A B C D E F G H I J L M N O P Q R S T U V X Z

CAIFÁS

Exerceu a função de Sumo Sacerdote durante a atividade de João Batista (Lc. 3,2) e o processo contra Jesus (Mt. 26,3.57; Jo. 11,49; 18,24-28), entre 18 e 36 d.C. Era o genro de Anás (18,13).

CAIM

Ver “Abel”.

CÁLICE

Ver “Eucaristia”.

CALVÁRIO

Ver “Gólgota”.

CAMINHO

Além do seu sentido normal, o termo é usado em sentido metafórico como vida do homem, sua conduta e seus hábitos. Indica também o modo de agir de Deus para com o homem (“os caminhos de Deus”), ou as normas que ele traçou para o agir humano, isto é, os mandamentos. No NT a doutrina cristã é chamada “caminho”(At. 9,2; 16,17; 19,23; 22,4; 24,14).

CANÁ

Cidade da Galiléia onde teve lugar o casamento ao qual foram convidados Jesus e os apóstolos (Jo. 2,2) e onde foi curado o filho do oficial da corte (4,46). Era a terra natal de Natanael (21,2). Nas bodas de Caná, Cristo se manifesta como o Esposo da Igreja, no terceiro dia após seu batismo (Jo. 2,1-11; Mt. 22,1-14; Jo. 3,29-30). A intercessão de Maria mostra a sua participação no milagre, mas também a independência de Cristo (Jo. 2,3-5; Mc. 3,20-35; Lc. 11,27-28; 2,49).

A Hora de Jesus é a sua glorificação. Os milagres são a antecipação desta glória. São sete os milagres, “sinais”, manifestadores de diversos aspectos do Cristo joanino (Jo. 2,1-11; 4,46-50; 5,1-15; 6,1-15.16-21; 9,1-41; 11,33-44).

Jesus, a nova videira, muda em vinho a água das purificações rituais, pois é o seu sangue e a sua palavra o que purifica os homens (Jo. 15,1-8; Mt. 26,26-29; Is. 5,1-4; 24,8-11; Mc. 7,3-4; 1Jo. 1,7; Ap. 1,5; 7,14; 22,14).

CANANEU

Habitante de Canaã, terra prometida por Deus e conquistada pelos israelitas, situada entre o vale do rio Jordão e a costa do Mediterrâneo. No NT o termo aparece como nome de um partido político, chamado também dos zelotes. O apóstolo Simão era membro deste partido (Mc. 10,4-11).

CÂNON

Lista dos livros do AT e NT inspirados por Deus e, consequentemente, normativos para a fé e vida moral dos fiéis. O cânon dos livros inspirados formou-se definitivamente já na era apostólica. Mas houve dúvidas sobre determinados livros do AT e do NT, sobretudo entre o II e o IV séculos, devido à proliferação de livros apócrifos. Tais livros são chamados deuterocanônicos, porque foram reconhecidos como canônicos pela Igreja universal num segundo momento. Os deuterocanônicos do NT são: Hebreus, 2Pedro, Judas, Tiago, 2-3João e Apocalipse; os do AT são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc e 1-2Macabeus. Estes últimos não constam nas Bíblias editadas pelas Igrejas protestantes, que os consideram apócrifos. A Igreja Católica pronunciou-se definitivamente sobre o cânon no Concílio de Trento (1546).

CANÔNICO

Em sentido ativo, diz-se da Sagrada Escritura, enquanto é critério de verdade, norma de fé e de costumes. Em sentido passivo é o livro que está incluído no cânon ou lista oficial dos livros reconhecidos pela Igreja como inspirados. Distinguem-se livros protocanônicos sobre cuja inspiração houve desde o início consenso em toda a Igreja, e livros deuterocanônicos, de cuja inspiração em determinadas igrejas locais duvidou-se durante algum tempo. Ver “Cânon”.

CARIDADE

Não deve ser confundida com o simples dar esmolas. No AT a caridade ao próximo se restringia sobretudo ao povo israelita (cf. Lv. 19,18; Eclo. 12,1-17 e notas). Ver “Amor” e “Eucaristia”.

CARISMA

Termo grego que significa um dom gratuito. É um dom especial do Espírito, dado ao cristão para o bem comum do próximo e a edificação da Igreja (Rm. 12,8; 1Cor. 12,4-10; Ef. 4,11-13). Paulo fala longamente na 1Cor. 12–15 dos carismas, cuja importância foi muito grande para a difusão do cristianismo. Menciona, entre outros, os dons da sabedoria, da cura, dos milagres, da pregação e do ensino. O mais importante de todos é a caridade.

CARMELO

Nome de uma cidade ao sul de Judá (Js. 15,55; 1Sm. 25,7.40). Nome também de uma serra de 20 km de comprimento, entre o mar Mediterrâneo e a planície de Jezrael (1Rs. 18,42-46). Ali residiam as primeiras comunidades de profetas sob a direção de Elias e Eliseu (1Rs. 18; 2Rs. 2)

CARNE-ESPÍRITO

A antropologia bíblica não conhece a dicotomia grega: corpo-alma. O homem é visto como uma unidade vivente. O termo “carne” é usado simbolicamente para indicar muitas vezes a transitoriedade e a fraqueza do ser humano, mortal e pecador (Gn. 3,3; Jr. 17,15; Jó. 10,4; Mt. 26,40s; 2Cor. 12,7-10; Is. 40,3-8; Jo. 17,2). O próprio Verbo de Deus assumiu esta carne frágil e mortal (Jo. 1,14; 1Tm. 3,16).

Enquanto indica o ser humano na sua fragilidade, “carne” pode estar em oposição ao espírito (Is. 31,3; Sl. 56,5; 2Cr. 32,8). Neste último sentido, nas epístolas de Paulo “carne” significa o homem natural, sem a graça, na sua fraqueza e tendência ao mal (Rm. 9,6-13; Gl. 6,12-15; Fl. 3,2-5; Ef . 2,11-13; Rm. 8,12-15), em contraste com o espírito, força que recebe o homem purificado pelo batismo (Rm. 7,14-25; 13,11-14; Ef. 2,1-6; Cl. 2,13-23). O cristão é aquele que não vive mais na “carne” mas no “espírito”(Rm. 8,9). Por isso o cristão deve crucificar a carne com suas concupiscências (Rm. 8,5-13; Gl. 5,22-25; Cl. 1,24-29).

O espírito, alento vital, sopro ou vento, indica a ação de Deus no ser humano (Gn. 2,7; 6,17; 7,22; Rm. 8,14-16; 1Cor. 2,10-13; Gl. 5,13-25; 6,8-10), opõe-se à carne, em sentido mais religioso que físico.

CASTIDADE

Ver “Virgindade”.

CATIVEIRO

Houve dois cativeiros ou exílios na história do povo eleito. Em 722 a.C foi deportada para a Assíria a população do reino do Norte, invadido e destruído pelos assírios (2Rs 17). Em 587 a.C foi deportada para a Babilônia boa parte da população do reino do Sul, quando Nabucodonosor destruiu Jerusalém (2Rs. 25). Durante o cativeiro da Babilônia os exilados foram confortados pelas palavras do profeta Ezequiel e de um profeta anônimo (Is. 40–55). Eles reavivaram as esperanças de um retorno à pátria, o que aconteceu com o edito de Ciro (538 a.C), o rei dos persas, que conquistou a Babilônia (Esd. 1,1-4). A dura provação do exílio contribuiu para uma profunda revisão das crenças e renovação espiritual de Israel. O cativeiro da Babilônia é o símbolo do homem decaído e libertado pela graça de Jesus Cristo (Hb. 2,14s).

CELIBATO

É o estado de uma pessoa que se mantém solteira, aconselhado por Cristo em vista do Reino de Deus (Mc. 10,28-30; Lc. 18,26-30; Mt. 19,27-29; 22,30) e pelo Apóstolo (1Cor. 7,1.7.32-35.38-40); é possível viver neste estado com a graça de Deus: Mt. 19,26; Rm. 8,11.13; 1Cor. 10,13; 2Cor. 12,7-9).

CÉSAR

Nome do famoso general, conquistador da Gália. Mais tarde tornou-se o título usado pelos imperadores romanos (Mt. 22,17-21; At. 25,2-12).

CESARÉIA

Duas são as cidades com este nome na Palestina:

1. Cesaréia Marítima, construída por Herodes o Grande em homenagem a César Augusto. Tornou-se a residência dos procuradores romanos; ali morava também Cornélio (At 10,1) e o diácono Filipe (21,8).

2. Cesaréia de Filipe, construída por Herodes Filipe nas cabeceiras do rio Jordão. Perto desta cidade Pedro confessou que Jesus era o Messias esperado e Jesus prometeu fazer dele o chefe da futura Igreja (Mt. 16,13-20).

CÉU

O céu pode ser tomado em sentido cosmológico: os antigos o imaginavam como firmamento sólido (Is. 40,22; 44,24), apoiado sobre colunas (Jó. 26,11). No firmamento há eclusas e por cima estão as águas do Oceano primitivo (Gn. 7,11; Sl. 148,4-6).

O céu em sentido teológico é a morada de Deus, cujo trono está acima do firmamento (Is. 66,1; Ex. 24,10s; Sl. 104,3). Mas Deus não está circunscrito à sua morada. Ele está presente em toda a parte (1Rs. 8,27). Por isso “céu” é a vida divina repartida com os eleitos na eternidade. Esta realidade religiosa é expressa com imagens: nova Jerusalém, novo templo, Sião reconstruída, montanha santa, etc. (Is. 4,2-6; 25,6-9; 60; Zc. 2,14; Ez. 37,26-28; Sl. 48,2-4).

No NT céu substitui o próprio nome de Deus (Mt. 5,16-20; 6,9; cf. 1Mc. 3,18 e nota).

Nos céus está Cristo, nossa esperança (Ef. 1,18-22; Cl. 3,1-4; Jo. 14,1-3). Por isso o céu é nossa herança (Fl. 3,17-21; Cl. 1,5.12; 1Pd. 1,4; Lc. 10,20; Mt. 25,31-46). Quando a recebermos, viveremos de Deus (1Jo. 3,2; 2Cor. 5,4-8; Ap. 5,6-12; 7,2-12; 14,1-3; 21). Ver “Retribuição”.

CIRCUNCISÃO

Operação cirúrgica para remover o prepúcio, pele que cobre a glande do membro viril. A prática de caráter mágico de iniciação ao matrimônio, conhecida por muitos povos antigos, existe ainda hoje em tribos primitivas da África, América e Austrália. Os israelitas aprenderam a circuncisão dos egípcios. O uso da circuncisão não é simples prática higiênica (como a operação de fimose), mas um rito de puberdade que marca o início da idade viril. Em Israel a circuncisão se fazia já no oitavo dia do nascimento (Lc. 1,59; 2,21); a partir do exílio, foi considerada um sinal da aliança (Gn. 17,3-14), um rito de inserção no povo eleito (Ex. 4,24-26; 1Mc. 1,15 e notas).

Os profetas mostram ser mais importante do que a marca da carne a “circuncisão do coração”(Dt. 10,16; 30,6; Jr. 4,4; 9,25), que consiste na remoção dos obstáculos postos pelo homem em sua relação com Deus (Rm. 2,29; 4,3.9.22; Cl. 2,11).

CIÚME

Em sentido humano, é o zelo do homem pelos seus direitos conjugais (Pr. 27,4), que pode submeter a esposa ao processo do ordálio (cf. Nm. 5,11-31 e notas). Pode significar também inveja ou rivalidade (11,26-29; Sl. 37,1). Em sentido religioso o termo indica o zelo pela causa de Deus (Nm. 25) e, sobretudo, o amor apaixonado, exigente e exclusivista de Deus. Deus não admite concorrentes ao lado dele (Ex. 20,5); propõe uma aliança exclusiva com seu povo (34,12-16), exigindo amor total e exclusivo (Dt. 6,5.13-15). Deus defende com ciúme a honra de seu santo nome (Ez. 36) e com zelo defende o seu povo (Is. 9,6; 63,15).

CLÁUDIO

Nome do imperador romano (41-54 d.C) que sucedeu a seu primo Calígula. O profeta Ágabo anunciou uma fome que devia vir para o mundo inteiro sob seu governo (At. 11,28). No ano 49 d.C Cláudio decretou a expulsão dos judeus de Roma, entre os quais estavam Áquila e Priscila (18,2).

CLÉOFAS

Esposo da Maria que estava aos pés da cruz com a mãe de Jesus (Jo. 19,25). Ele teria sido irmão de José, esposo de Maria, Mãe de Jesus; isto é, tio de Jesus. É distinto do outro Cléofas, um dos discípulos de Emaús (Lc. 24,8).

COBRADOR DE IMPOSTOS

Ver “Publicano”.

CÓDICE

Inicialmente os livros eram escritos à mão, em rolos, isto é, em, tiras de papiro ou de pergaminho. Aos poucos surgiu uma nova técnica de fazer livros: as folhas avulsas de um documento escrito eram dobradas, colocadas uma sobre a outra e costuradas, dando origem ao “códice”. Quatro folhas, cada uma dobrada ao meio, davam um caderno de oito folhas ou dezesseis páginas. Tal técnica, já conhecida no séc. II a.C, tornou-se comum nos manuscritos cristãos. São famosos os códices gregos da Bíblia, conhecidos pelos nomes Vaticano, Alexandrino e Sinaítico. Ver “Manuscrito”.

COMÉRCIO

Profissão perigosa porque leva facilmente à apropriação indébita dos frutos do trabalho alheio (Ez. 26-28; Eclo. 26,29; 27,1; Ap. 18,15). Os abusos são denunciados e condenados (Dt 23,19; Pr 11,26; 20,10.23; Ez. 18,18; Am. 2,6s; 5,11s; 8,5s). Como proceder: Lv. 19,35s; 25,14; Dt. 23,13-16; Pr. 11,1; 1Cor. 7,30).

COMUNHÃO

Ver “Eucaristia”, “Participação”.

CONFESSAR

Significa professar a fé em Cristo (Rm. 10,9; Fl. 2,11), louvar a Deus pelas suas maravilhas (Lc. 1,46-54.68-79; Mt. 11,25-27), ou reconhecer os próprios pecados (Lv. 5,5; Nm. 5,7; 1Jo. 1,9).

Quer nos sacrifícios da Antiga Lei, quer no batismo de João, as pessoas confessavam-se pecadoras (Lv. 4; 23,26-32; Mt. 3,6; Mc. 1,4-5; Lc. 3,3-14). Cristo, com efeito, veio para os que se confessam pecadores (Mt. 9,13; 11,19; 1Tm. 1,5). Os evangelistas contam-nos algumas destas confissões (Lc. 5,8; 7,36-50; 19,1-10; Jo. 4,5-42; Lc. 15,11-32; 18,9-14). Os apóstolos falam da confissão dos pecados (1Jo. 1,9-10; At. 19,18; Jo. 20,23; Mt. 18,18; Tg. 5,16).

CONFIRMAÇÃO

João Batista anunciava um batismo no Espírito e no fogo (Lc. 3,16). O evangelista João fala dum renascimento da água e do Espírito (Jo. 3,5; cf. 1Jo. 2,20.27). O próprio Jesus anunciou um outro “Paráclito” (Jo. 14,16.26; 15,26; 16,7-15; At. 1,4-8).

No Pentecostes a ligação Espírito-fogo é evidente, bem como o tema da reunião frente à dispersão babilônica (At. 2,1-13; 4,31-33; Gn. 11,1-9).

Para os primeiros cristãos Batismo e Espírito estavam unidos (At. 8,14-17; 19,1-7; 10,44-47; 9,17-18). Batizados e confirmados recebemos em nós o “selo”, a assinatura do Espírito Santo, como os hebreus a recebiam na carne pela circuncisão (Rm. 4,11; Ez. 9,4-7; Ap. 9,4; Fl. 3,3; 2Cor. 1,14-22; Ef. 1,13-14; 4,30; 1Jo. 2,20-27).

CONSAGRAR

Retirar um objeto ou uma pessoa do uso profano, para transferi-los de modo permanente ao domínio de Deus (Ex 13,1; 30,29). Ver “Anátema”.

CONSCIÊNCIA

Esta realidade, sobretudo no AT, existe sob o nome de coração e rins. Estes últimos englobam o mundo passional do inconsciente. Deus é aquele que penetra e julga os rins e o coração (Sl. 7,9-13; 16,7-9; 139; Jr. 11,19-20; 12,1-3; 17,9-11; 1Rs. 8,37-40; 1Jo. 3,19-21; 1Sm. 16,6-11; Jó. 27,1-7). Afasta os corações endurecidos (Is. 6,9-10; At. 7,51-54; Jo. 12,37-43).

A consciência arrependida é um coração despedaçado (Jl. 2,12-17; Sl. 51,18-19; 2Cr. 6,36-39; 15,11-14). É preciso circuncidar o coração, evitando o formalismo (Jr. 4,1-4; 9,24-25; Dt. 10,15-17; Rm. 2,25-29).

Deus dá um coração novo, isto é, uma nova consciência (Jr. 31,31-34; 32,37-41; Ez. 11,17-21; 36,23-28). Daqui a expressão “amar a Deus com todo o coração”(Dt. 6,4-6; 10,12-13; 13,4-5; 30,1-6; Mt. 22,34-37). Assim a moral do NT é uma moral interior, do “coração puro”(Sl. 64,10-11; Mt. 5,8.28; 6,1-6; 1Pd. 1,21-23; Hb. 9,13-14; 10,19-23; 1Cor. 4,3-5; 2Cor. 1,12-14; Rm. 2,12-16; 13,5; 14,10-23).

CONVERSÃO

É a mudança moral, pela qual o homem renuncia à sua conduta anterior, volta-se para Deus e cumpre a sua vontade. Na pregação dos profetas conversão é abandonar o serviço dos ídolos, que leva a descuidar do serviço de Deus e da observância de seus preceitos (Jr. 7; cf. 1Ts. 1,9). Esta conversão, porém, não é obra humana, mas fruto da intervenção de Deus na vida moral do homem (Jr. 24,7; 31,31-34; Ez. 11,18-21; Os. 14,2-10).

Tanto João Batista como Jesus começaram sua pregação exortando à conversão, em vista da proximidade do Reino de Deus (Mt. 3,2; 4,17; Mc. 1,15). Depois de Pentecostes os apóstolos convidam seus ouvintes à conversão para serem batizados (At. 2,38; 20,21). Ver “Confissão” e “Penitência”.

CORAÇÃO

Além de órgão humano ou animal, o coração é visto como sede do homem interior (1Pd. 3,4), conhecido por Deus (1Sm. 16,7). É a sede da vida intelectiva, dos pensamentos (Dn. 2,30), da fé e da dúvida (Mc. 11,23; Rm. 10,8s), enfim dos sentimentos e das paixões em geral (Dt. 15,10; 20,3; 28,47; Rm. 1,24). O coração é ainda a sede da vontade, da vida moral e religiosa (Lc. 21,14; 2Cor. 9,7; Gl. 4,6). Por isso o coração representa o homem todo (Jl. 2,13). Ver “endurecimento do coração” em Ex. 7,3 e nota.

CORDEIRO DE DEUS

Ver “Cristo”.

CORPO MÍSTICO

A Santa Ceia inspirou Paulo a fazer da expressão “ Corpo de Cristo” o centro e a característica da caridade (1Cor. 11,17-34; 10,16-17). Era um lugar comum tomar o corpo humano como tipo de solidariedade (1Cor. 12,14.18.25.27; Rm. 12,4-8; Cl. 3,15). É o fundamento da castidade cristã (1Cor. 6,13-17).

O Corpo místico é identificado com a Igreja, a reunião dos crentes; Cristo é a cabeça desta reunião. O Espírito Santo, a alma (Ef. 1,22-23; Cl. 1,18.19.24; 2,18-19; Ef. 4,15-16).

CORREÇÃO FRATERNA

Se teu irmão se porta mal, repreende-o (Lc. 17,3), mas antes olha para ti mesmo (Mt. 7,1-5) e faze-o sempre com bondade (Eclo. 19,17; Mt. 18,15-17; Lc. 23,40; 1Cor. 4,14; Gl. 2,11; 6,1; 1Ts. 5,14; 1Tm 5,1-2; Tg 5,19-20). Devemos aceitar a correção com humildade (Sl. 141,5; Pr. 12,1; Eclo. 21,6; Mt. 18,15-17).

CRIAÇÃO

O tema constitui uma das noções básicas da fé de Israel. A Bíblia projeta na contemplação da criação a experiência da Aliança e da sua vivência religiosa. Assim, o autor inspirado conforme seja um narrador ou um poeta, um sábio, um sacerdote, um cantor, admirará na criação ora a onipotência divina, ora a sua sabedoria, ora o seu governo real, ora a sua manifestação.

A mais antiga narração da criação é do séc. X a.C. Numa linguagem popular, atribui a Deus a criação do ser humano e pretende responder a vários “porquês”: da vida a dois, do trabalho, da dor (Gn. 2,4-25). Um poeta admira a onipotência de Deus na criação (Jó. 38,1–40,5; 26,5-14; Sl. 89,10-13). Louva a Deus com entusiasmo pela grandeza de seu poder criador (Sl. 8; 19,3-7; 104), pois ele criou todas as coisas do nada (cf. 2Mc. 7,28 e nota). Louva a Deus pela sabedoria da criação (Is. 40,12-17; Pr. 8,22-35; Eclo. 43,33; Sl. 19,1-3).

Deus é o criador do mundo (Jr. 27,5; 31,35) e da história (Is. 22,11; 37,26). Na literatura pós-exílica as afirmações sobre o poder criador de Deus são mais freqüentes. Ele cria o universo pela sua palavra (Sl. 33,6-9; 148,5; Is. 40–55) e renova a criação, realizando a salvação prometida (Is. 41,20; 45,8; 48,7) e transformando o coração do homem arrependido (Sl. 51).

No NT sabemos que tudo foi criado em Cristo e por Cristo (1Cor. 8,6; Cl. 1,16; Hb. 1,2), e que a sua obra redentora é uma nova criação (Rm. 8,18-22; 1Cor. 15,45-48; 2Cor. 5,17; Ef. 4,24; Tg. 1,18; 2Pd. 3,13; Ap. 21,1-5; cf. Is. 65,17-18).

CRISMA

Ver “Confirmação”.

CRISTÃO

O nome vem de Cristo, o Ungido. Deve ter sido dado pelos magistrados romanos aos seguidores de Jesus Cristo. Esta denominação foi dada aos discípulos de Jesus pela primeira vez em Antioquia da Síria (At. 11,26; cf. 26,28; 1Pd. 4,16).

CRISTO

O termo de origem grega significa “ungido” e traduz o termo hebraico “messias”. Os sumos sacerdotes (Lv. 4,3-16; 6,15) e os reis de Israel (1Sm. 12,3-5; 24,7.11) eram chamados “ungidos”. Os discípulos de Jesus deram-lhe o nome de “Cristo”(Ungido), reconhecendo-o como o messias prometido (Jo. 1,41; 4,25; Mt. 16,16).

Em alguns textos Jesus é diretamente chamado “Deus” devido ao monoteísmo hebraico (Jo. 1,1; 20,28). Cristo exprime sua divindade com a expressão “Eu sou” (Jo. 8,24.28.58; 13,19; cf. Ex. 3,14; Is. 43,10-13).

É o Filho de Deus: O povo de Israel (Ex. 4,22; Os. 11,1; Is 1,2; 30,1; Jr. 3,22; Is. 63,16); o rei e certos chefes (2Sm. 7,14; Sl. 2,7); os anjos e os justos (Sb. 5,1-5; 2,13-18; Jó. 1,6) são chamados também filhos de Deus. Jesus recebe este título no batismo (Mc. 1,11) e na fidelidade à sua missão (Mc. 9,7; 15,39).

Cristo é a fonte de água viva (1Cor. 10,1-11; Jo. 2,1-11; Ap. 21,6; Jo. 19,34-37; 7,37-39; Ap. 22,1-2) e a Luz dos povos (Lc. 1,78s; Jo. 1,4-13; 8,12; 9,1s; 12,46-47; At. 13,46-47; 26,22s; 1Ts. 5,2-7; Ap. 21,22-27; 22,16; cf. Is. 9,1-6; 42,6-9; 60,1-9).

Cristo é o “Senhor”(Kyrios), título que proclama a divina soberania de Jesus (1Cor. 8,5-6; At. 10,36; Rm. 10,2; 14,7-10; Fl. 2,10-11; Jo. 20,24-28; 21,7.15-17). Por isso o temor de Javé (Senhor, nesta Bíblia) passa a ser temor do “Senhor”(At. 9,31; 2Cor. 5,11; Ef. 5,21). A “glória” de Javé transforma-se na glória do “Senhor”(Jo. 1,14; 2,11; 1Cor. 2,8; 2Tm 4,18; 1Tm. 3,16; Fl. 2,9-11). O dia de Javé –anunciado pelos profetas –passa a ser o “Dia do Senhor”(At. 2,20; 17,3; 1Cor. 1,8; Fl. 1,6-10).

Cristo é o bom Pastor (1Sm. 16,10-16; 17,33-37; Ez. 34; Mt. 25,31-33; Ap. 12,5; 19,15; 1Pd. 5,4; Jo. 10,1-18; Lc. 15,1-7); o juiz misericordioso (Lc. 7,37; 9,10; 19,5; Jo. 8,3; 10,11) e justo (Mt. 24,30s; Jo. 5,22; At. 10,42; 17,31; Rm. 2,16).

É a imagem visível do Deus invisível, o novo Adão, a divina Sabedoria (Sb. 7,6); é a imagem da “glória” ou resplendor de Deus (2Cor. 4,1-6; Cl. 1,15); batizados em Cristo, também somos suas imagens (2Cor. 3,18; Cl. 3,1-11; Rm. 8,29; 1Cor. 15,49).

Cristo é o Servo do Senhor (Lc. 22,20.37; Jo. 13,1-15; At. 8,30-35; 1Pd. 2,21-25; cf. Is. 52,13–53,12); manso como um cordeiro, sofre pelos pecados do seu povo (cf. Jo. 1,29.36; 1Pd. 1,19; Ap. 5,6; 8,12).

É o Salvador do mundo (Is. 62,11; Zc. 9,9; At. 5,31; Fl. 3,20; Lc. 19,10; 1Jo. 4,10), a luz do mundo (Mt. 4,16; Lc. 2,30-32; Jo. 8,12; 1Jo 1,5). É aquele que nos remiu do erro e da ignorância (Lc. 1,79; Jo. 1,9; 3,19; 8,12; 12,46), do pecado e consequências (Jo. 8,51; Rm. 3,24s; 4,25; 5,6-9; Cl. 1,14; 1Pd. 1,18s; 2,24; 1Jo. 1,7; Ap. 1,5; 5,9). Ver “Palavra”.

CRUZ

Instrumento romano de tortura, reservado para escravos e criminosos. Para os judeus o supliciado na cruz era considerado maldito (Dt. 21,23; Gl. 3,13). Mas, depois que Jesus foi supliciado na cruz, esta se tornou o símbolo religioso do seguimento humilde e abnegado de Cristo. Seguir a Jesus e tomar a própria cruz são elementos inseparáveis da vida cristã (Mt. 10,38; 16,24; Lc. 9,23.57-62; Gl. 5,24).

Tomar a própria cruz se concretiza no martírio e na ascese (Fl. 3,17-18; Gl. 5,24; Ap. 11,8; Mt. 23,34; Gl. 2,19-20; Jo. 3,14-15). Escândalo para os judeus (Gl. 5,1) e loucura para os pagãos (1Cor 1,18-23), a cruz é um resumo de todo o Evangelho (Gl. 6,12-14). Por meio dela nos veio a redenção (At. 5,30s; Gl. 3,13). Carregando a própria cruz, o homem participa dessa redenção (Ef. 2,14-16; Cl 1,20; 2,14), pois crucificado com Cristo pelo batismo obtém a vida pela fé (Gl. 2,19; Rm. 6,6).

CULTO

O NT representa um esforço de espiritualização do culto. Em vez do Templo de pedra, Cristo e os cristãos são templos de Deus (Jo. 2,13-22; 4,23-24; Mc. 14,58; 15,29-30; 1Cor. 6,19; Ap. 21,22; 1Cor. 3,16; 2Cor. 6,16.

Quanto ao culto das imagens, ver “Cristo, imagem visível do Deus invisível.” Depois de Cristo é o homem, a imagem de Deus (Gn. 1,26-27; 1Cor. 11,7).

Espiritualizar o culto é centrá-lo na caridade e na verdade (Mt. 9,13; Lc. 11,41-42; Tg. 1,26-27; Rm. 12,1-13; Fl. 2,17; 4,18).

A princípio, os cristãos observavam o sábado, como também subiam ao Templo (At. 2,46; 3,1; 5,20-25). Mas depressa se impôs o Domingo, dia da Ressurreição (At. 20,7; 1Cor. 16,2; Mc. 16,1; Mt. 28,1; Lc. 24,1; Jo. 20,1; Cl. 2,16; Ap. 1,10). Por isso, não devemos manter as festas da Antiga Aliança (Cl. 2,16.20; Gl. 4,3.10).

A liturgia cristã toma elementos sinagogais: leituras, cantos e hinos (Cl. 3,16; Ef. 5,14-19; 1Tm. 3,16; Ap. 4,8; 15,3-4). Mas a “fração do pão” toma o lugar central (At. 20,7.11; 1Cor. 10,16; 11,20.25).

Além da “fração do pão” ou eucaristia, aparece o batismo por imersão, proclamação da Ressurreição (Ef. 2,15; 5,26; Tt. 3,5-7; Rm. 6,3-8; 8,11; 1Cor. 12,13).Ligado com a Ressurreição, está o rito da remissão dos pecados (Mt. 18,18; Jo. 20,22-23; Lc. 24,47; Tg. 5,16).

Era também frequente o gesto sagrado da imposição das mãos (1Tm. 4,14; Mt. 19,15; 2Tm. 1,6; At. 6,6; 8,17s; 13,3). Ver “Sábado”.