Este Ícone foi feito no séc. XV, pelo Monge André Rublev da Igreja ortodoxa Russa do Mosteiro de são Sérgio da Santíssima Trindade. Inspiração do ícone já existente da visita dos três anjos à casa de Abraão (Gn 18,1 - 4).

Neste, Rublev expressa a unidade da Trindade, a ponto de confundirmos as personagens, e a primeira vista não sabermos distinguir a pessoa do Pai, do Filho e do Espírito. Antes deste a Trindade era representada, mas não exatamente idêntica, pois o Pai parecia ser mais velho

que o Filho e o Espírito era representado por uma pomba. O ícone é um daqueles que exigem ser contemplados longamente para se poder compreender sua profundidade espiritual e para se poder entender o motivo de seu êxito imediato. Pois apenas um século depois foi declarado modelo da representação da Trindade pelo concílio chamado de “os Cem Capítulos”, celebrado em 1551. Atualmente o original feito por Rublev se encontra na galeria de Triakov.

O PAI

O primeiro Anjo colocado à esquerda representa o Pai, possui um manto de cor indefinida, que é obtido da mistura dos pigmentos da roupa do Filho com a do Espírito. É impossível definir a cor exata, isso representa o mistério em que o Pai está envolto. Por debaixo deste manto tem uma veste azul que representa a sua divindade.

Em cima do Pai, existe uma casa a qual era a tenda de Abraão, mas neste representa a sua sabedoria. Baseado na palavra dos provérbios que diz “a sabedoria edificou uma casa” (provérbios 9,1). Observamos que possui a cabeça ereta e para Ele convergem os olhares e as inclinações, inclusive da montanha e do tronco frondoso.

O FILHO

O anjo do meio representa o Filho, possui a túnica vermelho-purpúrea, que simboliza sua humanidade e por baixo o azul à divindade. Todos os três possuem mas só vemos nitidamente no Filho a estola no ombro representando a realeza. Os três estendem a mão para o cálice no centro em gesto de benção. O cálice possui a cabeça de um cordeiro, é o cálice eucarístico trazendo em si o cordeiro de Deus (Cristo) que tira o pecado do mundo.

Acima deste está o que era o carvalho de mambré, e que aqui simboliza o tronco de Jessé, pelo qual Cristo veio ao mundo.

O ESPÍRITO

O terceiro anjo a direita é o Espírito, possui um manto verde representando a eternidade e também o azul à divindade. A doçura de suas linhas possui algo de materno, é o consolador, o Espírito de amor. Sua postura inclinada da a entender que ele aguarda para ser enviado. Em cima contemplamos a montanha de Deus.

As três personagens seguram bastões longos e vermelhos. Na Antigüidade, o bastão, e posteriormente o cetro, eram símbolo de poder do indivíduo, de sua dignidade e de sua autoridade. O bastão vermelho reserva-se, ademais, aos grandes mestres e a quem se dedicava ao ensino.

Vemos , além disso, que os três estão sentados sobre escabelos, com os pés sobre pedestais de ouro. O trono sobre pedestal indica a diferença entre o mundo terrestre e o mundo celeste e a primazia deste sobre a terra. O fato de que os três se sentem sobre os mesmos tronos quer significar que têm a mesma dignidade.

Os tronos e os pedestais apóiam-se  sobre um fundo verde-esmeralda. Efetivamente, escreve-se no Apocalipse: “Um arco-íris ao redor do trono de aspecto semelhante à esmeralda. Diante do trono como um mar transparente semelhante ao cristal.” (AP 4,3.6).

Também é interessante notar que este possui um movimento circular passando pela cabeça dos três, e o centro deste círculo é a mão do Filho, pelo qual participamos da Trindade.

Este é um ícone do séc XVIII e XIX, da escola grega-bizantina,

seu título foi escrito em Eslavônico.

     A mão estendida exprime as perguntas e a conversa das Mulheres com o Anjo. A mão no queixo significa aflição.

     O Anjo traz em sua mão o bastão de mensageiro.

     As montanhas rochosas no fundo representam a dureza de coração dos homens.

 

Este é um ícone do séc XX da escola Grego-Romana seu título foi escrito em grego.

O Batismo  também conhecido como a Teofania de Cristo, já que foi a primeira manifestação pública do Salvador. Representa também a glória da Trindade. Quando Jesus entrou no rio Jordão o Pai aclamou-o: “Este é meu Filho amado, em quem eu me comprazo”(Mt 3,17). E o Espírito Santo apareceu como pomba. Foi a primeira manifestação pública do dogma da Trindade. Esse contexto trinitário também é lembrado pela subdivisão dos três raios de luz que descem do alto.

Quando Jesus pediu a João para batiza-lo, humilhou a si mesmo; mas o Pai o exaltou. Isso está ilustrado no ícone, onde a figura central de Cristo domina a cena. O efeito é intensificado pela

figura de João Batista que se inclina bastante: “Eu não sou digno de desatar as correias de tuas sandálias e tu me pedes para batizar-te?”.

A pronunciada composição vertical do ícone sugere a descida de Deus e a subida da humanidade. O Jordão aparece  entre montanhas sombrias. Jesus desce a este sepulcro aquoso com sereno poder e majestade. A caverna que se abre a seus pés é um lembrete do inferno, de onde o Senhor ressuscitado libertará nossos primeiros pais. A descida de Cristo às águas prefigura a derrota definitiva dos poderes do mal e o triunfo da verdade. Faz também uma alusão a descida à mansão dos mortos.

Com as mãos cobertas por seus mantos em sinal de reverência e adoração, os anjos estão presentes nesta incompreensível humilhação do Verbo Encarnado, prontos para recebê-lo na saída das águas.

O machado encostado à raiz da árvore assinala os últimos dias.

Este é um ícone do séc XVIII/ XIX da escola grego-romana, seu título foi escrito em russo.

O ANJO

    Com a mão esquerda empunha comprido bastão, símbolo da autoridade e da dignidade da pessoa, do mensageiro, do peregrino.

A mão direita estendida para a Virgem comunica a Boa Nova da decisão divina de habitar entre nós. O gesto completa-se com o olhar dirigido a Maria.

Os dedos não estão colocados com gesto próprio de quem fala, mas com gesto tipicamente bizantino de benção; gesto carregado de simbologia.

Os dedos abertos (polegar, indicador e mínimo) pretendem recordar a Trindade, que Cristo é uma das Três pessoas divinas.

Os dois dedos reunidos (médio e anular) recordam que em Cristo subsistem duas naturezas: humana e divina; porém, não são visíveis à nossa percepção, porque semelhante mistério ainda devia começar.

As pernas do anjo, bem abertas, guardam a sensação de sua viagem de Deus para a virgem Maria.

O anjo está colocado sobre um pequeno pedestal: valoriza-se assim a superioridade da realidade espiritual sobre a realidade terrena e material.

 

A VIRGEM

A Virgem está sentada, coberta por um manto marron bordado a ouro e por uma túnica de cor azul.

A cor escura significa humildade, a terra arada pronta para receber a semente que a fará frutificar.

Sobre seu manto há três estrelas: uma sobre a cabeça e outra sobre cada um dos ombros. São a correlação do gesto trinitário da mão direita do anjo. É o sinal da santificação que a Trindade opera em Maria, como Mãe de Deus.

O azul da túnica simboliza o desprendimento dos valores deste mundo e a ascensão da alma que tende para o divino.

Está sentada sobre um trono dourado, e este colocado sobre uma peanha (pequeno pedestal). Os pés não se apóiam nela, mas estão sobre um pedestal. Foi colocado por cima da natureza Angélica.

Calça sapatos cor de púrpura, a mesma cor da almofada e do pano do badalquino. Tudo isto pretende valorizar a realeza. Na Antigüidade, a púrpura e o ouro eram reservados estritamente ao rei. O iconógrafo, por conseguinte, acompanhado da tradição, pretendeu evidenciar a realeza divina que circunda a Virgem. após a simbologia das cores, esconde-se outro significado mais importante: o mistério da encarnação.

A Virgem tem, na mão esquerda, a roca com a qual fia a púrpura. Semelhante imagem nada mais é que a prefiguração do tempo em que ela mesma deverá preparar a veste purpúrea do corpo do Salvador.

O véu de cor púrpura que sobressai por cima da Virgem é uma alusão ao véu do templo e símbolo do véu do corpo do Salvador que estava sobre ele antes de entrar dentro dela.

A mão direita da Virgem faz o gesto típico de atenção e de terror diante da divindade, enquanto a cabeça, ligeiramente inclinada, parece representar o verso do salmista: “Escuta, filha, olha: presta atenção, esquece-te de teu povo e da casa paterna: prendado é o rei com tua beleza”.

Do alto de um semicírculo escuro, sai um raio de sombras que paira sobre a Virgem. Atravessa o véu de púrpura, e, após tê-lo atravessado, é como se se condensasse num círculo, que, posteriormente, se desvanece na auréola da Mãe de Deus.

O raio representa o Espírito que desce sobre Maria.

O POÇO E O TRONO

    Neste ícone está desenhado, com clareza, um poço em plano diferente no qual encontramos os personagens.

A quem não estiver atento à leitura dos símbolos, pode parecer um elemento completamente secundário; no entanto, tem papel definido, não só tirado da narração apócrifa.

Em quase todas as culturas antigas, particularmente na hebraica, o poço tem caráter sagrado, porque sintetiza em si mesmo três ordens cósmicas: céu, terra e abismo, e os três elementos: água, terra e ar.

O poço é quadrado, símbolo da terra, da criação. Por isso está colocado em plano diferente ao do pedestal do anjo, o que significa a superioridade da natureza Angélica; e está diante do trono onde se senta a Virgem. Foi colocado nesta posição para indicar a disponibilidade da criação, a fim de receber a água da vida: o poço em hebraico, de fato faz alusão à mulher, à esposa.

A relação no entanto, é mais sutil ainda. Na economia  do Novo testamento, o trono de Deus- Homem é sua Mãe cheia de graça. Maria, também neste ícone, manifesta-se na função de dúplice serviço: para com Deus e para com os homens.

O Ícone que usamos é atribuído a um discípulo de A.Rublev feito no século XV.

Ele está dividido em duas partes bem distintas: a celeste, onde se encontra a figura de Cristo circundado pelas milícias celestes, e a terrena onde estão os Apóstolos, a Virgem e os anjos.

A metade inferior do ícone está encaixada num conjunto de rochas escarpadas, para dar a impressão que os personagens estão submetidos e imersos à gravidade da terra.

O CRISTO

No centro da parte superior, podemos contemplar Cristo, mais que em gesto ascensional para o céu, em atitude de vinda, como querendo representar e significar a realização ou cumprimento da promessa dos anjos aos Apóstolos: “virá do mesmo modo que o haveis visto subir ao céu" (At 1,11). Uma maneira de significar assim mais imediatamente o tempo escatológico.

Os céus, no princípio por ele estendidos como um pavilhão, parecem recolher-se agora e formar o trono daquele que, revestido de majestade e de esplendor, coberto de luzes como se fosse um manto, faz das nuvens sua carruagem e caminha sobre as asas dos ventos (Sl 103,2).

O Cristo sentado num trono aparece com toda a sua majestade de rei do universo. Suas vestes não são com efeito, as brancas da ressurreição, mas de púrpura e ouro: as cores por excelência própria da realeza.

Seu semblante é de fogo, parecido com o sol, quando brilha com toda força (Ap. 1,14.16). De sua pessoa, divina e humana, brota e irradia-se a luz da divindade por todo o espaço dos céus.

O gesto é de Pantocrator, isto é, de que contém em si todas as coisas: Um gesto solene da mão direita, que expressa o senhorio sobre todas as coisas, enquanto segura na mão esquerda o título da lei.

A NATUREZA E OS ANJOS 

Eis que do bloco rochoso brotam quatro plantas ou arbustos verdes e frondosos: representam os quatro ângulos da terra “estéril” e escrava da idolatria que corresponde, porém, ao anúncio da Boa Nova, idealmente simbolizada pelos evangelistas.

Ao lado da Virgem , dois anjos vestidos de branco e aureolados são os anjos da ressurreição.

Os braços estendidos para o alto evocam o convite: “Ergamos o coração", que o sacerdote dirige à assembléia ao iniciar a "anáfora”: inicia, com efeito, a liturgia celeste à qual se associa a liturgia terrena. É o momento em que o Filho nos da como herança seu corpo, sua alma, sua divindade. Com a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes virá constituir o momento culminante da liturgia cósmica.

 

A VIRGEM

Na linha de Cristo encontramos a figura da Virgem: a única que juntamente com os dois anjos da ressurreição aparece aureolada. Ela vivia habitualmente com os Apóstolos,eis porque, embora as fontes não falem de sua presença no monte das Oliveiras, a Tradição da Igreja, segunda se reflete na iconografia, colocou-a no centro da pintura.

Este ícone não só fixa o momento da Ascensão, mas através desse momento mostra qual é o carisma e o lugar de Maria no tempo da Igreja, tempo que se abre com o desaparecimento de Jesus. Isto é tão verdadeiro que no ícone é representado também S.Paulo(à direita de quem olha a Virgem) que, no entanto, não estava presente no momento da Ascensão de Cristo. Maria está de pé, com os braços abertos em atitude orante, está imóvel, debaixo de Jesus, no ponto exato de onde ele subiu, quase como para manter viva a sua memória e a sua espera.

A Mãe de Deus ocupa o posto central; é o eixo do grupo situado no primeiro plano. Ela está como mastro principal, que mantém o equilíbrio e da estabilidade ao barco. Sobre o fundo da brancura Angélica destaca “mais pura que os Querubins e maior que os Serafins; para ela convergem os mundos humano e angélico, a terra e o céu”.

O triângulo formado pelos dois Anjos e a Virgem recorda-nos uma vez mais o mistério da Trindade, revelado aos homens de boa vontade. Os anjos, com efeito, fazem lembrar o Pai e o Espírito, enquanto a Virgem faz lembrar sua corporeidade o Filho que somente dela e por ela adquiriu o semblante humano: a solicitude “maternal” de Deus, uno e trino.

OS APÓSTOLOS

Os Apóstolos estão divididos em dois grupos de seis: num primeiro plano, à esquerda Pedro; à direita, aparece Paulo. Os dois são efetivamente, chamados corifeus, príncipes dos Apóstolos. Todos eles dirigem o olhar, para Cristo, a quem parecem estar dizendo com lágrimas nos olhos. Todos estão erguendo um pé ou uma mão, em movimento, representam a Igreja ativa, que vai para missão, que fala e age.

CONCLUSÃO

     O Ícone que contemplamos, nos revelam alguns aspectos da Ascensão de Cristo, mas dentre outros, existem dois em que devemos nos deter.

A primeira conseqüência da Ascensão é a vinda do Espírito Santo ‘vós sereis batizados no Espírito Santo, dentro de alguns dias’(At 1,5). Tendo entrado uma vez por todas no santuário do céu, Jesus Cristo vive para interceder por nós (Heb 7,25) para que recebamos permanentemente a efusão do Espírito Santo.

Todos unânimes, perseveravam na oração com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele (At 1,14). Eis que a nós intercessores também é confiado a participação no ministério de Jesus, suplicar a descida do Espírito Santo, não apenas sobre nós e os nossos, mas sobre todos os viventes.

O segundo aspecto que devemos nos deter, é que como já vimos este ícone não tem uma imagem apenas de subida aos céus, mas também de descida, lembra-nos as palavras do Anjo “Aquele que subiu, o próprio Jesus, virá do mesmo modo que o vistes subir para o céu” (At 1,11). Recorda-nos a outra promessa que é a da vinda gloriosa.

São poucos que sabem da importância deste ministério. À semelhança de João Batista somos chamados a sermos, as vozes que clamam à vinda do Espírito Santo, a fim de preparar a vinda do Senhor.