TABAGISMO

O hábito de consumo do tabaco existe a milênios e desde o princípio seu uso associava-se a uma situação de “prazer”.

Difundido pelos índios, despertou a curiosidade do “homem branco”, pois aquela planta produzia “saboroso elemento”, que relaxava o indivíduo.

Durante séculos o tabagismo foi aceito como hábito adulto, que poderia ser controlado sem causar danos à saúde. Isso não é verdade.Tanto que em 1992 a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou a “Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento” da CID-10 (Classificação Internacional de Doenças), onde constam os transtornos decorrentes do tabaco.

Em nosso hábito de consumo do tabaco se dá de várias formas:

- cigarro de papel

- cigarro de palha

- charutos

- cachimbo

- fumo de corda ou rolo (para mascar)

Os prejuízos à saúde e variações de comportamento ocorrem mais ou menos intesamente dependendo do tabaco, freqüência e volume de consumo, características individuais, condições socioeconômicas, de nutrição e resistência.

O consumo do tabaco já foi visto como algo elegante ou como sinônimo de independência na fase de adolescência ou de “ser adulto”. Em sua falta, o fumante tem forte vontade de fumar, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, impaciência, inquietação, humor depressivo, fome e insônia. Cerca de 70% dos fumantes têm essa síndrome na fase inicial de abstinência, mas a maioria deles diminui em poucos dias e desaparece em 1 mês. A vontade de fumar e a fome, todavia, podem permanecer por 6 meses.

O tabagismo atinge todas as classes sociais, não predomina sobre nenhuma raça e nos últimos 10 anos acomete pessoas de ambos os sexos. Com relação à faixa etária, a dependência química do tabaco vem ocorrendo cada vez mais cedo entre adolescentes e crianças, fato que relacionamos à sua divulgação nos meios de comunicação.

Do ponto de vista físico, o tabaco não só atinge o aparelho respiratório, mas também outros órgãos, sistemas e estruturas; sendo que destacamos abaixo os principais problemas causados pelo cigarro:

1- Dedos e unhas amarelados;

2- Mau hálito;

3- Dentes escuros;

4- Bronquite crônica;

5- Enfisema pulmonar;

6- Insuficiência respiratória;

7- Câncer de pulmão (90% dos casos são fumantes);

8- Câncer na boca;

9- Câncer na faringe;

10- Câncer de bexiga;

11- Câncer no esôfago;

12- Úlcera duodenal e gástrica;

13- Tendência a trombose;

14- Aceleração no processo de arteriosclerose;

15- Infarto no miocárdio;

16- Distúrbios vasculares periféricos;

17- Aumento da incidência dos abortos espontâneos;

18- Aumento no índice de natiomortalidade;

19- Parto prematuro;

20- Deficiência ponderal de feto;

21- Maior incidência de bronquite e pneumonia em recém-nascidos;

22- Envelhecimento precoce nas mulheres;

23- Redução do tempo de vida (8/10 anos);

24- Maior incidência de morte súbita;

25- Maior incidência de doenças coronárias nas mulheres, já se aproximando da incidência detectada entre os homens.

Os problemas que ocorrem nos aparelhos respiratórios são, entretanto, os que causam situações primárias de agravo à saúde. Desde os brônquios ocorrem alterações pulmonares pelo açulo de secreções nas suas paredes, dificultando a eliminação por causa do espessamento do muco grosso, resíduo eliminado naturalmente pela ventilação do órgão.

Hoje é possível classificar este quadro como “bronquite tabágica”, que se caracteriza pela: respiração ofegante, tosse, dispnéia, ronco ao decúbito (no sono), “pigarro”, às vezes dores torácicas e cianose de extremidades.

Com o agravamento da função respiratória, a secreção não sendo eliminada, retroage até os menores bronquíolos e alvéolos respiratórios produzindo quadros de alveolites, danificando-os, produzindo rupturas, extravasando essas secreções para o parênquima pulmonar e desencadeando processo de broncopneumonia ou pneumonia viral ou bacteriana.

Não produzindo ruptura do alvéolo, esse pode ter sua parede enrijecida pelo acúmulo de secreção tornando-a “cimentada” e dificultando os movimento dos mesmos e as trocas. A isto damos o nome de enfisema.

Sabe-se ainda que 90% dos diversos tipos de neoplasias do aparelho respiratório são produzidos pelo cigarro e infelizmente na maioria dos casos quando os sintomas surgem o quadro já é irreversível.

O cigarro possui cerca de 4.700 substâncias nocivas à saúde e isto explica o comprometimento de vários outros órgãos e sistemas; no rol dessas encontram-se ácidos, aldeídos, aromáticos cíclicos, anti-umidificantes, monóxido de carbono, alcatrão.