D Í Z I M O

A primeira referência bíblica do dízimo encontra-se em Gn. 14,20: "... e de tudo

lhe deu o dízimo". Em várias passagens bíblicas, encontramos apoio para devolução

dos dízimos: Gn. 28,22; Lv. 27,32; Nm. 18,21 - 24; Ne. 10,37 - 38; Mal. 3,10; Mt. 23,23; Lc. 11,42; Lc. 18,12; Hb. 7,2.5.9.

Ao estudarmos a história de povos e nações da antigüidade, descobrimos que eles também separavam parte das rendas aos seus deuses. Essas porções podiam ser produtos industriais ou despojos de guerra. Os líderes ofereciam a décima parte das frutas (Heródoto Vol. I, pág. 89). Os fenícios e os cartaginenses enviavam anualmente a Hércules, a décima parte de suas rendas. Estes décimos eram regulares ou ocasionais, voluntários ou ordenados por lei. Os egípcios contribuíam com a quinta parte da colheita para Faraó (Gn. 47,24). Com isto podemos observar, dizimar, era algo bem propagado e praticado, na nação de Israel, bem como nas demais nações pagãs.

1. Interpretações errôneas.

Hoje tem crescido o número de pessoas que, ao analisarem determinadas passagens bíblicas, acham nas mesmas, apoio para usarem o dízimo, santo do Senhor, para outros fins e não aquele predito pela Bíblia e pelo Espírito de Profecia.

"Eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo seu ministério que exercem, o ministério da tenda da congregação". Núm. 18,21.

"A porção que Deus reservou para Si, não deve ser desviado para nenhum outro desígnio que não aquele por Ele especificado. Ninguém se sinta na liberdade de reter o dízimo, para empregá-lo segundo o seu próprio juízo. Não devem servir-se dele numa emergência, nem usá-lo segundo lhe parece justo, mesmo que possam considerar como obra do Senhor". C.S.M. pág. 101:1.

"Deus não mudou: o dízimo tem de ser ainda empregado para a manutenção do ministério". C.S.M. pág. 103.

Vamos examinar algumas passagens bíblicas e ver o que elas realmente dizem:

 Números 18

vs. 21 – "Dos filhos de Levi dei todos os dízimos em Israel por herança, pelo serviço que prestam, serviço da tenda da congregação".

Como recompensa por todo o serviço prestado na tenda da congregação, os levitas deveriam receber a décima parte de toda a produção da terra.

vs. 24 – "Porque os dízimos dos filhos de Israel, que apresentam ao Senhor em oferta, dei-os por herança aos levitas; porquanto Eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel nenhuma herança terão".

Nesta passagem encontramos a colocação de que os dízimos são uma oferenda , uma oferta à Deus. Esse era o ritual seguido por Israel ao apresentar suas oferendas. Em primeiro lugar eles deveriam levar à Deus, e Deus por Sua vez, dava aos levitas.

vs. 26 – "Também falarás aos levitas, e lhes dirás: Quando receberdes os dízimos da parte dos filhos de Israel, que vos deu por vossa herança, deles apresentareis uma oferta ao Senhor, os dízimos dos dízimos".

A proporção dos Israelitas para o número de pessoas na tribo de Levi era de 30 por 1; ao receberem os dízimos do povo de Israel, a tribo de Levi também deveria dizimar; e esse dízimo também era apresentado ao Senhor como oferenda em primeiro lugar, e então o Senhor, passava o dízimo aos sacerdotes, como nos diz o versículo 28:

"Assim também apresentareis ao Senhor uma oferta de todas as vossas dízimas, que receberdes dos filhos de Israel, e deles dareis a oferta ao Senhor a Arão, o sacerdote".

Deus assim designou, para que ficasse bem claro para todo o povo de Israel, que o dízimo pertencia à Deus, e o Senhor então dava-o à tribo de Levi, ou aos sacerdotes, quando os levitas dizimavam.

vs. 29,30 – "De todas as vossas dádivas apresentareis toda a oferta ao Senhor; do melhor delas a parte que lhe é sagrada. Portanto lhes dirás: Quando oferecerdes o melhor que há nos dízimos, o restante destes, como se fosse produto da eira, e produto do lugar, se contará aos levitas".

Não podemos perder de vista, que desde o versículo 26, o Senhor se dirige não a todo o povo de Israel, e sim a tribo de Levi. E agora a essa tribo o Senhor diz: que eles deveriam apresentar uma oferta, que essa fosse a melhor, do que era sagrado. Os levitas deviam dar uma oferta ou oferenda (dízimos) à Deus; o melhor de entre o dízimo recebido do povo de Israel, para que o Senhor desse aos sacerdotes. O restante, 90% ficava com a tribo de Levi, que era para sua manutenção, eles poderiam comê-lo em qualquer lugar, pois era a recompensa, ou o salário, pelo serviço prestado na tenda da congregação.

"Comê-lo-eis em todo o lugar, vós e vossa casa, porque é vossa recompensa pelo vosso serviço da tenda da congregação".

Deuteronômio 12,17

    Nesta passagem encontramos instruções relacionadas ao uso do dízimo que não encontramos em outra legislação. Deuteronômio 12 trata da importância do culto à Deus num santuário central – o lugar escolhido por Deus. Para esse lugar esperava-se que os Israelitas trouxessem seus sacrifícios, ofertas e o dízimo (versículos 6,11).

    "Guarda-te, que não ofereças os teus holocaustos em todo o lugar que vires; mas no lugar que o Senhor escolheu numa das tuas tribos, ali oferecerás os teus holocaustos, e ali farás tudo o que te ordeno". vs. 13 - 14.

    Já o versículo 17 nos diz: "Nas tuas cidades não poderás comer o dízimo do teu cereal, nem do teu vinho, nem do teu azeite, nem os primogênitos das tuas vacas, nem das tuas ovelhas, nem nenhuma das tuas ofertas votivas, que houver prometido, nem as tuas ofertas voluntárias, nem as ofertas das tuas mãos".

    Não pode se tratar do 1º dízimo, usado exclusivamente para o sustento dos levitas (Núm. 18,24). O dízimo de que podia comer o povo, próximo ao santuário e não suas próprias casas, era o 2º dízimo.

Deuteronômio 26

vs. 12,13,14 – "Quando acabares de separar todos os dízimos da tua mesa no ano terceiro, que é o dos dízimos, então os darás aos levitas, ao estrangeiro, aos órfãos e as viúvas para que comam dentro das tuas cidades e se fartem. Dirás perante o Senhor teu Deus: Tirei o que é consagrado de minha casa, e dei também ao levita e ao estrangeiro, e ao órfão e a viúva, segundo todos os teus mandamentos que me tens ordenado; nada transgredi dos teus mandamentos, nem deles me esqueci. Dos dízimos não comi no meu luto, e deles nada tirei enquanto imundo, nem deles dei para a casa de algum morto...".

Deus não se esqueceu dos Seus afortunados; e o Seu povo também não deveria esquecer; e no terceiro ano, o dízimo, deveria ser doado a esta classe de pessoas.

Vejam que o Senhor, deliberadamente colocou os levitas em uma situação de dependência de seus irmãos, para estimular a liberalidade de Israel.

Pela leitura do versículo 13, podemos perceber que deveria ser um privilégio, para todos de Israel, separar o segundo dízimo, e destiná-lo a suprir as necessidades destas pessoas menos afortunadas.

Já no versículo 14, fala-nos de que a pessoa "não comeu dos dízimos no seu luto", provavelmente isto se refere a impureza cerimonial. Diversas eram as circunstâncias que podiam produzir impurezas (que eles chamavam luto - Lev. 21,1), e com isto o ofertante estava impossibilitado de comparecer diante de Deus com alegria. Por quê? Eles achavam que uma pessoa estando impura, ao participar dos ritos sagrados, poderia contaminar as coisas sagradas.

"Nem deles dei para casa de algum morto". Desde os tempos antigos , os pagãos criam que os mortos se alegravam com presentes de alimentos e outras coisas que pudessem necessitar.

É claro que na religião hebraica, esta prática não era desenvolvida, mas no juramento, deveria haver este juramento por parte do ofertante, de que tal prática pagã, ele não desenvolvia. Com isto a crença da mortalidade da alma, era reforçada na mente de cada ofertante.

Deuteronômio 14

vs. 22, 23 – "Certamente darás o dízimo de todo o fruto das tuas sementes, que ano após ano se recolhe do campo. E, perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, comerás o dízimo do teu cereal, do teu vinho e do teu azeite e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao Senhor teu Deus todos os dias".

Podemos comparar esta passagem com o capítulo 12, 5-7 do mesmo livro.

Entendemos que no capítulo 14 de Deuteronômio, faz uma referência ao 2º dízimo, que devia ser comido diante do Senhor. Isto deveria ser feito durante dois anos; o terceiro ano (como também o sexto) se aplicavam as instruções dadas nos vs. 28 e 29 – "Ao fim de cada três anos tirarás todos os dízimos do fruto do terceiro ano, e os recolherás na tua cidade. Então virá o levita (pois não tem parte nem herança contigo), o estrangeiro, o órfão e a viúva, que estão dentro da tua cidade, e comerás e se fartarão, para que o Senhor teu Deus te abençoe em todas as obras que as tuas mãos fizerem.

No sétimo ano, era o ano do descanso sabático, não se cultivava na terra. Não exigia dízimo, pois não havia colheita. O povo ia ao lugar designado por Deus para a realização dos serviços religiosos e as festas. Comiam juntos, como famílias, em comunhão diante do Senhor. Tais ocasiões tinham o propósito de promover a vida religiosa.

Várias lições eram ensinadas nestas ocasiões, como:

A necessidade de dar conscientizadamente para propósitos religiosos e práticos;

Desenvolver a caridade para com os necessitados;

Sagrado companheirismo diante do Senhor;

Fortalecimento dos vínculos familiares.

Devemos ter em mente que os levitas não tinham território próprio, viviam em suas próprias cidades, espalhados pelas diversas tribos e deviam ser convidados para estas festas sagradas. O estrangeiro, igualmente como levita, não tinha terras. Os órfãos e as viúvas também mereciam atenção especial. Com isto entendemos, o primeiro dízimo era dedicado ao sustento da tribo de Levi e os sacerdotes. O segundo dízimo estava destinado a uma festa sagrada, familiar diante do Senhor, bem como abastecer a mesa dos órfãos, dos pobres, das viúvas e dos estrangeiros da terra. Os levitas podiam participar de todas essas festas. Deus assim orientou Israel, quanto a maneira de usar o segundo dízimo, para que as necessidades do povo fossem supridas e toda a nação fosse estimulada a prática da verdadeira religião.

Amós 4,4

"Vinde a Betel e transgredi, a Gilgal, e multiplicai as transgressões; e cada manhã trazei os vossos sacrifícios, e de três em três dias os vossos dízimos".

Ironicamente, Amós chama Israel para mostrar o zelo pela prática da idolatria, aumentando dessa maneira ainda mais sua culpabilidade. Betel é mencionada por causa da sua idolatria (3:14).

Apesar dos israelitas praticarem a idolatria, aparentemente continuam a observar cuidadosamente e regularmente o culto levítico. O culto levítico estava misturado com a idolatria de Israel. No altar de Deus e do de Betel ofereciam suas ofertas. A adoração de imagens e o culto do santuário estavam juntos. Dinheiro, prazeres, popularidade, motivos descabidos, erros imperdoáveis, estavam no serviço religioso de Betel e Gigal. Praticavam os sacrifícios com devoção , davam as suas ofertas voluntárias, eram zelosos nos dízimos, pontuais nos seus ritualismos; eram, enfim, diligentes na vida religiosa. Todavia, tudo era formalismo, praticado com falta de sinceridade de coração. Guardavam a letra, mas transgrediam o espírito.

Quando Amós diz: "...de três em três dias os vossos dízimos", o profeta continua com o tom irônico. Na LXX traduz-se por "... cada terceiro dia...". Assim como eles faziam seus sacrifícios diariamente, deveriam identicamente trazer os seus dízimos de três em três dias.

Malaquias 3,8 - 10

"Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a Mim Me roubais, vós a nação toda. Trazei todos os dízimos a casa do tesouro, para que haja mantimento em minha casa...".

O profeta Malaquias faz uma acusação séria. Apropriação indébita daquilo que pertencia ao Senhor era um crime sério em Israel e no oriente próximo.

O dízimo era usado por Deus para prover alimentos para os sacerdotes e levitas; e isto é enfatizado no capítulo 3,10.

Para um povo que não estava totalmente comprometido com o Senhor, o dízimo era um desafio. Nestes dias, a condição financeira de Israel era precária e consideravam o dízimo desnecessário. E foi para estes indivíduos que o Senhor disse, "Provai-me nisto" (vs. 10). Era um chamado para avançar pela fé e fazer o que deveria ser feito, crendo nas bênçãos prometidas por Deus (vs. 10 – 12).

O profeta Malaquias ainda nos fala:

A mensagem de Malaquias

Malaquias foi um profeta para a tribo de Judá. Em um período deplorável, pois o povo de Deus apresentou-se por diversas vezes instável e inseguro em sua vida espiritual e no seu relacionamento com Deus, afastando-se dos princípios divinos, partindo para uma apostasia completa e total. Por isso Malaquias foi levantado por Deus, para cumprir esta grande responsabilidade vivendo realmente o significado de seu nome: "Malaquias, Meu Mensageiro". Tudo isso nos leva a crer , que ele desenvolveu um ministério profético por volta do ano de 425 a.C.

Perguntas em Malaquias:

cap. 1,6 – Em que desprezamos nós o Teu nome?

 

Israel despreza o amor divino, o povo estava esquecendo-se de Deus.

A condição espiritual dos sacerdotes, declarava sua culpabilidade.

vs. 13,14 – "Aceitaria Eu isso de vossa mão?

Deus procurava abrir os olhos do povo para a condição deplorável em que se encontravam. Os sacerdotes agiam de forma desonesta oferecendo sacrifícios roubados, dilacerados, animais coxos, defeituosos, sacrifícios que não agradavam à Deus. E Deus vendo isso procurava chamar a tenção, para que eles tivessem mais reverência e temor.

Respostas de Deus:

cap. 1,07 – "Pão profanado"

cap. 1,13 - "Animais enfermos" – versão inglesa – "Animais roubados".

Por interesses pessoais e egoístas, levavam animais que tinham valor

comercial menor ou de nenhum valor. Esse era o pão imundo.

E os sacerdotes indoçavam o plano; eles eram corruptos.

No capítulo 2,5 – observamos o amor de Deus, pelo fato de fazer uma aliança de "Vida e Paz". Por parte dos sacerdotes o pacto envolvia reverências e obedecendo a Deus, o Senhor abençoaria o sacerdócio fazendo um concerto perpétuo. Na realidade este concerto fora estabelecido porque o homem mudara com o Senhor, mas não o Senhor com o homem. O Senhor não muda. cap. 3,6.

Capítulo 3,7 – Deus fez um convite ao povo – "Tornai-vos para Mim".

É um chamado para um reavivamento.

Torna-se para reavivar-se. Isto é, restauração moral. Um convite que é feito em várias etapas da vida do povo de Israel e que nos dias de Malaquias se repete. Um convite a uma renovação espiritual, pois fora do reavivamento não há poder para combater o mal com eficácia; fora da ressurreição espiritual não há poder para vender o mal.

O reavivamento é a nossa maior necessidade. Quando houver o reavivamento, não haverá obstáculos a nos deter, pois na força do Senhor, no poder de Deus, nada poderá nos conter.

Ingredientes de Deus para reforma

Cap. 3,7-8 – Fidelidade nos dízimos e nas ofertas.

Ofertas e dízimos eram os ingredientes de Deus para o reavivamento, e ainda hoje são. Mas por que? Deus conduz Seu povo num relacionamento coerente e revela-lhes no cap. 3:5 a condição degradada em que Israel se encontrava; seus pecados os levara para longe de Deus, e viviam no terreno encantado do inimigo; feitiçaria, falsidade, furtos, oprimiam e não temiam ao Senhor.

Deus, por que um reavivamento através dos dízimos e ofertas?

Oferta roubada – dinheiro não dizimado.

Oferta coxa – oferta incompleta.

Oferta cega – Oferta não pensada.

Oferta enferma – dinheiro adquirido desonestamente.

Por que "tornar-se para Mim"? – Exatamente por terem perdido o temor do Senhor, eles praticavam os pecados mencionados no cap. 3,5, e tornou-se significativo "reconhecer a Deus como Senhor, Dono".

Eles deixavam de dar o segundo dízimo e com isto as viúvas , pobres e estrangeiros, que deveriam ser mantidos com este dízimo, passavam necessidades. Vejam que eles estavam falhando em tudo aquilo que o Senhor havia falado à Israel em Deuteronômio 14,28-29.

Dizimar e ofertar é algo espiritual, é reconhecer à Deus como Senhor de tudo. "Reavivamento é retorno aos princípios de Deus".

A primeira causa para o fracasso espiritual de Israel foi a perda do amor. A perda do amor mata o sacrifício, a abnegação e nasce o egoísmo. Perde-se o valor e desprendimento.

 Considerações finais do livro de Malaquias

1. Esse declínio espiritual de Israel, deu-se depois do cativeiro babilônico.

2. Segundo estudiosos, o profeta Malaquias levantou-se para pregar contra os erros de Israel, no período em que o profeta Neemias retorna a Babilônia, a mando do rei Artaxerxes (Neemias 13:6,7). Tudo indica, pelo conteúdo de seu livro, que seu ministério foi cerca de cem anos depois dos profetas Ageu e Zacarias.

3. Oito vezes o profeta se dirige ao povo falando-lhe de sua apostasia: 

"Em que nos tem amado?" (1,2)

"Em que desprezamos nós o Teu nome?" (1,6)

"Em que Te havemos profana o Teu nome?" (1,7)

"Em que O enfadamos?" (2,17)

"Em que havemos de tornar?" (3,7)

"Em que Te roubamos?" (3,8)

"Em que temos falado contra Ti?" (3,13)

"Em que nos aproveitou termos cuidado em guardar os seus preceitos?" (3.14)

4. Malaquias estava interessado principalmente no templo e no sacerdócio; porque ali estava o foco da vida religiosa do povo e de seu tempo. Os Israelitas tinham poluído e feito comum a maioria das coisas sagradas.

5.Malaquias em sua mensagem de condenação fala contra a vida moral e social. Erros cometidos:

       - Violação fragrante da Lei de Deus.

      - Abandono da legítima esposa sem motivo.

      - Casamento com mulheres estrangeiras.

      - Feitiçaria, adultério, perjúrio, opressão e fraude, eram erros comuns.

6. Apesar de Malaquias condenar o povo, e também os sacerdotes, assim mesmo o profeta de Deus foi instruído que falasse ao povo que eles deveriam dizimar, para que a tribo de Levi tivesse o seu sustento, e este repassassem os 10% para os sacerdotes se manterem. Quer dizer que, não cabia ao povo julgar os sacerdotes por seus erros, nem tão pouco deixar de fazer aquilo que o Senhor já havia determinado como prova de fidelidade a Ele, Deus.

7. "Trazei todos os dízimos a casa do tesouro, para que haja mantimento em Minha casa".

O que era a casa de Deus?

A casa do Senhor estava em Jerusalém, ali estavam todos os sacerdotes, todos os ministros do Senhor. Eles deveriam ser mantidos pelo povo; eles deveriam ter condições para sobreviver, e o santuário era o lugar onde o povo apresentava ao Senhor suas ofertas e seus dízimos, e então o Senhor repassava os dízimos dos levitas e dos levitas para os sacerdotes.

Se o povo não dizimasse, se a tribo de Levi não dizimasse aquilo que havia recebido do povo, como poderia haver alimento na casa do Senhor? Isso quer dizer, que os sacerdotes não teriam como sobreviver, e por isso não teriam condições de ali permanecerem para alimentarem o povo espiritualmente.

É interessante notarmos, que mesmo com os erros gravíssimos dos sacerdotes, Deus ainda apelava ao povo que trouxessem os dízimos a casa do tesouro. Por que?

1 – O Senhor deseja levar a nação de Israel e os sacerdotes, ao arrependimento e a uma mudança de vida.

2 – Nosso Senhor sabia que Israel sem líderes religiosos, sem homens que o levassem a um relacionamento íntimo com Deus, com toda a certeza, deixariam os caminhos do Senhor, deixariam a verdade, abandonariam Jeová. Isto significaria apostasia total de Israel.

"Severamente o mensageiro do Senhor tratou com os males que estavam roubando Israel de sua prosperidade temporal e poder espiritual. Em suas repreensões aos transgressores o profeta não poupou nem os sacerdotes nem o povo". P. P. pág. 705.

"O dízimo é sagrado, reservado por Deus para si mesmo. Tem de ser trazido ao Seu tesouro, para ser empregado em manter os obreiros evangélicos em Seu labor". C.M. pág. 93.

Expressão "casa do tesouro"

A expressão "Casa do Tesouro" tem em nossos dias sido interpretado como sendo igreja local e onde os dízimos e ofertas devem ser administrados e distribuídos. 

Mas, o que realmente quer dizer a expressão "Casa do Tesouro"?

Quando Salomão construiu o templo, várias salas ou câmaras foram construídas para diversos fins.

"Contra a parede da casa, tanto do santuário como do santos dos santos, edificou andares e ao redor fez câmaras laterais ao redor". 1 Reis 6,5.

Estas dependências, por exemplo, eram usadas como abrigo para os cantores que apresentariam suas músicas – "fora da porta interior estavam duas câmaras dos

cantores, no átrio de dentro...". Ezequiel 40,44.

Os guardas também ocupavam uma sala, "toda a vez que o rei entrava na casa do Senhor, os da guarda usavam os escudos e tornavam a trazê-los para a câmara da guarda". I Reis 14,22.

Entre as muitas salas ou câmara construídas, uma delas era usada para depositar o dízimo que não era composto apenas de moedas, mas também de produtos agrícolas. O dízimo era entregue e guardado. Neemias usa a expressão "casa do tesouro" para falar de uma destas câmaras ou salas onde eram depositados os dízimos". O sacerdote filho de Arão, estaria com os levitas quando estes recebessem os dízimos, e os levitas traziam os dízimos dos dízimos à casa do nosso Deus, às câmaras da casa do tesouro". Neemias 10,38. – era uma espécie de tesouraria. Portanto, "casa do tesouro" é uma expressão para designar primeiramente o lugar ou espaço, onde o dízimo deveria ser guardado.

King James Version traduziu a expressão de Malaquias 3 como "celeiro ou lugar onde cereais eram depositados", já que grande parte dos dízimos eram grãos.

Levar à "Casa do Tesouro" significa devolver o dízimo no lugar designado.

Quando lemos Malaquias 3,10 em outras versões, encontramos uma linguagem mais clara:

"Eu, o Deus todo poderoso, ordeno que tragam todos os seus dízimos aos depósitos do templo, para que haja bastante comida em Minha casa". B.L.H

"Tragam todos os dízimos aos depósitos do templo, para haver alimentos suficientes em minha casa". Bíblia Viva.

A tradução mais comum é "casa do tesouro" mas esta frase refere-se aos "depósitos do tesouro".

Definições da palavra "casa"

Na Bíblia Sagrada, encontramos várias definições para a palavra "casa":

a) "a casa de Arão confia no Senhor" – Sl. 115,10.

     Casa = família de Arão.

b) "De nós se tem lembrado o Senhor; Ele nos abençoara, abençoara a casa de Israel..." Sl. 115,12. Casa = nação, povo de Israel.

c) "Cumprirei os meus votos ao Senhor na presença de todo o Seu povo , nos átrios da Casa do Senhor..." – Sl. 116,18 - 19.

Casa = templo, santuário, tabernáculo.

E o restante da frase "para que haja mantimento em minha casa" Malaquias 3,10?

Não podemos deixar de pensar que o problema de Israel nos dias de Malaquias era o declínio espiritual, abandono dos princípios de Deus; e a reforma espiritual viria com a fidelidade nos dízimos e ofertas.

O povo deveria dizimar para a tribo de Levi e a tribo de Levi para os sacerdotes.

Israel   »  Deus    »  Levi    »   Deus   »   Sacerdotes.

Qual a finalidade dos dízimos (moedas e cereais em sua maioria) nos depósitos do templo? Quem fazia uso deste dízimo? 

O mesmo servia para manter os sacerdotes, a fim de que ministrassem ao povo as verdades divinas, fortalecendo assim a fé hebraica.

O dízimo não era usado para manutenção do templo, o templo sempre foi mantido por ofertas.

"Disse o Senhor a Moisés: Fala aos filhos de Israel que me tragam ofertas; de todo o homem cujo coração o mover para isso, dele recebereis a Minha oferta". Êx. 25,1 - 2.

"Os filhos de Israel trouxeram ofertas voluntárias ao Senhor; a saber, todo o homem e mulher cujo o coração os dispôs para trazerem uma oferta para toda a obra que o Senhor tinha ordenado se fizesse por intermédio de Moisés". Êx. 35,29.

Para edificar a casa do Senhor, o que fez o povo nos dias de Esdras?

"Alguns dos cabeças de famílias, vindo à casa do Senhor, a qual está em Jerusalém, deram voluntárias ofertas para a casa de Deus, para a restaurarem no seu lugar. Segundo o seu recurso deram para o tesouro da obra, em ouro sessenta e um mil daricos, e em prata cinco mil arráteis, e cem vestes sacerdotais". Es. 2,68 - 69.

Com isto podemos perceber que não existe nenhum apoio em toda a Sagrada Escritura, para uso do dízimo para manutenção da igreja. Nunca foi plano de Deus, que o dízimo fosse usado para outro fim, a não ser, manutenção no ministério.

"Deus não mudou: o dízimo tem de ser ainda empregado para manutenção do ministério". C.S.M. pág. 103.

"É-me ordenado dizer-lhes que estão cometendo um erro em aplicar os dízimos à vários fins, os quais, embora bons em si mesmo, não são aquilo que o Senhor disse que o dízimo deve ser aplicado". C.S.M. pág. 102.

Podemos ver com isto que há uma unidade, tanto na Bíblia quanto no Espírito de profecia, de que só existe um destino para dízimo.