DOZE  GRANDES  FESTAS  LITÚRGICAS DO  CALENDÁRIO  BIZANTINO

A expressão "Doze festas" é comum entre os fiéis bizantinos que agrupam assim as principais festas litúrgicas do ano (superadas pela importância somente pela Páscoa), nas quais se recordam e revivem os principais eventos da nossa fé. O adjetivo "grande" foi acrescentado para melhor compreensão por parte dos fiéis ocidentais: com efeito, as "Doze festas" já indicam, com seu título, a categoria mais alta das festas. Nove possuem data fixa e três têm data móvel (relacionadas com a data da Páscoa). Algumas delas são festas "despóticas," conforme dizem os gregos, isto é, do Senhor, e serão assinaladas mais embaixo com um S, as outras são "theomitóricas", isto é, da Mãe de Deus. Como os Minéa começam dia 12 de setembro, elas se sucedem na ordem seguinte:

Festas com data fixa

  1. 8 de setembro - Natividade da Mãe de Deus

  2. 14 de setembro - Exaltação da Santa Cruz

  3. 21 de novembro - Apresentação da Mãe de Deus ao templo

  4. 25 de dezembro - Natal do Senhor

  5. 6 de janeiro - Teofania - (Batismo do Senhor)

  6. 2 de fevereiro - Festa do Encontro

  7. 25 de março - Anunciação

  8. 6 de agosto - Transfiguração

  9. 15 de agosto - "Dormição" da Mãe de Deus

Festas com data móvel

  1. Entrada de Jesus em Jerusalém, ou Domingo de Ramos

  2. Ascensão do Senhor

  3. Domingo de Pentecostes

As Grandes festas serão descritas uma por uma, apresentando sempre alguns textos litúrgicos, quase todos em uso há mais de um milênio. Às vezes os livros que contêm tais textos indicam o nome do autor e, em alguns casos, serão assinalados justamente para comprovar sua venerável antiguidade; todavia permanecem sempre atuais, alimentando e sustentando a nossa fé. Revestem-se sempre de importância particular o tropário do dia (ou conclusivo) e o kondakion, repetidos em cada Hora canônica do Ofício divino como também durante a Liturgia eucarística, inclusive nos dias de pós-festa (de dois a oito) até a sua apódosis ou conclusão na qual repete quase por completo todo o Ofício festivo. Durante esse período, o ícone alusivo à festa permanece no meio da igreja, exposto à veneração e ao beijo dos fiéis, que assim assimilam melhor o conteúdo do mistério celebrado. Além disso, nas igrejas em que a Iconostase é mais completa, há sempre uma série de ícones que representam as Doze festas, ficando dessa maneira permanentemente expostas. O "próprio" de cada festa encontra-se no Ofício das Vésperas e no Órthros, habitualmente identificado com as Matinas, mas que na realidade inclui necessariamente também as Laudes, com os salmos fixos 148, 149, 150, os textos do dia e o Hino de glorificação.

A maioria das partes são cantadas, infundindo assim uma particular atmosfera de alegria na celebração, sempre variada no seu desenvolvimento: algumas partes são lidas por uma só pessoa, outras são cantadas pelo coro ou por todos, algumas litanias ou preces são exclusivas do sacerdote, ou do diácono, ou do superior. Outros elementos, como as incensações, acendimentos de lâmpadas e velas em determinados momentos e assim por diante, acrescentam uma nota de beleza que eleva os fiéis presentes em toda a sua realidade psicofísica. Se a festa possui um grande conteúdo catequético, não se reduz a um mero ensinamento: é uma experiência vivida e faz pressentir que de festa em festa se chegará à festa eterna que não tem fim. Na Igreja "lugar em que o mundo que há de vir, vindo até nós na pessoa de Jesus Cristo, atinge o mundo presente para arrastá-lo até o seu destino escatológico," os fiéis "vivem" as realidades cristãs fundamentais através do culto dado a Deus pelo Corpo de Cristo. A liturgia - foi dito - "é a contemplação experimental da teantropia e da deificação" e isso é particularmente verdadeiro pela celebração das Doze grandes festas. Todas elas constam também no calendário católico romano, sinal de uma unidade eclesial vivida ao longo de séculos e que é preciso reencontrar. Algumas delas, porém, revestem-se de maior importância no Oriente bizantino (como por exemplo, as do 6 de agosto e do 21 de novembro).

Passemos a examiná-las separadamente: descobriremos nos textos próprios a referência habitual à Sagrada Escritura, à antiga Tradição e à meditação dos Padres, unida ao élan espiritual e à riqueza de imagens caras aos Orientais.

FONTE: O ANO LITÚRGICO BIZANTINO  - Madre Maria Donadeo