ALCOOLISMO

      Qual a imagem que você tem de um alcoólatra? Aquele tiozinho bêbado, que fica em frente ao boteco tomando a sua branquinha às 7h da manhã? Ou a tiazinha da rua que vai te pedir R$1,00 pra "comprar pão"? Tudo muito distante da sua realidade? Tenha certeza que não! Considerada a maior doença social deste tempo, o alcoolismo atinge cerca de 10% da população mundial, seja rico, pobre, negro, branco, magro, gordo, jovem, velho... "É uma doença, progressiva, incurável e fatal", resume Nilo, membro do AA (Alcoólicos Anônimos, uma irmandade composta por cerca de 2 milhões de alcoólicos, em recuperação, em aproximadamente 150 países).

     E pode começar na brincadeira, nas memoráveis bebedeiras com os amigos, nas baladas... Afinal, ninguém nasce alcoólatra, ninguém acorda num belo dia e pensa: A partir de amanhã, vou virar um alcoólatra, vou beber todos os dias, inclusive de manhã, vou perder amigos, família, emprego,.... "A evolução da dependência é insidiosa, quase imperceptível para quem bebe", explica Dr. José Antônio Ribeiro Silva, médico especialista em dependência química.

     Luiz Antônio da Cruz, um alcoolista em recuperação - não existe ex-alcoólatra - sabe muito bem como é triste a vida de uma pessoa que vive para a bebida. Começou bebendo aos 14 anos com os amigos, em pequenas doses. "Para mostrar que era homem", lembra. Sob o efeito do álcool, muitas vezes não se lembrava do que tinha feito na noite anterior. Começou a depender da bebida, ouvia das pessoas frases do tipo "Bêbado... Olha lá o bêbado... Coitado". Foi abandonado pela esposa, família e amigos por causa do álcool. Mais tarde, apoiado pela esposa (que a essa altura do campeonato já tinha se separado dele), Luiz Antônio procurou uma Associação Antialcoólica e depois de algumas reuniões decidiu então lutar contra a doença. Hoje não pode colocar uma gota sequer de bebida na boca. "O alcoolismo não tem cura, estou em recuperação, minha doença está estacionada. Nunca mais poderei beber. Não existe só um gole para um alcoolista... Estamos em tratamento para o resto da vida...", conta Luiz Antônio.

     Em suma, o alcoolismo não é um vicio, é uma doença que qualquer pessoa pode desenvolver, tenha ela a idade que for. Fatores genéticos, que são passados de geração para geração, é um agravante sim, mas os hábitos também podem ser determinantes, dependendo da predisposição de cada um. "Uma pessoa que adquire o hábito de beber vai desencadear aquela série de etapas que envolvem a dependência física e psicológica do álcool. A freqüência do 'beber' produz o aumento da tolerância ao álcool, ou seja, a pessoa passa a consumir volumes crescentes da bebida para ter os mesmos efeitos", explica o Dr. Alexandre Dietrich. "O organismo passa a necessitar de doses alcoólicas para realizar as funções cotidianas, e a pessoa passa a não se sentir bem sem o álcool", completa o médico.

     Mas como não confundir alcoolismo com o simples prazer em beber? "Quando algo começa a ser necessário, fundamental e indispensável, acredito que não seja mais prazeroso", responde o membro do AA. A grosso modo, diz-se que uma pessoa que não consegue passar um dia sem consumir álcool é considerada dependente. A fim de ajudar as pessoas a se decidirem se têm algum problema com o álcool.

     Segundo o Dr. Alexandre Dietrich, é difícil definir um comportamento típico de um alcoolista (alcoolista e alcoólatra têm o mesmo significado), mas a OMS (Organização Mundial da Saúde) adota alguns critérios para a determinação da síndrome de dependência do álcool, como o aumento da tolerância (necessita de doses progressivamente maiores para o mesmo efeito desejado) e sintomas repetidos de abstinência (ocorrem sempre que há interrupção do consumo). "Suores e tremores das mãos, coração acelerado, náuseas etc, já caracterizam a síndrome de abstinência que melhora com o uso da própria bebida", afirma o Dr. José Antônio.
     O alcoolismo é caracterizado pela perda da liberdade da decisão sobre o ato de beber. Não existe tratamento eficaz enquanto a pessoa não reconhecer a própria doença. Os métodos clínicos incluem drogas que provocam aversão ao álcool, mas o sucesso dos tratamentos depende muito da decisão de largar a bebida.

     Além do AA, existem outras entidades de apoio que oferecem auxilio psicológico no tratamento da doença, como o NA (Narcóticos Anônimos), além do Al Anon, que oferece ajuda a familiares e amigos de alcoólicos.

Cátia Noronha - fonte: http://www.alcoolismo.com.br  fonte: http://www.obaoba.com.br