A HOMILIA

A cada domingo, milhares de comunidades se reúnem, ouvem as leituras bíblicas e depois se preparam para ouvir a homilia. O termo homilia significa "conversa familiar", continuando o mesmo assunto, ou seja, o das leituras proclamadas. Esta deve fazer a ligação entre a Bíblia, a vida e a celebração. Deve destrinchar as leituras, e deve questionar a realidade, tentando perceber o sentido dos acontecimentos no plano de Deus, tendo como ponto de referência a pessoa, a vida, a missão, a morte e ressurreição de Jesus Cristo.

A homilia ou partilha da Palavra abre perspectivas, esclarece, mostra a presença e a ação de Deus dentro dos acontecimentos. Mostra a graça e o pecado, a luz e as trevas. Mostra como a história de Jesus continua em nossa história. Mostra a Promessa de Deus se realizando aqui e agora.

Mas a homilia ou partilha da Palavra deve também chacoalhar e interpelar a comunidade. Acordá-la para o compromisso com o Reino de Deus e o testemunho da ressurreição; para sermos sinal de Deus na sociedade em que vivemos.

A homilia deve ainda nos convidar e motivar para vivermos profundamente a Aliança e a Comunhão com o Senhor dentro da celebração, através das preces e orações, através do rito penitencial e da comunhão, através dos cantos, dos gestos e das atitudes do corpo.

COMO PREPARAR UMA HOMILIA?

É importante que se leia alguma explicação sobre as leituras proclamadas. Muitas comunidades usam a revista Vida Pastoral ou a Mesa da Palavra, ou mesmo os subsídios da CNBB. É preciso também lembrar os acontecimentos mais significativos da semana. Caso a homilia seja feita por uma pessoa só, é importante que a prepare com um pequena equipe, ligando Bíblia, vida e celebração. Não deve ser lida, mas comunicada. Por isso, é melhor escrever apenas alguns tópicos com a seqüência do assunto, não o texto inteiro.

A homilia deve ser preparada já na segunda-feira, para quando chegar o domingo ela já esteja bem encarnada. Quanto antes se comece, tanto menos tempo se necessitará, no sentido de que estarão asseguradas as boas ocorrência no seu devido momento.

COMO SE PREPARAR BEM PARA FAZER UMA HOMILIA?

É importante saber que você não vai dar um sermão ou aula de catequese ou mesmo uma palestra.

Não é através de livros, artigos e teorias que se aprende a fazer uma homilia. Claro, estas mediações podem ajudar, mas a homilia como comunicação viva se aprende e se aperfeiçoa "fazendo homilia", tal como só se aprende mesmo a celebrar celebrando, e a cantar cantando, e a dançar, dançando.

Esta arte exige um mínimo de "dom e carisma" de comunicação da palavra falada e do gesto. Mas não fica no "Dom", pois supõe a aprendizagem da técnica e da competência.

A maneira de dizer chega muito mais ao outro do que o que se diz, sobretudo se se trata de falar ao coração e não simplesmente à inteligência.

ANTES DA HOMILIA

Ter a sensibilidade para perceber tudo o que é vida / morte na e pela cidade através das conversas informais, leituras, filmes, televisão, programas de rádio, canções, teatros, as expressões verbais ou não verbais em uso, ocorrências e tudo mais que é vida. A exigência fundamental é o contato com a Palavra de Deus ao longo da semana, ao longo da vida diária num processo de fermentação; descoberta da idéia-força e da palavra-chave; a criatividade em busca de um "gancho" atual e concreto para "prender" os destinatários; conhecimento básico e vivo da assembléia (nunca descer de helicóptero para fazer uma homilia e depois levantar vôo, o que pode acontecer mesmo com quem está presente na celebração, mas ao mesmo tempo voando).

MOMENTO DA HOMILIA

O momento da homilia é parte integrante de um momento maior, que é a ação celebrativa toda. A comunicação da homilia deve buscar ser:

1. Um tom familiar, direto, alegre, seguro, convicto, simples, espontâneo e solto;

2. Uma linguagem da vida de hoje e do hoje, desprovida de qualquer pretensão de ser o único que sabe, o "dono da verdade". Portanto, boa dose de humildade, demonstrando (sem ter que dizer) que o primeiro necessitado e carente da Palavra é ele próprio.

3. Uma comunicação penetrada da dimensão humana, usando a linguagem integral, gestos adequados, expressão corporal, postura do olhar buscando ver todos sem se fixar em ninguém a não ser quando necessário para um ´efeito´ especial de comunicação, movimentos sóbrios, mas vivos e perceptíveis por todos, silêncio bem dosado e na busca da participação dos ouvintes, perguntas diretas e penetrantes, com pausa suficiente para chegar ao coração e ao pensamento de quem ouve.

4. Uma duração que leve em conta o tempo total da celebração, sabendo-se que manter a atenção de uma comunidade grande depois de 10 a 12 minutos de fala é dom para muito poucos pregadores;

5. Um uso correto da voz através da dicção, articulação, movimento de frases, realce de expressões-chave, sonoridade, sabendo aproveitar a tessitura aguda ou grave que toda voz tem;

6. Uma utilização, no mínimo, correta do microfone, levando em conta a acústica, as dimensões do local e o número dos presentes;

7. Uma dose exata e viva de emoção, falando sim com a voz, mas comunicando com o coração e com a vida. É de coração a coração que se faz uma homilia, sobretudo se já se compreende que celebrar é muito mais emocionar-se do que entender;

8. Um cuidado carinhoso para com a celebração que vai continuar após a homilia. Esta continuidade dá margem a aproveitar momentos posteriores à homilia e nos quais se pode retomar (sem fazer outra homilia) o tema central da Palavra refletida, sobretudo o momento da despedida.

APÓS A HOMILIA

Uma revisão pessoal imediatamente depois de terminada a homilia, num breve momento de silêncio. Este silêncio ajuda a fazer ressoar no coração dos ouvintes a reflexão e ajuda a uma revisão rápida, mas direta de como foi a homilia.

Ouvir a avaliação de uma pessoa escolhida com antecedência para fazer as observações, críticas, elogios, comentários e perguntas, que devem ser acolhidas para um futuro aproveitamento e sempre com o objetivo de melhorar.

padre Trindade