23% DOS  DEPENDENTES  DE  DROGA

têm até 15 anos

Pesquisa do Denarc traça perfil de traficante, usuário e revela crescimento entre jovens.

   O dependente de drogas em São Paulo é branco, solteiro, faz uso de maconha e cocaína no mesmo dia, tem 19 a 30 anos e está desempregado. O traficante é branco e tem entre 25 e 25 anos; 77% deles são da Região Sudeste, 71,42% têm ensino fundamental, 97% são brasileiros e 3% estrangeiros.

 

   O perfil do drogado e do traficante foi elaborado pelo Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), a partir de 3.115 entrevistas com pessoas atendidas pela Divisão de Prevenção e Educação e da prisão de 3.242 pessoas, vendendo ou usando drogas, nos dois últimos anos.

 

   Chamou a atenção dos educadores o uso, ao mesmo tempo, de maconha e cocaína: 40% dos entrevistados disseram usar as duas drogas no mesmo dia. Além da maconha, cocaína e crack, grande parte admitiu usar drogas sintéticas, como ecstasy. Entre os entrevistados, 8% informaram que, além de drogas, também fazem uso de álcool todos os dias.

 

   O diretor do Denar, Ivaney Cayres de Souza, explicou que, dos 3.115 entrevistados, 89% dos homens e 11% das mulheres são dependentes de algum tipo de droga. "O que chamou a atenção na pesquisa foi o aumento, na faixa etária até 15 anos, com 23% de dependentes. O número foi bem menor nos anos anteriores".

 

   O trabalho revelou ainda que, entre os homens, a cocaína é a mais usada. Entre as mulheres, a maconha. Os homens desempregados somaram 72%, e as mulheres, 57%. Dos atendidos na área de convênio e encaminhamento de dependentes do departamento, 65% receberam orientação dos psicólogos da polícia; 9% foram encaminhados para tratamento em clínicas e 26% receberam orientação familiar. A procura maior na Divisão de Prevenção e Educação do Denarc ocorreu em 1998, quando foram atendidas 12.171 pessoas.

 

   Traficante - Com base nas prisões de traficantes, o Denarc montou o perfil do vendedor de drogas em São Paulo. A maioria (71,42%) tem ensino fundamental. Os que têm ensino médio e superior atingem 26%. Os analfabetos são apenas 2,47%.

 

   A pesquisa mostrou o crescimento dos menores e das mulheres no tráfico e uso de drogas. Com os traficantes presos, os policiais do Denarc, apreenderam, em 2002, uma tonelada de cocaína, quatro toneladas de maconha, 46,9 quilos de crack, 173 quilos de haxixe, 521 comprimidos de LSD, 7.418 comprimidos de ecstasy, 17 quilos de xará (supermaconha preparada em laboratórios na Índia), três quilos de skunk (maconha híbrida produzida em laboratórios da Holanda) e 1.176 frascos de lança perfume. Em 2003, foram apreendidas na capital 1,4 toneladas de cocaína, 22,7 toneladas de maconha e 100 quilos de crack. O número de presos traficantes e dependentes nos dois últimos anos foi de 3.242.

 

   Educação - O projeto Escola Segura, criado por determinação do secretário de segurança, Saulo Abreu, retirou das proximidades das escolas 365 traficantes que vendiam maconha, cocaína e crack para estudantes, maiores e menores, no ano passado. Homens, mulheres e adolescentes de diversas quadrilhas foram presos, acusados de vender drogas, incluindo as sintéticas.

 

   O diretor do Denarc afirmou que uma das preocupações do secretário Abreu é a atuação dos traficantes nas escolas. Os policiais empenhados em evitar a ação dos vendedores de drogas são jovens e se infiltram entre os grupos.

 

   "Antes de prender os traficantes, fora e dentro das escolas, nossos policiais fazem um completo levantamento da região para identificar os vendedores de drogas e evitar prisões no interior dos colégios". O sucesso do trabalho, segundo Cayres de Souza, está na eficiência do serviço de inteligência, na quantidade extraordinária de flagrantes e de traficantes presos.

Renato  Lombardi - O Estado de São Paulo - 27/02/2004