UM  NOVO  PAI

A educação e a saúde dos nossos filhos têm sido, durante séculos. Uma preocupação e um papel quase que exclusivo das mulheres, principalmente das mães.  O homem, freqüentemente, foi e ainda é excluído ou se permite ser afastado do processo de criação dos bebês, com repercussões graves no desenvolvimento das nossas crianças.

O sociólogo francês Naubert Bartenieff denuncia a capacidade que as mulheres têm para assumir os bebês e para deixar o homem afastado de suas filhas e filhos.  Ele denuncia “um verdadeiro complô contra quem a natureza não permite engravidar nem amamentar ao peito”.  Acusando os homens de desajeitados para segurar ao colo, de perigosos ao dar banho, de incapazes de trocar uma fralda, a mulher afasta o homem da sua cria e é até surpreendente que os homens consigam exercer a paternidade, assim colocados à sombra, alienados, sem responsabilidade direta, a não ser a de provedor.

O pior, para o homem, é que mais tarde ele será cobrado por não participar suficientemente da educação dos filhos, o que é verdade, uma vez que aos meninos não se permite brincar com boneca e poucos sabem e podem resistir ao cerco das mulheres na defesa do que pode ser visto como um autêntica “reserva de mercado”.

Antigamente, quando o homem era, de fato, o único provedor, justificava-se o comportamento feminino: a mulher precisava assegurar sua importância e, mais do que isto, garantir sua indispensabilidade, para não perder espaço na família e ganhar importância na relação familiar

Hoje, no entanto, forçada a participar para garantir a renda da família, ou porque resolveu realizar-se profissionalmente e fora do casamento e da maternidade (o que é seu direito), a mulher contemporânea está diante de um dilema:  faz dupla e até tripla jornada, ou dá menos importância e atenção às crianças.  Porque seu companheiro, de um modo geral, não assumiu algumas das suas antigas funções.  Em um mundo predominantemente machista, os homens não estão assumindo a parte que lhes caberia em uma divisão eqüitativa das atribuições do casal.

O papel da mulher e da mãe mudou, e continua mudando, mas o do homem e do pai sofreram pouca alteração.  O resultado é o estresse, a insegurança, a ansiedade, a tensão familiar que se refletem na educação e, principalmente, na deseducação das crianças.

A verdade é que está havendo uma revolução social, mas as pessoas não parecem estar-se dando conta dela e de suas conseqüências.  Especialmente os homens.

Como diz o psiquiatra Christian Gauderer, mulheres e homens estão envolvidos em um “contínua reavaliação, geral e irrestrita, de funções as mais diversas e num movimento inédito de reciclagem na história da humanidade”. É indispensável reconhecer que está sendo muito difícil para a mulher assumir tantos papéis simultâneos, como a nova sociedade demanda.  Mas não se pode desconhecer que não está sendo fácil para o homem abrir mão de uma parte do seu poder tradicional, assumir funções domésticas e envolver-se mais como pai para ser atuante na vida da família e na educação dos filhos.

Para estabelecer novamente o equilíbrio nesta relação que mostra a mãe sobrecarregada de um lado e o pai perdido e até omisso na outra ponta, precisa-se de um novo modelo de marido e pai: um homem engajado, participativo, interessado, que não seja capaz de transferir para a creche, o jardim, a escolinha, a pré-escola ou o CA a tarefa intransferível de dar educação familiar e de criar capital social para os filhos.

O que impede a mudança? Por incrível que pareça, nossa própria criação, os valores que nossas mães nos transmitiram e que, sem perceber, contribuíram (e muito) para manter o machismo, para o empobrecimento emocional do homem, para frustrar nele o desenvolvimento indispensável e saudável da sua porção feminina

Um novo homem, o pai ideal, será atento, participante, cuidará de desenvolver sua empatia e o equilíbrio entre o instinto, a emoção, a afetividade e a razão, a lógica e o intelecto.

Homo Sapiens