Se Deus me dá 100%, porque eu não devolvo 10%

Com certeza, quando tratamos do assunto Dizimo muitas questões começam a surgir em nossa mente. Devemos pagar? Somos obrigados? Porque o Dizimo?

Acredito que a referencia primeira que devemos ter sobre o Dizimo é que esta palavra em hebraico significa a décima parte. No Antigo Testamento os judeus davam o Dizimo como uma gratidão pelos benefícios reconhecendo, desta forma, sua dependência de Deus: “Todos os dízimos são propriedades do Senhor: é uma coisa consagrada ao Senhor” (Lv 27,30). Assim, no Antigo testamento o Dizimo representava, tornava visível a comunhão do homem com Deus, que se caracterizava pelo reconhecimento de que Deus o provia em todas as necessidades. Portanto, dar o Dizimo significa muito mais que uma obrigação, pois, dar o Dizimo é colocar tudo no seu devido lugar. E Deus é quem tem que estar em primeiro lugar “Não digas no teu coração: a minha força e o vigor do meu braço adquiriram-me todos estes bens. Lembra-te de que é o Senhor; teu Deus, que te dá à força para adquiri-los” (Dt 8,17). Neste momento podemos nos perguntar: Como estou eu em relação ao Dizimo? Tenho vivido com consciência sua importância para minha vida? Reconhecendo Deus como meu Pai e Senhor que me abençoa?

É necessário tomar a decisão, fazer a experiência do Dizimo: “Pagai integralmente os dízimos ao tesouro do templo, para que haja alimento em minha casa. Fazei a experiência - diz o Senhor dos exércitos - e vereis se não vos abro os reservatórios do céu e se não derramo a minha benção sobre vós muito além do necessário” (Mal 3,10).

Portanto, a fidelidade ao Dizimo demonstra a escala de valores que orienta a nossa vida, pois, ser fiel é fruto do reconhecimento da verdade da Palavra de Deus.

O Dizimo não é uma contribuição mas um “devolver” a Deus aquilo que pertence a Deus: “Dá ao Altíssimo conforme te foi dado por Ele, dá de bom coração de acordo com que as tuas mãos ganharam” (Eclo 35,12).

Este é o nosso desafio; de nos comprometermos em entregarmos o Dizimo de nosso tempo e dinheiro, pois, para o cristão, ofertar não pode ser algo ocasional, mas uma conduta normal no seu relacionamento com Deus.

Um dia perguntaram a São Francisco com que valor uma pessoa devia praticar a caridade, ele respondeu: “A quantidade aconselhada pela Bíblia é a décima parte do ganho da pessoa, isto é, o Dizimo”.

Este é o nosso desafio, sermos fiéis ao Senhor, entregando o Dizimo de nosso tempo, de nossa vida, dos bens que o Senhor mesmo nos dá para a construção do seu Reino.

Através da edificação de nossas comunidades, da manutenção das obras de evangelização e do socorro aos mais necessitados. Vivenciando assim, o mesmo Espírito que movia os cristãos desde os primeiros tempos: “Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum” (At 2,44).