de canto, que é responsável por 80% da participação da assembléia.

 

Funções nas equipes de cantos:

Animador do canto: É aquele que dirige o canto do povo durante a ação litúrgica, e coordena ao mesmo tempo o canto do salmista, do grupo de cantores e dos instrumentistas, a fim de formar uma grande harmonia a fazer a assembléia rezar cantando, com sua animação que vem do Espírito do Senhor. 

 

São suas tarefas também:

- Fazer antes da celebração um ensaio das partes que cabem ao povo. (se for possível, andar no meio do povo para motivar melhor)

- Ensaiar regularmente com a equipe de canto, para que esteja segura das melodias e ritmos. (este ensaio nunca deverá ser feito antes da celebração, pois é espaço reservado para ensaio com o povo)

- Refletir junto à equipe de canto, a função do canto na liturgia e a importância de cada canto na liturgia: (entrada, salmo, aclamação, santo, etc...)

- Ir treinando vários salmistas, para outros terem a oportunidade de participar.

- Preocupar-se sempre com a participação da assembléia.

 

Grupo de cantores

É o grupo que sustentar o canto. Nunca porém, pode substituir o canto do povo ou “roubar” a vez do povo, naquelas músicas destinadas pelas leis litúrgicas a toda a assembléia: o santo, o refrão do Salmo, as respostas e aclamações, o canto de entrada e comunhão, o glória, o cordeiro de Deus e o Pai Nosso.

É o grupo de canto que ajuda o animador na hora do ensaio, porém, com meia voz, para não abafar a voz da assembléia.

 

Instrumentistas

É de fundamental importância o papel dos instrumentistas nas celebrações, porque eles têm a função de criar um clima de oração e meditação desde que a assembléia vai chegando e durante toda a celebração.

Além disso, são os instrumentos que sustentam o canto do povo e determinam em que ritmo serão cantados. Podem ser usados todos os instrumentos (órgão, teclado, violão, viola, cavaquinho, acordeon, violino, saxofone, batuques...) pois nenhum instrumento é mais litúrgico ou menos litúrgico, mas tudo depende da maneira de utilizá-lo.

- Quando um instrumento acompanha o canto, ele não pode sobrepor as vozes, pois as palavras devem ser ouvidas.

- Os instrumentos de preferência deveriam acompanhar o andamento do povo e não tocar de tal modo que o povo tenha que correr atrás do instrumento. (acompanhar é diferente do que fazer um solo com o instrumento).

- A afinação dos instrumentos nunca deverá ser feita na igreja ou local de celebração, enquanto o povo já está entrando, mas antes, e em local reservado. É preciso respeitar quem chega antes à igreja para fazer sua oração pessoal.

- Cada instrumentista terá à sua vista a lista dos cantos que serão cantados com o tom e o ritmo anotados para evitar conversas durante a celebração. Não podemos esquecer que a equipe de canto é responsável por 80% da participação da assembléia.

 

O salmista

É o cantor do salmo entre as leituras. Ele propõe o refrão que o povo repete no início, e após cada verso cantado só pelo salmista. É por isso que é chamado de Salmo responsorial.

- O salmo responsorial tem o mesmo peso que as leituras, pois é tirado da Bíblia, e sempre completa o conteúdo da 1ª leitura. Ele é como a resposta do povo à mensagem de Deus ouvida na 1ª leitura.

- Durante os versos cantados pelo salmista, o instrumento deve tocar bem baixinho, para não perdermos nenhuma palavra do texto.

- Durante o refrão cantado pelo povo, o salmista se cala, principalmente quando usar o microfone, para não se sobrepor a voz da assembléia.

 

Escolha das músicas

O animador deverá saber escolher as músicas de acordo com o tempo litúrgico. Para tanto, ele deve conhecer muito bem o Ciclo Litúrgico (advento, natal, quaresma, tempo pascal, tempo comum...) e os diferentes momentos das celebrações (entrada, salmo, aclamação, respostas cantadas, etc...).

Para cada celebração deverão ser escolhidos cantos apropriados e que não sejam fora da realidade da comunidade.

Formação litúrgico-musical: O animador e a equipe de canto devem ter um preparo litúrgico-musical para poder levar adiante esse trabalho:

É feio cantar gritando. Precisa cuidar da impostação da boca, principalmente na execução das vogais: “A” como se fosse “O” ; “O” e “E” devem ser bem fechadas.

 

Normas práticas:

1 Pegar a tonalidade certa para cada canto.

2 Se o canto for muito grave ou agudo a assembléia não consegue cantar.

3 Por isso, o instrumento musical exerce uma função importante.

4 O animador deve esperar que o instrumentista dê a tonalidade certa, e com o canto em andamento.

5 Procurar no livro de cantos a tonalidade certa e não pegar a mais fácil.

6 A tendência é começar numa tonalidade bem grave, sem brilho nenhum.

7 Evitar ‘emendar’ a voz, as notas. Isso deixa o canto triste e feio.

8 O animador do canto aprender a orientar a assembléia com o gesto da mão.

9 Momento bom para ensaiar a assembléia é uns 15 minutos antes das celebrações.

 

Cuidado com as crianças

Na maioria de nossas comunidades, é grande o número de crianças. Algumas “seguem” atentas as Missas ou celebrações; muitas ficam inquietas, correm por todo lado, gritam ou choram..., outras estão quietas no banco, mas não parecem ter condições para participar.

O que fazer por elas?... Como pode a equipe resolver este problema?

Não parece solução dizer que as mães devem deixá-las em casa; muitas não têm com quem as deixar. Não adianta também pedir que a assembléia não preste atenção às atividades das crianças: com seus gritos e seu choro, ou com suas brincadeiras e correrias na calçada da igreja impedem, de fato, a participação atenta do povo.

Como possibilitar ou facilitar a participação das crianças, de acordo com seu nível de fé e de compreensão? Damos aqui algumas sugestões:
 

1 Crianças muito pequenas podem ficar num local adequado, onde algumas pessoas tomam conta, ou brincam com elas, ou contam histórias, ou passam filme, ou deixam desenhar ou fazer teatro, etc.. antes do final da Missa, as crianças entram para a assembléia, para receberem a bênção, junto com seus pais.

2 Na medida da compreensão das crianças, pode ser feito com elas um tipo de catequese ou uma celebração: contando e explicando o evangelho do dia, dramatizando-o, deixando que as crianças façam orações espontâneas, desenhem ou cantem uma música relacionada ao evangelho.

3 Pode-se mesmo fazer uma verdadeira liturgia da palavra, adequada às crianças, mas seguindo em grandes linhas o roteiro da liturgia da palavra dos adultos. Poderá ser presidida por um(a) catequista ou por um casal ou um jovem que tem jeito e pedagogia para lidar com crianças

4 As crianças que ficam na assembléia devem ser normalmente as que já foram admitidas à primeira comunhão. seja-lhes dada uma atenção especial, para que se sintam entrosadas e interessadas. É preciso que o celebrante lhes dirija a palavra no início, na homilia e no final da missa, por exemplo. Pode ser útil confiar às crianças alguns serviços, como levar as oferendas, executar algum canto, ou distribuir os folhetos ou folhas de cantos.

5 Estando com os pais, aprenderão com eles a participar, mas, de vez em quando, o celebrante poderá também convidá-las a ficar em volta do altar, principalmente durante a oração eucarística, para que possam ver melhor e se sentir mais motivadas a participar.

6 É bom que, de vez em quando, e de preferência num dia de semana, as crianças que já fizeram a primeira comunhão tenham a “sua” missa onde possam celebrar com liberdade uma liturgia viva e adequada à sua idade e sua psicologia. O Diretório das Missas com crianças, da Sagrada Congregação para o Culto Divino, oferece inúmeras sugestões e possibilidades de adaptação. (Missas para crianças, jovens ou outros grupos específicos no domingo não são a melhor solução, pois a assembléia deste dia pretende reunir toda a comunidade, todo o corpo de Cristo).

7 As paróquias e comunidades precisam ter uma catequese mais celebrativa, onde as crianças vão aprender a celebrar, vão aprendendo o significados dos objetos litúrgicos, os símbolos e gestos e assim, vão tomando gosto pela celebração.

 

MINISTÉRIO DO ANIMADOR

 

Os comentaristas e a participação do povo

O comentarista surgiu na época em que a liturgia era ainda celebrada em latim. Fazia as leituras na linguagem do povo, comentava explicando e introduzindo os vários ritos e momentos da celebração.

Esta função se tornou oficial pela Instrução de Música Sacra e Sagrada Liturgia (1958) e foi assumida no documento conciliar Sacrossantum Concilium 29. A introdução do Missal Romano, no nº 68 diz o que deve fazer o comentarista:

-  propõe aos fiéis explicações e monições

-  visando introduzi-los na celebração

-  dispô-los melhor a entendê-la”

“Monições” é uma palavra que dificilmente encontraremos no dicionário, mas o sentido é o seguinte: um convite à oração, ao canto, à participação, a estar atento. Não serve para explicar, mas para motivar, provocar a participação da assembléia. É por isso que o termo “animador(a)” seja mais adequado.

Em que momentos da celebração o animador deve intervir? Não há regra geral. Cada comunidade, cada paróquia, cada celebração é diferente. Mas de modo geral, na missa por exemplo, o animador poderá intervir nos seguintes momentos: no início da celebração (antes ou depois do canto de entrada); antes da liturgia da palavra, criando um ambiente de atenção; antes de cada leitura; antes da aclamação ao evangelho; antes da liturgia eucarística, fazendo a ligação entre a liturgia da palavra e a liturgia eucarística (a não ser que o padre já o tenha feito na homilia); antes da comunhão, antes da bênção final, ligando a celebração com a vida.

O animador deve trabalhar em estreita ligação com o presidente da assembléia. Sempre que esta queira tomar a palavra, introduzindo alguma parte da celebração, o animador deve ceder-lhe este lugar e não fazer depois uma segunda introdução.

De que maneira o animador deve exercer seu papel? Ele deve criar um laço entre a assembléia e tudo o que acontece na celebração. Não de maneira ruidosa, chamando a atenção para si, mas de modo discreto, porém animado, convidativo. Não com palavras rebuscadas, complicadas, mas num estilo simples de conversação.

Por isso, jamais deve ler, mas conversar, dialogar, falar, olhando para a assembléia. É claro que pode ter um texto preparado, mas não pode “enfiar o nariz no papel” e ficar lendo! Deve preparar bem o conteúdo e depois falar com suas próprias palavras. Se não fizer assim, não conseguirá participação. E aí estará provavelmente atrapalhando mais do que ajudando.

Às vezes será preciso improvisar. Não se trata de falar só naqueles momentos previstos e depois “desligar”. Deve “sentir” a assembléia e quando perceber que está dispersa, inquieta, distraída, pode e deve – num momento adequado – intervir para tentar criar de novo o clima de oração e participação necessária para uma boa celebração.

Por isso, o animador deve ficar entre o presidente e a assembléia, como um ponto de união. Normalmente, não deve ficar na estante da palavra, pois esta fica reservada para os leitores.

O animador não deve falar muito. Não deve fazer pequenas “homilias”! Deve aprender a falar com poucas palavras, mas palavras cheias de significado. Quanto menor for a comunidade reunida  e quanto mais preparada, tanto menos o animador deve falar.

Jamais deve “dar bronca” ou chamar a atenção de alguém pelo microfone. Deve levar a assembléia sempre pelo lado positivo. (Se alguém estiver atrapalhando muito a celebração, é melhor que a equipe de acolhimento se encarregue do caso, discretamente).

E os folhetos? O animador pode usar o texto oferecido pelos folhetos, mas deve adaptá-lo sempre a cada grupo reunido, a cada circunstância. Não pode se tornar um “leitor de folheto”.

 

MINISTÉRIO  DO  LEITOR

 

Proclamação da Palavra de Deus

 “A Palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes; ela sonda os sentimentos e pensamentos mais íntimos” (Hb 4,12)

Todos sabemos da importância da Palavra de Deus em nossas celebrações. Através da Palavra, Deus dialoga com seu povo. Além do destaque que se deve dar ao Livro Sagrado, é necessário que a mensagem nele contida se torne viva, atual. Isso depende da maneira como ela é anunciada. É sobre isso que queremos refletir neste capítulo.

A Palavra deve ser proclamada: Proclamar não é ler. É preciso proclamar a leitura como Palavra de Salvação, como Palavra que proclama o amor e a bondade de Deus, como Palavra que liberta, dá vida e ressuscita, que nos chama à conversão e à comunhão com Deus e com os irmãos. A Palavra transmitida pela leitura deve atingir os ouvintes e fazer brotar do coração uma nova profissão de fé.

Através da leitura, da voz, da comunicação de quem proclama, Deus quer falar pessoalmente com o seu povo reunido. “Presente está pela sua Palavra, pois é Ele mesmo que fala quando se lêem as Sagradas Escrituras na Igreja, isto é, na comunidade reunida”. (S.C. nº 7)

A presença de Jesus Cristo pela sua Palavra é uma presença simbólico-sacramental. Passa pelos sinais sensíveis: o leitor, a leitura, o tom da voz, o lugar da proclamação, a comunicação entre leitor e ouvintes, a disposição em ouvir da parte da assembléia.

Os sinais realizam o que significam, mas a significação não é automática: depende da comunicação, da compreensão, do trabalho a ser feito pela equipe de liturgia preparando os leitores e preparando o povo.

O leitor é aquela pessoa que empresta sua voz a Deus para que Ele possa falar. Não fala em seu próprio nome. Fala a Palavra de Deus. Por isso os leitores precisam estar bem preparados para exercer este ministério. Não se lê de qualquer jeito, nem é suficiente ler bem. É necessário proclamar. O proclamador vai além de simples leitura. Medita a Palavra antes, deixa a Palavra penetrar na sua vida. Estuda o sentido do texto. Pergunta, guarda no coração a Palavra que leu. Quando lê na celebração, as palavras não saem de um texto frio, mas do calor de seu coração.

O leitor é Jesus Cristo presente com o seu espírito, falando na comunidade, anunciando o Reino, denunciando as injustiças, convocando a comunidade, convidando-a para a renovação da Aliança, a conversão, a esperança, purificando-nos e transformando-nos. Por isso alguém da comunidade é chamado a ser ministro, servidor desta Palavra.

O leitor é no meio da comunidade, sinal vivo da Cristo-Palavra e do seu espírito, não só pelo conteúdo da leitura, mas por todo o seu modo de ser e de falar, de olhar e de se movimentar. Jesus Cristo fala à comunidade reunida, pela mediação do leitor. E o Espírito está presente na pessoa que lê e também nos ouvintes para que acolham a Palavra em suas vidas. Os ouvintes devem ouvir, escutar, acolher a Palavra. Ouvem as palavras proclamadas pelos leitores e têm os olhos fixos neles para não perderem nem uma vírgula, nem um sinal daquilo que é anunciado. “Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos Nele”. (Lc 4, 20b)

Para poder transmitir a Palavra contida na leitura e atingir com ela a assembléia ouvinte, é necessário que o leitor conheça e entenda aquilo que está lendo.

Primeiro, o texto em si: saber em que circunstâncias foi escrito, a quem foi dirigido, quem está falando e com que objetivo. Depois saber o sentido do texto no conjunto da revelação e do mistério de Cristo, para que o texto possa se tornar uma palavra de salvação para nós hoje.

O alto funcionário de Candace, da rainha de Etiópia, certamente sabia ler; entendia perfeitamente cada palavra que lia do capítulo 53 do profeta Isaías; porém, escapava-lhe o sentido revelador:

“Compreendes o que lês? Perguntou-lhe Filipe. E ele respondeu: “Como poderia compreender, se não há quem me explique?” (...) Filipe tomou a palavra e, partindo deste texto da Escritura, anunciou-lhe a boa nova de Jesus”. (Vejam o trecho por inteiro em Atos 8, 26 – 40).

O leitor não pode ser daqueles que andam com um véu na frente dos olhos e do coração e por isso, não compreendem as Escrituras. (Vejam em 2 Cor 3,12-18).

Um leitor que não entende aquilo que está lendo, transmitirá dúvidas. Somente o leitor que conhece a leitura a acredita naquilo que lê, será capaz de fazer da leitura um verdadeiro anúncio da Palavra.

Às vezes queremos dar oportunidade para outras pessoas se engajarem na comunidade e as convidamos para serem leitores, sem estarem preparados técnica e espiritualmente. Pode ser um desastre! Para ele(a) ou para a comunidade.

Por isso, os leitores devem Ter a oportunidade de fazer cursos bíblicos e de Ter livros e revistas à disposição, que os ajudem nesta tarefa.

 

Como preparar a leitura?

Vai aí algumas dicas práticas:

1 Conheça bem o texto.

Qual o contexto do texto na Bíblia? (quem fala? Para quem? A respeito de quê?) Qual o assunto, ou a mensagem, ou a idéia principal do texto? Qual o gênero literário? (carta, norma jurídica, oração, história de uma viagem, parábola, provérbio, hino, exortação, profecia, acusação...) Em que ambiente está se passando? (no deserto, na cidade, no meio da multidão) Quais os personagens? O que sentem? Como se relacionam? Há palavras difíceis no texto? Use o dicionário. Se for preciso, troquem as palavras difíceis por outras equivalentes, conhecidas pelos ouvintes. (Por exemplo: em Jo 15, troquem “videira” por “parreira”.) Tentem perceber as várias partes da leitura (a introdução, o final, o ponto alto...)

2 Sintonize com o texto.

Sintonizar com o texto quer dizer: reconhecer-se dentro do texto, identificar-se com algum personagem ou com a situação narrada no texto. Pergunte-se: Isto já aconteceu conosco? Isto serve para nós? Isto diz respeito à nossa realidade? Qual a mensagem de Deus para nós nesta passagem da Bíblia? Vejam também a relação da leitura com a festa litúrgica e com as outras leituras. Pergunte: por que será que foi escolhida esta leitura?

3 Treine a expressão do texto.

Grife as palavras mais importantes e a frase principal. Marque as pausas e os silêncios.(o silêncio é muito importante para a palavra, pois sem ele a palavra se perde no barulho). Procure o tom de voz que combine com o gênero literário do texto. Dar ênfase nas palavras mais importantes. Preste atenção ao ritmo que mais combina com cada parte do texto. (depressa, mais devagar, freiando ou acelerando). Cuide da respiração, aspirando pelo nariz e sem fazer barulho. Cuide da dicção, pronunciando bem cada palavra, cada sílaba. Diga o texto algumas vezes em voz alta.

4 Faça da leitura uma meditação, uma oração:

“Guarde a palavra no coração”, como fez Maria. “Mastigue” a Palavra, como fez Ezequiel. Aprenda de cor as passagens mais significativas e repita-as várias vezes ao longo do dia, meditando-as. Comece a preparar a leitura de Sábado ou Domingo no início da semana; assim terá o tempo necessário para assimilar melhor a palavra no coração e na vida.

 

Aspectos práticos que nos ajudam neste serviço.

- O microfone pode ajudar, como pode estragar. Ninguém nasce sabendo. É preciso aprender a usá-lo. Ver o volume, distância da boca, etc. deixa sempre alguém responsável pela regulagem é fundamental.

- Quando se lê um texto diante dos outros é preciso observar bem a pontuação: o sentido da vírgula (,), do ponto final (.), do ponto de interrogação (?), exclamação (!), bem como os sinais gráficos: o hífen (-), a reticências (...), aspas (“), dois pontos (:), entre parênteses ( ). Para isso, é importante o leitor se preparar antes.

- Evitar so-le-trar ou gaguejar ou ainda, fazer a leitura correndo. Evitar a leitura com dentes cerrados (é preciso abrir bem a boca e pronunciar todas as letras). Evitar cabeça baixa, fixada apenas no texto. É preciso se comunicar com os olhos. É preciso treinar, como tudo na vida.

- Nunca começar a leitura se o povo estiver inquieto e barulhento. Não precisa dar “bronca”, mas esperar em silêncio.

- Não indicar uma pessoa qualquer para fazer a leitura ou pegar um leitor de improviso, a não ser em grupos menores.

- Procurar despertar o povo para ouvir a proclamação da Palavra.

- Ler sempre do lecionário ou da Bíblia. (Se libertar de folhetos)