FÉ   SUPERSTICIOSA

Superstição vem do latim e quer dizer aquilo que sobra, o que não tem importância fundamental, que nada acrescenta à vida ou à fé; pelo menos à nossa.

Um cristão supersticioso é o sujeito que dá mais importância ao enfeite do bolo que ao bolo, o que gosta mais dos aromas do que da comida; o que gosta do que é acidental e esquece o essencial.
Aqueles que apostam que o anjo do dia é Mitzrael e que é o 60º da hierarquia lá no céu, e que o versículo para falar com ele é "Justus dominus in omnibus viis suis" e que isso tem que ser dito em latim porque traz mais vibrações; que a pedra do dia é topázio, o incenso a ser usado é absinto e a vela deve ser amarela oleada com extoraque; e que, além disso, está terminando de rezar 7 vezes ao dia por 7 dias o salmo 37 porque isso afasta febres e doenças. Já que sua reza emana vibrações... tal cristão está praticando magia, esoterismo e não cristianismo. Se acha que a vida tem que ir por aí, então já optou por outra religião.

Os cristãos sempre tiveram dificuldade de combater a superstição porque até sacerdotes, sem o perceber a praticaram e ainda praticam! Dar importância excessiva a objetos e dizer que quem os tem ou coloca sobre o rádio vai ser protegido contra doenças ou mau olhado é superstição. Mandar beber aquela água para proteger contra maus fluidos é superstição. Carregar objetos, achando que eles protegem o corpo é atribuir ao objeto um poder que ele não tem. Amuletos são proibidos ao cristão.

A linguagem de alguns pregadores mostra que atribuem poder a determinada imagem. Ao dar a entender que uma imagem de madeira é mais poderosa do que outra, ou que, se a pessoa orar olhando para ela consegue graças, terá dificuldade de provar que não está pregando idolatria. Uma coisa é valorizar um objeto sacro histórico e outra dar a entender que só ele ajuda a fé.

Que se valorize o uso correto dos objetos de culto e que se saiba os seus limites. Encontremos uma linguagem que seja realmente evangelizadora. A meu ver, anda-se dando importância demais a terços importados e a livros que libertam.

O que liberta é a fé e a Palavra de Deus vivida, não o livro onde ela está escrita.

A Bíblia é um santo livro, mas é apenas um objeto que ajuda nossa fé. A Palavra contida nele é que é viva. Ou será que não dá para entender a diferença?

Os objetos podem mudar de tamanho e de forma, mas a palavra deve permanecer na sua essência o que é. Não é porque aumentamos ou diminuímos o tamanho de nossas bíblias que a Palavra de Deus vai aumentar ou encolher.
Cultive-se a Palavra. Respeite-se o livro que a contém, mas saiba-se a diferença entre o balde e a água que ele carrega. Beba a água e deixe o balde com todo o respeito que ele merece no seu devido lugar!

Pe. Zezinho, scj