O VOTO MINI-MINI-M

Brincadeiras de criança, do tipo “mini-mini-mó”, “mal-me-quer-bem-me-quer”, “minha-mãe-mandou-bater-nessa-daqui” são o que são: brincadeiras infantis que tornam a tarefa de escolher  ou de se relacionar, algo meio mágico. Despertam interesse e ensinam a criança que não se pode ter tudo o que se quer. Há que haver escolhas.

Quando, porém, o indivíduo cresce e, na hora de casar, de escolher uma vocação, uma profissão, fazer amigos ou escolher seus políticos para renovar o poder ele continua no “mini-mini-mó”  ou parte para o “meu chefe, meu padre, meu pastor, meu partido mandou votar neste daqui” “meu mentor mandou casar com esta aqui”  estamos no processo de infantilização da pessoa.

Indicar a pessoa com quem a filha deve casar, indicar o candidato em quem o eleitor deve votar é algo bem diferente do que apresentar uma pessoa e deixar que o outro escolha. Não é porque alguém é filiado a PSDB ou PT, ou porque é católico ou evangélico  que terá que votar no candidato proposto pelas lideranças. Se discordar, escolha outro. Candidatos não podem ser impostos, pela mesma razão pela qual esposo ou esposa não podem ser impostos. Foi-se o tempo da união matrimonial das grandes fortunas em que a moça casava com o moço bom partido, indicados, os dois, pelo reino, pelos terratenientes ou pela religião. Para o bem e, às vezes, para o mal, as pessoas hoje são livres para casar, para escolher sua religião e para votar.   

Quando, pois, o cidadão vai à urna e brinca de “meu guru mandou votar neste daqui” escolhendo um cidadão que ele nunca viu, de quem nunca ouviu falar antes da campanha, que nunca foi ao seu bairro ou à sua cidade, e que concorreu porque foi indicado por alguém famoso ou poderoso, ou ainda, porque sua igreja mandou votar nele para ter acesso ao poder, se vota de cabresto, está se infantilizando. 

Uma coisa é votar porque entende, conhece o suficiente e sabe e outra, porque mandaram. Uma coisa é “ter que votar” em alguém e outra “escolher com liberdade”. O voto, pela Constituição, é livre. Também é livre pela Igreja. Ela só aconselha que se vote com determinados critérios, porque não é possível “pendurar a religião no cabide na hora de entrar na cabine!” Vota-se como cidadão e como crente em Deus. Todo mundo faz isso. Além da fé, porém, há outro critério que decorre da própria fé: o candidato tem que ser honesto, não violento, não corrupto, não fanático, democrático, com uma história de altruísmo e de luta em favor de todos e não só de seu grupo religioso.  

Voto mini-mini-mó é voto infantilizado!

padre José fernandes de Oliveira, scj