SANTIFICAÇÃO  DO  DOMINGO

O terceiro mandamento da Lei de Deus manda santificar o Dia do Senhor. Lemos no salmo 118: "Este é o dia que o Senhor fez para nós, exultemos e nele nos alegremos" (v.24) Isto significa a abstenção de obras servis e a prática de determinados atos religiosos. Por obras servis se entendem os trabalhos manuais e obras nas quais o corpo tem maior parte que o espírito como cuidar da lavoura, construir uma casa, trabalhar no comércio. As obras liberais são aquelas nas quais o espírito tem maior predominância, como ler, escrever, estudar, desenhar, pintar, cantar, fazer música. Obras comuns são aquelas que são feitas pelo espírito e pelo corpo e que não dependem de nenhuma profissão servil ou liberal como vestir, andar, viajar, pescar. As obras servis são as que impedem a santificação do domingo e dos dias santos de guarda, quando alguém se entrega a elas sem necessidade por três horas seguidas. Em caso de extrema precisão ou para o serviço da comunidade certas atividades servis são permitidas como, por exemplo, a abertura de padarias e outros serviços imprescindíveis requeridos pela necessidade pública. Quanto aos atos religiosos o principal é a participação na Missa dominical, dever que obriga gravemente de todo católico, que deve ainda se servir do domingo e dos dias santos de guarda para visitar os doentes, fazer outros atos de piedade, ler a Bíblia, sem que isto constitua um preceito. O que não se pode é profanar o domingo no pecado, isto, aliás, em nenhum dia da semana! Os primeiros cristãos observavam piedosamente o domingo como lemos na Apologia de São Justino: "Nós nos reunimos em todo dia do sol porque é o primeiro dia (após o sábado judeu e por ser o primeiro dia da semana) no qual Deus, tirando a matéria das trevas, criou o mundo, e no qual Jesus Cristo nosso Salvador ressuscitou dos mortos" (Ap 1,67), São Justino, filósofo e mártir, natural de Flávia Neápolis na Palestina, deu este testemunho nos meados do século II. Lemos nos Atos dos Apóstolos a seguinte referência ao domingo: "No primeiro dia da semana estando nós reunidos para partir o pão, Paulo começou a falar em público (At 20,7). Desde os primórdios do cristianismo o domingo colocou o batizado na atmosfera de Deus. A celebração do mistério Pascal é, como foi dito, uma tradição apostólica. A participação na Missa dominical é uma exigência de fé e de amor. Após os dez mil e oitenta minutos que o Criador concede a seus filhos durante uma semana, que muito é tirar sessenta minutos para, em assembléia, louvar o Senhor? Faltar à Missa do domingo não é tanto questão de pecado, mas é, sim, um ato de gratidão ao Todo-poderoso a quem se deve toda honra e toda glória. Nem se pode esquecer que a liturgia da Palavra ocupa um lugar especial na celebração da Missa e é dela parte integrante. É sobretudo este o momento em que Deus fala ao coração do cristão lhe passando mensagens preciosas para uma semana que se inicia. Não menos pedagógicos os cantos e a música que lançam no íntimo do fiel pensamentos maravilhosos que edificam e elevam as mentes para o Alto. A missa dominical, congregando os seguidores de Jesus é por excelência, a reunião da família cristã a cantar os louvores ao Deus três vezes santo. Nunca os católicos valorizarão demais sua participação no culto divino, adorando, reparando, pedindo e agradecendo à Trindade reunidos em torno do altar. Nunca, como hoje, cumpre sacralizar o domingo tão profanado, mormente nas grandes metrópoles!

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho