A  AÇÃO  DAS  DROGAS

MORFINA - HEROÍNA

Morfina é o principal alcalóide do ópio e tem intensa ação hipoanalgésica.

A heroína (diacetilmorfina) é semi-sintética e tem efeitos centrais mais intensos que os da morfina. Curiosamente ela foi introduzida inicialmente para o tratamento da dependência à morfina.

Tolerância e dependência podem se desenvolver já após as primeiras doses dessas drogas e aumentam de intensidade em proporção direta com o aumento das doses e a freqüência de administrações. Desta forma a dependência aos opiáceos pode ocorrer com o uso de doses terapêuticas, no que difere então dos grupos de drogas como álcool ou os barbitúricos, onde doses muito acima das usuais são associadas com fenômenos de dependências.

 O efeito dos opiáceos é variável com a droga, a via de administração, a dose e a sensibilidade individual. Quando administrada em dose suficiente, geralmente pôr via intravenosa, a morfina e a heroína produzem uma sensação de prazer descrita como equivalente a um orgasmo medicamentoso.

 O efeito mais duradouro é o estado de satisfação de todos os impulsos e desejos, geralmente com a sensação de estar flutuando e de que tudo está bem. Ao observar, o indivíduo sob a ação de um opiáceo parece apático, letárgico, com respiração superficial, hipotensão ortostática, vasodilatação, miose, apresentando ainda uma diminuição da motilidade intestinal e obstipação. Como o efeito persiste por poucas horas e a síndrome de abstinência é muito desagradável, o dependente usa várias doses em um dia e permanece drogado a maior parte do tempo. Com isso sua produtividade social cai e a não ser que ele seja de classe social alta(o que não é habitual), acaba se envolvendo em atividades ilícitas ou criminosas para poder sustentar seu consumo de drogas.

Sindrome

Pesquisadores experientes como SHUSTER acreditam que as primeiras doses são tomadas por curiosidade ou para obter efeitos euforizantes, mas que a partir da quarta ou quinta dose a finalidade principal das administrações repetidas é evitar o intenso desconforto da síndrome de abstinência.

Essa síndrome inclui pode ser provocada em viciados, pelos antagonistas da morfina (nalorfina, naxolona) e pode também ser considerada em animais pareando-se o antagonista com um estímulo condicionado, o que sugere haver uma interação entre fatores farmacológicos e psicológicos em sua produção.

Tratamento

O tratamento consiste inicialmente de desintoxicação por metadona. A metadona é sintética, ativa por via oral. Seus efeitos tem duração prolongada. A própria metadona causa dependência física, porem de menor intensidade que a heroína ou a morfina. Segundo a OMS, as características de dependência a opiáceos podem ser resumidas assim:

1 - Intensa dependência psicológica que se manifesta por um forte impulso ou compulsão a continuar tomando droga por prazer ou para evitar desconforto, e obter a droga por quaisquer meios.

2 - Precoce desenvolvimento de dependência física que aumenta de intensidade em paralelo com o aumento da dose; isto requer administração continuada da mesma droga ou sua similar, para manter a homeostase e impedir o aparecimento de sinais e sintomas de abstinência. Tanto a retirada da droga quanto a administração de um antagonista específico precipitam a síndrome de abstinência.

3 - Tolerância, necessidade der der administração de doses maiores para a obtenção do efeito inicial.

COCAÍNA

Obtida da Erythroxylon coca, planta nativa dos altiplanos andinos, este alcacóide corresponde a 0,5 a 1,5 por cento do peso da folha de coca. Há séculos, as folhas de coca são mascadas com limo pelos nativos com a finalidade de produzir sensações de bem-estar e alívio da fadiga. Esses efeitos (da "cocada") duram cerca de 40 minutos. A cocaína foi identificada e isolada em 1858, por NIEMAN, usada por Freud em 1884, teve seus efeitos anestésicos locais descobertos por Köller e logo em seguida começou a ser utilizada em medicina oficial e doméstica e vendida em farmácias e quitanda da Europa para as várias finalidades, principalmente como tônico revitalizante.

Até 1906 ela existia em certos refrigerantes. A partir de 1914 seu uso juntamente como o de opiáceos, foi proibido nos Estados Unidos e, em geral, a "cocainomania", tinha poucos seguidores. Todavia na última década o uso da cocaína vem crescendo intensamente.

Aspecto físico e propriedades

A cocaína pura é um pó branco com forte propriedade vasoconstritora e anestésica local. Apesar de ser utilizada há séculos pelos índios por via oral, até recentemente supunha-se ser a cocaína inativada por hidrólise no tubo gastrintestinal.

A forma de uso 

O uso repetido por via nasal resulta em perturbações tróficas da mucosa com possível perfuração do sépto nasal e a asnomia.

O uso intravenoso é perigoso e o efeito é fugaz, levando a administração a intervalos de até 10 minutos.

Os efeitos subjetivos, consistem:

  • Sensação de grande força muscular e alerta mental

  • Euforia

  • Ideais de estar sendo perseguido

  • Alucinações visuais, auditivas e tácteis

  • Contribuição das ações acima e mais algumas que podem gerar comportamento agressivo e atos anti-sociais.

Os efeitos físicos que podem ocorrer:

  • Distúrbios digestivos

  • Anorexia (falta de apetite seguida de magreza)

  • Insônia e ocasionais convulsões

  • Freqüência de aparecimento de depressões após a euforia do uso

  • Utilização de outras drogas pesadas como heroína ou morfina para atuar a depressão.