ALGUMAS ORIENTAÇÕES 

PARA  AS  ELEIÇÕES

“O cristão não pode se omitir. Os pastores não podem se calar”

 

O que é política?

A POLÍTICA é a busca do BEM-COMUM. Este consiste no respeito pela pessoa, na exigência do bem-estar social e na existência de uma ordem justa, duradoura e segura (Cf. Catecismo da Igreja Católica número 1095 a 1012).

 

A missão política do cristão.

Ser bom cristão e bom cidadão são valores que se devem equivaler. “A fé cristã não despreza a atividade política; pelo contrário, a valoriza e tem em alta estima” (Cf. Puebla nº 544). O Concílio Vaticano II nos diz: “Pregando a verdade evangélica, e iluminando todos os setores da atividade humana pela doutrina, pelo testemunho dos cristãos, a Igreja respeita e promove também a liberdade política e a responsabilidade dos cidadãos” (Cf. GS 76).

A missão Política do Cristão passa pela missão de Jesus. A fé neste projeto é demonstrada na prática (Tg 2). Aí se explica o verdadeiro seguimento de Jesus Cristo, que se fez carne, gente como nós, não “se apegou a condição divina” e “armou sua barraca no meio de nós”. Jesus foi sinal de contradição (Lc, 2,34). Sua vida fez o julgamento da política, da economia, do direito, da religião. Como Jesus, é preciso tomar partido pelo povo. Tomando partido, também politicamente, pois, como nos dizia o Papa Paulo VI: “A Política é uma das mais altas expressões da caridade cristã”. Quem foge do povo, foge de Deus. Quem não se compromete socialmente, politicamente, está negando, em sua vida, o mistério da encarnação de Jesus.

Devemos, portanto ter consciência de que a vida política é importante para a construção de uma sociedade humana, justa e para a busca do bem-comum.

A política municipal é muito importante.

As ações dos candidatos municipais que vamos escolher neste ano, vão depois refletir também nas eleições de nível estadual e federal, uma vez que influenciarão na eleição de todos esses encargos maiores.

A responsabilidade não termina na urna.

Não basta escolher candidatos que tenham princípios éticos, morais, com certo nível de formação, e que comprovem interesse pelo seu Município. É preciso também acompanhar o que faz o seu candidato eleito, ver que interesse ele defende, dar-lhe sugestões ou até fiscalizar suas ações.

 

Quê constatamos?

Há políticos, bons políticos, que apóiam bons projetos de outros políticos, mesmo que provenham de outros partidos diferentes. O que têm em mira é o bem comum. Sabem elogiar e reconhecer o que os outros fazem em favor do povo. No entanto, há aqueles que só criticam. São como velhas raposas, usando o método reprovável de conquistar eleitores com apelos demagógicos, com práticas clientelistas, fazendo promessas impossíveis de cumprir, e o que é pior, abusando do poder econômico.

Importância do voto

Votar corretamente é um dever cívico, um dever religioso. É um exercício de liberdade e responsabilidade.

O voto deve ser dado de forma consciente, e consciência não se compra, não se vende. O voto é uma espécie de procuração: damos ao eleito poderes para agir em nosso nome. Por isso é preciso saber escolher. É vergonhoso votar em um amigo incompetente; em que compra voto.

Vamos escolher: Prefeito e Vereador

Função do Prefeito:

a) Executar e dar cumprimento às leis que são aprovadas pela Câmara dos Vereadores;
b) Administrar bem a Prefeitura de modo que ela preste os serviços básicos às necessidades do povo;

c) Apresentar projetos de leis à Câmara Municipal que vão atender às reais necessidades do povo;

d) Vetar projetos de leis que manifestamente sejam prejudiciais à comunidade e sancionar os projetos que beneficiem o povo.

Função dos Vereadores

Eles são representantes do povo. Sua tarefa é de lutar pelos interesses e necessidades de TODOS e especialmente os mais pobres. Devem:

a) Legislar - fazer leis que beneficiem o povo;

b) Fiscalizar - acompanhar as ações do Executivo (Prefeito e Secretariais), exigindo o cumprimento da Lei para que os recursos públicos sejam aplicados corretamente;
c) Julgar - verificar anualmente se o orçamento aprovado foi aplicado corretamente pelo Executivo;

d) Denunciar - apresentar as irregularidades do executivo ao Ministério Público e ao povo, denunciando desvios administrativos;

e) Organizar - Levar ao conhecimento do povo informações a respeito de seus direitos e deveres de cidadão, organizando e transformando a sociedade.

Portanto, muito importante é a sua tarefa em favor do bem-comum e não apenas, por ser contrário ao Prefeito, impedir que ele promova o bem da Comunidade. Um vereador que é contra tudo só porque é de partido contrário, jamais deveria ocupar tal cargo. Não entendeu o seu papel como vereador, como representante do povo.

Que política defendemos e propomos?

Uma Política justa, voltada unicamente para o bem-comum, de forma criativa e participativa, que combata vícios, abusos e erros e que evite exclusões. Uma Política, que com objetivos claros, gerencie e administre os bens públicos, com transparência e honestidade, que trabalhe em favor de todos, e combata os privilégios. UMA POLÍTICA ABERTA ÀS NECESSIDADES E REIVINDICAÇÕES DA COMUNIDADE, que lute pela vida, contra as desigualdades sociais e violências. Uma Política humana que promova a dignidade do ser humano. Uma Política de participação, pois, este é o sentido da democracia. Queremos sim, uma Política que tenha como ponto de partida os direitos humanos e os deveres sociais.

Que candidato queremos ter?

Candidato comprometido com a comunidade e que respeite o povo por ele representado; que não vise seus interesses próprios, mas sim, as causas comunitárias; que não manipule, nem instrumentalize os menos favorecidos, e que tenha transparência em seu plano de governo. Queremos um candidato que ao elaborar leis ou assinar decretos não fira a dignidade do outro. Um candidato que lute pelos interesses da comunidade e que não faça do cargo público um cabide de empregos ou fonte de renda.

Que tipo de eleitores queremos ser?

Um eleitor que tenha consciência do valor de seu voto. Que vote pela comunidade e não por interesse ou privilégios individuais ou familiares. UM ELEITOR QUE NÃO VENDA O SEU VOTO. Quem vende seu voto por favores, vende sua dignidade humana. O cristão não deve votar em candidato que quer comprar seu voto. Consciência não se vende. Queremos ser um eleitor que tenha consciência de seu poder de interferência e decisão na vida da comunidade, que saiba valorizar o seu voto, analisando, refletindo sobre o passado e o presente do candidato tendo em vista um futuro melhor.

Queremos um eleitor que saiba fazer sua história, ocupa seu espaço e luta pelo espaço dos outros; um eleitor que não se deixe corromper pelo dinheiro e que não busque favores pessoais, tendo clareza do que seja o bem comum.

Queremos um eleitor que saiba escolher candidatos que realmente trabalham pelo bem comum e que tenham coerência no discurso e na vivência do dia-a-dia. Queremos se um eleitor que não anule seu voto e que saiba resistir a conversa de candidatos corruptos, desonestos e que só pensam no encargo público como forma de ganhar dinheiro. Queremos ser um eleitor que procura conhecer seu candidato, sua competência e suas propostas sinceras e criteriosas

Dom Eurico dos Santos Veloso

Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora, MG