O  QUE  É  EDUCAR?

O papa João Paulo II disse que o ato de educar é o prolongamento do ato de gerar; isto é, fazem parte do mesmo ato.

Gerar segundo a carne significa dar início a uma posterior “geração“, gradual e complexa, através do inteiro processo educativo (CF, 16).

Educar os filhos é a grande missão que Deus confiou aos pais. É por causa da importância dessa tarefa, que Deus “encheu de honra” as pessoas dos pais

Ghandi dizia que a verdadeira educação consiste em pôr a descoberto o melhor de uma pessoa. Nisto é preciso a arte de educar, a mais difícil e mais bela de todas.

Certa vez Michelangelo viu um bloco de pedra e disse: “aí dentro há um anjo, vou coloca-lo para fora!“ Depois de algum tempo, com o seu gênio de escultor, fez o belo trabalho. Então lhe perguntaram como tinha conseguido aquela proeza. Ele respondeu: “o anjo já estava aí, apenas tirei os excessos que estavam sobrando“.

Educar é isto, é ir com paciência e perícia tirando os maus hábitos e descobrindo as virtudes, até que o “anjo“ apareça.

Michel Quoist dizia “que não é para si que os homens educam os seus filhos, mas para os outros e para Deus“.

Coelho Neto dizia que “educar é colaborar com Deus“, e que “é na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais“. Também ensinava que a educação não pode ser feita pelo medo, já que “a educação pelo medo deforma a alma“.

É preciso preparar os filhos para que entendam que a própria pessoa é a principal responsável por sua educação, e que, quem cultiva as suas qualidades sente a própria dignidade e valor da sua vida.

Sotelli afirmava que “educar é formar homens verdadeiramente livres“.

Para Rousseau, “educar é a arte de formar homens“.

Para Platão, “educar é dar à alma e ao corpo toda a perfeição de que são susceptíveis“.

De fato, educar é promover o crescimento e o amadurecimento da pessoa humana em todas as suas dimensões: material, intelectual, moral e religiosa. Por isso, educação não se aprende só na escola, mas principalmente em casa. Às vezes se ouve dizer: “ele é analfabeto, mas é muito educado”. Não adianta ser doutor e não saber tratar os outros; não cumprir com a palavra dada; não se comportar bem; trair a esposa e os filhos; não ser gentil; não ser afável, etc. Sem dúvida, a educação é a melhor herança que os pais devem deixar aos filhos; esta ninguém pode lhes roubar nem destruir.

A educação não é só para as crianças e jovens; é para todos; é uma tarefa que nunca termina na vida. Aliás, a vida é uma escola que nunca tem férias. Cada encontro novo, cada conversa boa, cada aula, cada fato novo, cada livro, acrescenta algo em nossa educação. Na vida, aprendemos com a experiência, nossa e dos outros. É muito mais sábio quem aprende com a experiência dos outros, sem ter que sofrer com os próprios erros.

Andrew Carnegie disse que “muitos são instruídos, mas poucos são educados. Um homem educado é aquele que aprendeu a usar a sua mente de forma a conseguir tudo o que deseja sem violar os direitos dos outros“.

O grande pensador grego Aristóteles, dois séculos antes de Cristo, já dizia que “a educação é um ornamento na prosperidade e um refúgio na adversidade“.

O homem moderno está, sem dúvida cheio de ciência e de sofisticada tecnologia, mas pobre de sabedoria; e sem esta o mundo não pode ser feliz; eis a razão pela qual temos tanta dor. Somente homens sábios poderão dar ao mundo o que ele precisa.

O grande filósofo grego Sócrates, mesmo sem conhecer o cristianismo, já dizia que “só é útil o conhecimento que nos faz melhores“.

A vida dos pais e dos educadores é como um semear entre lágrimas, paciência, compreensão, carinho, perseverança, fé, bondade, alegria em ver a semente da virtude ser colocada na terra boa dos corações dos filhos.

Nada se constrói neste mundo sem sacrifício e perseverança; muito menos um ser humano. Como ele é a obra mais bela de Deus neste mundo, conclui-se que a sua educação é a atividade mais importante deste planeta.

 Ao falar da educação, na Carta às famílias, o papa João Paulo II, assim se expressou: "Em que consiste a educação ? Para responder a esta questão, há que recordar duas verdades fundamentais: a primeira é que o homem é chamado a viver na verdade e no amor; a segunda é que cada homem realiza-se através do dom sincero de si. Isto vale tanto para quem educa como para quem é educado... O educador é uma pessoa que "gera" no sentido espiritual. Nesta perspectiva, a educação pode ser considerada um verdadeiro e próprio apostolado" (CF, 16).

Sobre esta missão dos pais, diz o papa: "Se os pais ao darem a vida, tomam parte na obra criadora de Deus, pela educação tornam-se participantes da sua pedagogia conjuntamente paterna e materna".

"Os pais são os primeiros e principais educadores dos filhos e têm também neste campo uma competência fundamental: são educadores porque são pais".

"... qualquer outro participante no processo educativo não pode operar senão em nome dos pais, com o seu consenso e, em certa medida, até mesmo por seu encargo".

Falando de educação, não podemos deixar de dizer claramente uma grande verdade: Não é possível educar sem Deus e sem a Religião. A educação depende das normas morais, e estas vêm da Religião. Na hierarquia dos valores da pessoa humana, acima de todos está a vida espiritual, eterna , transcendente. Sem isto, a educação fica mutilada.

Por que, o mundo de hoje se apresenta diante dos nossos olhos tão macabro? Por que tantos crimes? Por que tanta violência? Por que tanto estupro, que não se ouvia falar antes? Por que tanta droga? Por que tanto alcoolismo? Por que tanto assalto, homicídio, seqüestro, corrupção, fraudes, suicídios, "trombadinhas"?

A resposta é fácil: porque a educação moderna, atéia, materialista, consumista, hedonista, tirou Deus do coração das crianças, dos jovens e dos adultos. O Criador foi expulso da terra!

Eis, meus amigos, a dura realidade.

Enquanto este triste quadro não for revertido, enquanto Deus, o único e verdadeiro, não voltar ao coração das famílias e das escolas, como antes, não será possível acabar com todas essas mazelas que atormentam a nossa vida hoje. Sem isto não será suficiente encher as ruas de policiais e os códigos de leis. Enquanto o coração do homem não for transformado por Deus, nada mudará na sociedade.

Lamentavelmente, a educação de hoje deixou de lado os valores espirituais e adotou um sistema que apenas valoriza as capacidades pragmáticas, em vista da produção e do consumo imediatos.

Esta filosofia educacional passa por cima dos valores morais, eternos, que dão harmonia e equilíbrio ao homem. Desta forma o educando passa a ser apenas uma peça na gigantesca máquina de produção. Precisamos de uma nova educação, que dê privilégio ao homem e não à produção, ao consumo e ao prazer. E esta é uma guerra que passa por dentro de cada família. É aí, sobretudo, que está lançada a sorte da sociedade.

Pelo que foi dito acima, torna-se super importante a missão educadora e evangelizadora dos pais cristãos hoje. São Tomás de Aquino disse que ´a missão dos pais é uma tarefa até certo ponto paralela ao sacerdócio dos padres´ (Contra Gent. 4, 58).

A EDUCAÇÃO DOS FILHOS

O capítulo 30 do Livro do Eclesiástico nos ensina profundamente sobre essa enorme responsabilidade de educar os filhos, sem o que eles não chegarão à maturidade humana. Começa dizendo: "Aquele que ama o seu filho, castiga-o com freqüência, para que se alegre com isso mais tarde..." (Eclo 30,1)

Podemos traduzir o "castiga-o" por "educa-o", uma vez que o castigo só tem sentido se for para educar. Por causa do pecado original, todos nós temos uma natureza lesada, decaída, inclinada ao mal (concupiscência). A educação visa sobretudo recolocar o homem no caminho do bem e da virtude, do qual ele sempre tende a se desviar. É aos pais que cabe sobretudo dar início a esta tarefa na vida dos filhos. A Igreja nos ensina:

"Pela graça do Sacramento do matrimônio os pais receberam a responsabilidade e o privilégio de evangelizar os seus filhos. Por isso os iniciarão desde a tenra idade nos mistérios da fé, da qual são para os filhos os ´primeiros arautos" (LG,11). Associá-los-ão desde a primeira infância à vida da Igreja. (CIC, 2225)

O Código de direito canônico da Igreja afirma que os pais participam do múnus [missão] de santificação "quando levam uma vida conjugal com espírito cristão e velando pela educação cristã dos filhos" (Cân. 835, § 4).

A tarefa de educar, como dizia D. Bosco, "é obra do coração", é obra do amor. Exige dedicação, renúncia, sacrifício, esquecer-se de si mesmo.

A Gaudium et Spes, do Vaticano II, ensina que: "Os filhos são o dom mais excelente do matrimônio e constituem um benefício máximo para os próprios pais" (GS 48, § 1)

O Catecismo da Igreja afirma que: "Os pais são os principais e primeiros educadores de seus filhos" (CIC, 1653; GE,3)

É por tudo isso que o papa João Paulo II afirmou que a tarefa fundamental do Matrimônio e da família é "estar a serviço da vida", e daí ser chamada de "santuário da vida" (FC, 28).

A Igreja não se cansa de repetir que a família deve ser a "igreja doméstica", pois é no seio da família que "os pais são para os filhos, pela palavra e pelo exemplo... os primeiros mestres da fé" (LG 11; FC 21).

É no seio da família que o filho deve ser educado na fé e nos bons costumes. Diz o Catecismo: "Em nossos dias num mundo que se tornou estranho e até hostil à fé, as famílias cristãs são de importância primordial, como lares de fé viva e irradiante" (CIC, 1656)

A Igreja é a "família de Deus" (Ef 2,19), e desde a sua origem ela teve o seu núcleo nas famílias que se tornavam cristãs. Quando se convertiam, os cristãos desejavam que ´toda a sua casa´ fosse salva.

O anjo enviado ao centurião Cornélio, ao mandar chamar Pedro à sua casa, disse-lhe: "Ele te dirá as palavras pelas quais será salvo tu e toda a tua casa" (At 11,14)

"Senhores, que devo fazer para me salvar? Disseram-lhe (Paulo e Silas): Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e tua família" (At. 14,31)

O conhecido jornalista da Folha de são Paulo, Gilberto Dimenstein, quando residia nos Estados Unidos, escreveu em 21/09/97, um interessante artigo intitulado Solução caseira é melhor remédio contra o vício, sobre a terrível questão das drogas. Diz ele: "Para dar apenas um número da gravidade do problema: aqui (EUA) todos os anos 110 mil jovens experimentam heroína. Já são 600 mil viciados em heroína ..."

O jornalista afirma que as universidades americanas receberam dinheiro do governo federal para entrevistar 110 mil jovens e 18 mil pais. E conclui: "Das entrevistas sai, porém, a indicação de que o melhor remédio contra o vício está em casa. Os pesquisadores encontraram uma íntima relação entre o contato afetivo dos filhos com os pais e os distúrbios. Quanto maior a ligação emocional na família, menor a chance de envolvimento com drogas, bebidas, suicídio, sexo promíscuo e violência".

Em seguida o jornalista afirma que as gangues procuram de certa forma oferecer aos jovens a família que não tiveram: "O charme das gangues é justamente oferecer um ambiente de aceitação e até hierarquia. Ou seja, uma família".

Também a escola aparece com papel fundamental: "A investigação mostra que o envolvimento emocional com os professores também é um antídoto contra a delinqüência".

Em 21/06/98, o mesmo jornalista, no artigo Você sabe a data do seu nascimento?, sobre os meninos de rua, afirma: "A culpa por estarem na rua é da pobreza, certo? Errado. A investigação ajuda a desfazer o mito de que só a pobreza gera crianças de rua" e de que pobreza gera violência.

É, na verdade, um preconceito. Apenas uma minoria saiu de casa para ganhar dinheiro, algo que tinha percebido (mas não colocado em números), desde o início de minhas pesquisas em 1989.

Quando indagada sobre porque saiu de casa, a imensa maioria se refere aos desentendimentos familiares, muitas vezes abusos dos padrastos. Foram para a rua porque não suportavam o inferno doméstico, marcado pelo abuso sexual, alcoolismo, drogas e pancadarias... Ou seja, a motivação econômica estava bastante distante.´

"Há toneladas de estudos mostrando que o inferno familiar ajuda a jogar os jovens em comportamentos autodestrutivos, o que significa drogas, tentativa de suicídio, violência" (Folha de São Paulo, Cotidiano, 3-7, 21/06/98)

Se o jovem não tem um lar acolhedor, então, acaba indo buscar na rua o carinho e o amor que não encontrou na própria casa.

É necessário descer até as raízes do problema, que são os pais e a moral familiar destruída: divórcio, amor livre, uniões ilícitas, alcoolismo, drogas, etc. O Catecismo afirma que: "O lar é assim a primeira escola de vida cristã e uma escola de enriquecimento humano (GS. 52 § 1). É daí que se aprende a fadiga e a alegria do trabalho, o amor fraterno, o perdão generoso e mesmo reiterado, e sobretudo o culto divino pela oração e oferenda de sua vida" (CIC, 1657)

"A catequese familiar precede, acompanha e enriquece as outras formas de ensinamento da fé" (CIC, 2226)

Fica claro, portanto, que a educação dos filhos, é obra da família, e por isso, sem uma família sólida na fé, a educação dos filhos poderá ficar comprometida. Portanto, a primeira preocupação dos pais deve ser criar um lar cristão, onde não haja lugar para valores não cristãos. O Catecismo diz que: "Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos. Dão testemunho desta responsabilidade em primeiro lugar pela criação de um lar onde a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado são a regra. O lar é um lugar apropriado para a educação nas virtudes. Esta requer a aprendizagem da abnegação, de um reto juízo, do domínio de si, condições de toda liberdade verdadeira. Os pais ensinarão os filhos a subordinar as dimensões físicas e instintivas às dimensões interiores e espirituais" (CIC, 2223, CA, 36)

Com essas palavras a Igreja mostra qual deve ser o ´conteúdo´ da educação cristã: ternura, perdão, respeito, fidelidade, serviço, abnegação, reto juízo, domínio de si, fé. É evidente que para transmitir esses valores aos filhos, os pais precisam antes vivê-los. Acima de tudo é pelo bom exemplo dos pais que os filhos serão formados.

"Dar bom exemplo aos filhos é uma grave responsabilidade para os pais", diz o Catecismo (CIC, 2223).

Quando errar perante os filhos, os pais devem ter a coragem de pedir-lhes perdão, sem medo de que esta atitude coerente possa diminuir-lhes a autoridade. Nós pais temos que ser coerentes diante dos filhos, não se apresentando perante eles como "super-homens" que não erram. Os pais também erram, e muito; portanto, só lhes resta a alternativa coerente de saber pedir perdão aos filhos, quando falharem com eles. Além do mais, esta atitude corajosa dos pais será para os filhos uma grande lição de humildade. Longe de roubar a autoridade dos pais, essa atitude os fará mais admirados e amados pelos filhos, em vista da sua honestidade diante deles.

O Catecismo, sobre isto, diz: "Sabendo reconhecer diante dos filhos os próprios defeitos, ser-lhe-á mais fácil guiá-los e corrigi-los´ (CIC, 2223).

Quando um homem erra, qualquer que seja a situação, só lhe resta uma alternativa ética: pedir perdão e reparar os danos causados pelo seu erro. Outra atitude seria orgulho e fingimento. Errar é humano, também para os pais.

Certa vez tive uma ingrata discussão com um dos nossos filhos, quando ele estava no último ano da Faculdade de engenharia. Isto foi, infelizmente, na hora do almoço. Eu estava irritado e sem paciência, e o tratei com dureza nas palavras. Ele ficou tão ofendido que deixou o prato e saiu da mesa. Naquela hora meu coração ficou apertado... No mesmo instante me dei conta do erro que tinha cometido, e prometi a mim e a Deus: ´vou pedir-0lhe perdão!´ À noite, quando ele regressou da Faculdade, o encontrei na cozinha fazendo o seu lanche. Fechei a porta, aproximei-me dele, passei meus braços sobre os seus ombros e lhe disse: ´Filho, me perdoe, não é assim que devemos resolver os nossos problemas...´ A sua resposta foi um abraço amigo, com apenas duas palavras e duas lágrimas: "obrigado pai".

Naquele abraço dissiparam-se as trevas e voltou a paz em nossos corações, e hoje somos grandes amigos.

Não se pode adiar o pedido de perdão. É um ato de coragem e de coerência, que deve ser realizado no menor prazo possível, a fim de que o ressentimento da discórdia não tenha tempo de formar raízes em nós e nos filhos.

O Eclesiástico continua a nos ensinar: "Aquele que dá ensinamento a seu filho será louvado por causa dele".

"O pai morre, e é como se não morresse, pois deixa depois de si um seu semelhante" (Eclo 30,2 - 4)

Cabe aos pais transmitir aos filhos os ensinamentos e conselhos "para que sejam salvos" (Eclo 3,2); contudo, os filhos só ouvirão os conselhos dos pais se tiverem estima e ´admiração´ por eles. Eis algo muito importante: o pai e a mãe têm que "conquistar" os filhos. Um filho que admira o pai, o segue e ouve os seus conselhos; caso contrário será difícil.

O papa João Paulo II ensinava que: "Educar é conquistar o coração, animá-lo com alegria e satisfação em busca do bem".

E como os pais devem conquistar os seus filhos?

Não deve ser com dinheiro, chantagens e outras artimanhas. Muitos pais erram grosseiramente nisto. Pensam que dando aos filhos tudo o que eles querem ´ roupas da moda, tênis de marca, programas mil, poderão conquistá-los. Não será assim; se o fosse, os pobres não teriam como educar os seus filhos.

O pai há de conquistar o filho ´por aquilo que ele é´, e não por aquilo que tem e que lhe dá; isto é, o pai conquistará o filho pelo respeito que lhe dedica, pelo tempo que gasta ao seu lado, pelo consolo que lhe oferece nas horas de dificuldade, pelos passeios que faz com eles, pela ajuda dedicada naquele problema da escola, por sua honestidade pessoal e profissional, pelo bom nome que cultivou, pela dedicação à família, pelo amor e fidelidade à esposa e aos filhos, etc... O mesmo vale para a mãe.

Como é bela aquela frase do Pequeno Príncipe que diz assim: "Foi o tempo que gastaste com tua rosa, que fez tua rosa tão importante".

Caro pai, cara mãe, é todo o tempo, dinheiro, dedicação, carinho, atenção... que você gastar com o seu filho, que vai fazê-lo tão importante para você, e que também vai fazê-lo importante para ele.

Como poderá um filho ouvir os conselhos de um pai que não conquistou o seu respeito e admiração?

Como poderá um filho acatar os ensinamentos de um pai que não o respeita, que trai a sua mãe, ou que não tem responsabilidade profissional?

Um dia vi um adesivo pregado em um automóvel, e que dizia: "Adote o teu filho antes que o traficante o faça!"

Eu preferiria escrever: "Conquiste o teu filho antes que o traficante o faça!"

Se hoje, nós pais, não conquistarmos os nossos filhos, se não nos tornarmos ´amigos´ deles, os perderemos. Só há um jeito hoje de acabar com o uso das drogas: amando e conquistando os filhos na família. Todo o combate ao narcotráfico será em vão enquanto houver jovens carentes do amor dos seus pais. Infelizmente a droga se alastra, mais por culpa da decadência moral e familiar do que pela força do narcotráfico. Se não houver filhos carentes, o traficante ficará só.

Eis aqui o cerne da questão da educação dos filhos hoje. Ou nós os cativamos pela amizade, pelo diálogo e pelo respeito, ou poderemos perdê-los para o mundo.

De muitas maneiras os pais perdem os seus filhos.

Um grave erro dos pais é não ter tempo para eles. Trabalham, trabalham e trabalham... e o tempo escasso que sobra não podem estar com os filhos porque precisam descansar, e fazer outras coisas. Ora, educar os filhos é uma tarefa que exige ´estar com os filhos´. É acompanhando-os no dia-a-dia que temos a oportunidade de corrigi-los. Além do mais, os pais precisam participar da vida dos filhos, para que eles se sintam valorizados e amados. A principal carência dos nossos jovens hoje é a falta de amor dos pais, que se manifesta na ausência e na omissão destes.

Os filhos crescem rápido; não mais do que 18 anos e eles já estão se separando de nós para viver a própria vida. O que não foi feito na hora certa, não poderá ser feito depois.

Outro erro grosseiro de alguns pais é corrigir os filhos de maneira grosseira e na hora inoportuna.

Há dois mil anos, mesmo sem os conhecimentos de psicologia que temos hoje, São Paulo já dizia aos pais: "E vós, pais, não deis a vossos filhos motivo de revolta contra vós, mas criai-vos na disciplina e na correção do Senhor" (Ef. 6,4).

"Pais, deixai de irritar vossos filhos, para que não se tornem desanimados" (Cl. 3,21)

Esses dois conselhos de São Paulo são de grande importância na educação dos filhos.

Uma coisa é corrigir o filho, outra coisa é irritá-los ou exasperá-los, fazendo-os odiar os pais.

O livro dos Provérbios diz: "Quem poupa a vara, odeia o seu filho, quem o ama, castiga-o na hora precisa" (Pr. 13,24)

"Corrige o teu filho enquanto há esperança, mas não te enfureças até fazê-lo perecer" (Pr. 19,11).

Há pais que subestimam os filhos, os tratam com desdém, desprezo. Há pais que ao corrigir os filhos, o fazem com grosseria, palavras ofensivas e marcantes. O pior de tudo é quando chamam a atenção dos filhos na presença de outras pessoas, irmãos ou amigos. Isto humilha o filho e o faz odiar o pai ou a mãe.

Ao corrigir o filho, deve-se chamá-lo a sós, fechar a porta do quarto e conversar com firmeza, mas com polidez, sem gritos, ofensas e ameaças, e de forma alguma deve-se bater no filho, pois este não é o caminho do amor.

Pode ser bom dar-lhe um castigo adequado, segundo a idade do filho: um tempo no quarto sem poder brincar, por exemplo, para que ele dê valor à liberdade, e não a use mal outra vez. Pode-se cortar o dinheiro, o passeio, etc., mas, tudo com equilíbrio e bom senso.

Sobretudo é importante dizer, que os pais não podem descarregar sobre os seus filhos os próprios nervosismos e preocupações. Muitas vezes isto acontece, e é um desastre na educação. Uma regra há de ser sempre seguida: Nunca corrigir o filho quando se estiver nervoso; certamente se fará algo errado. Um coração agitado e uma mente aflita não têm a mínima condição para corrigir com equilíbrio.

Posso dizer com certeza que todas as vezes que falei e agi com a alma perturbada, acabei fazendo algo errado, do qual me arrependi depois, muitas vezes envergonhado de mim mesmo.

Até mesmo os animais são melhor adestrados com mansidão, quanto mais os nossos filhos!

Nós pais temos que habituar a olhar os filhos como ´pérolas´ preciosas, confiadas a nós por Deus, e dos quais Ele vai nos pedir contas.

Certa vez um cientista russo que esteve participando conosco em um projeto de pesquisa, disse-me que na Rússia há um provérbio que diz: "Your children are your richness" (Os teus filhos são a tua riqueza).

Não podemos, de forma alguma, perder para o mundo a luta pela "conquista" dos nossos filhos. E, se por acaso ele se afastar de nós e cair no vício da droga, na violência e outras mazelas, cabe a nós pais resgatá-los com toda a nossa dedicação. A razão é esta: é meu filho! É minha filha! Isto basta. Devemos ir até o inferno, se for preciso, para de lá tirar o nosso filho. Duas coisas serão necessárias: amor ao filho e fé em Deus.

O exemplo de santa Mônica, mãe de santo Agostinho é exemplar. O próprio Agostinho conta nas suas Confissões, que as lágrimas de sua mãe eram como que o sangue do seu coração transformado em lágrimas nos seus olhos ...

Quando ela foi, sob lágrimas, confidenciar ao bispo de Milão, a sua tristeza pela demora da conversão do seu filho, ouviu do bispo esta resposta: "Filha, não é possível que Deus não converta o filho de tantas lágrimas!"

Santo Agostinho conta-nos que três vezes por dia a sua mãe entrava na igreja para rezar pela conversão dele. Será que já fizemos isto pela conversão do nosso filho?

Não há problema insolúvel quando é apresentado diante de Jesus no Sacrário, com freqüência e com fé. O próprio Agostinho experimentou o efeito da graça e dizia : "O que é impossível à natureza é possível à graça de Deus".

Portanto, pais e mães que tenham os seus filhos mergulhados nas drogas ou em outras situações graves, não podem desanimar e nem desesperar. Desespero e desânimo são duas palavras que devem ser riscadas do vocabulário cristão: já que ´para Deus nada é impossível´. Com Jesus e Maria tudo pode ser mudado. É preciso perseverar na oração humilde diante de Deus.

Santa Mônica, porque rezou 20 anos pela conversão do seu Agostinho, sem se desesperar e sem desanimar, viu acontecer muito mais do que pediu a Deus. Ela lhe pedia apenas a conversão do filho; e, no entanto, Deus não só lhe deu a graça da conversão, mas fez dele um sacerdote, bispo, santo, teólogo e doutor da Igreja. Um dos maiores homens da fé, que defendeu a Igreja contra as perigosas heresias do seu tempo: maniqueísmo, arianismo, pelagianismo, donatismo e outras. Tudo porque a sua mãe rezou por ele, sem cessar.

É este o caminho para que toda mãe salve o seu filho. Será que como ela, estamos decididos a entrar numa igreja, três vezes por dia, pára, diante do Senhor sacramentado, implorar a graça da conversão do nosso filho, esposo, esposa? ... Mônica deixou sua pátria na África e seguiu o seu Agostinho na Itália até vê-lo convertido ao catolicismo.

Outro ensinamento que o Eclesiástico dá aos pais é este: "Aquele que estraga seus filhos com mimos terá que lhes curar as feridas" (Eclo 30,7)

Mimar o filho é dar a ele tudo o que ele quer, é não saber por limites às suas exigências; é fazer por ele aquilo que ele deveria fazer por si mesmo. A palavra de Deus é forte: tal prática ´estraga´ o filho, e mais tarde teremos que lhes curar as feridas. A razão disso é que o filho mimado na infância e na adolescência, cresce pensando que o mundo lhe pertence e que todos devem fazer a sua vontade. Quando cresce e percebe que a realidade da vida é outra bem diferente, então se revolta contra os pais, contra as autoridades, contra Deus, que acha injusto contra ele.

O filho mimado e super protegido pelos pais, não aprende o valor do trabalho, do estudo, da solidariedade com os que sofrem, e cultiva o amor próprio, o egoísmo e o egocentrismo; o mundo gira em torno dele. Sobretudo cultiva a auto-piedade e a mania de perseguição.

Não faça por seu filho o que ele pode fazer por si mesmo; deixe-o andar com as próprias pernas, ainda que ele tenha que levar vários tombos até aprender.

Certa vez um garotinho de dois anos de idade, que estava brincando, caiu, mas sem se ferir com gravidade. Caído ali no chão, começou a chorar. Como ninguém deu atenção a ele, já que nada de grave lhe tinha acontecido, começou a gritar: ´ai que dó de mim! ai que dó de mim!´. É a imagem autêntica da auto-piedade. Se a criança crescer cultivando este sentimento, amanhã teremos aquele adulto cheio de ressentimento, murmuração, tristeza, melindres e mau-humor. Torna-se o tipo da pessoa chata, que os outros evitam, e que terá dificuldade para fazer amigos.

Esta e outras tristezas acompanham o filho mimado.

O Eclesiástico também diz: "Um cavalo indômito torna-se intratável, a criança entregue a si mesma torna-se temerária´ (Eclo 30,8)

Já dissemos que o pecado original deixou em todos nós a tendência ao mal. Podemos comparar isto a um terreno abandonado. Por si só não produzirá frutos e verduras; ao contrário, nele crescerá muito mato, espinhos, e se tornará talvez um depósito de lixo e ninho de ratos, cobras, lagartos e escorpiões venenosos. Assim também uma criança que não receber a educação persistente dos pais, torna-se, como diz a Bíblia, como ´um cavalo indomável".

Também a natureza humana precisa ser ´domada´, para produzir belas virtudes, assim como um campo cultivado produz belas frutas, verduras e flores.

"Adula o teu filho e ele te causará medo, brinca com ele e ele te causará desgosto" (Eclo 30,9)

Adular é bajular, agradar e elogiar em excesso, colocar o filho numa posição de destaque exagerado, como se fosse o melhor do mundo, sem perceber que ele também precisa da correção.

Como a criança aprende mais por imitação do que por reflexão, o filho que é bajulado aprende a bajular, o que é péssimo para o seu futuro. Aquele que sabe adular, sabe também caluniar. Einstein dizia: ´enquanto não os atrapalho os homens me elogiam´. Coelho Neto afirmava que ´quem sobe por bajulação sempre deixa um rastro de humilhação´. Muitos, infelizmente, aceitam até rastejar para conseguir os seus interesses escusos; não devem reclamar se por acaso forem pisados por alguém. É próprio do escravo ter um preço; e qualquer um que aceite subir pela bajulação, fixará, com a sua conduta, o seu próprio preço e a sua escravidão. Não se pode cultivar isto nos filhos.

´Brincar´ com o filho é não levá-lo a sério, achar graça até nas coisas erradas que ele faz, etc.

Há pais que parecem cegos diante dos problemas dos próprios filhos. As vezes a criança está sendo inconveniente, incomodando todo mundo com os seus maus hábitos, de gritar, chutar, correr onde não pode, etc, e mesmo assim o pai e a mãe não tomam a mínima providência; ou, quando o fazem, não usam de autoridade, e, por isso, não têm sucesso. Quantas vezes a criança irrita a todos, mas para os pais parece que tudo está bem; parecem cegos.

Se de um lado, é preciso ter certa tolerância com o comportamento da criança, por outro lado, não se pode permitir que ela ultrapasse os limites da própria idade. Há pais que são muito "moles" com os filhos, isto não é amor, é fraqueza que gera maus hábitos na criança.

Há também aqueles pais que têm o péssimo hábito de exibir os filhos, como se fossem as melhores crianças do mundo. Isto acontece no lar, na rua, na casa dos outros principalmente, e até na igreja durante a celebração da missa. Tem mãe que parece levar a criança na igreja mais para exibi-la do que para ensiná-la a rezar, ou porque não tem com quem a deixar em casa. Ora, deixemos de ser orgulhosos e exibicionistas. Aquela criança passeando no meio da igreja está tirando a atenção de quem está participando da missa, a maior celebração da nossa fé. Além do mais atrapalha o celebrante, especialmente durante a homilia.

É preciso se conscientizar que os nossos filhos não são objetos de decoração, exibição e nem vitrines do nosso eu que deseja aparecer através deles.

Os pais devem cultivar nos filhos as atitudes de sobriedade, discrição, respeito, acolhimento, etc. e não, como tanto se vê, atitudes de exibicionismo. Isto não faz bem à criança.

André Berge, educador francês, costumava dizer que "os defeitos dos pais são os pais dos defeitos dos filhos"; portanto, é preciso tomar muito cuidado para que os nossos erros não sejam transmitidos para os filhos. Sabemos que "filho de peixe é peixinho"; isto é, a criança tende a ser a cópia dos pais, naquilo que eles têm de bom e de mau.

"Não lhe dês toda a liberdade na juventude, não feches os olhos às suas extravagâncias" (Eclo 30, 11).

Na arte de educar os filhos, a corda mais sensível é a da liberdade. De um lado, não se pode dar "toda" a liberdade que eles querem, mas, por outro lado não se pode suprimi-la de vez. Alguns pais erram, exagerando num extremo ou no outro. Diria que educar é ensinar o filho a usar a liberdade com responsabilidade. O pecado, o mau comportamento, consiste exatamente no "abuso da liberdade", no seu uso sem responsabilidade e sem o compromisso com a verdade.

Para conseguir isto, os pais devem dar liberdade aos filhos na medida em que eles correspondem com responsabilidade. Quanto mais responsável o filho se mostrar, tanto mais liberdade receberá; até o ponto em que ele mesmo porá limites a si próprio. E é importante dizer que esta prática deve começar bem cedo, tão logo a criança adquira o uso da razão, por volta dos seis anos de idade.

Sobretudo, é preciso prestar atenção ao que foi dito: ´não feches os olhos às suas extravagâncias´. Às vezes os pais estão percebendo que os filhos não estão agindo bem, e mesmo assim nada fazem. Mesmo até quando algum amigo ou parente, vem alertá-los sobre os maus comportamentos do filho, e ainda assim, permanecem sem agir. Muitas vezes a mãe está vendo que aquele namoro não está indo bem, ultrapassando os limites, mas faz de conta que não percebe a gravidade da situação; até que mais tarde venha a chorar porque a filha engravidou, ou porque o filho está se drogando, ou porque se envolveu em sérias confusões com a polícia, etc. Ora, é preciso ser vigilante com os filhos; isto é dever dos pais, dado por Deus.

Na sua sabedoria o Eclesiástico diz aos pais:

"Obriga-o a curvar a cabeça, enquanto jovem, castiga-o com varas enquanto ainda é menino, para que não suceda endurecer-se e não queira mais acreditar em ti; e venha a ser um sofrimento para a tua alma" (Eclo 30,12)

Conhecemos muito bem o provérbio que diz: "é de pequenino que se torce o pepino". Quando a planta é ainda pequena, é possível retificá-la facilmente, amarrando-lhe uma estaca. O mesmo se dá com a natureza humana. Sem reações, a criança aceita a correção do pai e da mãe, não lhes questiona a autoridade, pois não tem ainda o senso crítico desenvolvido. É a melhor hora para educar e moldar o seu caráter com os valores retos da moral e da fé. É precisamente esta a sagrada missão que Deus confiou aos pais; moldar aquele caráter em formação, desenvolver na criança os hábitos corretos, de maneira suave, indolor, natural, na hora certa. Se passar a ´hora certa´, tudo vai ficar mais difícil depois, para os pais e para os filhos.

A criança aprende mais por imitação do que por convicção. Se ela vê o pai e a mãe gritarem, ela também grita; se ela vê os pais baterem, ela bate também nos irmãos menores; se ela vê os pais rezarem, ela reza; se ela ouve os pais dizerem palavrões, ela diz também.

Por fim o Eclesiástico termina dizendo: "Educa o teu filho, esforça-te por instruí-lo para que te não desonre com sua vida vergonhosa" (Eclo 30,13)

Insisto neste ponto: o filho só aceitará a instrução do seu pai ou de sua mãe, se os respeitar e admirar pelo seu próprio valor. Para isto é fundamental que os pais tratem os filhos, desde pequenos, com atenção, seriedade e respeito.

Um erro que certos pais cometem, e que os separa dos filhos, é rejeitar os amigos deles e não permitir que eles os tragam para casa. Certas mães, por exemplo, para evitar as desordens que os filhos normalmente fazem, quase os expulsam de casa com os amigos. Saibam que estão fazendo péssimo negócio.

Para ser amigo do seu filho, seja também amigo dos seus amigos. Esteja com eles, ganhe-lhes a confiança. Esta atitude ajuda-nos a conhecer os amigos dos nossos filhos, a fim de que possamos evitar as suas más companhias, que certamente poderão corromper os seus costumes. É muito melhor ter os filhos perto de nós em casa, com os amigos, mesmo fazendo alguma coisa que não seja inteiramente do nosso agrado, do que tê-los longe dos olhos ...

O jardim da nossa casa, durante os anos de infância dos nossos filhos, foi o seu campinho de futebol onde eles reuniam os amigos para jogar. Preferimos deixar para plantar as flores depois que eles cresceram, já que eles sempre foram as nossas flores mais importantes.

Um princípio vital na educação dos filhos, e que os pais jamais podem esquecer, é que não se pode deixar para amanhã, aquilo que a educação exige que seja feito hoje. Amanhã pode ser tarde. O filho cresce muito mais depressa do que a gente pensa.

Há um provérbio chinês que diz assim: ´o que mata a planta não é a erva daninha, é a preguiça do lavrador´. O mesmo pode-se dizer de alguns pais que se descuidam da educação dos seus filhos.

Outra necessidade vital para a família é que esta seja unida. Sempre que possível, saírem todos juntos nas viagens de férias e nos passeios. São oportunidades de ouro para educar os filhos. Infelizmente certos pais preferem viajar para longe, sozinhos, ao invés de ir para lugares mais próximos com toda a família.

Temos que nos convencer de uma verdade: não há alegria maior, mais autêntica e mais durável do que aquela que a família nos dá.

Enfim, ensina-nos o Espírito Santo: "Tens filhos, educa-os, e curva-os à obediência desde a infância, Tens filhas, vela pela integridade de seus corpos" (Eclo 7, 25-26)

Mais do que tudo o que já foi dito até aqui, vale relembrar, como disse o educador João de Freitas, que "os filhos são o que são os pais". Ou como disse o frei dr. Albino Aresi: "Educa-se mais por aquilo que se é do que por aquilo que se ensina".

Quase que inconscientemente os pais transmitem para os filhos o seu comportamento e o seu equilíbrio. Toda a segurança e apoio dos filhos está nos pais. Quando estes estão nervosos e descontrolados, os filhos sentem-se, imediatamente inseguros e desnorteados, sem ter em quem se apoiar. Esses desequilíbrios geram traumas marcantes na vida da criança e do jovem, às vezes, por toda a vida.

Por essa carência afetiva é que os jovens buscam as variadas auto-compensações: drogas, aventuras violentas, crimes, rachas de automóveis, bebidas, farras, etc.

Eis um fato de vida ensinado por frei dr. Albino Aresi: "Ninguém fica por muito tempo sem compreensão e amor. Ou se entregará a Deus, ou se compensará com as criaturas". (Pode-se educar sem Deus? -  Ed. Mens Sana - SP - 1986 - p. 197)

Transferimos para os nossos filhos todas as nossas angústias, emoções e problemas que vivemos; portanto, é preciso poupá-los disso tudo.

Alguns pais confundem autoridade com autoritarismo, gerando revolta nos filhos. Outros pais são frios e distantes, e não se dão conta das angústias dos filhos.

Durante a Revolução Francesa (1789), um criminoso estava para ser executado na guilhotina; então, pediu ao juiz, para falar à platéia curiosa, antes de morrer. Disse: "Perdôo o juiz que me deu a sentença merecida. Perdôo os soldados que me prenderam. Perdôo o carrasco que irá me executar... Mas aqui no meio de vós há alguém que eu não posso perdoar: esse alguém são meus pais, que não me amaram e não me educaram..."

Por outro lado, não pode haver também a super-proteção, pois gera no filho a falta de auto-afirmação e de personalidade, podendo até, como garantem alguns psicólogos, gerar a esquizofrenia e a homossexualidade, por fazer a criança psiquicamente dependente. Isto impede o seu pleno amadurecimento.

prof. Felipe Aquino do livro "FAMÍLIA, SANTUÁRIO DA VIDA"