DIACONATO  PERMANENTE

Estamos nos preparando para a ordenação dos Diáconos permanentes na Arquidiocese de Juiz de Fora. Que sejam eles introduzidos com a devida preparação, seriedade e discernimento. “Queremos reconhecer neles mais pelo que são do que pelo que fazem” (DSD 77)

Recebamos os novos diáconos como um Dom do Espírito Santo à sua Igreja, a esta Igreja particular. Já iniciamos o processo de “devita et moribus” dos candidatos ao diaconato permanente. Está previsto a Instituição do leitorato para eles e sua admissão ao diaconato para o dia 14 de novembro, às 10h, na Catedral Metropolitana.

Para a nossa Arquidiocese é algo novo e por isso deve ser compreendido na sua verdadeira significação. Olhar para o futuro da Igreja exige abertura para o novo e a capacidade criativa. O futuro está nos indicando um catolicismo vivido em comunidades de dimensões humanas, que concretizam a Doutrina social da Igreja, que recuperam a dimensão social da eucaristia; um catolicismo e uma Igreja inseridos no mundo e amando os necessitados. Nesta perspectiva, o ministério diaconal tem um maravilhoso porvir de desenvolvimento e realizações.

O diaconato é um ministério que já esteve presente nos primórdios da Igreja. Há vários documentos sobre a vida e ação dos diáconos. Seu ministério, nos primeiros séculos, assume a dimensão da caridade, juntamente com serviço ao culto e à pastoral. A diaconia era e deve ser vivida como expressão concreta do amor. “Pela caridade, colocai-vos a serviço uns dos outros”.(Gl. 5,13). A diaconia é vivida como consequência do seguimento de Jesus, na humildade, na pobreza, na obediência, na disponibilidade, na entrega até o martírio, no compartilhar os bens, dores, alegrias e aspirações. É pela diaconia da acolhida nas casas, diaconia da coleta, diaconia das refeições, diaconia da palavra, diaconia da administração dos bens, que as comunidades tornam-se lugar da realização de uma sociedade sem necessitados entre eles.

Estamos vivendo uma eclesiologia de comunhão e participação; uma teologia da diversidade dos carismas e ministérios; o poder como serviço; uma pastoral que vai ao encontro das nossas necessidades. No Brasil, muitos encontros regionais e nacionais foram realizados, consolidando o processo de implantação do diaconato permanente e abrindo novas perspectivas pastorais.

O ministério diaconal se define como sacramento de Cristo – Servo e como expressão da Igreja servidora. É participação na missão de Cristo, expressão do poder de Deus. Pela imposição das mãos do Bispo, o diácono recebe publicamente, de modo irrevogável e definitivo, o mandato e a missão do serviço.

Com a ordenação de diáconos, a Igreja evidencia que o serviço da Palavra e da Caridade, primeiras exigências da evangelização, requerem testemunhas em integral comunhão com a Igreja, para poderem anunciar com autoridade a Palavra infalível da salvação definitiva e irrevogável. A missão do diácono está ligada ao Cristo – Servo. “Através da vivência da dupla sacramentalidade do matrimônio e da ordem, ele realiza seu serviço, detectando e promovendo líderes, promovendo a co-responsabilidade de todos para uma cultura da reconciliação e da solidariedade... principalmente nas zonas rurais distantes e nas grandes áreas urbana densamente povoadas, onde só através dele um ministro ordenado se faz presente” (SD 76,77)

O diácono não é ordenado para si mesmo, nem para colocar-se acima dos leigos, nem só para desempenhar funções diferentes dos presbíteros e dos bispos. Ele é a expressão do ministério ordenado colocado o mais próximo possível da realidade laical e do protagonismo dos leigos. Com relação aos presbíteros, o diácono permanente contribui com a sua larga experiência de inserção na vida familiar, profissional e no mundo, podendo, sob muitos aspectos, ajudar os presbíteros, especialmente os mais jovens.

“Fortalecidos com a graça sacramental, os diáconos servem ao povo de Deus na diaconia da Liturgia, da Palavra e da Caridade, em comunhão com o Bispo e com o presbitério” (LG 29).

Dom Eurico dos Santos Veloso - arcebispo de Juiz de Fora