A IGREJA FAZ  ÁS ELEIÇÕES EM  GOIÂNIA

Para Tomás More, proclamado, por João Paulo II, celeste patrono dos políticos, "política é ciência, arte ou técnica do bem comum e do serviço aos irmãos". Na prática dos cargos políticos, exercidos como serviço ao povo, testemunha-se a dimensão ética da fé, com um comportamento que seja fiel a Deus à fé cristã que se professa.

 

A Igreja Católica, no cumprimento de sua missão evangelizadora, busca formar integralmente a pessoa humana, respeitando sua liberdade, orientando a consciência, refletindo sobre as opções e colaborando na construção de uma sociedade justa, democrática e solidária. Por isso, defende os direitos humanos, a inclusão social, a participação, o acesso dos pobres aos bens econômicos, sociais e culturais. Foi intrépida sua luta pela democracia durante a ditadura militar. Mais recentemente, empreendeu gigantesco esforço nacional para a aprovação de lei contra a corrupção eleitoral. Suscitou o Movimento Fé e Política, visando à formação de lideranças para a construção da cidadania. Somou-se aos esforços internacionais pela defesa da paz, superação do terrorismo, proteção do meio-ambiente, respeito à diversidade das etnias e religiões, solidariedade aos países e continentes do terceiro mundo. Vinculou essa ação mundial à realidade local, à vida no município.

 

Sob esse amplo, histórico e comunitário olhar, a Arquidiocese de Goiânia - fiel a Jesus Cristo, à tradição eclesial, ao magistério da Igreja, à caminhada das comunidades e ao dramático sofrimento dos pobres -, acompanha o atual momento eleitoral. A Arquidiocese sempre esteve atenta a esse momento de intensa participação do eleitorado. Não por algum tipo de interesse partidário, mas por entender que a formação política para o exercício consciente e conseqüente do voto é também uma forma de presença profética na sociedade. O serviço à sociedade é uma das dimensões do serviço evangelizador. Porque comunga com a vida do povo, a Arquidiocese promove debates, escuta e discute acerca das diversas propostas de governo, apresenta problemas sociais e propostas, avalia a história dos partidos e suas respectivas alianças, organiza equipes que atuam na aplicação da Lei 9.840, assiste e analisa as diversas formas de orientação das campanhas. A Arquidiocese de Goiânia, no respeito à "inalienável dignidade da consciência humana" (CIC 2304), vê positivamente o pluralismo partidário.

 

Contudo, é absolutamente inaceitável a instrumentalização de pessoas e instituições religiosas para finalidades político-eleitorais.

É lamentável que essas coisas continuem acontecendo.

 

Dirijo-me a todos os eleitores habilitados a participarem dos pleitos eleitorais do próximo dia 3 de outubro, no sincero desejo de que, em cada um possa existir a consciência de que, de seu voto, de sua escolha partidária, da escolha do candidato a vereador e a profeito resultará uma cidade mais cheia de vida, de oportunidades para todos, sobretudo para os mais pobres, para aqueles que conseguem ver na ação política mais ampla um futuro melhor. Recorrendo ao exercício da cidadania, que todos tenham o necessário discernimento para eleger pessoas que sejam autêntico artífices da caridade.

 

A sensibilidade social reclama de todos nós um protagonismo de serviço às nossas cidades. Ninguém pode se ausentar, sem ao menos ser responsabilizado pelo grave pecado de omissão. Somos todos chamados a cumprir com fé, esperança e amor nosso dever de eleitores.

 

Que o Espírito Santo nos ilumine a todos.

 

Goiânia, 29 de setembro de 2004

 

Dom Washington Cruz - Arcebispo de Goiânia