O QUE É O CISMA E POR QUE ACONTECE?

A palavra “cisma” significa corte, ruptura, separação. Neste caso ela não só muda de sentido como também de gênero. É assim que na história da Igreja nós falamos dos grandes “cismas” da Igreja, todos eles muito dolorosos porque grupos se separaram fisicamente e espiritualmente da comunidade eclesial.

Vamos lembrar alguns desses cismas dentro de nossa Igreja.

O primeiro aconteceu no ano de 312. Donato, bispo de Cartago, na África, começou a afirmar que o pecado na vida do padre faz com que ele perca o poder sacerdotal. E criou uma seita que se espalhou por várias dioceses da África. A Igreja cismática de Donato foi combatida por santo Agostinho e em vários outros sínodos e no ano 429.

Veio depois o grande cisma do Ocidente, que fez a Igreja sofrer entre os anos 1384 a 1417. Tudo começou com a eleição de um papa italiano, Urbano 4º, contra a expectativa de cardeais franceses que queriam um papa da França. Urbano 4º, por uma certa inabilidade, acabou desgostando os cardeais franceses que em nova eleição fizeram papa Clemente 7º. Com dois papas que foram fazendo seus sucessores, dá para imaginar a confusão. A atuação de santa Catarina para o reconhecimento da legitimidade de Urbano 4º fez história na época. O cisma só terminaria com o concílio de Constança, depois de ter provocado a divisão não só dentro da igreja como de toda a Europa.

Outro cisma doloroso foi aquele comandado por Henrique 8º na Inglaterra. Por conta dos desentendimentos políticos daquele imperador com o papa, ele desvinculou do papado a igreja da Inglaterra, assumindo a chefia da mesma. Em 1539, após ter tentado um aproximação com a reforma luterana, acabou assumindo a totalidade dos princípios católicos, menos a comunhão com o papa, mantendo a igreja Anglicana separada de Roma.

O mais doloroso dos cismas, entretanto, foi o que separou a Igreja Oriental (Constantinopla) e a Ocidental (Roma) em 1054. Ele volta a ser lembrado agora com a recente visita do papa à Ucrânia. Este cisma foi o ponto de chegada de lutas pela verdadeira Constituição da Igreja, por lutas doutrinário-dogmáticas e até por questões políticas. Constantinopla, fundada pelo imperador Constantino, queria ser o centro do mundo como foi Roma. Já lá se vão 945 anos de separação. O papa Paulo 6º, em 1965, assinou uma declaração conjunta com o patriarca Atenágoras 1º. Neste documento, eles lamentam as ofensas, as condenações, os gestos agressivos entre as duas Igrejas. Retiraram as excomunhões que cada lado proferiu contra o outro e lamentaram os desentendimentos de toda ordem que levaram ao cisma. A unidade não aconteceu, mas foi um primeiro passo. Agora, o papa João Paulo 2º foi à Ucrânia. Sua visita provocou reações até agressivas da parte de fiéis e autoridades da Igreja Oriental. Foi, porém, mais um passo na busca da unidade querida por Jesus.

Todo cisma é um pecado contra a unidade.