SANTIFICAÇÃO  DO  DOMINGO

Os clubes punem, o Estado pune, o partido pune, as famílias punem e até os amigos punem. Chega um momento em que não é possível permitir mais aquele comportamento. Nenhum indivíduo tem o direito de, no seu egoísmo, prejudicar toda a comunidade. Paulo puniu um rapaz que vivia com a madrasta.

Os que questionam quando a Igreja castiga, alegam que ela é mãe. Respondemos que, por isso mesmo a Igreja tem o direito de exigir e nem por isso é má. As mães punem a criança que pôs a mão num fio elétrico, para que ela nunca mais faça isso. Nem por isso são más. Os clubes exigem de seus membros comportamento que não prejudique os demais.

Existe uma pedagogia na punição. Não punir pode ser clemência perigosa. Punir demais pode ser vingança. Em todas as Igrejas há uma pedagogia da punição adequada. Na verdade, a penitência proposta por todas elas é uma forma de reparação por algum desvio de conduta. É o que faz o time deixar o jogador no banco ou o tribunal suspendê-lo por seis meses porque feriu o companheiro.

A religião que pregasse que Deus é cruel e castiga, estaria deturpando a idéia de sua existência. Mas estaria também, deturpando essa idéia, se dissesse que Deus deixa passar tudo e que Ele não está nem um pouco preocupado com nossas injustiças. É só abrir a Bíblia para perceber que a noção do Deus que pune foi evoluindo para a noção do Deus que educa. A noção de um Deus inacessível, terrível e castigador foi evoluindo para o Deus que faz - shekinah - monta sua tenda entre nós, orienta, educa e converte, mas não deixa de exigir.

Portanto, a crença dos cristãos é a de um Deus misericordioso, mas exigente, paterno e capaz de cobrar coerência dos filhos. Esse Deus que mais ama, que mais apóia do que castiga é o nosso Deus. Ele não nos empurra para o céu. Chama-nos de lá onde o encontraremos com clara visão e sem véu. Mas temos que ir com nosso esforço. Faz como os pais que ensinam o filho a andar chamando-o ao invés de empurrá-lo.

A religião que dissesse que não existe nenhum castigo, estaria deturpando o sentido fundamental de toda e qualquer religião. O prêmio, o incentivo, a motivação são fundamentais para uma pregação religiosa. Mas, o castigo a punição e a penitência também são fundamentais.

Toda a religião que se preze, precisa ensinar a perdoar e a ser perdoado, a punir sem exagero, mas também, a não deixar as coisas seguirem seu curso, pura e simplesmente como qualquer riacho selvagem. Engenheiro consciente represa o rio. Quem quiser luz e irrigação provavelmente vai aprender a disciplinar o rio. As Igrejas devem disciplinar os seus fiéis e canalizar as suas energias para o bem. E é por isso que o castigo pode fazer parte desse processo, sem excesso, mas também, sem liberdade demais. Somos como atletas num time. Não temos o direito de prejudicar os outros, nem de jogar do jeito que gostamos.

A moral incentiva a liberdade, mas faz exigências. Ninguém é livre para fazer o que bem entende. Se fizer isso, terá rompido com o próprio Deus. Foi Ele quem disse "Eis que te ponho diante da vida e diante da morte, se queres viver escolhe a vida".

padre Zezinho, scj