A B C D E F G H I J L M N O P Q R S T U V X Z

FACE

Muitas vezes o termo designa o próprio Deus, enquanto se volta ou se relaciona com o homem. “Contemplar a face” é ser admitido à presença de Deus; “ver a face de Deus” é algo perigoso para o homem (Ex. 33,20-23). O homem pede que Deus não lhe esconda a sua face (Sl. 27,8s), mas lhe mostre uma face compassiva (Nm. 6,25).

FAMÍLIA

Ver “Esposo”.

FARAÓ

Título bíblico dos reis egípcios. Veja os nomes de alguns faraós na Tabela Cronológica da História Bíblica .

FARISEUS

Partido religioso judaico, cujos membros se dedicavam ao estudo e observância da Lei mosaica e suas tradições, especialmente o sábado, a pureza ritual e os dízimos. Os precursores dos fariseus são os assideus do tempo dos Macabeus (cf. 1Mc. 2,42 e nota). Sob João Hircano I começaram a fazer oposição à sua política filo-helenística e por ter usurpado o sumo sacerdócio.

Os fariseus, embora defensores da teocracia, politicamente eram moderados frente ao domínio romano, se comparados à ferrenha oposição dos zelotes e ao apoio dado pelos saduceus. Comparados a estes últimos, os fariseus eram progressistas quanto às crenças religiosas: criam na existência dos anjos, na ressurreição e na imortalidade (Mt. 22,23-33; At. 23,6-10). Entre o povo gozavam de grande prestígio e liderança. Jesus condenava não a doutrina (Mt. 23,3) mas a hipocrisia e soberba dos fariseus (Mt. 23,13-36) que os levava a desprezar a massa “ignorante”(Lc. 18,9-14). Ver “Essênios”.

No AT a fé é raramente mencionada (cf. Hab. 2,4 e nota). Mas crer é a atitude característica do homem perante Deus. Ela implica numa adesão da inteligência em reconhecer a Deus em todas as suas manifestações de amor e suas exigências para com o seu povo. A atitude de Abraão é o modelo da verdadeira fé que salva (Gl. 3,6): ele jogou a sua vida, confiando na Palavra de Deus (Gn. 12,1-2; 13,14-18; Ez. 33,23-24; Eclo. 44,19-21; Jo. 8,56; Rm. 4,1s; Hb. 11,8-12).

O Êxodo é o tempo da prova na fé (Ex. 4,1-9; 33,1-6; Dt. 1,45-46; 4,1-8; 6,20-25; 10,12-22).

A fé inclui a esperança de um mundo melhor (Is. 40,1–41,20; 43,1-21; 49,22-23).

No NT acreditar é prestar fé à Palavra de Deus em Cristo (At. 24,14; Lc. 24,25-27); é obedecer a Deus (Hb. 11,1s; Rm. 1,5; 10,16s; 15,18; 16,19.26; 2Cor. 5,5s); é confiar nele (Mc. 11,22-24; At. 3,16; 1Cor. 13,2); é converter-se, aceitando o Evangelho (1Ts. 1,8-9; Rm. 10,17; 2Cor. 5,18s; At. 3,12-16).

Jesus exige fé em sua pessoa (Jo. 6,29-40). O coração da fé é a obra salvífica de Cristo, sobretudo a sua morte e ressurreição (1Cor. 15,1-20; Rm. 4,24; 10,9).

Paulo coloca a fé em Cristo como indispensável para a salvação (Rm. 1,16). Mas quando opõe fé a obras, fala das obras da Lei mosaica e não dos frutos da fé cristã (Rm. 4,13-25; Gl. 3,1s; Ef. 2,8-10; Mt. 7,16-27; Jo. 15,1-3.6-8; Tg. 2,16-26).

Alguns textos de primitivas profissões de fé: Lc. 24,34; 1Cor. 15,3-5; 1Ts. 4,4; 2Cor. 5,15; Rm. 4,25; 6,4.9; Fl. 2,6-11.

A Igreja é a depositária da fé: Mt. 16,16-19; 18,17s; 28,20; Mc. 16,15; Lc. 22,31s; Jo. 21,15-17; At. 1,24s; 15,7s; 20,28; 1Cor. 1,10; 1Tm. 6,20s; 2Tm. 4,2-5; Tt. 3,10s; 2Jo. 10.

FÉLIX

Procurador romano da Judéia, de 52 a 60 d.C; foi o segundo marido de Drusila, esposa do rei Agripa II (At. 23,26).

FENÍCIA

Região que abrange o monte Líbano e a zona litorânea desde o monte Carmelo. Seus habitantes dedicavam-se ao comércio e à navegação, fundando colônias em Chipre, Rodes, Sardenha, Sicília, França Meridional e norte da África. No tempo de Cristo a região pertencia à província romana da Síria. No AT é conhecida como Tiro e Sidônia; pertencia à Terra Prometida mas jamais foi anexada (Js. 13,4-6). Jesus visitou a região (Mt. 15,21) e Paulo a atravessou (At. 15,3).

FESTA

Israel conhece várias festas religiosas:

Festa da Lua Nova, que marcava o início do mês (1Sm. 20,5-26; Ez. 46,1-7; Nm. 28,11-14; Ne. 10,33-34; Gl. 4,10; Cl. 2,16-20).

O dia festivo semanal era o Sábado (Ex 16,4-36; 20,8-11; Is 56,1-6; 58,13-14).

A Festa dos Tabernáculos era celebrada em ação de graças pela colheita das azeitonas e das uvas (Jz. 9,27; 21,19-24). Era chamada também “festa da Colheita” ou “Festa”(Ex. 23,16; 34,22; Ne. 8,14; Jo. 7,11; cf. Lv. 23,33-44 e nota; Dt. 16,13-16; Lv. 23,34-44); atinge em Cristo o seu significado pleno (Jo. 7,37-39; 1Cor. 10,4).

A Festa das Semanas era celebrada após a colheita do trigo. É chamada “das semanas” porque se fazia sete semanas após a festa dos Ázimos (Nm. 28,26). É conhecida também sob o nome de “festa da Colheita”(Ex. 23,16) ou “festa das Primícias” da colheita do trigo (34,22). Mais tarde recebeu o nome de Pentecostes (Tb. 2,1; 2Mc. 12,31s; At. 2,1), porque se celebrava cinqüenta dias depois da oferta do primeiro feixe de espigas de cevada (Lv. 23,9-14; Dt. 26,1-11). Sendo de origem agrária, Pentecostes é uma festa alegre. Nela o israelita agradecia a Deus pela colheita do trigo, oferecendo-lhe as primícias (primeiros frutos) do que foi semeado nos campos (Ex. 23,16; 34,22). Na época pós-exílica começou a ser celebrada nesta festa a promulgação da Lei de Moisés (Lv. 23,15-21 e nota). Na festa de Pentecostes, após a morte de Jesus, a comunidade cristã, reunida no Cenáculo, recebeu o dom do Espírito Santo (At. 2,14). Ver “Páscoa”, “Sábado”, “Ázimos”.

FESTO

Foi procurador romano da Judéia depois de Félix (At. 24,27) e morreu em 62 a.C.

FILACTÉRIOS

Dt. 6,4-9 e nota.

FILHO DO HOMEM

A expressão bíblica significa muitas vezes simplesmente “homem”, “criatura pequena, frágil”(Sl. 8,5; 51,12; Jó. 25,6). O profeta Ezequiel é chamado pelo Senhor de “filho do homem”, para acentuar a distância entre Deus e o homem (cf. Ez. 2,1 e nota). Em Daniel a expressão indica os israelitas (cf. Dn. 7,13 e nota), “os santos do Altíssimo”(7,18s). Para afastar as falsas esperanças de um messianismo político, Jesus aplicou esta expressão a si mesmo. Deste modo sublinhava ao mesmo tempo sua fragilidade humana, enquanto Servo Sofredor (Mc. 8,31; 10,45; Is. 53,10) e sua grandeza sobrenatural e gloriosa (Mc. 8,38; 12,36; 14,62). Após a ressurreição14 a expressão “filho do Homem” foi entendida em sentido messiânico (At. 7,56; Ap. 1,13).

FILHOS

São a honra dos pais (Pr. 17,6; Sl. 128,3): devem ser educados (Pr. 22,15; Eclo. 22,3; cf. Mt. 11,16-19; Ef. 4,14; Gl. 4,1s); devem honrar os pais (Ex. 20,12; 21,17; Dt. 27,16; Eclo. 3,3; 7,27s); devem obedecer-lhes (Dt. 21,18-21; Pr. 1,8s; Eclo. 3,7s; Lc. 2,51; Ef. 6,1-3; Cl. 3,20); aceitar a correção (Pr. 12,1; 13,1; Eclo. 3,16; 20,5s; Lm. 3,27; Hb. 12,9); mostrar gratidão (Tb. 4,4; 9,4; Pr. 10,1; 23,22; Eclo. 3,11s). Ver “Adoção”.

FILIPE

Há vários personagens bíblicos com este nome:

1. Filipe, rei da Macedônia, pai de Alexandre Magno (1Mc. 1,1; 6,2);

2. Filipe III da Macedônia (1Mc. 8,5), derrotado pelos romanos em 197 a.C;

3. Filipe, amigo de Antíoco Epífanes (1Mc. 6,14-63; 2Mc. 9,29; 13,23);

4. Filipe, filho de Herodes o Grande e Cleópatra, tetrarca da Ituréia e Traconites (Lc. 3,1), do ano 2 a 34 d.C; ao morrer, sua tetrarquia passou ao controle da província romana da Síria;

5. Filipe, filho de Herodes com Mariamne II. Era casado com Herodíades, que o abandonou para viver com Herodes Antipas (Mt. 14,3);

6. Filipe, um dos apóstolos, natural de Betsaida (Jo. 1,43-46). É mencionado na multiplicação dos pães (6,5-7), como intermediário entre Jesus e alguns pagãos (12,21s) e num diálogo com Jesus (14,8-10);

7. Filipe, um dos sete diáconos (At. 6,5s), pregador do evangelho (8,5-13.26-40), visitado por Paulo antes de ser preso em Jerusalém (21,9).

FILISTEUS

Povo não-semita (cf. 1Sm. 17,26 e nota), proveniente de Cáftor, ou Creta (Dt. 2,23; Am. 9,7). Invadiram a costa marítima de Canaã no séc. XII a.C, pelo que depois esta região foi denominada Palestina. Oprimiram Israel na época dos juízes (Jz. 14–16) e de Saul. Mas Davi os subjugou (2Sm. 5,17-25). Com a divisão do reino (931 a.C) tornaram-se praticamente independentes e no tempo dos Macabeus desapareceram como povo.

FIM DO MUNDO

Ver “Parusia”.

FINÉIAS

Sacerdote da família de Aarão. Por ter-se mostrado zeloso pela pureza religiosa e racial de Israel nos campos de Moab (cf. Nm. 25,8 e nota), recebeu a garantia de um sacerdócio permanente para seus descendentes.

FIRMAMENTO

O céu era imaginado como uma abóbada consistente, na qual Deus pendurou as luminárias (sol, lua e estrelas: Gn. 1,14-18). Ver “Céu”.

FOGO

O fogo é símbolo da majestade e da força divina (Dt. 4,24; Is. 33,14; Sf. 1,18). Deus apareceu a Moisés na sarça ardente (Ex. 3,2), manifestou-se como fogo no Sinai (19,18). O fogo purifica e limpa o impuro (Lv. 1,9; 10,2; Nm. 11,1-3; Is. 1,25; 6,7; Mt. 7,19; 13,40-42; Jo. 15,6). Por isso a ira divina é representada pelo fogo que pune os maus (Gn. 19,24s; Sl. 50,3; Mc. 9,49). Jesus compara a punição definitiva dos maus com o fogo que não se apaga (Mt. 18,8; 25,41); mas também a virtude renovadora do Espírito Santo é um “batismo de fogo"(Mt. 3,11; At. 2,3).

FORNICAÇÃO

Ver “Adultério”.

FORTALEZA

A nossa força vem de Deus (Dt. 8,17; 32,27; Jr. 9,22; 1Sm. 14,6; Ez. 30,6; Lv. 26,19; Am. 6,13; Jz. 7,2; At. 6,8s; Rm. 8,31; 1Cor. 16,13; Ef. 6,10; Fl. 4,13; 1Jo. 2,14).

Só ele é onipotente. Manifestou o seu poder na criação e na libertação do Egito (Sl. 74,13-14; Jó. 25,1-6; 26,5-14; Jr. 27,5; Sl. 106,7-12; Ex. 15).

No combate escatológico, Deus manifesta a sua força (Hb. 3; Ap. 20,9-13; Is. 51,9-11; Jr. 50,33s). Manifesta-se ao realizar a obra da salvação, ressuscitando a Cristo (Lc. 1,37; Mt. 19,26; Ef. 3,20-22; At. 5,29-31).

Cristo recebeu plenos poderes (Mt. 28,18). Os apóstolos devem também ser revestidos da força do Alto (At. 1,8; Lc. 24,49).

FRUTOS

Ver “Boas Obras”.pondo-se ao serviço dos irmãos (Jo. 13,12-17; Lc. 1,48; 1Pd. 5,5; Tg. 4,6).