EDUCAÇÃO

Como terapeuta educacional em minha clínica particular, auxilio pais a decidir como proceder quanto a aspectos do cotidiano e os de ocasiões especiais (férias, por exemplo, que exige nossa dedicação integral), na arte da educação dos filhos.

Todo tipo de assunto chega ao meu consultório, desde como acordar as crianças de manhã, até como colocá-las na cama à noite. Perguntam também como fazê-los tomar o café da manhã, parar de brigar, se preparar para sair, comportar-se, fazer seus deveres, brincar sozinho e ajudar nos afazeres domésticos. Claro que quando trabalho com crianças, a principal queixa é como fazer os pais parar de criticar continuamente!

O ponto fundamental da discórdia entre pais e filhos é extremamente interessante. Por um lado, pais são obrigados a civilizar os filhos. Por outro, é prerrogativa das crianças ser imaturas e selvagens. Pais devem ser amáveis e sempre aceitar os filhos; entretanto deveriam também ser restritivos e disciplinantes. Obviamente, criar filhos não é tarefa simples, especialmente devido à enorme responsabilidade dos pais. Não medimos esforços para criar filhos bem ajustados, produtivos, íntegros, saudáveis, de sucesso, felizes, espirituais, altruístas, amáveis, generosos, respeitosos e responsáveis.

Cursos para pais e aulas de Torá insistem: "é preciso ser pais-modelo de todas essas virtudes" (que tragédia!). Assim, passamos uma década ou até várias, desenvolvendo-as e ao terminar... as crianças estarão crescidas e já terão saído de casa!

Aceitar limitações é um bom ponto de partida para pais. Se pudermos somente aplicar esta atitude aos filhos, já estaremos no caminho certo.

Uma das primeiras "ferramentas" que sugiro é a hipnose.

Apesar de destreinados e inexperientes, todos nós sabemos como hipnotizar os filhos. Observe bem o olhar fixo e passivo de seu filho quando o repreende. Você já viu alguma vez transe tão perfeito? Não parece que ele está num outro mundo, enquanto você fala copiosamente sobre o mau comportamento? Mesmo assim, sua sintonia o torna altamente receptivo (inconscientemente, é claro) à prédica do genitor.

A pessoa em transe ou em "alfa" é altamente suscetível a sugestões. É por isso que profissionais de hipnose fazem de tudo para induzir esse estado em seus pacientes. Conforme ocorre o relaxamento mais profundo, barreiras e defesas psicológicas desabam. Se um profissional sugerir que alguém neste estado coma ou fume menos, assim o fará. Crianças em transe, são igualmente sugestionáveis.

Na realidade, crianças permanecem em transe a maior parte do tempo. A tendência é deitar no chão e olhar para o teto (transe ameno); ficar absorto com um livro (transe profundo); ou olhar fixamente para o nada enquanto fazem seus deveres de casa (transe muito profundo). Por que, então, precisamos chamá-los repetidamente antes que nos escutem? Porque realmente estão em transe até mesmo quando brincam!

Essa teoria hipnótica da arte da educação explica por que as crianças consideram os pais, todo-poderosos e detentores da verdade. Embora as palavras da mãe possam ser bastante comuns, o filho se apega a elas, levando-as consigo até a maturidade e, por fim, as acatará ou rejeitará.

Se compreendermos nosso potencial hipnótico, poderemos utilizá-lo eficazmente na arte da educação. Por exemplo, se repetirmos incessantemente para o filho que seu quarto está uma bagunça e que ele é um relapso, não estaremos hipnotizando-o a ser o próprio? Mesmo constantemente advertindo-o, "Não seja preguiçoso" ou "Não seja tão 'cuca fresca'", estaremos rotulando-o. Em seu transe hipnótico e suscetível, a criança absorve as denominações negativas e se transforma naquilo que dissemos que é.

Por isso, é necessário pensar e avaliar cuidadosamente ao utilizarmos o processo de hipnotizar os filhos. Se deseja que sejam asseados, repita isso pelos vinte anos de seu desenvolvimento: "Você é capaz de arrumar esse quarto."

Se deseja que sejam generosos, respeitosos, determinados, criativos, cuidadosos, organizados, e assim por diante, verbalize essas palavras constantemente: certamente deixarão sua marca.

Em resumo, nunca rotule negativamente a criança; ressalte somente aquilo que deseja que o seja, e o faça generosamente e sem restrições. Quando você começar a arrumar as malas para cumprir a programação de férias com seus "anjinhos" lembre-se: você está programando um ser humano.

Sarah Chana Radkliffe