OS  SANTOS  INTERCESSORES E  O  CULTO

Intercessão dos santos

Dizemos na parte final do Credo: "Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na Comunhão dos Santos...".

 

Que significa "comunhão dos santos"?

 

Comunhão quer dizer "união com" (no caso específico da eucaristia, exprime a união com Cristo na hóstia consagrada, a união íntima que pode haver entre o homem e Jesus, ali presente em corpo, sangue, alma e divindade).

 

Santo pode significar:

 

1) todo aquele que está no estado de graça; assim, qualquer pessoa que não tenha na alma pecado grave é, neste sentido, um santo (na Bíblia, a palavra santo aparece, muitas vezes, com este significado, como por exemplo, em 2 Cor 1,1: "...a todos os irmãos santos que estão em toda a Acaia...");

2) cristão que praticou as virtudes em tão elevado grau, que a igreja, depois de examinar-lhe cuidadosamente a vida e após a comprovação de um milagre realizado por sua intercessão, manda que o seu nome seja inscrito num catálogo próprio (cânon, donde o termo "canonizado") e o declara merecedor da veneração pública.

Na expressão "comunhão dos santos", a palavra santo está empregada o primeiro sentido acima referido. Então, "comunhão dos santos" quer dizer a união de todos os cristãos em estado de graça: os que ainda nos encontramos na terra, as almas do purgatório e os habitantes do céu.

Assim, estamos todos unidos, como membros de um corpo, do qual Cristo é a cabeça. Como disse São Paulo: "Vós sois o corpo de Cristo, e cada um, de sua parte, é um dos seus membros" (1Cor 12,27). (Quem está em pecado grave não chega a ficar excluído desse Corpo Místico, mas é como um membro morto).

 

Enfim, se bem refletirmos, a comunhão dos santos é a própria igreja em seus três estados:

- igreja militante (formada por nós, que ainda militamos neste mundo);

- Igreja padecente (composta pelas almas que ainda padecem no purgatório);

- igreja triunfante (contituída pelos habitantes do céu).

 

Ora, se essa união não se extingue com a morte de um cristão, então nós, os da terra, podemos orar uns pelos outros, podemos rezar pelas almas do purgatório, podemos dirigir-nos aos que estão no céu para pedir-lhes a intercessão junto de Deus. Por sua vez, as almas do purgatório também podem interceder por nós. Quanto aos habitantes do céu, podem pedir pelos que estão no purgatório e pelos que estão na terra. Podemos oferecer boas obras e sacrifícios reciprocamente. Podemos sufragar as almas santas do purgatório com preces, com missas, com a aplicação de indulgências.

Há, portanto, uma união, uma solidariedade entre todos os cristãos, vivos e defuntos. Somos como que "vasos comunicantes". Isto é a comunhão dos santos.

Pelo que acaba de ser exposto, vê-se que, se uma pessoa aqui na terra pode interceder por outra, por que não poderá também fazê-lo quando chegar ao céu?!

Se são João Bosco (ou qualquer outro santo) podia, quando vivo, interceder por alguém com suas orações, por que não poderá fazê-lo agora, que está certamente junto de Deus?!

Veja em 2Mc 15,11-16, que Judas Macabeu teve uma visão em que aparece Onias e Jeremias, todos dois já falecidos, intercedendo pelo povo judeu.

 

Culto  aos  santos

 

O culto aos santos é apenas de veneração, e não de adoração, pois esta só é devida a Deus.

Se nós cultuamos os nossos antepassados, os heróis da pátria, os grandes vultos da nacionalidade, por que não podemos cultuar os nossos santos?

Veja: 21 de abril é, no Brasil, feriado nacional, e, nesse dia, cultua-se a memória de Tiradentes, fazem-se discursos e escrevem-se artigos em sua homenagem, exalta-se o seu heroísmo, realça-se o seu martírio...

Então, por que, por exemplo, no dia 13 de junho não podemos também homenagear publicamente santo Antônio?

Isso vem a ser culto aos santo: homenagear pessoas que viveram a santidade.