HERESIAS

Heresia - A heresia é a defesa sistemática de tese ou doutrina errônea em face da doutrina dogmática da Igreja . A defesa , portanto , de doutrina contrária aos dogmas da Igreja , ou seja , verdades imutáveis , eternas , de crença obrigatória para todos os fiéis. Implicando , consequentemente , em excomunhão automática reservada à Sé Apostólica.

Apostasia - A apostasia é o abandono público e completo da fé cristã ; o fiel , no caso , não preserva nenhum traço da antiga fé . Trata-se de posição diferente da posição de herege , porque , no caso da heresia , nem todas as demais verdades de fé da Igreja , são , necessariamente , negadas , ao se afirmar uma tese considerada herética.

Cisma - O cisma é a insubmissão temporária ou permanente ao poder e à autoridade do Romano Pontífice . Pode ser causado por divergências teológicas ou administrativas. Há cismas que decorrem do não reconhecimento de qualquer poder papal ou da negação da existência de um poder episcopal de procedência divina.

Blasfêmia - Palavra ofensiva à divindade ou à religião , sinônimo de heresia ou de um tipo de heresia.

Sacrilégio - Pecado contra a religião que consiste na violação de pessoa , lugar ou objeto consagrados ao culto divino. Em ambos os casos , configura-se ato pecaminoso , quando a ação é adotada livre e conscientemente pelo indivíduo.

Alguns cismas importantes da Igreja nascidos por divergências doutrinárias:

Nestorianos - Heresia defendida pelo monge Nestório , no século V, distinguia em Cristo duas naturezas , a divina e a humana , sem admitir a deificação da humanidade ( a união ocorria apenas na vontade ). A tese negava a maternidade divina de Maria ; heresia condenada pelo Concílio de Éfeso, em 431.

Monofisitas - Heresia nascida Alexandria , no século V , defendia a existência em Cristo , não só de uma única pessoa , como até de uma única natureza , resultante da fusão da divina e da humana. Heresia refutada pelo Concílio Ecumênico de Calcedônia em 451.

Além do Grande Cisma de 1054 entre a Igreja de Roma e a Igreja Bizantina (ver artigos sobre a Igreja Ortodoxa na seção de Apologética)

O herege e o cismático permanecem sob a jurisdição do Papa , podendo ser julgados e punidos .

Devemos rezar pela conversão de ambos , para que recebam os benefícios externos das orações e das missas celebradas por eles .

Diz o Código de Direito Canônico:

"Depois de recebido o batismo , se alguém , conservando o nome de cristão , nega algumas das verdades que se devem crer com fé divina e católica ou dela duvida , é HEREGE. Se afasta-se totalmente da fé cristã , é APÓSTATA. Se recusa submeter-se ao Sumo Pontífice (o Papa) ou tratar com os membros da Igreja aos quais está sujeito , é CISMÁTICO" (Direito Canônico 1.325, pár. 2)

Heresias Cristológicas

As heresias cristólógicas são aquelas que negam a divindade de Cristo ; distinguem o 'Cristo homem' , do Cristo , Filho de Deus. Jesus , para eles , é apenas um Rabi ( um Mestre ) , um Profeta , ou o Messias ; mas não é Deus encarnado. E existem heresias que negam , por outro lado , a humanidade de Cristo ; afirmando ser Jesus Cristo apenas Deus , sem nenhuma natureza humana.

Exemplos de heresias sobre a Pessoa do Cristo:

Marcionismo - afirmava a existência de dois deuses diferentes, um do Antigo Testamento e outro do Novo Testamento; seu fundador tentou anular o Antigo Testamento.

Arianismo , séc. IV - afirmava que Cristo era apenas homem , semelhante ao Pai , mas um ser criado . Cristo não tem alma , o Verbo substitui a alma . Heresia muito popular em seu tempo.

Nestorianismo, séc. V - divide a pessoa do Cristo - Cristo-homem e Cristo-Deus . Maria não é mãe do Cristo divino , não é , portanto , a Mãe de Deus.

Monarquianismo Modalista (ou Sabelianismo), séc. III - O Pai , Filho e Espírito Santo são simplesmente três aspectos ou manifestações da existência de uma só pessoa : Deus. Defendem o uso da expressão "Synousios" e não "Homousios", porque 'synousios' significa uma unidade de substância.

Monofisismo (Cristo é só Deus )

Heresia do monge Eutiques (m. 454) , do século V . Se opunha à doutrina do Concílio de Calcedônia (451) sobre as duas naturezas de Cristo. Condenada também pelo Segundo Concilio de Constantinopla (553), encontrou apoio na Síria, Armênia e entre os coptas do Egipto.

Monotelismo (Cristo e Deus possuem uma só vontade com duas naturezas diferentes)

Século VII , tentativa de conciliar a ortodoxia com o monofisismo . O imperador Heracleo (610-641), defendia que Cristo tinha duas naturezas mas uma só vontade , contou com o apoio do patriarca de Constantinopla, Sergio. S. Máximo , Confesor refutou o monotelismo, argumentando que a vontade era uma função da natureza e não da pessoa. O Monotelismo foi condenado definitivamente pelo Terceiro Concilio de Constantinopla (680)que proclamou ««duas votades naturais ou quereres e duas operações naturis, sem divisão , sem comunicação , sem separação , sem confusão»» (Dz 291).

Apolinarismo - Cristo não era possuidor de um corpo humano . Era mais Deus que homem , não possuía alma; o Verbo consubstancial ao Pai

Docetismo (Cristo não era possuidor de um corpo humano. Cristo era só Deus) e Ebionismo (Cristo só homem e era o Messias prometido).

As heresias concernente à Igreja são aquelas que negam que a Igreja católica seja a única religião verdadeira , que pregam o ecumenismo gnóstico com outras religiões , o relativismo teológico , o sincretismo religioso ou a colegialidade episcopal acima do poder supremo do Romano Pontífice. Negando a validade dos sacramentos , o poder da graça , o poder do perdão sacramental , o sacerdócio ministerial e etc.

Algumas outras heresias famosas : Montanismo (séc. II) , Novacianismo , Pelagianismo , Donatismo e o Catarismo (séc. XI).

Montanismo

Montano e suas seguidores Priscila e Maximila , começaram a afirmar , pelo ano 172 , que o milênio começaria em breve e que a Jerusalém Celeste iria descer na Frígia , na Ásia Menor. Disseram que Deus lhes dera autoridade sobre a igreja e que rejeitar os seus pronunciamentos era blasfemar contra o Espírito Santo. Para os seguidores de Montano , só podia ser verdadeiramente cristão quem vivesse completamente sem pecado e como eremita . Algumas fontes afirmam que este grupo substituia os nomes das pessoas da Santíssima Trindade pelos nomes de Montano e suas seguidores Priscila e Maximila , na celebração do batismo.

A herança montanista no norte da África estava muito viva quando das perseguições de Diocleciano muitos cristãos intensificaram o espírito de sacrifício e de martírio. Neste quadro a questão da validade do batismo foi associada à legitimidade do bispo local. O sucessor do Papa Estêvão I , Sixto II , estava em comunhão com os bispos do Norte da África , portanto estes prelados respeitavam as determinações de Roma quanto ao batismo. Houve , efetivamente , casos de re-batismo até o século IV, fato confirmado pelo Concílio de Arles em 314. Tertuliano e os cristãos da África tendiam a restringir a Igreja aos homens santos , de sorte que só seriam válidos os sacramentos ministrados por pessoas de reta conduta ; quem estivesse sem batismo e em pecado mortal não poderia batizar.

Donatismo

Esta situação agravou-se com o cisma de Donato , que associou a exigência de santidade à autoridade do bispo local para a ministração dos sacramentos. Os donatistas excomungaram o resto da humanidade. Declararam que a sucessão apostólica tinha sido quebrada e que todos os bispos da Europa e da Ásia eram cismáticos. A fé cristã estaria agora apenas neles.

Diz Dom Estevão Bettencourt sobre os donatistas e o rebatismo:

" As controvérsias sobre o batismo dos hereges prolongaram-se na história do donatismo. Este reavivou a questão: a eficácia dos sacramentos depende da santidade do respectivo ministro ou é algo de objetivo, garantido pelo sacerdócio do próprio Cristo? A problemática donatista teve origem com a morte do bispo Mensúrio de Cartago (311). Foi eleito em seu lugar Ceciliano; este, porém, tinha opositores, pois na perseguição de Diocleciano (284-305) se opusera a uma equívoca veneração e a exagerada exaltação dos confessores da fé. Espalharam então o rumor de que os bispos sagrantes de Ceciliano, Felix de Aptunga, Fausto de Tuburbo e Novelo de Tyzica foram traidores, isto é, tinham entregue os livros sagrados aos perseguidores; em tais condições, diziam os adversários de Ceciliano, Felix, Fausto e Novelo não podiam ter ordenado validamente o novo bispo de Cartago. Diante dos rumores, 70 bispos da Numídia (Norte da África) se reuniram em Cartago e elegeram o antibispo Majorino, ao qual sucedeu em 315 Donato o Grande. Estava aberto o cisma donatista. A expansão do cisma provocou a intervenção do Imperador Constantino. Este mandou examinar as acusações proferidas contra Ceciliano: um sínodo, presidido em Roma pelo Papa Milcíades (313), reconheceu a legitimidade do bispo Ceciliano e rejeitou os donatistas. Estes não se davam por vencidos. Por isto Constantino convocou em 314 um Sínodo Geral do Ocidente, que, reunido em Arles (França), confirmou a sentença de Roma e acrescentou explicitamente que a ordenação conferida por um bispo traidor é válida; além do que, reprovou o uso, de cristãos da África, de rebatizar quem tivesse sido batizado por hereges. Visto que os donatistas não se rendiam, Constantino mandou, para o exílio os chefes da facção e tirou-lhes as igrejas. "(...)

"O donatismo só começou a desaparecer do mapa com a invasão dos vândalos do Norte da África a partir de 429; a invasão muçulmana no século VII pôs o termo definitivo à facção de Donato. S. Agostinho, na polêmica antidonatista, teve a ocasião de desenvolver a noção de catolicidade da Igreja; esta, sendo universal, deve compreender bons e maus; o Senhor fará a triagem no fim dos tempos; a seita de Donato jamais se poderia dizer católica (D Estevão ," O Re-batismo e o Donatismo "). Santo Agostinho , bispo de Hipona , ilustre doutor da Igreja , combateu os donatistas .

Outras heresias

Podemos citar também outros grupos heréticos como os Priscilianos , Paulícios , Bogomilos , Valdenses ( Pedro Valdo ) , Albigenses , Lollardos e Hussitas . Os Albigenses formavam uma das maiores seitas Cátaras. Ensinavam que o espírito foi criado por Deus e que era bom, enquanto o corpo teria sido criado pelo Mal.

Os lolardos eram membros de um movimento herético baseado nos ensinamentos do sacerdote inglês , João Wyclif ( 1324-1384 ). Wyclif passou a vida denunciando a corrupção , a riqueza e a arrogância da Igreja . Afirmava que o sacramento da ordem só era válido para quem não tivesse nenhuma mancha de pecado.

Os hussitas formavam um movimento herético de parte da ex-Tcheco-Eslováquia. João Huss , sacerdote de Praga , foi queimado na fogueira em 1415 , como punição por suas heresias . As idéias de Huss eram semelhantes às de Wyclif e dos lolardos na Inglaterra . O movimento hussita teve também importância política , tornou-se expressão do nacionalismo boêmio contra o domínio alemão .

Existem heresias que negam a presença real de Cristo na Eucaristia ; negando , por via de consequência , a renovação do sacrifício eterno . Transformando a Missa numa simples ceia simbólica .

Heresias que confundem o sacerdócio ministerial com o sacerdócio comum dos fiéis , apagando a fronteira estabelecida pelo sacramento da ordem e pela lei canônica .

Erros doutrinários

Existem erros filosóficos graves no âmbito da doutrina que merecem registro , como , por exemplo , o relativismo cognitivo , o relativismo moral , a dupla moral ( cristã e pagã ) , o agnosticismo , o subjetivismo, o fideísmo, o arqueologismo, o gnosticismo, o imanentismo e o modernismo . Outros erros doutrinários importantes merecem registro : o misticismo , o profetismo e o aparicionismo .

Condenações pontifícias das heresias

O papa Victor , no século II , excomungou Teódoto que negava a divindade de Cristo. O Papa Zeferino condenou os Montanistas ; Calisto os Sabelianos. Em 417 , Inocêncio I baniu o pelagianismo que negava a transmissão do pecado original . O papa Celestino , em 430 , condenou a doutrina de Nestório , o Concílio de Éfeso seguiu a decisão . O concílio de Calcedónia (451) recebeu a carta dogmática do Papa Leão I a Flaviano , condenando a heresia de Eutiques . O Concílio de Constantinopla I , 381 , condenou as heresias de Macedônio e Apolinário . O Macedonismo negava a divindade do Espírito Santo . O apolinarismo negava que a natureza humana de Cristo tivesse uma alma humana . O III Concílio de Constantinopla (680) aclamou o decreto do Papa Agatão que condenava o monotelitismo.

Algumas correntes doutrinárias errôneas .

DEÍSMO

Formulação teológica puramente racional . Deus criou o mundo e não interfere na realidade criada .

A lei natural é o critério moral para os homens ; não existem revelações verdadeiras , nem o conhecimento da natureza ética ou intelectual de Deus .

Haverá , sim , um Juízo final . Os adeptos do deísmo acreditam na imortalidade da alma.

 

PANTEÍSMO

O Panteísmo afirma que deus é o mundo , não há transcendência para fora do mundo .

O movimento do mundo é o movimento de Deus . Tudo está no mundo , ao conhecer o mundo , conhecemos Deus .

 

GNOSE

Existiram vários movimentos gnósticos ao longo da história . O gnosticismo é um movimento pré-cristão cujas raízes estão em si mesmo , provém das religiões da Babilônia e da Pérsia. De modo geral , a gnose não aceita a revelação divina ou não a aceita integralmente . Afirma não precisar da fé , mas sim , do auto-conhecimento e desconsidera a importância do sacrifício de Cristo e da graça

O deus da gnose é um deus impessoal . Um princípio constitutivo e unificador do cosmos . Seus adeptos acreditam na emanação do mundo a partir de Deus ( ou na expansão da dividindade ) . A doutrina católica não aceita a idéia de mutações na divindade . As processões divinas ( a Santíssima Trindade ), Deus Pai , Deus Filho e o Espírito Santo , não alteram a substância única e imutável de Deus . Tudo aquilo que muda e se transforma , por definição , não é Deus . A criação do mundo , segundo o catolicismo , foi feita a partir do nada e a realidade criada é necessariamente diferente de Deus.

Segundo o catolicismo , tudo aquilo que muda e que se transforma , necessariamente , é parte da realidade criada.

A gnose acredita na expansão da divindade ou em acidentes na divindade como capazes de originar o mundo ou diversos mundos.

A gnose aplica frequentemente o raciocínio dialético ao estudo da divindade e às suas relações com o mundo.

- Elabora formulações que envolvem explicações holistas , onde tudo é relacionado com tudo ; tanto em termos esotéricos quanto exotéricos .

- Afirma , por exemplo , existir deuses inferiores , que fazem leis , ao mesmo tempo , boas e más .

- Acredita na existência de partículas divinas aprisionadas no corpo humano ; manifesta desprezo pela matéria .

- Acredita no paraíso terrestre antes da Parusia ; nega valor à Igreja visível , aos sacramentos e ao sacerdócio hierárquico.

- Afirma a existência de diferentes tipos de matéria , implicando na diferenciação fundamental dos seres humanos.

- Alguns seres , por essa razão , não poderão ser salvos . A gnose acredita em dualismos rigorosos

- Jesus Cristo , para as seitas gnósticas , não é Deus , mas sim , um espírito superior . Era considerado um ser pré-existente que se adaptou a percepção humana -- um intermediário entre Deus e os homens.

O homem possuem três naturezas ; alma, espírito e corpo e podem , por isso , ser divididos em três categorias ; materiais, animais , espirituais. Os materiais não alcançarão a redenção pois só enxergam a matéria ; os animais posssuem luz e trevas , podem alcançar a redenção se desenvolverem a luz que possuem e os espirituais que alcaçam o espírito superior , são feitos apenas de luz .

Seitas gnósticas

Nos anos 70-140 o número de seitas gnósticas foi muito grande. Recordarmos as dos ebonitas , nicolaítas , satornilos , alobianos , severianos , apotácticos , sacóforos e hidropasianos ; valentiana , patripassianos , basiliana , ofita e marcionita . Tinham como fundamento doutrinário o gnosticismo dualista (dois princípios vitais) e esotérico ( uma tradição oculta - ensinamentos de Jesus não públicos ); desprezavam a matéria .

Cismas famosos da Igreja , segundo a Enciclopédia Católica (em espanhol)

(1) Ya se ha hecho mención de los “cismas” de la naciente Iglesia de Corinto, cuando se dijo entre sus miembros: «Yo, en realidad, soy de Pablo; y yo de Apolo; y yo de Cefas; y yo de Cristo». La enérgica intervención de San Pablo les puso fin.

(2) De acuerdo a Hegesipo, la sección más avanzada de judaizantes o Ebionitas en Jerusalén siguieron al obispo Thebutis contra San Simeón y después de la muerte de Santiago en el año 63 de nuestra era, se separaron de la Iglesia.
(3) Hubo numerosos cismas locales en los siglos tercero y cuarto. En Roma el Papa San Calixto (217-22) fue combatido por un partido que tomó de pretexto la suavidad con que él aplicaba la disciplina penitencial. Hipólito se colocó a sí mismo como obispo a la cabeza de estos malcontentos y el cisma se prolongó bajo los dos sucesores de San Calixto, San Urbano I (222-30) y San Ponciano (230-35). No hay duda que Hipólito volvió al redil de la Iglesia (cf. d’Alès, “La théol. de s.Hippolyte”. Paris, 1906, introducción).

(4) En el 251 cuando San Cornelio fue electo a la Sede de Roma una minoría estableció a Novaciano como antipapa, siendo de nuevo el pretexto el perdón que San Cornelio prometió a aquellos que después de haber apostatado se arrepintieran. A través de un espíritu de contradicción Novaciano fue tan lejos como para negar el perdón aun a los agonizantes y la severidad fue extendida a otras categorías de pecados graves. Los novacianos buscaban formar una Iglesia de santos. En Oriente se denominaron a sí mismos katharoi, los puros. Grandemente bajo el influjo de esta idea administraron un segundo bautismo a los que habían desertado del Catolicismo y retornado a sus filas. La secta se desarrolló grandemente en los países de Oriente, donde subsistieron hasta el siglo VII, siendo reclutados no solamente de la defección de católicos sino también del ascenso de los Montanistas.

(5) Durante el mismo período la Iglesia en Cartago fue también presa de divisiones intestinas. San Cipriano sostuvo en medida razonable los principios tradicionales referentes a la penitencia y no dio a las cartas de los confesores, llamadas libelli pacis, la importancia deseada por algunos. Uno de los principales adversarios fue el sacerdote Donato Fortunato quien llegó a ser el obispo del partido, pero el cisma, que fue de corta duración tomó el nombre del diácono Felicísimo quien jugó un papel importante.

(6) Con la llegada del siglo IV Egipto fue el escenario del cisma de Melesio, obispo de Lycópolis, en la Tebaida. Sus causas no son conocidas con certidumbre; algunos autores antiguos lo atribuyen a tendencias rigoristas en la penitencia, mientras que otros dicen que fue ocasionado por la usurpación del poder por parte de Melesio, notablemente el hacer ordenaciones fuera de su diócesis. El Concilio de Nicea trató con este cisma, pero no tuvo éxito en erradicarlo en su totalidad; y hubo vestigios de él hasta el siglo V.

(7) Algo más tarde el cisma de Antíoco, originado por los problemas del Arrianismo, presenta complicaciones peculiares. Cuando el obispo Eustacio fue depuesto en el 330 una pequeña parte de su rebaño le permaneció fiel, aunque la mayoría siguió a los arrianos. El primer obispo creado por ellos fue sucedido (en el 361) por Melesio de Sebaste en Armenia, quien por la fuerza de las circunstancias llegó a ser líder de un segundo partido ortodoxo. De hecho Melesio no se apartó fundamentalmente de la Fe de Nicea, y pronto fue rechazado por los arrianos; por otro lado, no fue reconocido por los eustacianos, quienes vieron en él la elección de los heréticos y también lo censuraron por algunas diferencias meramente terminológicas. El cisma duró hasta cerca del 415. Paulino (m.388) y Evagrio (m.392), obispos eustacianos, fueron reconocidos en Occidente como los verdaderos pastores, mientras que en Oriente los obispos seguidores de Melesio fueron considerados como legítimos.

(8) Después del destierro del Papa San Liberio en el 355, el diácono Félix fue escogido para reemplazarlo y tuvo seguidores aun después del regreso del Papa legítimo. El cisma, apagado un tiempo por la muerte de Félix, fue revivido a la muerte de San Liberio y la rivalidad produjo sangrientos enfrentamientos. Tomó varios años después de la victoria de San Dámaso para que la paz quedara totalmente restaurada.

(9) El mismo período testimonió el cisma de los Luciferianos. Lucifer, obispo de Calaris o Cagliari, se disgustó con Atanasio y sus amigos quienes en el Sínodo de Alejandría (362) habían perdonado a los semi-arrianos arrepentidos. Él mismo había sido culpado por Eusebio de Vercelli por su prisa en ordenar a Paulino, obispo de los eustacianos, en Antioquía. Por estas dos razones, se separó de la comunión de los obispos católicos. Por algún tiempo el cisma ganó adherentes en Cerdeña, donde se había originado, y en España, donde Gregorio, obispo de Elvira, fue su principal instigador.

(10) Pero el cisma más importante de los cismas del siglo IV fue el de los Donatistas (q.v.). Estos sectarios fueron notables por su obstinación y fanatismo, así como por los esfuerzos y los escritos que más bien inútilmente multiplicaron contra ellos San Agustín y San Optato de Milevis.

(11) El cisma de Acacio pertence al final del siglo V. Está conectado a la promulgación hecha por el emperador Zenón del edicto conocido como Henoticon. Emitido con la intención de poner fin a las querellas cristológicas, este documento no satisfizo ni a católicos ni a monofisitas. El Papa San Félix II excomulgó a sus dos verdaderos autores, Pedro Mongo, obispo de Alejandría y a Acacio de Constantinopla. Siguió un rompimiento entre Oriente y Occidente que duró durante treinta y cinco años. A instancias del general Vitaliano, protector de la ortodoxia, Anastasio, sucesor de Zenón, prometió satisfacción a los adherentes al Concilio de Calcedonia y la convocatoria de un concilio general, pero mostró tan poca voluntad en la cuestión de la unión que no se restauró hasta el 519 por medio de Justino I. La reconciliación recibió sanción oficial en una profesión de Fe la cual fue suscrita por los obispos griegos y que, dado que fue enviada por el Papa San Hormisdas, es conocida en la historia como la Fórmula de Hormisdas.

(12) En el siglo VI el cisma de Aquilea fue causado por el consentimiento del Papa Vigilio a la condenación de los Tres Capítulos (553). Las provincias eclesiásticas de Milán y Aquilea se negaron a aceptar esta condena como válida y se separaron por un tiempo de la Sede Apostólica. La invasión lombarda en Italia (568) favoreció la resistencia, pero desde el 570 los milaneses volvieron gradualmente a la comunión con Roma; la porción de Aquilea sujeta a los bizantinos volvió en el 607, después del cual el cisma contó con pocas iglesias. Se extinguió totalmente bajo el Papa San Sergio I, al final del siglo VII.

(13) El siglo IX trajo el cisma de Focio, el cual, aunque transitorio, preparó el camino nutriendo un espíritu de desafío hacia Roma hasta la defección final de Constantinopla.

(14) Este tuvo lugar menos de dos siglos después bajo Miguel Cerulario (q.v.) quien de un golpe (1053) cerró todas las iglesias de los latinos en Constantinopla y confiscó sus conventos. El deplorable cisma griego (ver IGLESIA GRIEGA), que aun subsiste y que a su vez se dividió en varias comuniones, quedó consumado. Los dos acuerdos de reunificación concluidos en el Segundo Concilio de Lyons en 1274 y el de Florencia en 1439, desafortunadamente no tuvieron resultados duraderos.

(15) El cisma de Anacleto en el siglo XII, como el de Félix V en el siglo XV, se debió a la existencia de un antipapa lado a lado con un Pontífice legítimo. A la muerte de Honorio II (1130) Inocente II había sido electo en forma regular, pero una numerosa y poderosa facción se alzó contra él y escogió al cardenal Pedro de la familia Pierleoni. Inocente fue obligado a huir, dejando Roma en manos de sus adversarios. Él encontró refugio en Francia. San Bernardo defendió ardientemente su causa, como lo hizo también San Norberto. Dentro del lapso de un año casi toda Europa se había declarado en su favor, salvo Escocia, el sur de Italia y Sicilia, que constituían el otro partido. El emperador Lotario trajo a Inocente II de regreso a Roma, pero apoyado por Roger de Sicilia el antipapa (Anacleto II) retuvo la Ciudad Leonina, donde murió en 1138. Su sucesor Víctor IV, dos meses después de su elección, buscó y obtuvo el perdón y la reconciliación con el legítimo Pontífice. El caso de Félix V fue más simple. Félix V fue el nombre que tomó Amadeo de Saboya, elegido por el Concilio de Basilea, cuando entró en rebeldía abierta contra Eugenio IV, negándose a dispersar sus fuerzas e incurriendo así en excomunión (1439). El antipapa no fue aceptado más que en Saboya y Suiza. Él continuó por breve tiempo con el pseudoconcilio que lo había nombrado. Ambos se sometieron en 1449 a Nicolás V, que había sucedido a Eugenio IV.