Por que Natal?

Em latim dizia-se dies natalis, ou seja, dia natalício, dia do nascimento. Dia do Natal, pois, não é o dia aniversário de um nascimento. É o próprio nascimento que é festejado.

A genealogia de Jesus segundo Mateus

Mateus coloca o nascimento de Jesus no contexto curioso de quatro mulheres do A. T. cuja história é pouco edificante: Tamar, a incestuosa, cuja virgindade é violada pelo meio-irmão Amnon (2 Sm. 13; Mt. 1,3); Raab, a prostituta de Jericó que acolhe e protege os espiões enviados por Josué (Js. 22; Mt. 1,15); Rute, a moabita, que pertencia a um povo excluído da aliança (Rt; Mt 1,5); Betsabéia, a adúltera, mulher de Urias, o Hitita, (2 Sm. 11-12; Mt. 1,6). A vinda de Cristo transforma e redime a história humana em sua totalidade, para lá de qualquer incoerência e ambigüidade.

Nascimento de Jesus segundo os Mateus e Lucas (Mt 1-2; Lc 1-3)

Mateus e Lucas abrem seu Evangelho descrevendo o tempo e os eventos que sucederam na época do nascimento e da infância de Jesus. Eles se baseiam no modelo literário das biografias dos grandes personagens, mas fazem uma releitura teológica, onde se antecipa o núcleo fundamental da "Boa Nova".

Assim, a visão de Mateus de uma missão universal confiada pelo Ressuscitado aos discípulos na Galiléia (Mt 28,18-20) já é prefigurada na visita dos Magos a Belém (Mt 2,1-12).

A mesma promessa de Mt. 28,20, com a qual o evangelista conclui a sua narrativa, não é senão a retomada do anúncio do anjo a José: Ele será chamado Emanuel que significa Deus conosco (1,23).

Do mesmo modo, Lucas utiliza esse artifício literário para descrever o nascimento de Jesus e também a origem da Igreja nos Atos dos Apóstolos. A função do Espírito Santo é decisiva: como ele tinha agido em João Batista (1,15), em Maria (1,35), Isabel (1,41), Zacarias (1,67), assim irá guiar os primeiros passos das comunidades cristãs (At 2,1-4). Os Evangelhos da infância tornam-se desse modo a evidente antecipação de uma realização futura.

Data  do  Natal

O Dia Natal de Jesus nem sempre foi celebrado na mesma data que hoje. Os cristãos antigos, dos primeiros tempos, não ficaram inventando uma data para o nascimento de Jesus, tentando satisfazer a curiosidade piedosa. Os Evangelhos não dizem em que dia nasceu Jesus, mas apenas que nasceu para viver a nossa mesma vida humana. Isso é o importante.
Temos informações do século quarto que nos dizem que, nas Igrejas Orientais, o Natal era celebrado no dia 6 de janeiro. Ou melhor, nesse dia celebravam-se o nascimento de Jesus, sua manifestação aos magos e sua manifestação no batismo. Era a festa da Epifania, ou seja, da tríplice Manifestação.

No Ocidente, ou seja, nas Igrejas do Oeste, a partir de Roma, entre 243 e 336, a festa começou a ser celebrada no dia 25 de dezembro.Os cristãos simplesmente aproveitaram uma festa pagã em honra do deus Sol, e deram-lhe um significado diferente: dia do nascimento do Cristo, sol e luz do mundo. Aos poucos a data começou a ser festejada também nas Igreja Orientais.

A data do nascimento de Jesus

Os textos de Mt. 2,19 e de Lc. 1,5 colocam o ano do nasci­mento de Jesus pouco antes da morte de Herodes, o Grande.

De acordo com os dados astronômicos e literários, Herodes teria morrido entre o dia primeiro e o dia 14 de Nisan do ano 4 a.C., que corresponde ao ano 750 da fundação de Ro­ma.

O historiador Flávio Josefo fornece alguns detalhes: Herodes morreu quando a festa dos ázimos estava para começar, precedida de um eclipse da lua: este teve lugar na noite entre 12 e 13 de março do ano 4 a.C.

Portanto, Jesus teria nascido cerca de 6 a.C. Entretanto, não faltam exege­tas que, em razão das dificuldades de conciliar os diversos calendários em uso naquele tempo, transferem a data para o ano 1 a.C. Recentemente, o exegeta M. E. Boismard, partindo de documentos bíblicos e literários, propôs a data de 3 a.C. As incertezas continuam. Uma coisa é certa: a cronologia atual baseia-se em cálculos errôneos de Dionísio, o Pequeno, que no séc. VI d.C. colocou o início da era cristã no ano 754 da fundação de Roma.

O  presépio

Quase já perdemos o sentido original da palavra presépio. Em latim, a palavra indicava um cercado, depois o cercado reservado para os animais.

Presépio é, pois, o estábulo, a cocheira, o curral. Só em relação à narrativa do nascimento de Jesus é que a palavra ganhou o sentido atual. Já em 404 temos uma descrição, parece que a primeira, da gruta em que Jesus nasceu. Está num texto de são Jerônimo que, por sinal, viveu muito tempo em Belém. Aos poucos, peregrinos que visitavam Belém, ao voltar para a pátria traziam uma lembrança marcante. Por isso começaram a surgir em muitos lugares Grutas de Belém, como hoje temos as Grutas de Lourdes.

Geralmente se diz que o Presépio , como o conhecemos, foi idéia de são Francisco de Assis. Em 1223, num pequeno lugar chamado Greccio, na Úmbria, Francisco pensou em tornar mais plástica a idéia do nascimento de Jesus.

Colocou numa gruta uma manjedoura, isto é: um cocho para alimentação de animais, um punhado de feno (capim seco), um boi e um jumento. Só isso. Nenhuma imagem de Maria, de José ou do Menino. Jesus estaria presente apenas pela Eucaristia que ali foi celebrada com muita piedade e festa.

Ao que parece o presépio mais antigo é o conservado na basílica de Santa Maria Maior, em Roma. Foi modelado por Arnolfo de Cambio, em 1280. Giotto (1267 - 1337), ao pintar o episódio do presépio de são Francisco em Gréccio, deixou-se levar pela fantasia e transportou a cena para uma bela catedral.

Foi principalmente a partir do século 15º que os presépios se espalharam por toda a Europa, como vitrais, esculturas, pinturas, ou representações teatrais.

Integravam-se assim na pedagogia geral da Igreja, que ensinava não só com palavras, principalmente não só com palavras impressas, mas também através das imagens e dos gestos. Desde o século 4º, porém, já havia nas Catacumbas pinturas com o Menino entre o boi e o jumento; às vezes apareciam também os pastores. Só mais tarde aparecem na cena Maria e os Magos.

A  missa  do  galo

A festa do Natal era considerada tão importante que, como a Festa da Páscoa, era celebrada com uma vigília solene.

A vigília consiste em passar a noite sem dormir (dessa palavra vem vigiar e velar), orando, lendo as Escrituras e celebrando a Eucaristia.

Por isso na Noite de Natal celebrava-se uma missa à meia noite (a Missa do Galo, que canta de madrugada), outra ao raiar do dia e outra depois de o sol já ter nascido.

Foram as conveniências, ou inconveniências, da vida moderna que estão levando a celebrar cada vez mais cedo a Missa do Galo.

Coroa  do  Advento

Nos países do Norte da Europa existe um costume que já chegou também entre nós: colocar a Coroa do Advento nas igrejas e casas. Trata-se de uma coroa formada com ramos de pinheiro ou de outras plantas, com quatro velas que se vão acendendo nos quatro domingos até o Natal. Cada vela representa a vivência de uma etapa da história do que Deus fez para nos salvar.

A primeira vela acesa lembra o perdão concedido a Adão e Eva. A segunda simboliza da fé de Abraão e dos outros Patriarcas, a quem foi anunciada a Terra Prometida. A terceira lembra a alegria do rei Davi que recebeu de Deus a promessa de uma aliança eterna. A quarta recorda os Profetas que anunciaram a chegada do Salvador.

E, é claro, cada vela que se acende mostra que a festa está mais perto. A Coroa do Advento pode ser uma boa ajuda para levar as crianças a viver mais intensamente a preparação para um Natal cristão de fato.