OS  SACRAMENTAIS

Quando usamos com devoção um sacramental, colocamo-nos sob a proteção das bênçãos da Igreja.

“A vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo!” (II Cor 1,2)

A palavra sacramental significa "algo semelhante a um sacramento", mas há uma grande diferença entre um e outro. Os sacramentos (batismo, crisma, eucaristia, confissão, unção dos enfermos, ordem, matrimônio) foram instituídos diretamente por Jesus Cristo para dar a graça santificante às nossas almas. Por meio deles, obtemos a graça santificante que apaga o pecado ou, então, aumentamos a graça que já possuímos. Já os sacramentais não conferem a graça em si, à maneira dos sacramentos, mas são caminhos que conduzem a ela, ajudando a santificar as diferentes circunstâncias da vida. Os sacramentais despertam nos cristãos sentimentos de amor e de fé.   

 

Quais são os sacramentais

 

Os sacramentais podem ser constituídos por ações ou objetos.
Os objetos são, por exemplo, artigos de devoção consagrados pela Igreja: velas, palmas, crucifixos, medalhas, terços, escapulários, imagens do Senhor, da Virgem e de santos.
As ações podem ser as diferentes bênçãos e exorcismos concedidos pela Igreja através de seus bispos e sacerdotes. Algumas bênçãos têm a finalidade de dedicar alguma coisa ao culto divino, como, por exemplo, um cálice, um altar ou paramentos litúrgicos. Outras se destinam à invocação de proteção e misericórdia de Deus sobre uma coisa ou pessoa, como um automóvel, um lar ou um doente.

Outro tipo de sacramental é o exorcismo, que se dá quando a Igreja exige, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou objeto sejam protegidos contra a influência do maligno.

 

Como agem em nós os sacramentais

 

Quando usamos com devoção um sacramental – como, por exemplo, a água benta ou uma medalhinha benta – colocamo-nos sob a ampla proteção da Igreja. Mas essa ação da Igreja só será eficaz se nos dispusermos a aceitar o amor da Providência divina e a consciência de nossa total dependência de Deus. Esta é a dupla raiz da eficácia dos sacramentais: a oração da Igreja e a disposição interior de quem os usa.

 

A água benta

 

Um sacramental que nos é muito familiar é a água benta, que é a água comum abençoada pela Igreja, tornando-se, assim, um sacramental. Ao abençoar a água, o sacerdote dirige-se a Deus dizendo: “Deus eterno e todo poderoso, quisestes que, pela água, fonte de vida e princípio de purificação, as nossas almas fossem purificadas e recebessem o prêmio da vida eterna. Abençoai esta água para que nos proteja neste dia que vos é consagrado, e renovai em nós a fonte viva da vossa graça, a fim de que nos livre de todos os males e possamos aproximar-nos de Vós com o coração puro e receber a vossa salvação”.

Isso é água benta: um elemento comum da vida cotidiana que a Igreja transformou em instrumento de graça, embora não portador direto da graça, como são os sacramentos.

Da utilização da água benta, com devoção, em nome de Jesus Cristo, nasce o refúgio sob a Oração da Igreja.

Num lar católico, é bom que haja água benta além de velas ou círios bentos, bem como o crucifixo.

 

O crucifixo e as velas

 

O crucifixo é um sacramental de fundamental importância na vida do católico. É o símbolo que mais claramente nos lembra o amor de Deus pela humanidade, pois é a imagem de Seu filho morto na cruz  pela salvação dos homens, levando-nos ao arrependimento das nossas faltas, atenuando nossas aflições e contrariedades. É colocado numa parede ou sobre um móvel e também nos quartos de dormir.

Além do crucifixo, círios, velas ou lamparinas colocados ao lado da cruz ou em algum outro lugar da casa, também são sacramentais muito comuns e, sobretudo, importantes, pois se representam como símbolo de Cristo, Luz do Mundo. O uso de lamparinas ou velas como elementos de culto religioso é uma prática universal na história da humanidade. E a Igreja santificou esse simbolismo prescrevendo o uso de velas na maioria dos cultos. Durante a Missa, por exemplo, devem arder duas ou mais velas, o mesmo acontecendo na administração da maioria dos sacramentos.

 

O escapulário lembra nossa dedicação à Mãe de Deus e nossa Mãe

 

O escapulário do Carmo é um sacramental bastante difundido entre os católicos. Consiste em duas peças retangulares de lã marrom, unidas por duas fitas ou cordões levados sobre os ombros. O costume de usar o escapulário data da Idade Média, quando os leigos ingressavam nas ordens religiosas como “oblatos”, podendo participar das orações dos monges e também usar o escapulário monástico. O escapulário mais difundido é o da Ordem Carmelita. Sua popularidade advém da promessa que a Virgem do Carmo teria feito a São Simão Stock (carmelita do século XIII) de que ninguém morreria em pecado mortal se usasse o seu escapulário.

O escapulário de pano (cujo nome se origina da palavra latina scapula, que significa ombro) pode ser substituído por uma medalha-escapulário que se traz constantemente sobre o corpo.

 

O exorcismo, um sacramental muito especial

 

O exorcismo é um sacramental pelo qual a Igreja, em nome de Jesus Cristo, ordena publicamente e com autoridade, que uma pessoa ou objeto sejam protegidos contra a influência do maligno e subtraídos a seu domínio. A possessão diabólica tornou-se rara porque, por sua morte, Jesus redimiu a humanidade a anulou o poder de Satanás. Por essa razão a Igreja é muito cuidadosa antes de permitir um exorcismo, procurando averiguar se se trata de um caso de possessão real ou de um desequilíbrio mental ou algum outro tipo de perturbação psíquica.

Só o sacerdote nomeado pelo bispo pode realizar o exorcismo e a Igreja exige que se guarde segredo por parte de todos os que dele participam.

 

As bênçãos protetoras

 

Muitos desconhecem a grande abundância de bênçãos que fazem parte do depósito de sacramentais da Igreja. Existe uma bênção, ou seja, uma oração oficial, para, praticamente, cada ação importante na vida humana ou, ainda, para cada necessidade humana.

A Igreja abençoa, por exemplo, as crianças, as mães, os enfermos, a casa, os alimentos, o pão, os instrumentos, as vestes, os campos, as plantações, os animais, os veículos, a escola, as bandeiras, etc. Por isso, o Vaticano II diz: “... quase não há uso honesto de coisas materiais que não possa ser dirigido à finalidade de santificar o homem e louvar a Deus”. (Sacrosanctun Concilium, 61)

 

 Stefania Contessa Panico  -  stefania@religiaocatolica.com.br

 

Bibliografia

A fé explicada – Leo J.Trese- Ed. Quadrante
Doutrina Católica – Pe. Luiz G. da Silveira D’Elboux – Ed.Loyola
Catecismo da Igreja Católica – Ed. Vozes / Ed. Loyola