A  DANÇA  DOS  CALENDÁRIOS

O domingo dedicado a Cristo Rei encerra o ano litúrgico da Igreja.  Para a liturgia, já estamos no final de mais um ano, e no domingo seguinte, com o início do Advento, começa um novo ano.

Na dança do tempo, aprendemos a transar com diferentes calendários, e integrá-los na contagem dos anos, sem fazer confusão. No tempo dos romanos, o ano novo começava em março, com o mês dedicado a Marte, o deus da guerra! Para eles, fevereiro era o último mês do ano, e isto explica o prejuízo que ele teve, como veremos adiante.  Agora o novo ano  começa em janeiro. Mas o ano litúrgico inicia antes, com o tempo do advento.

Seja como for, o importante é perceber que o ano dá a volta completa, e seu ponto final leva a um novo início, enquanto a vida passa, e a história vai adiante!

Na verdade, nossa cultura ocidental herdou dois calendários, o judeu e o romano. Da fusão de ambos, temos a maneira como contamos os anos, dentro deles situando os meses e as semanas.

A semana é herança do calendário judeu. O mês é herança do calendário romano. Assim, temos dois ritmos para medir os mesmos dias: a semana e o mês.

Para os judeus, o ponto de referência inarredável era a seqüência das semanas, que não podia ser interrompida em hipótese alguma. Até hoje esta exigência ainda prevalece. Já foram apresentadas diversas propostas, e feitas diversas tentativas na ONU, para integrar as semanas e os meses, de tal modo que em todos os anos, os dias da semana coincidissem sempre com os mesmos dias do mês. Mas as propostas esbarram na necessidade de alterar a seqüência dos dias da semana, que ninguém aceita! Isto mostra que o ritmo de nossa vida é medido muito mais pelos dias da semana do que pelos dias do mês. Podemos duvidar que dia do mês é hoje, mas dificilmente esquecemos em que dia da semana estamos.

O calendário judeu, que se guia pela lua, determina o ano litúrgico. Pois é pela lua que se marca a Páscoa, que sempre caía no sábado seguinte à lua cheia do mês judaico de “nisan”,  que geralmente corresponde ao mês de abril, no calendário romano. E’ por isto que a páscoa sempre acontece em tempos de lua cheia.

Se fazemos bem as contas, com sete meses de trinta dias e cinco meses de trinta e um, chegaríamos exatamente aos 365 dias do ano. Mas agora, inversamente,  temos sete meses com trinta e um dias: janeiro, março, maio, julho, agosto, outubro e dezembro. Por que? Por capricho de imperadores romanos.

Acontece que o imperador Júlio César nasceu no mês que se chamava “quintilis”, porque era o quinto a partir de março. Em sua homenagem mudaram o nome do mês do seu aniversário, que passou a ser chamar de “mês de Júlio”, daí a palavra “julho”. E deram para este mês mais um dia, que assim ficou com trinta e um. Em conseqüência, o último mês do ano, fevereiro, ficou com vinte e nove!

Depois, veio o imperador César Augusto, que nasceu no mês “sexto”. Em sua homenagem, também mudaram o nome do mês, que passou a se chamar de “mês de Augusto”, daí o nome de “agosto”.  E também acrescentaram um dia, tirando mais um de fevereiro, que acabou ficando com vinte e oito!

Com Galileu e outros astrônomos, ficamos sabendo que o ritmo do cosmos é muito maior do que as voltas que a nossa pequena terra vai dando. Nosso ano, na verdade, é medido, sim,  pelo tempo que a terra demora para fazer o giro completo em torno do sol,, que por sua vez está integrado no ritmo mais vasto do conjunto da Via Láctea, que também faz parte do “vasto mundo”,   que escapa às nossas medidas, e por isto dizemos que ele é “imenso”.

Tem razão o salmista, quando fica extasiado diante de Deus, “contemplando estes céus que plasmastes com dedos de artista!”.

dom Demétrio Valentini