O QUE CABE Á HIERARQUIA NO CAMPO POLÍTICO

Cabe à hierarquia:

  • posicionar-se claramente e de maneira inconfundível ao lado dos pequenos;

  • apoiar grupos e comunidades que buscam se encontrar para estudar os problemas políticos;

  • acompanhar, de maneira educativa, os cristãos que militam nos partidos políticos;

  • zelar para que a insistência do Papa João Paulo II a respeito da incompatibilidade entre o exercício do ministério presbiteral e o desempenho de cargo político partidário, seja, na prática, observado.

Para que os leigos desempenhem sua tarefa específica é sumamente importante que recebam uma especial e adequada formação para participação política que lhes possibilite:

  • aprender a fazer análise da realidade;

  • conhecer as propostas e práticas dos partidos e candidatos, aprendendo a respeitar a opção partidária de outros;

  • adquirir consciência crítica frente à realidade política;

  • desenvolver a sua formação na fé e adquirir sólido conhecimento da doutrina social da Igreja para discernir e avaliar com critérios evangélicos a realidade da ação política.

Questões delicadas têm se apresentado quando agentes de pastoral decidem se candidatar a cargos políticos eletivos, no executivo ou no legislativo. A prática eclesial tem mostrado dificuldades em conciliar os dois encargos. O afastamento provisório da missão pastoral, nesses casos, tem sido prática corrente. Mas, em certas Igrejas particulares, a reflexão das comunidades locais tem procurado discernir a conveniência, para a evangelização e para a política, do acúmulo de cargos. Em todo caso, um candidato cristão, comprometido com a política partidária, por força de sua fé, nunca deveria afastar-se da sua comunidade, nem esta deveria marginalizá-lo pelo fato de ser candidato.

 

Os agentes de pastoral devem cuidar, sempre, para que a ação pastoral não seja utilizada em benefício de partidos ou ideologias.

 

A Igreja crê contribuir positivamente na formação política, sobretudo das classes populares, através das suas Comunidades Eclesiais de Base, verdadeira escola de compromisso. Essas comunidades, com sua função estritamente eclesial desenvolvem qualidades humanas que servem para plasmar verdadeiros militantes cristãos. A pedagogia aí desenvolvida, de respeito à opinião das bases, cimenta uma prática política realmente democrática, procurando superar elitismos, dogmatismos, conchavos, deliberações de cúpula impostas ao povo tão comuns em nossa vida política.

 

A Igreja estimula, também, os cristãos de classe média e alta, pertencentes a grupos e movimentos de Igreja, comprometidos com as exigências do Evangelho, a se engajarem na política partidária, solidarizando-se com as classes populares na construção de uma sociedade justa e fraterna.

 

Os partidos políticos são o lugar próprio para as atividades políticas, mas as comunidades eclesiais podem oferecer aos cristãos uma instância privilegiada para que eles discirnam, deliberem, à luz da fé, questões que, depois, serão trabalhadas em nível estritamente político no partido. A Igreja espera que os cristãos oriundos das CEBs e de outros grupos e movimentos eclesiais sejam verdadeiras sementeiras de uma nova política no país.

 

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora, MG