DEPRESSÃO INFANTIL

 

Pode parecer estranho imaginar que um bebê possa sofrer de depressão, porém isso acontece e na maioria dos casos passa desapercebido pelos adultos que o cercam.

Muitas vezes acontece o fato de encontrarmos um bebê que chora muito, ou o oposto um bebê apático, que não responde aos estímulos do meio. Esses casos tornam-se um desafio para os pediatras resolverem. Descartadas todas as hipóteses de males físicos, só resta ao profissional o auxílio de um colega especializado em Terapia Familiar. Quando o terapeuta inicia seu trabalho, começam a surgir todos os entraves existentes dentro daquele contexto familiar, como por ex: uma mãe depressiva, que não consegue estabelecer um vínculo afetivo desejado com o filho, e este acaba por sofrer as conseqüências desse período conturbado da relação mãe-filho.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) realizou um estudo onde demonstra que 20% das crianças e adolescentes apresentam sintomas da doença, como irritabilidade ou apatia e desânimo. Dentro da realidade brasileira, esse número cai para 10% segundo o psiquiatra gaúcho Salvador Célia, presidente do Departamento de Saúde Mental da Sociedade Brasileira de pediatria, afirma porém, que se não houver intervenção médica, essas crianças são fortes candidatos a tornarem-se adultos depressivos pelo resto da vida.

A observação da interação mãe-filho tem demonstrado que quando a criança não tem oportunidade de estabelecer contatos físicos íntimos e agradáveis, apresenta reações negativas tais como a recusa em sugar, a perda de apetite, a regressão marcada por uma quietude depressiva, a falta de interesse por tudo ao seu redor, sono pesado, respiração irregular, rigidez muscular e problemas gastrintestinais, tais como vômitos e diarréias.

Em crianças maiores, estas podem manifestar tristeza, falta de prazer com as atividades e até sintomas físicos, como dor de cabeça ou de barriga. Algumas são vistas como desajeitadas, pela propensão a acidentes. A forma extrema de tais reações é um estado de letargia no qual os reflexos corporais se deterioram e a criança não demonstra interesse pelos estímulos ambientais.

A mãe torna-se uma fonte insubstituível de varias recompensas para a criança.

As carícias, o aconchego do colo, o toque são experiências muito importantes para o recém-nascido, pois lhe garante prazer e colaboram para que estabeleça um vínculo saudável com a mãe e conseqüentemente com o meio.

Nem todos os bebês que sofrem restrições com a pessoa cuidadora seja por desinteresse desta ou longos períodos de internação hospitalar estão fadados a tornarem-se depressivos.

O vínculo pode ser reconstruído, se forem tomadas medidas rápidas.

Por outro lado também existem os pequenos resistentes, aqueles bebês que conseguem tirar das experiências tristes a força para vencerem obstáculos.

São vários os recursos dos quais os familiares podem se utilizar para ajudar a restabelecer a saúde psíquica dos menores. São eles:

  • Terapia familiar ou terapia mãe-bebê: realizado com profissionais especializados em atendimento clínico familiar.

  • Ludoterapia: é uma modalidade da Psicologia que visa o atendimento terapêutico da criança, através de atividades com brinquedos, desenhos, pinturas, modelagens e jogos.

  • Massagens: a mais indicada é a Shantalla, trata-se de uma massagem indiana, na qual foram constatados os benefícios terapêuticos que o toque proporciona à criança. Esse método é facilmente encontrado em livros, que demonstra passo a passo da técnica, geralmente é utilizando óleos vegetais como os de amêndoas.

  • Florais: são utilizados para equilibrar as energias. Porém vale a pena ressaltar, que é sempre prudente seguir o tratamento com profissional especializado, pois existe todo um estudo e método para o acompanhamento do caso.

  • Boa leitura: Existe uma quantidade imensa de bons livros para uma maternagem eficaz e mais esclarecida.

  • Antidepressivos: Nos casos de depressão já consolidada, é imprescindível o acompanhamento médico psiquiátrico, como auxiliar ao tratamento terapêutico psicológico.

O importante é que os pais estejam atentos aos comportamentos das crianças, dessa forma podemos evitar maiores problemas, e proporcionar uma vida saudável aos menores.

 

Eliane Pisani Leite - Psicologia – Psicopedagogia - Assessoria Escolar