SÍNTESE DO II CONGRESSO NACIONAL DOS DIÁCONOS PERMANENTES DO BRASIL

Nesta síntese, colocamos em destaque algumas idéias que tiveram caráter impulsionador para o Ministério diaconal numa Igreja evangelizadora.

Do painel inicial em torno dos desafios e perspectivas do diaconato numa Igreja ministerial, destacamos de Dom Aloisio Lorscheider (arcebispo de Aparecida) o desafio de que " parece não existir suficiente clareza e entusiasmo sobre a função e o lugar do diácono na Igreja e no mundo". Salientou como perspectiva a necessidade da valorização do Ministério Diaconal como base para a edificação de uma Igreja servidora, pobre e missionária.

"O diaconato deve orientar o caminho renovador dentro de uma Igreja serva e pobre", desenvolvendo a sua dimensão profético transformadora da sociedade, e priorizando uma atuação e presença capilar em comunidades de dimensões humanas.

Padre Antônio Almeida (Diocese de Apucarana - PR) situando o Ministério diaconal no contexto do modelo da Igreja toda ministerial, destacou a necessidade de pensar e viver o diaconato como ministério próprio, original, não como grau, nem como parte do ministério presbiteral. Este ministério encontra na diaconia da caridade o seu eixo, o seu sentido e a sua mais original especificidade. Outro aspecto focalizado foi o do diácono como fator de "laicização" do ministério ordenado.

O Sr. Carlos Signorelli (Conselho regional de leigos - Campinas - SP) levantou um importante questionamento que sacudiu toda a assembléia, sinal de que é um dos aspectos sobre o qual devemos estar cada vez mais atentos. Referiu-se ao perigo do diácono vir a ser empecilho ao desenvolvimento e surgimento dos ministérios laicais e de caracterizar o próprio ministério como "suplência". Sobre a "suplência" pronunciaram-se todos os três painelistas, considerando este tema como impróprio e ressaltando o sentido da complementariedade dos ministérios.

Importantíssima foi a apresentação feita por Pe. Antônio Almeida sobre o texto de Estudo da Missão e Ministérios dos Leigos e Leigas Cristãs (doc. 77 - Estudos da CNBB). Destacamos o esclarecimento fundamental de que não somos Igreja de Clérigos e Leigos, e sim, Igreja de ministérios, carismas e serviços situados na Igreja como Povo de Deus.

O congresso alcançou o seu momento culminante com Dom Luciano Mendes de Almeida (arcebispo de Mariana - MG). Desenvolveu o tema Ministério diaconal na Igreja Evangelizadora. Fez-nos vibrar sentindo o grande desafio da Igreja e do Ministério Diaconal levando-nos a perceber que estamos na "Era diaconal" para a Igreja e para o mundo. Dom Luciano nos ajudou a entrar de cheio na identidade e protagonismo dos diáconos, seja como elemento transformador da sociedade onde o diácono atua, seja como elemento transformador no interno do ministério ordenado. O diácono é aquele que deveria organizar toda a dimensão social da Igreja. O novo passo que a Igreja deve dar é o da organização da "caridade".

Caridade que todos devemos aprender na Igreja, do coração do diácono, do coração da esposa do diácono, mesmo que a isto não estejamos habituados nem os leigos, nem os presbíteros e nem as comunidades.

Merece destaque a proposta lançada por Dom Luciano, que foi aplaudida pelo plenário e que deverá ser estudada pelo setor vocações e ministério da CNBB, de se realizar uma assembléia dos ministérios ordenados, para aprendermos uns com os outros, através da partilha e troca de experiências.

Com a exposição que nos brindou o Pe. Valter Goedert sobre o "Diretório" e as "Diretrizes nacionais" para o diaconato permanente, ajudando-nos a identificar as semelhanças de ambos os documentos e ao mesmo tempo a perceber riquezas próprias da nossa realidade sobre a vida e o ministério dos diáconos, conseguimos um frutuoso trabalho de grupos onde já foram colhidas as primeiras contribuições para o aprimoramento do texto. A partir de agora se inicia todo um processo de estudo envolvendo todos os setores da Igreja.

Um dos pontos que foi constante a todos os expositores, foi a necessidade de que o diácono coloque mais ênfase no serviço-caridade, do que na vida litúrgica. Porém, sem esquecer que o serviço sem a liturgia corre o risco de ser uma assistência social.

Ainda como solicitação unânime e necessidade essencial para a vida e desenvolvimento no Ministério diaconal no Brasil, foi solicitado da CNBB uma conscientização da realidade diaconal para os presbíteros e leigos.

Constatamos que a reflexão sobre o diaconato cresceu neste Congresso, porém que ainda sente-se falta desta reflexão em certas dioceses.

Outro aspecto no qual sentimos um avanço, foi nas celebrações litúrgicas tão dinâmicas e expressivas neste Congresso, graças à ajuda da Irmã Silde e Pe. Osmar da dimensão litúrgica da CNBB.

O tema sobre a Espiritualidade diaconal na vivência da dupla sacramentalidade, exposto pelo diácono José Luiz, de Brasília, nos ajudou a perceber como a dupla sacramentalidade é uma complementariedade essencial para a realização da família diaconal.

A presença e participação das esposas dos diáconos com seus testemunhos e "reclamações", serviram para nos alertar de que, no caminhar juntos na vida diaconal, temos ainda muito a ser aperfeiçoado.

A partilha da vida e experiência entre todos, foi de uma riqueza indiscutível. Neste sentido também a partilha da experiência dos participantes no I Congresso latino-americano e do Caribe, realizado em Lima, Perú, em agosto de 1998, na busca de um novo rosto para a Igreja, nos incentivou para buscar um novo rosto para a Igreja do Brasil.

Esse "novo rosto", deverá ser construído, tentando resumir o pensamento de dom Luciano, a partir da diaconia do Reino, que passa pela diaconia da cidadania, e esta passa pela diaconia da caridade da Igreja que tem no seu diácono o sinal sacramental.

No Congresso percebemos não só um crescimento quantitativo mas, sobretudo, qualitativo do diaconato no Brasil.

Foi uma ocasião em que fizemos a experiência do lema "Entre vós deve ser diferente" (Mc. 10, 43), experiência que levamos para ser extendida a todos as nossas comunidades.

Diácono José Durán y Durán