VOCAÇÃO  DO  DIÁCONO

I — ASPECTOS ANTROPOLÓGICOS DA VOCAÇÃO

1 Observações iniciais

O termo vocação tem sido empregado quase que exclusivamente para designar um chamado sagrado, encarnado na consagração religiosa e no ministério hierárquico. Todas as demais vocações humanas passaram a ser denominadas profissões. Peca-se por um sobrenaturalismo vocacional injustificado. O termo vocação precisa manter sua autonomia, independentemente dos adjetivos que se lhe possam dar. O acento deve recair sobre o substantivo vocação. Do contrário, a realidade da vocação será prejudicada, quando não completamente desvirtuada em seu sentido original.

Isso não significa desconhecer ou menosprezar as diferenças vocacionais. Vocação não é uma realidade abstrata; realiza-se em supostos concretos: pessoas com sua individualidade própria, história, tempo e lugar bem definidos. Pe. Chenu formulou desta forma o problema. "Por causa de um errado sobrenaturalismo, alguns teólogos – católicos e protestantes, estes em maior numero – dividiram a realidade ao reduzir a profissão a natureza para enaltecer a vocação com a graça" (Cf J. Manuel Cordobés, Vocação, Dicionário de espiritualidade, Ep, p 1188).

Vocação não pode ser reduzida exclusivamente às realidades sagradas. Em conseqüência dessa abertura de visão, surgem duas importantes constatações:

Em primeiro lugar, a ampliação do horizonte vocacional. Por conseguinte, vocação se identifica com profissão e esta com a presença do homem no mundo, correspondendo ao lugar que ele deve ocupar. Quaisquer que sejam o lugar a e tarefa, importante é que sejam realidades suas para que se possa falar em vocação. O caráter sagrado ou o profano não são constitutivos da vocação como tal.

Em segundo lugar, também se desfazem as falsas relações entre consagração e destino. De fato, a vocação foi sempre considerada como proveniente de Deus e a ele destinada direta e imediatamente, o que implicava consagração. Era uma reserva que Deus fazia para si de uma pessoa. Tal pessoa ficava desligada de qualquer outro destino; a santidade de Deus punha instintivamente o veto, quando se pretendia relacioná-la com realidades profanas. De outra parte, a profissão parecia vir da natureza, com se fosse de outro mundo, e se destinava, direta ou indiretamente, à terra. Dessa forma, o mundo ficava dividido em duas partes diferentes e, por vezes, contrárias. A vocação tem uma origem comum, quaisquer que sejam as mediações.

2. O caminho da vocação

Vocação costuma identificar-se com chamado; seria melhor dizer que é o resultado do chamado e da resposta. Nesse contexto é preciso analisar o processo que envolve a vocação.

O Deus que chama

Para o cristão está claro que quem chama é Deus. Somente ele pode entrar na vida humana e propor ao homem um destino que abrange toda a sua vida. Deus é, ao mesmo tempo, imanente e transcendente. Voz e vocação têm a mesma raiz e ambas se unem em Deus que chama.

É preciso, no entanto, descobrir onde Deus se encontra e através de que meios nos chama. Afirmar que Deus está no principio da vocação não significa que nos chama sempre direta e imediatamente. Deus tem, seus caminhos. Não chega até nós somente pela via dos acontecimentos extraordinários. Pelo contrário, prefere os meios normais, comuns, os acontecimentos de cada dia e neles está presente como incentivador e como condutor dos homens. O cristianismo é uma religião de mediações.

Entre os principais caminhos vocacionais convém destacar:

a) A voz do sangue

Entendemos, aqui, por voz do sangue a tendência instintiva, o desejo intimo e profundo que impele a um modo de ser e de estar, ou que rejeita outro. Não se costuma seguir uma vocação que vá contra a natureza em sua mais profunda e decisiva tendência. Há no fundo das pessoas formas de ser e de viver fundamentais, encarnadas de modos diferentes, mas não contrários. Por isso, parece evidente que qualquer chamado que se choca frontalmente com os desejos mais íntimos de uma pessoa sadia, não constitui uma verdadeira vocação.]

b) O ambiente

O ambiente é uma das mediações mais concretas. Por ambiente compreendemos as relações pessoais que a pessoa estabelece normalmente: a família, a escola, a sociedade, a profissão, etc. O ambiente transparente contribui para o discernimento vocacional. A pessoa, em geral, não dispõe de maturidade suficiente para poder, por si mesma, tomar uma decisão que quase sempre acaba sendo para a vida toda. A orientação vocacional torna-se de grande valor nesses momentos. Orientação não é imposição de caminhos; tem por objetivo iluminar e avaliar as diversas possibilidades, a fim de que se possa tomar a decisão mais correta.

c) A história

As necessidades e as possibilidades de determinado tempo podem ser decisivas para a tendência, o compromisso e a vocação de uma pessoa. O fator histórico se converte numa importante mediação (Veja-se, por exemplo, a vocação de Moisés Ex 3,9-10). As mais expressivas vocações se concretizaram dentro do contexto histórico, ou tendo na história lugar de revelação e de chamado. Deus falou por meio dela.

3 A resposta do homem

A palavra acolhida diz mais que resposta. A resposta a Deus que chama só pode ser dada mediante a fé, que se traduz em obediência. Acolher é abrir a porta ao chamado divino, e se dispor a caminhar na direção proposta. Na análise da vocação e tão importante a resposta quanto o chamado. Por isso, é preciso tomar consciência das dificuldades a enfrentar.

Tensão na escolha

Podem existir vocação falsa evocação autêntica, tanto no âmbito sagrado, como no contexto profano. Essa possibilidade não deve, contudo, transformar-se em algo trágico, em empecilho intransponível. Em toda pessoa vocacionalmente bem situada, percebe-se serenidade interior, que brota das profundezas do ser.

No entanto, a vocação não exclui tensões positivas, quais forças propulsoras, que impedem a rotina. De outra parte, convém lembrar que toda opção exige renuncias. Pode ocorrer que a renuncia seja maior que a opção.

Abertura para o outro

Sem abertura não é possível vocação alguma, pois constitui dom e carisma recebidos para o bem comum (1Cor. 12,7). Na acolhida do outro, no serviço fraterno, nos atritos normais que a convivência suscita, vai-se amoldando a vocação. Não existe realização vocacional sem esse acolhimento.

Domínio do ambiente

É preciso insistir em alguns aspectos preocupantes do ambiente, porque este prende demais, principalmente o jovem. A sociologia reconhece algumas sondagens negativas especialmente perigosas na juventude: permeabilidade exagerada, entreguismo, apatia, hedonismo, síndrome de Babel e sisifismo. Tudo isso dificulta, quando não anula a resposta.

Acompanhar a resposta

O acompanhamento vocacional é decisivo no amadurecimento da vocação. Deve estender-se por toda a vida, embora de modos diferentes, Todos podem crescer permanentemente no discernimento da própria vocação. A realização vocacional torna-se uma conquista, onde a graça e a natureza corroboram em vista do objetivo a ser alcançado.

II — REFLEXÃO BÍBLICO-TEOLÓGICA

Em todos os níveis da história da salvação Deus chama. As mais antigas tradições religiosas da humanidade anteriores a Abraão já se vinculavam ao tema da eleição de Deus. Essa constante reaparece na sequência dá história dos Patriarcas; é sempre e unicamente Deus quem escolhe, para além dos cálculos e das previsões humanas. Por meio do eleito, Deus pretende abençoar toda a terra (Gn. 12,3; 22,18; 26,4; 28,14). Um dia, Deus estenderá sua eleição a todas as nações da terra, delas fazendo um só povo (Is. 55,3-5). Nos profetas, a eleição divina se mediante uma vocação especial (Am. 7,15; Is. 6,1-8; Jr. 1,4-10).

De outra parte, Deus se revela ao homem e o salva por meio da pedagogia da missão. O eleito é chamado para agir em Seu nome. A missão constitui parte integrante da economia salvífica. Todas as vocações vetero-testamentárias têm como objetivo uma missão especifica (Gn. 12,1; Am. 7,15; Is. 6,9; Jr. 1,7; Ex. 3,1-4, etc). Na origem da vocação encontra-se a eleição divina; em seu termo, a vontade divina a ser cumprida. É esse o significado da mudança de nome dos eleitos (Gn. 17,1; 32,29; Is. 12,2).

O chamado se realiza dentro de algumas características constantes:

Trata-se de um chamado pessoal dirigido à consciência mais profunda do indivíduo, produzindo mudança completa em sua existência, não somente em sua vida exterior, mas ate no, coração, fazendo do eleito uma outra pessoa.

Essa dimensão pessoal se expressa no fato de Deus chamar pelo nome (Gn. 15,1; Ex. 3,4; Jr. 1,11; Am. 7,8).

Às vezes, para significar uma tomada de posse e um mudança de vida, Deus dá um nome novo, como vimos (Gn. 17,1; 32,29; Is. 62,2).

Deus espera uma resposta, uma adesão consciente de fé e de obediência. Essa adesão pode ocorrer instantaneamente (Gn. 12,4; Is. 6,8), ou após alguma relutância (Ex. 4,10ss; Jr. 1,6; 20,7).

A vocação torna o eleito testemunha de Deus (Gn. 12,1; Is. 8,11; Jr. 12,6; 15,10; 16,1-9; 1Rs. 19,4).

O chamado não é dirigido, no entanto, a todos; os reis, por exemplo, embora sejam ungidos do Senhor, não recebem um tal chamado. Samuel dá informação a Saul (1Sm. 10,1) e a Davi (1Sm. 16,12).Os sacerdotes não são individualmente chamados por Deus, mas o são por nascença. Mesmo Aarão, a quem a carta aos Hebreus diz chamado por Deus (Hb. 5,4), só recebeu esse chamado por intermédio de Moisés (Ex. 28,1).

Vocação de Israel

No sentido corrente do termo, podemos afirmar que Israel, como povo, é chamado por Jahweh para uma missão. A aliança constitui o primeiro chamado (Dt. 4,1; 5,1; 6,4; 9,1; Sl. 50,7; Is. 1,10; 7,13; Jr. 24; Os. 2,16;4,1). Israel é a "qahal Jahweh", a comunidade convocada pelo Senhor (Dt. 4,9-13; 9,10; 18,16; 31,30; 32,2). Israel não é apenas "qahal", "convocação"; é "qahal" de Jahweh., "convocação" do Senhor.

O chamado se dá em vista de um missão da qual Deus é o fiador (Ex. 19,4; Dt. 7,6). Por isso, Israel não deve buscar apoio em outros deuses (Is. 7,4-9; Jr. 2,llss). Esse chamado implica uma resposta, um engajamento do coração (Ex. 19,8; Js. 24,24) e de toda a vida.

Vocação de Jesus

Em certo sentido, esses traços se encontram na pessoa de Jesus Cristo. Jesus se apresenta como, o enviado de Deus (Lc. 4,17-21). Lembra que recebeu a missão do Pai (.Jo 8,14). Seu destino, contudo, é único, em virtude do seu próprio ser.

O Novo Testamento é essencialmente à proclamação de que Jesus é o "missus a Patre", o grande missionário do Pai, em cujas mãos o Pai tudo deixou (Mt. 11,27).

Vocação da Igreja

Assumindo a qualificação de "eklesia tou Theou", "assembléia de Deus", a comunidade cristã se reconhece como a nova comunidade de Israel, como convocação escatológica de Deus. Os cristãos constituem a comunidade daqueles que o Pai chamou para formar sua "eklesia". Vocação se torna comunhão de vida.

Vocação é o meio pelo qual Jesus reúne ao seu redor os Doze (Mc 3,13), lançando um chamado também a outros (Mc. 10,21; Lc. 9, 59-62). A pregação de Jesus inclui elemento vocacional, um apelo a seguí-lo num caminho novo (Mt. 16,24; Jo. 7,17). Embora o sejam muitos os chamados, poucos são os escolhidos (Mt. 22,1-14).

A Igreja sempre entendeu a condição cristã como uma vocação. Pedro apela a conversão (At. 2,40). Paulo se diz apostolo por vocação e afirma que os cristãos são santos por vocação (Rm 1,1-7; lCor. 1,lss). A vida do cristão constitui uma vocação porque é uma vida no Espirito (Rm 8,16).

Dentro da comunidade cristã, no entanto, existe uma variedade de dons, carismas e serviços, todos concorrendo para a unidade do único Corpo de Cristo (lCor. 12,4-13). Em João, a própria Igreja é chamada de senhora eleita (2Jo. 1,1), que ouve a voz do Esposo e lhe responderá: "Vem, Senhor Jesus!" (Ap. 22,20). Dessa forma, a Igreja continua a missão de Cristo, na força do Espírito.

III — A VOCAÇÃO DO DIÁCONO

Levando em consideração a temática abordada nas observações iniciais, onde se constatou o perigo do sobrenaturalismo vocacional, e a partir das reflexões bíblico-teológicas sobre a vocação, é preciso situar a vocação ao diaconato permanente.

Contexto vocacional

Dado que o diácono permanente é simultaneamente pai e esposo, exerce uma profissão civil e se consagra à comunidade eclesial pelo sacramento da Ordem, sua vocação abrange vários aspectos. Na verdade, são três grandes dimensões: familiar, profissional e eclesial. Embora com desafios próprios, elas não deixam de contribuir positivamente para a realização da vocação diaconal.

Administrar esses desafios e colocá-los a serviço da missão constitui tarefa diária. É preciso maturidade para atribuir a cada função o peso certo no momento exato. A harmonização dos possíveis conflitos exige uma escala de valores ditada pela vivência dos sacramentos do matrimonio e da ordem, e pela responsabilidade profissional. Não se trata de privilegiar uma das dimensões em detrimento das outras; é preciso, mesmo dando prioridade momentânea a uma delas, buscar o equilíbrio. Sem essa harmonia não existe plena realização vocacional.

O chamado de Deus

Uma vez que a vocação inclui aspectos sobrenaturais (é Deus quem chama e espera resposta)é necessário aplicar à vocação diaconal as características bíblicas do chamado.

Vocação é antes de tudo, dom de Deus: "Antes mesmo de te formar no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei. Eu te constituí profeta para as nações" (Jr 1,4-5). É também dom para a Igreja. Um bem para o vocacionado e para sua missão. Como dom, deve ser acolhido- dentro das circunstâncias de tempo e de ambiente. Na avaliação da autenticidade de uma vocação devem ser levadas em consideração as aptidões objetivas do candidato, a livre determinação da vontade e a confirmação do chamado pela Igreja. Esse processo se fará em estreita união com a família do candidato, com a comunidade eclesial e com os responsáveis diretos pela formação diaconal.

A Sagrada Escritura revela, ainda, que o chamado acontece em vista de uma missão especifica. É convite pessoal que espera adesão consciente de fé e de vida, e que inclui uma consagração particular a Deus, em forma de serviço ao povo, Toda vocação constitui um serviço; o chamado ao diaconato o é de forma especial por ser o diácono. sinal sacramental de Cristo-Servo.

O serviço que é comum, a todos os cristãos, o diácono o assume como função própria, da qual dá testemunho personalizado. Abraça a diaconia com toda a intensidade de sua vida, como algo que lhe diz particularmente respeito. Diz João Paulo II: "O diaconato empenha ao seguimento de Jesus, nesta atitude de serviço humilde que não só se exprime nas obras de caridade, mas investe e forja o modo de pensar e de agir" (L'Osservatore Romano, ed. portuguesa, n. 43 (24/10/93), p 12). Por isso, Puebla afirmou que a missão e a função do diácono não se devem avaliar com critérios meramente pragmáticos, por estas ou aquelas funções ... O carisma do diácono e ser sinal sacramental de Cristo-Servo (P 697-698).

Embora a vocação surja de um chamado de Deus, Ele o faz, normalmente, através de caminhos ligados à realidade em que se vive. O chamado é acolhido por homens concretos, cada qual com sua história suas limitações e qualidades. Por conseguinte, o discernimento vocacional, deve levar em consideração não só critérios objetivos, mas também requisitos pessoais, espirituais, familiares e comunitários (Diretrizes para o diaconato permanente, 135-139). Devem ser considerados desde as tendências instintivas, os desejos íntimos até o modo de ser de cada um, seu ambiente, sua história.

A resposta do homem

Deus, que chama, não espera apenas uma resposta, mas um acolhimento. A resposta pode ser evasiva, irrefletida, impessoal, inconsistente. Assim como é preciso discernir os caminhos da vocação, é necessário determinar as características de uma autentica acolhida. Será pessoal, responsável, consciente, adulta, generosa, gratuita. O vocacionado não pode restringir-se a oferecer apenas "migalhas" do seu tempo, ou "sobras" de suas energias; será uma consagração de toda a vida (Diretrizes, 175-181). Quem é chamado deve identificar-se com o projeto de quem o chamou. A vontade de Deus constitui a lei maior (Jo. 4,34).

Dificuldades da resposta

Por maior que seja o desejo de corresponder positivamente ao apelo de Deus, é preciso estar atento aos desafios de cada dia. No caso da vocação diaconal, as dificuldades são múltiplas, começando por aquelas relativas à vida familiar, à profissão, ao relacionamento com a comunidade eclesial, até o reconhecimento do diaconato permanente como ministério próprio numa Igreja toda ministerial e a integração do diácono, no presbitério e sua relação com o bispo.

Administrar e harmonizar esses desafios exigirá do diácono não apenas maturidade humana e espiritual, mas também profunda identificação com Cristo-Servo em Seu mistério pascal.

Acolher a vocação é fazer um pacto com Cristo crucificado, loucura para os que se perdem, mas poder de Deus para os que se salvam (lCor. 1,18). Não há ministério eclesial frutuoso sem o tempero da Cruz gloriosa. É preciso abraçar a Cruz como dom, como privilegio para fazer o coração do servo pulsar no ritmo do Coração Redentor. Vivenciar o amor de Cristo de tal modo que nem a tribulação, nem a angústia ... nada nos possa dele separar (lCor. 8, 35-39).

Abertura aos outros

"Quem é o meu próximo?", perguntou um certo legista a Jesus (Jo. 10,29). O Senhor nos ensinou que o próximo é todo aquele que está perto de nós, no dia-a-dia de nossa vida.

Para o diácono, esposo e pai, ninguém é mais próximo que sua família. A abertura para os outros começa na própria casa. O acolhimento não constitui apenas um ato humano; é também atitude evangelizadora. Para são Paulo, essa acolhida tem um nome: caridade. "A caridade tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (lCor. 13,8).

Na seqüência, o próximo a ser amado é o colega de profissão, a comunidade onde atua, a sociedade em geral. O diácono não terá medo de enfrentar os desafios. Ao contrário: as dificuldades indicarão em que direção o serviço diaconal deve caminhar. O diácono será, por excelência, homem de fronteira, capaz de inaugurar novas formas de serviço, a exemplo de Cristo. Terá um coração sem preconceitos; será um irmão universal.

Domínio do ambiente

"A formação permanente, dizem as Diretrizes da CNBB, é uma exigência da própria vocação diaconal que solicita do diácono estar sempre atualizado para que seu serviço corresponda as necessidades de cada momento histórico" (n. 221).

A modernidade traz consigo uma série de indagações que esperam resposta da Igreja, Inserido de modo especial na sociedade civil, o diácono anima e coordena o testemunho cristão dos leigos, contribuindo para a evangelização do mundo secular. Homem do seu tempo, assume como Igreja e com ela as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje (GS 1).

No entanto, a formação permanente não pode ser reduzida a um simples esforço de complemento cultural e prático. Além de garantir a evangelização, deve facilitar progressiva conformidade de toda a existência do diácono com Cristo Servidor.

Acompanhamento da resposta

O processo formativo não pode cessar com a ordenação; em todos os níveis, a formação permanente é um imperativo como processo de crescimento de todo ser humano.

Também em nível vocacional não pode faltar esse acompanhamento. A compreensão das novas realidades, a consciência mais apurada dos fatos sociais e os novos posicionamentos a serem tomados exigem discernimento. Vocação é compromisso de cada dia; permanente convite a prosseguir na busca do ideal.

O acompanhamento, vocacional integra todos os meios humanos e espirituais de crescimento. 0 diretor espiritual colabora nesse processo como amigo e irmão, a fim de que a fidelidade à vocação e à missão se concretizem na vivência cristã do momento presente.

Conclusão

Dado que o diaconato, antes de ser um serviço, é uma vocação, um dom de Deus à sua Igreja, é preciso investir na descoberta, no incentivo, no amadurecimento e na plena realização da vocação diaconal.

As Diretrizes da CNBB sintetizam desse modo a preocupação pela vocação, diaconal. "Toda autoridade é serviço. Toda vocação é serviço que deve ser entendido como um colocar-se à disposição do anuncio e da implantação do Reino de Deus, tarefa que se explícita na animação (dar a alma) da comunidade eclesial, por meio do testemunho da comunhão, do serviço, do diálogo e do anúncio. O futuro diácono deverá estar consciente disso e inclinado a falar para a comunidade, a sentir com ela e a celebrar por, com e nela. Assim a vocação é condição basilar e primeira de todo o processo de escolha, seleção e formação de candidatos, pois os demais requisitos virão em decorrência de tal pressuposto O chamado de Deus deve falar mais alto e ser colocado de modo tão explícito que outras motivações e critérios seletivos lhe estejam subordinados" (n. 127).

Pe. Walter Goedert