SÍNDROME  DE  DEPENDÊNCIA  DO  ÁLCOOL

Síndrome de dependência do álcool introdução

A síndrome de dependência do álcool (SDA) é uma síndrome clínica caracterizada por sinais e sintomas comportamentais, fisiológicos e cognitivos aonde o uso do álcool alcança uma grande prioridade na vida de um indivíduo, e as demais atividades passam a um segundo plano. Em 1976, um pesquisador Inglês chamado Grifith Edwards descreveu um novo conceito psicopatológico para dependência conhecido como “Síndrome de Dependência do Álcool” (SDA). De acordo com este autor, existem sete sinais ou sintomas característicos da dependência química. A Organização Mundial da Saúde se baseou neste conceito para definir os critérios diagnósticos da dependência química. Sinais e Sintomas da SDA. Os sinais e sintomas clínicos que compõem a SDA, compreendem: o estreitamento de repertório; a tolerância; a abstinência; o alívio ou evitação da abstinência pelo uso do álcool; o desejo para consumir álcool e a reinstalação da síndrome após abstinência. Estreitamento do Repertório do Beber É caracterizado pela tendência a ingerir bebidas alcoólicas da mesma forma, isto é, o paciente passará a beber a mesma quantidade de álcool, quer esteja sozinho ou acompanhado, quer seja em dias úteis ou finais de semana, apesar das restrições sociais. À medida que a dependência avança, o padrão de beber torna-se cada vez mais rígido, estreitado e estereotipado, já que os dias de abstinência ou de consumo baixo vão se tornando mais raros. Inicialmente, o consumo de álcool é influenciado por fatores sociais e psicológicos. Posteriormente, o paciente dependente grave passa a beber o dia inteiro com vista à manter um nível alcoólico no sangue que previna a instalação de uma síndrome de abstinência. As influências sociais e psicológicas que o fariam beber, começam a não ser levadas em consideração.

Tolerância

“Tolerância” é a perda ou diminuição da sensibilidade aos efeitos iniciais do álcool. Nessas ocasiões, os pacientes aumentam a quantidade de álcool ingerida para compensar a tolerância que se estabelece aos efeitos agradáveis do álcool. Outra definição comumente utilizada é a necessidade de usar o álcool em quantidade cada vez maior para atingir os mesmos efeitos desejados. Ocorre ao longo do tempo, uma diminuição dos seus efeitos agradáveis quando se consome a mesma quantidade de álcool Na prática clínica, a tolerância é identificada quando o paciente consegue exercer - mesmo com prejuízo do desempenho - várias atividades (por ex., dirigir automóveis) com uma concentração sangüínea de álcool tão elevada, que normalmente incapacitaria o bebedor normal. Abstinência São sinais e sintomas físicos e psíquicos que aparecem decorrentes da diminuição ou interrupção do uso do álcool. Inicialmente, os sintomas de abstinência são leves e intermitentes. Posteriormente, com agravamento da síndrome de dependência, a freqüência e a gravidade dos sintomas aumentam, passando a ser persistentes.

Saliência do comportamento de uso

A saliência do comportamento do uso do álcool caracteriza-se clinicamente:

(1) pela perda do controle sobre o próprio consumo (por ex., uso em maiores quantidades ou por um tempo mais prolongado do que se pretendia inicialmente),

(2) desejo persistente e tentativas frustradas para controlar, interromper ou diminuir o consumo. Neste tipo de padrão de consumo os pacientes gastam grande parte do seu tempo procurando bebidas alcoólicas, ingerindo álcool e recuperando-se dos seus efeitos, apesar das conseqüências psíquicas e físicas adversas. Todas as suas atividades passam a girar em torno da procura, consumo e recuperação dos efeitos do álcool. As atividades sociais, profissionais e recreativas são abandonadas em prol do uso da substância.

Apesar dos problemas psicológicos, médicos e psicossociais os pacientes persistem com o consumo, o que caracteriza a prioridade que a substância passa a assumir na vida dos usuários. Na prática clínica pode-se identificar a saliência do comportamento de busca do álcool, investigando-se a ingestão de álcool nas situações socialmente inaceitáveis - por ex., no trabalho; quando está doente; quando falta dinheiro; dirigindo automóveis etc. Os pacientes abandonam progressivamente os prazeres e/ou interesses diversos em favor do uso do álcool; aumentam a quantidade de tempo necessário para obter, tomar e se recuperar dos efeitos do álcool e persistem no consumo, apesar das conseqüências nocivas, tais como problemas médicos e psicossociais. Além disso, possuem dificuldade para controlar o início, término e nível de consumo do álcool.

Alívio ou evitação dos sintomas de abstinência pelo uso do álcool

Para aliviar ou evitar os sintomas desagradáveis e intensos da abstinência, os pacientes passam a ingerir álcool, apesar das conseqüências psíquicas e físicas adversas. Sensação Subjetiva de Necessidade de Beber É o desejo subjetivo e intenso de fazer uso do álcool - “craving” ou “fissura”. Reinstalação da Síndrome após Abstinência Na reinstalação da síndrome de dependência após abstinência, o paciente retoma rapidamente o padrão mal - adaptativo de consumo de álcool, após um período de abstinência. É o fenômeno da recaída, ou seja, o paciente volta a beber nos mesmos padrões que bebia antes da abstinência.