A  IGREJA  DIVIDIDA  E  O  ECUMENISMO

"O Cristo Senhor fundou uma só Igreja [una, santa, católica e apostólica]. Todavia, muitas Comunidades cristãs se apresentam aos homens como sendo a herança verdadeira de Jesus Cristo. Todos, na verdade, se professam discípulos do Senhor, mas têm pareceres diversos e andam por caminhos diferentes, como se o próprio Cristo estivesse dividido. Esta divisão, sem dúvida, contradiz abertamente a vontade de Cristo, e se constitui um escândalo para o mundo, como também prejudica a santíssima causa da pregação do Evangelho a toda criatura" (UR 1).

 

Como afirma este texto do documento conciliar Unitatis Redintegratio, a Igreja está dividida e essa divisão, muitas vezes motivada pelo falso testemunho de tantos cristãos católicos, é hoje um dos grandes entraves para o eficaz anúncio da mensagem evangélica.

 

Diante desta ruptura urge um empenho conjunto por parte de todos os que invocam Deus Trino e confessam a Cristo como Senhor e Salvador , a fim de reconstruir a unidade visível dos discípulos de Jesus , que devem estar incorporados plenamente naquela Igreja que possui a total plenitude dos meios de salvação : a Igreja Católica. Por moção do Espírito Santo esse empenho para restabelecer a união dos cristãos já está sendo concretizado e chama-se "movimento ecumênico".

 

A Igreja Católica exorta a todos, fiéis e pastores, a que participem de trabalhos ecumênicos, cada qual segundo seu ministério, função ou vida cristã quotidiana. Nesse sentido, o Concílio, prevendo possíveis atitudes de leviandade e imprudência, adverte que não há "nada mais estranho ao Ecumenismo do que aquele falso irenismo, pelo qual a pureza da fé católica sofre detrimento e seu sentido genuíno e certo é obscurecido" (UR 11). Portanto, o desejo de nos aproximarmos dos nossos irmãos não deve traduzir-se numa atenuação ou diminuição da verdade.

Do lado da Igreja Católica todo esse movimento ecumênico torna-se mais compreensível a partir de uma nova mentalidade formada pelo Concílio Vaticano II que afirma que embora a verdadeira Igreja de Jesus Cristo, tal como Ele a quis e fundou, subsista na Igreja Católica, pode-se verificar a existência de autênticos elementos eclesiais fora de seus limites visíveis. Isto significa que podem existir Comunidades fora da estrutura visível da Igreja Católica onde a Igreja de Cristo também se realiza, porém de modo não pleno ou de maneira imperfeita . Até antes do Concílio Vaticano II o pensamento era que a Igreja Católica era a verdadeira Igreja de Cristo e as outras eram falsas.

 

Por esta razão os católicos devem reconhecer e estimar com alegria os valores verdadeiramente cristãos presentes entre os irmãos separados, pois eles caminham para Jesus e já começaram a ser sua Igreja, embora ainda incompletamente.

 

Para que o verdadeiro Ecumenismo aconteça e a mensagem evangélica realize sua missão entre os homens do mundo inteiro é preciso testemunhar a unidade através de uma colaboração mútua traduzida em trabalhos conjuntos e muito diálogo.

 

O diálogo torna-se essencial para eliminar falsas interpretações e aprofundar leituras parciais e superficiais das formulações e expressões de fé determinadas por cada Comunidade cristã que, devido à necessidade da inculturação, assumem múltiplas formas. Neste caso específico o que deve definir a comunhão na verdade é o significado da verdade e não sua expressão, que pode ser diversificada. Devemos fazer um diálogo das consciências, para chegar a um diálogo da conversão e terminar num diálogo da salvação.

 

Depois de tudo isso, pode-se afirmar que a promoção e a realização da unidade entre os cristãos será mais eficaz na medida em que todos se empenhem para levar uma vida mais pura e de acordo com o Evangelho .

 

Sabendo que a reunificação de todos os cristãos numa só Igreja de Cristo excede todas as forças humanas, o Concílio exorta-nos a rezar e pedir a Jesus que na força do Espírito Santo opere um verdadeiro milagre de conversão, compreensão e unidade entre seus discípulos: é o "ecumenismo espiritual".