A  DECISÃO É SEMPRE DO ELEITOR E DA ELEITORA

No próximo dia 03 de outubro, estaremos elegendo Prefeitos e Vereadores em todo o Brasil. Nem todos estão conscientes da importância de uma eleição municipal.

Como cristãos não podemos ficar alheios às eleições nem omitir-nos. “A participação política dos católicos, afirmam as Diretrizes da ação evangelizadora da Igreja no Brasil, 2003-2006, se inspira numa dupla fidelidade: à própria natureza da política, realidade criada por Deus e dotada de legítima autonomia, e à própria vocação cristã, iluminada pela palavra do Evangelho “ (n. 169).

“A política é uma maneira exigente – se bem que não seja a única - de viver o compromisso cristão a serviço dos outros” (Octogesima Adveniens, 46).

A Igreja assume sua missão no campo político, visando formar as consciências cristãs. Na verdade, há uma relação muito profunda e inseparável entre fé, promoção humana e missão religiosa (cf. GS, 42).

Segundo Puebla, o cristianismo deve evangelizar a totalidade da existência humana, inclusive a dimensão política (n. 513).

Estando ou não engajados em partidos políticos, todos somos convidados a refletir sobre a relação fé-política, sobre a corresponsabilidade que o cristão deve assumir nas transformações políticas da sociedade brasileira.

O eleitor cristão, consciente de seu potencial para mudar os rumos da história do País, precisa colaborar efetivamente na criação de condições dignas de vida e na promoção do bem comum.

O exercício do voto é um dos instrumentos mais eficazes para fazer acontecer as mudanças necessárias e que tanto almejamos. Assim sendo, é preciso conhecer a fundo os candidatos (as) para votar bem. A decisão está em nossas mãos. Ela acontece através do voto consciente...

Embora a Igreja não tenha partido político, não tenha e nem lance candidatos oficiais, alimentamos a esperança de que os eleitores e eleitoras saibam valorizar os candidatos e candidatas que se comprometem a respeitar incondicionalmente os seus princípios morais, éticos, religiosos e sua Doutrina social.

Devemos, pois, apoiar aquelas pessoas que fazem da política, não a busca dos próprios interesses, mas um serviço aos outros, uma verdadeira “diaconia social e cristã”, sobretudo aos mais necessitados e abandonados da sociedade.

Por isso, “os fiéis leigos serão incentivados a promover grupos de “Fé e Política”, ou outra forma de organização que os ajude a assumir um papel ativo na conscientização e formação política” (Eleições 2002, Doc. 67 CNBB, n. 57).

Contudo, a Igreja não deve e não entende envolver-se com escolhas de opção política ou partidária, como também não expressa preferências por uma ou outra solução institucional ou constitucional, desde que seja respeitosa da autêntica democracia. Mas o cristão também, por sua própria consciência, iluminada pela fé, será levado a procurar na política a realização de valores tais como “os princípios da doutrina social da Igreja sobre a pessoa e o respeito da vida humana, sobre a família, a liberdade da escola, a solidariedade, a promoção da justiça e da paz” (João Paulo II, Discurso ao 3º Congresso Católico italiano, 23. 11. 95, n. 10).

Como é do conhecimento público, a Igreja Católica não indica a seus fiéis nomes de candidatos a cargos eletivos, para não dividir as comunidades em cujos membros há simpatizantes de todas as tendências e matizes políticos. Portanto, não cabe à hierarquia tomar posições partidárias, já que com elas antes dividirá a comunidade eclesial que promoverá sua coesão. Isto, porém, não quer significar que a hierarquia não possa ou não deva apoiar grupos e comunidades que buscam se encontrar para estudar os problemas políticos e mesmo “sabatinar” os candidatos (as). É dever da Igreja ainda, acompanhar os cristãos que militam nos partidos políticos, ministrando-lhes adequada formação para melhor exercerem sua tarefa específica.

Isto significa que a Igreja tem o dever de formar leigos (as) para a missão política, favorecendo-lhes a aquisição e habilitação para agir como cristãos no complexo campo da Política...

O que fazer então, quando pessoas ligadas à comunidade decidem se candidatar a cargos políticos eletivos? Como conciliar os dois encargos? Infelizmente muitos são ainda os preconceitos contra os cristãos leigos e leigas candidatos. Basta alguém da comunidade, isto é, um agente de pastoral ou um ministro extraordinário da comunhão se apresentar como candidato, para imediatamente ser discriminado, ou até olhado com despeito.

Fique bem claro para todos: “Um candidato (a) cristão (ã), comprometido com a política partidária, por força de sua fé, nunca deveria ser afastado da sua comunidade, nem esta deveria marginalizá-lo pelo fato de ser candidato (a)” (Doc. 40 da CNBB, n. 219).

Aos candidatos (as) católicos (as), porém, convém lembrar que, durante a campanha eleitoral, não estão autorizados a usarem pastorais, movimentos eclesiais ou a se apresentarem em nome da Igreja. O mesmo vale para os agentes de pastoral (cf. Puebla, 530).

É preciso mudar de mentalidade. Desde que a ação pastoral e o exercício de algum ministério na comunidade não sejam utilizados em benefício de partidos ou ideologias, jamais devemos deixar de apoiar e de confiar nas pessoas candidatas e engajadas na comunidade de fé. Juntos podemos construir uma sociedade justa, solidária e fraterna.

Enfim, “voto não tem preço..., tem conseqüências”, e sérias!

Dom Nelson Westrupp, scj

Presidente do Conselho Episcopal Regional Sul 1 – CNBB