Apatia na infância e adolescência

Nos primeiros estágios de vida a criança está em franca atividade na descoberta do mundo que a cerca. Sua energia é inesgotável e no processo de educação, é de extrema importância que os pais saibam lidar com a liberdade de seus filhos.

Na difícil tarefa de educar os filhos, os pais encontram-se em um dilema diante da liberdade que devem dar aos mesmos.

Tudo isto é muito natural, pois ainda estamos passando por um período de transição, dos padrões educativos e, os extremos aparecem, restrições excessivas ou liberdades desmedidas.

Ensinar boas maneiras, não significa andar para trás no processo educacional. No aprendizado dos bons modos, a criança necessita sentir que seu pai, mesmo amáveis, tem seus direitos, sabem ser enérgicos e não permitirão grosserias.

A segurança é importante para o desenvolvimento normal de todos os níveis da personalidade, e para consegui-la, é necessário que realizem suas próprias experiências,  e através delas possa conseguir algum resultado com satisfação.

A criança não é um ser tão frágil e vulnerável, sujeita a todos os perigos que existem no mundo, sem condições internas de se defender; ela sabe expressar perfeitamente suas necessidades. Se os adultos a deixassem mais a vontade, eles próprios perceberiam que a criança sabe manifestar-se não só com palavras mas também com gestos, olhares e muitos outros meios.

Por outro lado há o inverso, onde agressividade para com os filhos é exagerada.

O comportamento autoritário e repreensivo de muitos pais normalmente indica causas mais profundas. Os que cercam constantemente a liberdade e os direitos de seus filhos demonstram ser pessoas que lidam muito pouco ou dão pouco valor à sua liberdade como pessoa. Muitas vezes sentem dificuldade de assumir suas próprias escolhas na vida.

Ao nascer a criança é totalmente dependente dos pais ou do adulto que a cuide, mas aos poucos a natureza é tão sábia que as crianças vão adquirindo autonomia e independência. Muitos adultos não sabem lidar com esses fatores e como  defesa, continuam se mostrando austeros e controladores com o jovem. Essa conduta costuma trazer muitos problemas no relacionamento, ou ainda prejudicar o desenvolvimento da criança, quando ela opta por não questionar mais a vida e aí é quando se torna apática e tudo que acontece ao seu redor “tanto faz”, acaba se fechando em seu próprio mundo e não se interessando por mais nada.

A liberdade de expressão é uma coisa muito importante nos relacionamentos e precisa ser preservada tanto no modelo escolar como no modelo familiar. As diferenças de opiniões e formas de encarar a vida são necessárias para a transmutação de todos os seres humanos. O que para uns é ruim, pode ser muito bom para outros. E essas diferenças só trás benefícios a todos, em termos de ampliar seu modo de vida. O que precisamos deixar claro na educação das crianças, é que devemos respeitar os limites nossos e dos outros.

Eliane Pisani Leite - Psicologia – Psicopedagogia - Assessoria Escolar